O apanhador no campo de centeio é um romance do escritor estado-unidense J. D. Salinger. O livro é uma obra do pós-guerra, publicado, pela primeira vez, em 1951. Fez muito sucesso desde sua publicação. O romance apresenta uma narrativa ágil, linguagem coloquial, inclusive com palavrões, e ironia.
O livro conta a história de Holden Caulfield, um jovem de 16 anos. Ele é expulso de mais um colégio de elite. Na volta para casa, decide perambular por Nova Iorque e adiar o retorno ao lar. Holden está perdido, não tem perspectivas de futuro, apesar de ser membro de uma família rica.
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Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre O apanhador no campo de centeio
- 2 - Análise da obra O apanhador no campo de centeio
- 3 - Características da obra O apanhador no campo de centeio
- 4 - Contexto histórico da obra O apanhador no campo de centeio
- 5 - J. D. Salinger, autor de O apanhador no campo de centeio
Resumo sobre O apanhador no campo de centeio
- Holden Caulfield é membro de uma família rica e estuda em um colégio de elite chamado Pencey Prep.
- Ele é expulso do colégio e, antes de voltar para casa, decide perambular por Nova Iorque.
- Conhece várias pessoas, relembra fatos de sua vida, caminha sem rumo, pois está existencialmente perdido.
- Narrado em primeira pessoa, o romance mostra esse momento da vida do narrador, que relata fatos aparentemente banais.
Análise da obra O apanhador no campo de centeio
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Personagens
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- Allie: irmão do narrador.
- Al Pike: estudante em Choate.
- Antolini: antigo professor de Holden.
- Bernice: conhecida pelo narrador em uma boate.
- Bob Robinson: um amigo do narrador.
- Carl Luce: antigo colega do narrador.
- Curtis Weintraub: colega de escola de Phoebe.
- D. B.: irmão do narrador.
- Dick Slagle: ex-companheiro de quarto do narrador.
- Dickstein: vizinhos da família do narrador.
- Ed Banky: técnico de basquete da Pencey.
- Ernest Morrow: estudante de Pencey.
- Ernie: dono de uma boate.
- Faith Cavendish: stripper.
- Hass: diretor de Elkton Hills.
- Herb Gale: estudante de Pencey.
- Holden Caulfield: narrador.
- Horwitz: taxista.
- Howie Coyle: estudante de Pencey.
- James Castle: colega de escola de Holden.
- Jane Gallagher: amiga do narrador.
- Janine: cantora de boate.
- Laverne: conhecida pelo narrador em uma boate.
- Lillian Antolini: esposa do professor Antolini.
- Lillian Simmons: conhecida de D. B.
- Mal Brossard: amigo do narrador.
- Marty: conhecida pelo narrador em uma boate.
- Maurice: ascensorista e cafetão.
- Paul Campbell: estudante de Pencey.
- Pete: ascensorista.
- Phil Stabile: estudante de Elkton Hills.
- Phoebe: irmã de Holden.
- Phyllis Margulies: colega de Phoebe.
- Robert Ackley: estudante de Pencey.
- Robert Tichener: estudante de Pencey.
- Rudolph Schmidt: zelador em Pencey.
- Sally Hayes: amiga do narrador.
- Selma Atterbury: colega de Phoebe.
- Selma Thurmer: filha do diretor.
- Spencer: professor de História.
- Sra. Schmidt: esposa do zelador.
- Sra. Spencer: esposa de Spencer.
- Sunny: prostituta.
- Tina: pianista em uma boate.
- Thurmer: diretor da Pencey.
- Valência: cantora de boate.
- Vinson: professor.
- Ward Stradlater: colega de quarto do narrador.
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Tempo
No romance, predomina o tempo cronológico, isto é, a história é narrada de forma linear, focada nos acontecimentos, e não no universo íntimo dos personagens. Mas há momentos de reflexões do narrador. Já a época em que a história se passa é o pós-guerra, ou seja, após 1945.
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Espaço
A história transcorre no internato Pencey, em Angerstown, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, além da cidade de Nova Iorque.
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Narrador
A narrativa conta com um narrador-personagem, pois é narrada pelo protagonista Holden Caulfield.
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Enredo
No início do livro, o narrador menciona que foi expulso da Pencey Prep, uma escola na Pensilvânia. Após as férias de Natal, ele não mais retornará:
Eles me chutaram. Em teoria eu não ia voltar depois das férias de Natal porque ia reprovar em quatro matérias e não estava me esforçando e tal. Eles ficavam me dando avisos que eu precisava me esforçar — especialmente na época das provas, quando os meus pais vieram pra uma reunião com o nosso amigo Thurmer —, mas eu não me esforçava. Aí tomei um pé. Volta e meia eles metem o pé na bunda dos carinhas na Pencey. Eles têm uma avaliação acadêmica bem bacana, lá na Pencey. Têm mesmo.
Holden, o narrador, vai visitar o professor de História: Spencer. O professor está gripado, e Holden é recebido pela senhora Spencer: “Os dois tinham lá seus setenta anos, ou até mais”. O professor menciona que Holden Caulfield teve dificuldade também em Whooton e Elkton Hills.
Conversam sobre o fato de Holden estar saindo de Pencey, onde Holden está morando agora:
Onde eu morava, lá na Pencey, era na ala Memorial Ossenburger do dormitório novo. Era só pra alunos de terceiro e de quarto ano. Eu era do terceiro. O meu colega de quarto era do quarto. O nome era por causa do tal desse Ossenburger que estudou na Pencey. Ele ganhou dinheiro a dar com o pau no ramo funerário depois que saiu da Pencey. O que ele fez foi que ele abria uns tais de uns salões funerários no país inteiro, que você podia enterrar os membros da tua família por cinco pratas cada. Você tinha que ver o nosso amigo Ossenburger.
O narrador considera-se “bem analfabeto”. No entanto, ele lê muito. A obra segue, Holden mostra sua rotina no dormitório, a relação com os colegas, acontecimentos da vida deles. A linguagem é ágil, coloquial, enquanto Holden relata acontecimentos aparentemente banais do dia a dia, inclusive de briga entre colegas.
Finalmente, Holden despede-se da escola e caminha para a estação com o objetivo de pegar um trem. No trem, encontra a mãe de um colega da Pencey, o Ernest Morrow. Holden mente para ela, diz se chamar Rudolf Schmidt, que é o nome do zelador do dormitório do internato.
Os dois conversam, ele mente descaradamente. Ele finalmente chega a Nova Iorque. E se hospeda no Edmont Hotel. O narrador segue apontando acontecimentos do seu dia a dia aparentemente banal. Mas a narrativa não é monótona, pelo contrário, é ágil, sem se prender a um fato específico.
Vai para uma boate chamada Lavender Room. Volta e meia, relembra de pessoas e conta histórias já passadas. Decide ir para o Ernie’s, outra boate, no Greenwich Village. Bate papo com o taxista. Na boate, encontra Lillian Simmons, com quem “meu irmão D.B. deu umas voltas com ela por um tempo”.
Volta a pé para o hotel e “a primeira coisa quando eu entrei no elevador foi que o ascensorista me disse, ‘Tá interessado numa festinha, meu amigo? Ou já tá tarde pra você?’”. O ascensorista é também um cafetão. Holden vai para o quarto esperar a prostituta Sunny.
Quando ela chega, eles conversam um pouco, e Holden desiste do sexo. Depois que ela vai embora, ele está deitado, fumando, quando batem à porta. É Sunny e o ascensorista Maurice. Maurice quer mais “cinco mangos”, pois Holden deu apenas cinco para Sunny, mas o preço era dez.
Maurice entra, pega o dinheiro, bate em Holden, um soco no estômago. Depois de dormir, Holden acorda e decide ligar para uma conhecida: Sally Hayes. Em seguida, faz as malas, sai do hotel e pega um táxi. Deixa a bagagem em um armário de uma estação, toma café, vai a pé na direção da Broadway.
Caminha, vê pessoas, entra em uma loja, até chegar a hora de ir ao teatro com a Sally. Após o teatro, vão patinar no gelo. No final das contas, ele diz para Sally que ela é “um pé no saco”. Novamente sozinho, ele vai comer um sanduíche. Sem mais nada para fazer: “Eu tinha um monte de tempo pra matar até as dez horas, então o que eu fiz foi que eu decidi ir ao cinema no Radio City”.
Depois vai ao Wicker Bar para encontrar um tal de Carl Luce. Durante todo esse dia, ele pensa em ligar “pra nossa amiga Jane”, mas não o faz. Ele, muito bêbado, acaba ligando para Sally Hayes. Também vai a um parque: “Aí eu saí do diabo do parque, e fui pra casa. Fui a pé. Não era tão longe, e eu não estava cansado e nem estava mais bêbado. Estava só frio demais e sem ninguém por perto”.
Acorda sua irmãzinha Phoebe, que lhe dá um abraço. Os pais não estão em casa. Depois de conversar bastante com ela, Holden decide ligar para seu antigo professor, chamado Antolini. Depois volta para o quarto, para conversar mais com a irmã. Ela liga o rádio, baixo para a empregada não ouvir.
Os pais de Holden chegam, ele consegue sair sem que o vejam:
Foi muitíssimo mais fácil sair da casa do que entrar, por alguma razão. Pra começo de conversa, eu nem estava mais me lixando muito se eles me pegassem. Não mesmo. Pensei que se me pegassem, me pegavam. Quase torci pra me pegarem, até.
Eu desci tudo de escada, em vez de pegar o elevador. Desci pela escada dos fundos. Quase quebrei o pescoço nuns dez milhões de cestos de lixo, mas consegui sair sim. O ascensorista nem me viu. Ele provavelmente ainda está achando que eu estou lá nos Dickstein.
Vai para a casa do professor Antolini. Conversam bastante, e o professor arruma o sofá da sala para que Holden durma ali. Depois de cair no sono:
Eu acordei, do nada. Não sei que horas eram nem nada, mas eu acordei. Eu senti uma coisa na minha cabeça, a mão de um cara. Rapaz, aquilo me deu um susto dos diabos. O que era aquilo, era a mão do professor Antolini. O que ele estava fazendo era que ele estava sentado no chão bem do ladinho do sofá, no escuro e tal, e estava meio que fazendo um carinho ou uma carícia na desgraça da minha cabeça. Rapaz, aposto que eu pulei coisa de duzentos metros.
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Holden decide buscar as malas na estação. Por fim, vai para um museu para entregar um bilhete para sua irmã Phoebe: “A escola dela era praticamente colada no museu, e ela tinha mesmo que passar por ali no caminho pra ir almoçar em casa, então eu sabia que ela ia poder me encontrar sim”.
No fim da obra, o narrador diz:
É só isso aí que eu vou te contar. Eu provavelmente podia te contar o que eu fiz depois que fui pra casa, e como eu fiquei doente e tal, e pra qual escola que em teoria eu devo ir no próximo outono, depois que eu sair daqui, mas eu não estou a fim. Não estou mesmo. Essas coisas não estão me interessando muito agora.
Um monte de gente, especialmente um tal psicanalista daqui, fica me perguntando se eu vou me esforçar quando voltar pra escola em setembro. É uma pergunta tão idiota, na minha opinião. Quer dizer, e tem como você saber o que vai fazer até chegar a hora de você fazer? A resposta é, não tem como. Eu acho que vou, mas como é que eu posso saber? Juro que é uma pergunta idiota.
Assim, a obra mostra as angústias do adolescente Holden Caulfield, membro de uma família rica. Em vários momentos da obra, inclusive, ele menciona que está com muito dinheiro, que é um gastador. Holden, apesar de pertencer a uma classe social privilegiada, sente-se perdido (aliás, ele tem algumas crises de choro) e não tem perspectivas para o futuro.
E se você está se perguntando qual é a explicação para o título do romance de Salinger, está aí o trecho do livro que nos dá uma pista:
“Você conhece aquela musiquinha, ‘Se alguém apanha alguém que vem pelo campo de centeio’? Eu ia querer —”
“É ‘Se alguém encontra alguém que vem pelo campo de centeio’!”, a nossa amiga Phoebe disse. “É um poema. Do Robert Burns.”
Anuncie aqui“Eu sei que é um poema do Robert Burns.”
Só que ela tinha razão. É “Se alguém encontra alguém que vem pelo campo de centeio”. Só que na época eu não sabia.
“Eu achava que era ‘Se alguém apanha alguém’”, eu disse. “Enfim, eu fico imaginando um monte de criancinhas brincando de alguma coisa num campo imenso de centeio e tal. Milhares de criancinhas, e ninguém está por ali — ninguém adulto, assim — fora eu. E eu estou parado na borda de um penhasco maluco. O que eu tenho que fazer é que eu tenho que pegar todo mundo se eles forem cair do penhasco — quer dizer, se eles estiverem correndo e não olharem pra onde vão eu tenho que aparecer de algum lugar e apanhar eles. Era a única coisa que eu ia fazer o dia todo. Eu ia ser o apanhador no campo de centeio e tal. Eu sei que é doido, mas é a única coisa que eu queria ser de verdade. Eu sei que é doido.”
Características da obra O apanhador no campo de centeio
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Estrutura
O romance, publicado, pela primeira vez, em 1951, possui 26 capítulos sem título.
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Estilo literário
O irônico romance de Salinger, normalmente, é considerado uma obra de transição entre o Modernismo e o Pós-modernismo. Sobre isso, Jia Gu, em seu artigo A study of the postmodernistic characteristics in The catcher in the rye, diz o seguinte:
[...], por meio da análise [...] sobre os traços linguísticos, a caracterização do anti-herói e a alienação presentes nesta obra, [...] O apanhador no campo de centeio é um clássico do romance de formação com algumas características aparentemente pós-modernistas [...]. Características marcantes como a fragmentação e a alienação, a descontinuidade da linguagem, a caracterização não tradicional e o transtorno mental — elementos típicos de uma obra pós-modernista que também se fazem presentes neste romance — jamais podem ser ignoradas.
Contexto histórico da obra O apanhador no campo de centeio
A obra de Salinger está situada no contexto do pós-guerra estado-unidense. Com o fim da guerra, o presidente Truman foi responsável por incentivar a aversão aos soviéticos. Tinha início a Guerra Fria (oposição entre Estados Unidos e União Soviética) e o American Way of Life (estilo de vida americano).
Houve, assim, forte valorização da cultura estado-unidense, além de otimismo econômico. O país era, enfim, uma potência mundial. Nesse contexto, o jovem Holden, integrante de uma rica família americana, expulso de um colégio de elite, mostra o outro lado do país, ao tentar transitar na marginalidade.
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J. D. Salinger, autor de O apanhador no campo de centeio
O escritor J. D. Salinger (Jerome David Salinger) nasceu em 1 de janeiro de 1919, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Era membro de uma família de classe média-alta e estudou na escola particular McBurney. Após ser expulso da escola, o pai colocou-o na Academia Militar de Valley Forge, em 1934.
Também estudou no Ursinus College, onde escrevia para o jornal da escola. Após estudar um ano na New York University, abandonou os estudos. Em 1940, publicou sua primeira narrativa na revista Story. Dois anos depois, foi recrutado para o exército, durante a Segunda Guerra Mundial, da qual participou, na Europa.
Em Nuremberg, foi internado em um sanatório, em 1945, por problemas psiquiátricos. Em 1951, publicou seu romance O apanhador no campo de centeio, pelo qual ficou famoso. O autor não gostava de aparecer, falar de sua vida pessoal ou dar entrevistas. Ele faleceu em 27 de janeiro de 2010, nos Estados Unidos.
Créditos da imagem
Fontes
CHANG, Caroline. David Copperfield e O apanhador no campo de centeio na perspectiva do romance de formação. 2002. Dissertação (Mestrado em Letras) – Instituto de Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2002.
GU, Jia. A study of the postmodernistic characteristics in The Catcher in the Rye. In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON EDUCATION, 3., 2016, Hangzhou. Proceedings [...]. Paris: Atlantis Press, 2016. Disponível em: https://www.atlantis-press.com/proceedings/icemct-16/25853823.
SALINGER, J. D. O apanhador no campo de centeio. Tradução de Caetano W. Galindo. São Paulo: Todavia, 2019.