Pedir para”, “pedir que”, “pedir para que”

O uso de “pedir para”, “pedir que” e “pedir para que” depende da construção da frase, da relação entre quem faz o pedido e quem realiza a ação solicitada nela, e da formalidade do texto.

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“Pedir para”, “pedir que” e “pedir para que” são construções parecidas, mas não devem ser usadas do mesmo modo, de acordo com a norma-padrão. As duas primeiras formas, “pedir para” e “pedir que”, são usadas da seguinte forma:

  • “pedir para” é seguida de um verbo no infinitivo e usada quando alguém solicita autorização para fazer algo;
  • “pedir que” é usada quando se solicita que alguém faça algo; o que introduz uma oração que apresenta verbo conjugado.

Já a forma “pedir para que” deve ser evitada em textos formais, pois a preposição para e a conjunção que são combinadas sem necessidade depois do verbo. Nesse caso, basta usar  “pedir que” e a frase já terá sentido.

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Leia também: “Ainda sim” e “ainda assim” — qual a diferença?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre “pedir para”, “pedir que” e “pedir para que”

  • “Pedir para” é uma construção usada, principalmente, quando alguém solicita autorização para fazer algo.
  • “Pedir que” é a forma recomendada quando se solicita que outra pessoa realize determinada ação.
  • “Pedir para que” deve ser evitado na norma-padrão, pois junta elementos que, em muitos casos, exercem a mesma função introdutória.
  • Em textos formais, a construção “pedir que” costuma ser mais clara e mais adequada do que “pedir para que”.

Usos de “pedir para”, “pedir que”, “pedir para que”

As expressões “pedir para”, “pedir que” e “pedir para que” aparecem em frases em que o verbo “pedir” introduz uma solicitação. A diferença entre elas está na forma como essa solicitação é construída.

Observe:

→ Pedir para

A construção “pedir para” é adequada quando o verbo seguinte está no infinitivo e indica uma ação que se quer realizar mediante autorização.

Exemplos:

  • Pedi para entrar na sala.
  • Ela pede para treinar mais vezes na semana.
  • As lideranças pedirão para apresentar o trabalho na semana seguinte.

Em todos esses casos, o sujeito pede permissão para fazer algo, que aparece representado pelo verbo no infinitivo (“entrar”, “treinar” e “apresentar”, respectivamente).

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→ Pedir que

A construção “pedir que” é usada quando o pedido envolve uma ação a ser realizada por outra pessoa. Nesse caso, a oração introduzida por “que” apresenta verbo conjugado, geralmente no modo subjuntivo.

Exemplos:

  • Pedi que você entrasse na sala.
  • Ela pede que os clientes treinem mais vezes na semana.
  • As lideranças pedirão que vocês apresentem o trabalho na semana seguinte.

Nesses exemplos, quem faz o pedido não é necessariamente quem realiza a ação solicitada. Em geral, alguém pede para outra pessoa executar uma ação (“você”, “os clientes”, “vocês”, respectivamente), que aparece conjugada no modo subjuntivo (“entrasse”, “treinem”, “apresentem”, respectivamente).

→ Pedir para que

A construção “pedir para que”, por sua vez, é frequente na linguagem cotidiana, mas é desaconselhada em textos que exigem maior formalidade.

Exemplos a evitar:

  • Pedi para que você entrasse na sala.
  • Ela pede para que os clientes treinem mais vezes na semana.
  • As lideranças pedirão para que vocês apresentem o trabalho na semana seguinte.

Veja também: O certo é “tampouco” ou “tão pouco”?

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Por que é errado usar “pedir para que”?

A forma “pedir para que” costuma ser considerada inadequada na norma-padrão porque combina, sem necessidade, a preposição para e a conjunção que depois do verbo “pedir”. Em geral, basta usar “pedir que”, para que a frase tenha sentido.

Veja a diferença:

  • Pedi para que ele esperasse.
  • Pedi que ele esperasse.

A construção “que ele esperasse” já completa o sentido do verbo “pedir”, indicando o conteúdo do pedido. Por isso, o uso de “para” torna-se dispensável.

É importante notar, porém, que “pedir para que” aparece com frequência na fala e em contextos informais. O problema ocorre principalmente quando a frase precisa seguir a norma-padrão, como em redações, provas, documentos, textos acadêmicos e textos jornalísticos.

Dicas de uso de “pedir para”, “pedir que”, “pedir para que”

Para evitar dúvidas, observe a estrutura da frase.

  • Quando o sentido for “solicitar permissão para fazer algo”, use:

pedir para + infinitivo

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  • Quando o sentido for “solicitar que alguém faça algo”, use:

pedir que + verbo conjugado

  • Evite pedir para que em textos formais. Prefira a maneira mais simples e eficiente de falar ou escrever (“pedir que”).

Saiba mais: Quando usar “vir” e “vim”?

Exercícios resolvidos sobre “pedir para”, “pedir que”, “pedir para que”

Questão 1

Assinale a alternativa em que a construção está adequada à norma-padrão.

A) O treinador pediu para os atletas retornassem ao campo.

B) A médica pediu que os pacientes aguardam na recepção.

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C) Os músicos pediram para gravar uma prévia do novo álbum.

D) Os moradores pediram para que a prefeitura instalasse novos semáforos.

E) O gerente pediu que os fornecedores entregarão os produtos até sexta-feira.

Resposta: Alternativa C.

A construção “pediram para gravar” está adequada porque indica que os músicos solicitaram permissão para realizar a ação de “gravar”.

Questão 2

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Leia a frase:

A gerente pediu para que os clientes aguardassem a chamada.

De acordo com a norma-padrão, a melhor reescrita para essa frase é:

A) A gerente pediu os clientes aguardarem a chamada.

B) A gerente pediu que os clientes aguardassem a chamada.

C) A gerente pediu os clientes para que aguardassem a chamada.

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D) A gerente pediu aos clientes aguardassem a chamada.

E) A gerente pediu para aguardar a chamada os clientes.

Resposta: Alternativa B.

O pedido refere-se a uma solicitação aos clientes. Dessa forma, basta retirar a preposição “para”: “A gerente pediu que os clientes aguardassem a chamada.”

Fontes

AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Parábola, 2021.

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BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 38ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7ª ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2016.

Diferenças e uso correto de “pedir para”, “pedir que” e “pedir para que”.
Cada expressão pode ser utilizada em um contexto específico.
Crédito da Imagem: Isa Galvão | Brasil Escola
Escritor do artigo
Escrito por: Guilherme Viana Bacharel e licenciado em Letras e em Educomunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Trabalha com produção de conteúdo didático nas áreas de língua portuguesa, literatura e redação.
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VIANA, Guilherme. "Pedir para”, “pedir que”, “pedir para que”"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/pedir-para-pedir-quepressupostos-semanticos.htm. Acesso em 31 de julho de 2026.
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