“Pedir para”, “pedir que” e “pedir para que” são construções parecidas, mas não devem ser usadas do mesmo modo, de acordo com a norma-padrão. As duas primeiras formas, “pedir para” e “pedir que”, são usadas da seguinte forma:
- “pedir para” é seguida de um verbo no infinitivo e usada quando alguém solicita autorização para fazer algo;
- “pedir que” é usada quando se solicita que alguém faça algo; o que introduz uma oração que apresenta verbo conjugado.
Já a forma “pedir para que” deve ser evitada em textos formais, pois a preposição para e a conjunção que são combinadas sem necessidade depois do verbo. Nesse caso, basta usar “pedir que” e a frase já terá sentido.
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Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre “pedir para”, “pedir que” e “pedir para que”
- 2 - Usos de “pedir para”, “pedir que”, “pedir para que”
- 3 - Por que é errado usar “pedir para que”?
- 4 - Dicas de uso de “pedir para”, “pedir que”, “pedir para que”
- 5 - Exercícios resolvidos sobre “pedir para”, “pedir que”, “pedir para que”
Resumo sobre “pedir para”, “pedir que” e “pedir para que”
- “Pedir para” é uma construção usada, principalmente, quando alguém solicita autorização para fazer algo.
- “Pedir que” é a forma recomendada quando se solicita que outra pessoa realize determinada ação.
- “Pedir para que” deve ser evitado na norma-padrão, pois junta elementos que, em muitos casos, exercem a mesma função introdutória.
- Em textos formais, a construção “pedir que” costuma ser mais clara e mais adequada do que “pedir para que”.
Usos de “pedir para”, “pedir que”, “pedir para que”
As expressões “pedir para”, “pedir que” e “pedir para que” aparecem em frases em que o verbo “pedir” introduz uma solicitação. A diferença entre elas está na forma como essa solicitação é construída.
Observe:
→ Pedir para
A construção “pedir para” é adequada quando o verbo seguinte está no infinitivo e indica uma ação que se quer realizar mediante autorização.
Exemplos:
- Pedi para entrar na sala.
- Ela pede para treinar mais vezes na semana.
- As lideranças pedirão para apresentar o trabalho na semana seguinte.
Em todos esses casos, o sujeito pede permissão para fazer algo, que aparece representado pelo verbo no infinitivo (“entrar”, “treinar” e “apresentar”, respectivamente).
→ Pedir que
A construção “pedir que” é usada quando o pedido envolve uma ação a ser realizada por outra pessoa. Nesse caso, a oração introduzida por “que” apresenta verbo conjugado, geralmente no modo subjuntivo.
Exemplos:
- Pedi que você entrasse na sala.
- Ela pede que os clientes treinem mais vezes na semana.
- As lideranças pedirão que vocês apresentem o trabalho na semana seguinte.
Nesses exemplos, quem faz o pedido não é necessariamente quem realiza a ação solicitada. Em geral, alguém pede para outra pessoa executar uma ação (“você”, “os clientes”, “vocês”, respectivamente), que aparece conjugada no modo subjuntivo (“entrasse”, “treinem”, “apresentem”, respectivamente).
→ Pedir para que
A construção “pedir para que”, por sua vez, é frequente na linguagem cotidiana, mas é desaconselhada em textos que exigem maior formalidade.
Exemplos a evitar:
- Pedi para que você entrasse na sala.
- Ela pede para que os clientes treinem mais vezes na semana.
- As lideranças pedirão para que vocês apresentem o trabalho na semana seguinte.
Veja também: O certo é “tampouco” ou “tão pouco”?
Por que é errado usar “pedir para que”?
A forma “pedir para que” costuma ser considerada inadequada na norma-padrão porque combina, sem necessidade, a preposição para e a conjunção que depois do verbo “pedir”. Em geral, basta usar “pedir que”, para que a frase tenha sentido.
Veja a diferença:
- Pedi para que ele esperasse.
- Pedi que ele esperasse.
A construção “que ele esperasse” já completa o sentido do verbo “pedir”, indicando o conteúdo do pedido. Por isso, o uso de “para” torna-se dispensável.
É importante notar, porém, que “pedir para que” aparece com frequência na fala e em contextos informais. O problema ocorre principalmente quando a frase precisa seguir a norma-padrão, como em redações, provas, documentos, textos acadêmicos e textos jornalísticos.
Dicas de uso de “pedir para”, “pedir que”, “pedir para que”
Para evitar dúvidas, observe a estrutura da frase.
- Quando o sentido for “solicitar permissão para fazer algo”, use:
pedir para + infinitivo
- Quando o sentido for “solicitar que alguém faça algo”, use:
pedir que + verbo conjugado
- Evite pedir para que em textos formais. Prefira a maneira mais simples e eficiente de falar ou escrever (“pedir que”).
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Exercícios resolvidos sobre “pedir para”, “pedir que”, “pedir para que”
Questão 1
Assinale a alternativa em que a construção está adequada à norma-padrão.
A) O treinador pediu para os atletas retornassem ao campo.
B) A médica pediu que os pacientes aguardam na recepção.
C) Os músicos pediram para gravar uma prévia do novo álbum.
D) Os moradores pediram para que a prefeitura instalasse novos semáforos.
E) O gerente pediu que os fornecedores entregarão os produtos até sexta-feira.
Resposta: Alternativa C.
A construção “pediram para gravar” está adequada porque indica que os músicos solicitaram permissão para realizar a ação de “gravar”.
Questão 2
Leia a frase:
A gerente pediu para que os clientes aguardassem a chamada.
De acordo com a norma-padrão, a melhor reescrita para essa frase é:
A) A gerente pediu os clientes aguardarem a chamada.
B) A gerente pediu que os clientes aguardassem a chamada.
C) A gerente pediu os clientes para que aguardassem a chamada.
D) A gerente pediu aos clientes aguardassem a chamada.
E) A gerente pediu para aguardar a chamada os clientes.
Resposta: Alternativa B.
O pedido refere-se a uma solicitação aos clientes. Dessa forma, basta retirar a preposição “para”: “A gerente pediu que os clientes aguardassem a chamada.”
Fontes
AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Parábola, 2021.
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 38ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7ª ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2016.