Fanfic

Fanfic ou Fanfiction é um gênero textual de caráter digital, também conhecido como “narrativa de fã”. Ela é baseada em uma obra-fonte pertencente à cultura de massa.

Imagem explicando o que é fanfic ou fanfiction e listando exemplos.
Fanfic ou Fanfiction é um gênero textual de caráter digital, também conhecido como “narrativa de fã”. (Créditos: Isa Galvão | Brasil Escola)
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Fanfic é um gênero textual. O termo “fanfic” é abreviação de “fanfiction” (narrativa de fã). Isso porque é um texto típico do universo fandom (grupo de fãs). Portanto, se você é fã de um personagem famoso de uma obra-fonte (livro, série ou filme da indústria do entretenimento), você pode criar uma fanfic.

Por exemplo, se você escrever uma história com o personagem Snoopy, ela é uma fanfic, já que o personagem já existe e não foi criado por você. Em função disso, é comum que autores de fanfics (ficwriters) mantenham o anonimato. Tais obras são publicadas em plataformas digitais em todo o mundo, para o deleite de fãs de determinada obra-fonte.

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Leia também: Thriller — subgênero literário que é uma narrativa ou um drama em que há suspense ou tensão

Tópicos deste artigo

Resumo sobre fanfic

  • Fanfic ou fanfiction é um gênero textual de caráter digital, também conhecido como “narrativa de fã”.

  • As fanfics são histórias que utilizam personagens famosos da cultura pop, presentes em livros, em filmes ou em séries, principalmente.

  • Autores de fanfics (ou ficwriters) “apropriam-se” de personagens de uma obra-fonte para criar novas histórias.

  • Existem diversos tipos de fanfics, sendo os principais:

    • AR/ RA: acontecimentos diferentes, mas na mesma realidade da obra-fonte;

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    • AU/ UA: os acontecimentos ocorrem em um universo distinto do nosso;

    • OC: presença de personagens criados pelo(a) ficwriter;

    • OOC: a personalidade do personagem é diferente daquela da obra-fonte;

    • OTP: possui um casal favorito retirado da narrativa-fonte;

    • YA: temática adolescente.

  • Autoras e autores de fanfics costumam ficar no anonimato ou escrever sob um pseudônimo ou nome de usuário nas plataformas digitais.

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  • A origem das fanfics está relacionada às fanzines, revistas independentes publicadas nos Estados Unidos a partir da década de 1930.

O que é fanfic?

A fanfic é um gênero textual. A palavra “fanfic” é abreviação da expressão inglesa “fanfiction” ou “fan fiction”, isto é, ficção de fã. Atualmente, é um gênero de texto típico do ciberespaço (espaço virtual), ou seja, mais um fenômeno pós-internet.

Normalmente, é um gênero consumido por jovens (mas não só), fãs de obras e personagens que seguem “vivos” nas fanfics. Isso porque uma autora ou um autor de fanfic “se apropria” de personagens de uma obra já conhecida para criar mais histórias com tais personagens. Isso não é considerado um plágio, mas uma homenagem do autor-fã à obra por ele cultuada.

Afinal, a autora e o autor de fanfics não afirmam ser criadores desses personagens. Por exemplo, se alguém escrevesse uma narrativa com o personagem Frodo, de O senhor dos anéis, como se tal personagem fosse criação sua, isso seria plágio. No entanto, ao criar e divulgar uma fanfic, fica claro que tal história é derivada de outra já existente e que os personagens apareceram, pela primeira vez, em uma narrativa original (“obra-fonte”).

Por fazer parte de uma cultura juvenil, as fanfics, a princípio, são derivadas de obras de entretenimento, pertencentes à cultura de massa. A fanfic é um texto digital, de modo que pode receber comentários, ser alterada e não ter um fim imediato. Além disso, a obra-fonte pode ser livro, série ou filmes, por exemplo.

Autoras e autores de fanfics não escrevem tais obras com fins lucrativos. Mas, é claro, por serem veiculadas em meio digital, pode ocorrer alguma forma de monetização em aplicativos ou em sites. De qualquer modo, a fanfic é uma obra de fã para fã. Também apresenta caráter intertextual com a narrativa-fonte. Assim, qualquer fã pode criar sua própria fanfic para a apreciação de outros fãs ou fandom (comunidade ou universo de fãs, fã-clube).

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Características da fanfic

A fanfic é uma narrativa que apresenta um personagem ou personagens de outra obra literária ou audiovisual conhecida. Quem escreve uma fanfic utiliza esse personagem ou outros personagens conhecidos em novas histórias. A autoria então se mostra na recriação de uma história que ainda não existia sobre um personagem criado por outra pessoa. Dessa forma, a fanfic possui um discurso próprio.

A autoria é de um(a) fã e tem como leitores outros fãs da obra original. Os personagens escolhidos são pertencentes à cultura pop ou cultura de massa. Alguém pode criar uma fanfic de uma obra pouco conhecida, mas o marcante no gênero fanfic são os personagens famosos, amplamente conhecidos por um grupo de fãs, os fandoms.

Ocorre a criação de enredos novos e de relacionamentos não existentes entre os personagens originais. Nesse caso, para o fã criador, a imaginação não tem limites. Isso porque as fanfics buscam satisfazer a sede do consumidor de entretenimento, que quer sempre mais. Além disso, qualquer fã pode ser autor de uma fanfic, basta ter tempo, disposição e imaginação.

Os personagens originais podem ser retirados de livros, de histórias em quadrinhos, de filmes ou de séries, de produtos da cultura popular de entretenimento. As temáticas são diversas, podendo os fãs-autores dar continuidade à história original, criar novas histórias ou dar protagonismo a personagens originalmente secundários. Autores de fanfics também podem criar novos personagens.

Já que há esse diálogo entre o texto-fonte e a narrativa de fã, a fanfic é intertextual (fenômeno linguístico que consiste no diálogo entre textos). Além disso, é, atualmente, um gênero fortemente digital, veiculado na internet por meio de sites ou de aplicativos, e isso permite maior interação entre fãs.

As fanfics são predominantemente narrativas. Portanto, apresentam personagens, enredo (trama), tempo e espaço em que a história transcorre. Nada impede que um texto dramático (feito para ser encenado) seja criado com tais características. No entanto, a fanfic está muito vinculada à narrativa de caráter popular disseminada em plataformas digitais.

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A autoria é compartilhada, já que a narrativa de fã é criada por um fã-autor ou uma fã-autora, mas com personagens e, muitas vezes, espaços criados pelo autor da obra original. As fanfics apresentam ícones da cultura popular, que são alvo de culto dos fãs. Está claro que esse gênero de texto existe em função dos fãs ou dos fandoms.

Dessa forma, é uma produção relacionada à cultura de massa (produzida pela indústria cultural em prol do entretenimento), à qual está associada ao fenômeno da idolatria, do culto, do apoio, da admiração, do entusiasmo, da paixão que envolve um grupo de fãs. Por envolver uma comunidade virtual, termos surgiram para definir conceitos relacionados às fanfics.

A mestre em Letras Daniele Rodrigues Nunes aponta alguns termos utilizados pelos fãs:

  • beta-reader —revisor de texto que faz a leitura prévia antes de sua postagem;

  • canon — elementos presentes na obra original;

  • capista — quem faz as capas para a narrativa;

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  • fandom — fã-clube de determinada obra ou personagem;

  • fanfiqueiro — quem está envolvido com fanfics;

  • fanon — oposto de “canon”, pois são elementos que não estão na obra-fonte;

  • ficwriter — quem escreve fanfic;

  • ship — casal, diminutivo de “relationship”;

  • shipper — quem torce por determinado casal.

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Assim, tais palavras fazem parte da cultura ou do universo dos fãs das fanfics.

Confira também: Quais são os principais gêneros digitais?

Tipos de fanfic

Segundo a mestre em Letras Érica Raquel Marchesine dos Santos, existem, atualmente, diversos tipos de fanfic. Alguns deles são:

  • AR/RA (Realidade Alternativa) — acontecimentos diferentes, mas na mesma realidade da narrativa-fonte;

  • AU/UA (Universo Alternativo) — os acontecimentos ocorrem em outro universo que não o nosso.

  • OC (Personagem Original) — possui também personagens criados por quem escreve a fanfic;

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  • OOC (Fora do Personagem) — a personalidade do personagem é diferente daquele da obra-fonte;

  • OTP (Um Casal Verdadeiro) — possui um casal favorito retirado da narrativa-fonte;

  • POV (Ponto de Vista) — o narrador é um personagem;

  • SAP (Tão Doce Quanto Possível) — narrativas “doces” e agradáveis;

  • TWT (Tempo? Que Tempo?) — não utiliza uma cronologia linear;

  • YA (Jovens Adultos) — temática adolescente.

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As siglas que nomeiam cada tipo de fanfic são originadas do inglês. Coloquei, entre parênteses, a tradução em português indicada pela pesquisadora mencionada acima.

Diante dessa diversidade, é possível concluir que outros tipos de fanfic devem existir além desses mencionados, pois gêneros textuais digitais estão sujeitos a constante transformação e ampliação.

Autores de fanfic

Autoras e autores de fanfics não costumam se identificar, de modo que o anonimato nesse gênero de texto é muito comum. De acordo com a pesquisadora Daniele Rodrigues Nunes:

O anonimato dos autores é utilizado como forma de proteção, afinal a fanfic é uma prática controversa quando se pensa na questão da autoria. Desde a criação, os ficwriters, mesmo que orgulhosos de seus trabalhos, sofrem perseguição não apenas dos autores das obras que se inspiraram, mas da própria academia, afinal a fanfic pode ser considerado parte da Literatura?

Assim, ficwriters usam pseudônimos ou publicam de forma anônima, sendo essa uma característica marcante do gênero. Porém, uma ficwriter famosa é a autora estado-unidense Cassandra Clare. Ela começou sua carreira escrevendo as fanfics famosas Trilogia de Draco, baseada em Harry Potter, e Os diários muito secretos, referente ao universo de O senhor dos anéis.

Atualmente, essa escritora tem seus próprios livros e é autora de best-sellers, como a obra Os instrumentos mortais. Já a inglesa E. L. James, autora da famosa obra Cinquenta tons de cinza, também já escreveu uma fanfic sobre o livro Crepúsculo, chamada de Mestre do universo.

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Os ficwriters da atualidade, que não possuem obra própria, publicam nas plataformas com pseudônimo ou nome de usuário, de forma que não é possível identificar as pessoas que escrevem essas fanfics, mesmo que famosas.

Exemplos de fanfic

Antes de se tornar famosa, a escritora inglesa E. L. James escreveu uma fanfic baseada na obra-fonte Crepúsculo, da estado-unidense Stephenie Meyer. A fanfic de James era intitulada Mestre do universo, com os personagens da obra-fonte: Edward Cullen e Bella Swan.

Mais tarde, inspirada em tais personagens, ela criou Christian Grey e Anastasia Steele, protagonistas de Cinquenta tons de cinza. Nessa obra, a doce estudante universitária Anastasia envolve-se com o bilionário sadomasoquista Christian Grey. Já em Crepúsculo, a doce adolescente Bella envolve-se com o vampiro Edward.

Assim, Cinquenta tons de cinza fala de poder, mas não mais de um vampiro e, sim, de um bilionário. A fanfic de James não pode ser publicada por questões de direitos autorais, mas dela surgiu a inspiração para escrever o romance Cinquenta tons de cinza, do qual transcrevo um trecho:

Empurro a porta, tropeço em meus próprios pés e caio estatelada no escritório.

Merda: eu e meus dois pés esquerdos! Caio de quatro no vão da porta da sala do Sr. Grey e mãos delicadas me envolvem, ajudando-me a levantar. Que vergonha, maldita falta de jeito! Tenho que me armar de coragem para erguer os olhos. Caramba... ele é muito jovem.

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— Srta. Kavanagh. — Ele estende uma mão de dedos longos quando já estou de pé. — Sou Christian Grey. A senhorita está bem? Gostaria de se sentar?

Muito jovem. E atraente, muito atraente. É alto, está vestindo um belo terno cinza, camisa branca e gravata preta, tem o cabelo revolto acobreado e olhos cinzentos vivos que me olham com astúcia. Custo um pouco a conseguir falar.

— Hum. Na verdade... — murmuro.

Se esse cara tiver mais de trinta anos, eu sou um mico de circo. Aturdida, coloco minha mão na dele e nos cumprimentamos. Quando nossos dedos se tocam, sinto um arrepio excitante me percorrer. Retiro a mão rapidamente, envergonhada. Deve ser eletricidade estática. Pisco depressa, no ritmo da minha pulsação.

— A Srta. Kavanagh está indisposta, e me mandou no lugar dela. Espero que não se importe, Sr. Grey.

— E seu nome é?

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A voz dele é quente, possivelmente está achando divertido, mas é difícil dizer por sua expressão impassível. Ele parece um pouco interessado, mas acima de tudo educado.

— Anastasia Steele. Estudo Literatura Inglesa com Kate, hum, Katherine... hum... a Srta. Kavanagh, na WSU em Vancouver.

After é outro exemplo de fanfic que levou à criação de um romance autoral. Nesse caso, a fanfic tinha como personagem Harry Styles (cantor inglês, que foi vocalista da banda One Direction). Os outros integrantes da banda pop também eram personagens da história.

Quando After se transformou em livro, a autora estado-unidense Anna Todd usou seu ídolo como inspiração para criar o seu protagonista Hardin Scott. Na história, o casal romântico e protagonista da obra são o bad boy Hardin e a universitária Tessa:

Desde nosso primeiro encontro, Hardin mudou minha vida mais do que qualquer cursinho ou grupo de leitura. De repente eu estava vivendo os filmes que tinha visto na adolescência, e aquelas tramas ridículas eram realidade. Eu teria feito alguma coisa diferente se soubesse o que aconteceria mais para a frente? Não sei. Adoraria ter uma resposta para essa pergunta, mas não tenho. Às vezes me sinto grata por tudo, tão dominada de paixão que meu juízo vai para o espaço, e a única coisa em que consigo pensar é nele. Em outras ocasiões, penso no sofrimento que Hardin me causou, na saudade que sinto de quem eu era, no caos daqueles momentos em que vi meu mundo ser virado de cabeça para baixo, e a resposta deixa de ser clara.

A única certeza que tenho é de que minha vida e meu coração nunca mais serão os mesmos depois de Hardin.

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O famoso livro A hipótese do amor, da italiana Ali Hazelwood, também foi originado de uma fanfic, intitulada Head over feet. A narrativa tinha como protagonistas os personagens Rey e Kylo Ren, da obra Guerra nas estrelas. No romance, tais personagens se transformaram em Olive Smith (Rey) e Adam Carlsen (Kylo Ren).

O romance mostra um namoro falso entre a estudante de doutorado Olive e seu professor Adam. E o resto todo mundo já sabe: o que era mentirinha acaba virando romance de verdade, que começa assim:

Carlsen fez que sim com a cabeça e se virou, parecendo um tanto desorientado. Deu alguns passos no corredor até o bebedouro — talvez estivesse indo para lá antes daquilo tudo.

Olive começava a acreditar que fosse se safar quando ele parou e se virou para ela novamente, uma expressão incrédula no rosto.

— Tem certeza?

Droga.

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— Eu... — Ela cobriu o rosto com as mãos. — Não é o que parece.

— Está bem. Eu... Está bem — repetiu ele, devagar. Sua voz era grave, baixa e soava como se ele estivesse prestes a ficar bem irritado. — O que está acontecendo aqui?

Simplesmente não havia como explicar. Uma pessoa normal teria achado a situação de Olive esquisita, mas Adam Carlsen, que obviamente considerava empatia um empecilho e não um traço de humanidade, nunca entenderia. Ela deixou as mãos penderem ao lado do corpo e respirou fundo.

— Eu... Olha, não quero ser grossa, mas isso não é da sua conta.

Ele a encarou por um instante, depois assentiu.

— Sim. É claro. — Ele devia estar retornando ao seu estado habitual, porque o tom de voz perdeu aquele ar de surpresa e voltou ao normal: seco e lacônico. — Vou então voltar pra minha sala e começar a redigir minha queixa baseada no Título IX.

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Veja também: Romantasia — subgênero literário caracterizado pela presença de uma história de amor e de elementos fantásticos

Origem da fanfic

As narrativas de fã começaram a ser produzidas para serem publicadas nas fanzines (revistas de caráter artesanal e independente editadas por fãs). Tais revistas tinham como público-alvo outros fãs. Assim, as fanfictions foram criadas nos Estados Unidos, na década de 1930, para serem publicadas nas fanzines.

Segundo Érica Raquel Marchesine dos Santos, com o sucesso comercial do livro infantojuvenil Harry Potter, a partir de 1997, essa obra gerou várias fanfictions no Brasil, o que popularizou o gênero em nosso país. Desse modo, a fanfic, desde sua origem, teve como veículos de publicação, em processo evolutivo, fanzines, blogues, sites, plataformas de autopublicação e aplicativos.

Fontes

HAZELWOOD, Ali. A hipótese do amor. Tradução de Thaís Britto. São Paulo: Arqueiro, 2022.

JAMES, E. L. Cinquenta tons de cinza. Tradução de Adalgisa Campos da Silva. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2015.

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NUNES, Daniele Rodrigues. Fanfic on-line: caracterização a partir do modelo didático de gênero. 2022. Dissertação (Mestrado em Letras) – Centro de Educação, Comunicação e Artes, Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Cascavel, 2022.

SANTOS, Érica Raquel Marchesine dos. A fanfic como gênero: uma análise do contexto de produção de textos escritos nas plataformas de autopublicação. 2024. Dissertação (Mestrado em Letras) – Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Paulo, Guarulhos, 2024.

TODD, Anna. After. Tradução de Alexandre Boide e Carolina Caires Coelho. São Paulo: Paralela, 2014.  

Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
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SOUZA, Warley. "Fanfic"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/redacao/fanfic.htm. Acesso em 15 de abril de 2026.
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