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Sílica e Silicose

Química

A sílica é o mineral dióxido de silício que está presente nas rochas, areias, quartzo, quartzito e em outros materiais. A inalação do seu pó causa a silicose.
Quartzito – mineral que contém sílica e que levou 47 mineradores em Alpinópolis a desenvolverem silicose
Quartzito – mineral que contém sílica e que levou 47 mineradores em Alpinópolis a desenvolverem silicose
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A sílica é um composto duro, o dióxido de silício (SiO2), que forma macromoléculas em que cada átomo de silício liga-se a quatro átomos de oxigênio, seguindo os vértices de um tetraedro regular, e cada átomo de oxigênio, por sua vez, está ligado a dois átomos de silício, como mostra a ilustração a seguir:

Estrutura de cristal do dióxido de silício – sílica
Estrutura de cristal do dióxido de silício – sílica

Esse grupo pode ligar-se a elementos químicos diferentes e formar vários tipos de minerais de sílica, tais como o quartzo, o quartzito, a tridimita, a critobalita, a opala, a argila e a areia. A sílica está tão presente nas areias e minerais que, sozinha ou combinada com outros elementos, corresponde a cerca de 60% em peso de toda a crosta terrestre.

Imagem de quartzo, o maior responsável pelo desenvolvimento de silicose em trabalhadores
Imagem de quartzo, o maior responsável pelo desenvolvimento de silicose em trabalhadores

A sílica está muito presente em vários produtos usados em nosso cotidiano e ainda mais nas fábricas e indústrias que os produzem. Os principais pontos de contato dos trabalhadores com a sílica estão na mineração, principalmente na de extração de ouro, garimpo, construção civil, em que túneis e poços são escavados, além do polimento de fachadas; indústria de cerâmica, metalurgia, fundição e siderurgia. Em todas essas áreas são feitos trabalhos tais como o de lixar, furar, esmerilhar, cortar, montar, desmontar, moldar, polir e assim por diante, que são atividades que deixam o trabalhador em contato com as partículas de sílica que aparecem na forma de poeira.

Mas esse contato é muito perigoso! Para se ter uma ideia, no dia 20 de fevereiro de 2014, a imprensa noticiou que a Superintendência do Ministério do Trabalho e Emprego do Estado de Minas Gerais realizou uma operação que identificou pelo menos 8000 pessoas que estavam trabalhando em condições precárias em empresas de exploração de quartzito na cidade de Alpinópolis, no estado de Minas Gerais. E o pior foi que 47 desses trabalhadores foram diagnosticados com silicose.

A silicose é uma doença causada exatamente pela inalação de finas partículas de sílica cristalina, que são absorvidas pelos pulmões, que, por sua vez, reagem, causando o acúmulo de tecido fibrótico, isto é, o pulmão vai endurecendo. Essa é, portanto, uma doença de cunho ocupacional, ou seja, que é desenvolvida basicamente no ambiente de trabalho, quando tais pessoas trabalham em condições inadequadas.

A legislação permite um limite de tolerância de 0,1mg/m³, mas isso não quer dizer que seja um ambiente seguro. Mesmo nesse nível, pode ocorrer silicose, que se desenvolve de maneira bem lenta.

A silicose crônica é a mais comum e aparece somente cerca de 20 anos após a exposição à poeira de sílica. Outras formas podem aparecer mais rápido em virtude da inalação de altas concentrações de sílica, manifestando-se em cerca de 5 a 10 anos. Há também a silicose subaguda e a aguda, em que as complicações e os riscos são maiores.

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O diagnóstico começa pelos sintomas, que são fadiga, falta de ar, tosse, tontura, fraqueza e emagrecimento. O médico deve realizar uma análise do histórico ocupacional e realizar uma radiografia de tórax, que pode indicar silicose quando aparecem pequenos nódulos em todo o tecido pulmonar, com um aspecto de “salpicado” na chapa.

A inalação de poeira de sílica também pode levar ao câncer e a outras doenças pulmonares, já que o pulmão fica enfraquecido. Essa ocorrência já causou a invalidez e morte de milhares de trabalhadores.

A principal atividade de trabalho que causa a silicose é o jateamento de areia, mostrado na figura a seguir. A Lei nº 1.670 de 1999 proíbe o jateamento com areia em qualquer material em todo o país. Veja a quantidade de poeira que é formada e como o trabalhador fica facilmente exposto à sua inalação:

Jateamento de areia em estruturas metálicas no canteiro de obras
Jateamento de areia em estruturas metálicas no canteiro de obras

Infelizmente, a silicose não tem cura e pode continuar evoluindo mesmo depois que a exposição à sílica cessa. Mas os trabalhadores e os donos das empresas precisam se conscientizar do risco e de como é possível evitá-la facilmente. Algumas atitudes que podem ser tomadas são:

* No caso do jateamento de areia, mudar-se o abrasivo, ou seja, realizar o jateamento com outros produtos ou com água;

* Trocar equipamentos que lixam, cortam ou perfuram a seco por equipamentos que realizam essas mesmas atividades de forma úmida. A Portaria nº 43, de 11 de março de 2008, do Ministério do Trabalho e Emprego, proíbe máquinas que cortam ou fazem acabamento de pedra a seco. Todas devem ter água acoplada;

* Realizar limpeza regular do local de trabalho com aspirador, e não com vassoura ou outro método que espalhe ainda mais o pó de sílica;

* Instalação de sistema de ventilação exaustora que captura a poeira no local onde é formada e impede o seu espalhamento;

*Enclausuramento mecânico de equipamentos;

*Sinalização com cartazes;

*Não se alimentar no ambiente de trabalho;

* Não descansar ou ficar muito tempo no local em que pode haver poeira de sílica;

* Usar equipamentos de proteção individual adequados;

* As roupas devem ser colocadas ao chegar à indústria e devem ser lavadas pela própria empresa, ou seja, os funcionários não devem levá-las para casa;

* Medições regulares da concentração de pó de sílica no ambiente de trabalho e exames nos trabalhadores devem ser realizados.
 

Por Jennifer Fogaça
Graduada em Química

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

FOGAçA, Jennifer Rocha Vargas. "Sílica e Silicose"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/quimica/silica-silicose.htm. Acesso em 16 de julho de 2019.

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