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O gelo que pega fogo

Química

O gelo que pega fogo é o hidrato de metano, sendo que o metano produzido na decomposição de matéria orgânica no fundo dos oceanos fica aprisionado dentro do gelo.
Imagem de algo que parece gelo pegando fogo
Imagem de algo que parece gelo pegando fogo
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Na ilustração acima vemos o que parece pedaços de neve que estão pegando fogo. Será que isso é realmente possível? É sim, e não só com cubos de gelo, mas até mesmo em água líquida, como ocorre em alguns lagos e rios. Um exemplo é o Rio Branco, que fica a 300 km ao norte de Cuiabá, na região Amazônica, no estado do Mato Grosso. Os visitantes podem ver a geração de fogo na superfície do rio.

No ano de 1996, os pesquisadores alemães Erwin Suess, Gerhard Bohrmann e Jens Greinert coletaram amostras de algo parecendo neve da lama do fundo do Oceano Pacífico que pegava fogo. Além disso, pela primeira vez na história, em março de 2013, um navio japonês, depois de anos de pesquisa, conseguiu extrair esse “gelo que arde” de uma profundidade de 1 km.

No entanto, é evidente que não se trata de cubos de gelo normais, na verdade, o que faz pegar fogo é uma substância chamada hidrato de metano, que é branco, parecendo bastante com gelo.

O metano (CH4) é um gás produzido por meio da decomposição de matéria orgânica, como plantas e animais mortos. No fundo dos oceanos, onde a pressão é muito mais elevada e a temperatura é baixa, há o ambiente propício para os micro-organismos sintetizarem a matéria orgânica e produzirem metano. Esse gás é então encapsulado por cristais de gelo.

Hidrato de metano dissociando-se no fundo do mar em gás metano

Quando está próximo à temperatura de congelamento da água, o hidrato de metano é bastante estável. Mas em temperatura ambiente, ele decompõe-se rapidamente, liberando o metano, que é bastante inflamável.

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Imagem maior de hidrato de metano pegando fogo e imagem menor mostrando moléculas de água encapsulando o metano

No caso do Rio Branco mencionado, a matéria orgânica proveniente da floresta é muito grande e cai

nesse rio, gerando grande quantidade de gás metano, que forma bolhas na superfície. Quando se mexe no fundo do rio, libera-se ainda mais gás que pode ser queimado.

Agora o ponto mais interessante do “gelo que pega fogo” é que a energia armazenada nele pode ser uma fonte em potencial para a geração de energia. Além disso, as suas reservas são bem maiores que a dos combustíveis fósseis, pois elas estão em todos os oceanos.

O Japão inclusive disse que espera começar a produção em seis anos. Mas existem algumas desvantagens, tais como a dificuldade para se extrair o metano de profundidades muito grandes, nem sempre é economicamente viável e o pior de tudo: o gás metano é altamente poluente. O seu escape para a atmosfera no processo de extração agravaria problemas como o efeito estufa e o aquecimento global. Isso porque o metano também é um gás-estufa, ou seja, absorve o calor do Sol refletido pela superfície terrestre e, além disso, reage com o oxigênio livre presente na atmosfera, produzindo o dióxido de carbono, que, atualmente, é o maior causador do efeito estufa.


Por Jennifer Fogaça
Graduada em Química

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

FOGAçA, Jennifer Rocha Vargas. "O gelo que pega fogo"; Brasil Escola. Disponível em <https://brasilescola.uol.com.br/quimica/o-gelo-que-pega-fogo.htm>. Acesso em 15 de agosto de 2018.

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