Laranja mecânica

Laranja mecânica é um romance do escritor inglês Anthony Burgess. Ele faz parte da literatura de pós-guerra britânica. E conta a história de Alex, um jovem ultraviolento.

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Laranja mecânica é um romance do escritor inglês Anthony Burgess. O livro é uma obra pós-modernista do pós-guerra. Ele apresenta temática social, caráter distópico e experimentalismo linguístico (o narrador e protagonista usa neologismos que compõem o “nadsat”, um vocabulário fictício formado por gírias).

O livro conta a história de Alex, um jovem sem limites e adepto da ultraviolência. Ao cometer um assassinato, é preso e passa por um tratamento de condicionamento para sentir-se mal diante da violência. No final, o processo é revertido por questões políticas, e Alex volta à sua natureza violenta.

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre Laranja mecânica

  • Alex e seus “druguis” Georgie, Pete e Tosko são jovens adeptos da ultraviolência.
  • À noite, eles agridem pessoas violentamente e também roubam.
  • A vida de Alex muda quando, em uma noite, ele invade uma casa e mata uma mulher.
  • Na prisão, ele divide a cela com outros detentos, e, quando um novato é espancado até a morte, Alex leva a culpa.
  • Alex é submetido a um tratamento de condicionamento e, 15 dias depois, está “curado”, então é solto.
  • Durante todo esse tempo de condicionamento, foi obrigado a assistir cenas de ultraviolência, o que o levou a sentir-se mal diante da violência.
  • Volta para casa e descobre que seu quarto está ocupado por um inquilino.
  • Sem lugar para morar, sai sem rumo e encontra Tosko e Billyboy, antigos “druguis”, que agora são policiais.
  • Após ser violentamente agredido por eles, Alex encontra abrigo na casa do escritor a quem agrediu no passado.
  • Ao sentir mal-estar por ouvir uma música, devido ao condicionamento, acaba pulando pela janela do quarto.
  • Esse acontecimento é usado pela opinião pública para criticar a política do governo atual.
  • O processo de condicionamento é revertido, e Alex volta a ser como era antes, ou seja, normalmente violento.

Análise da obra Laranja mecânica

  • Personagens

    • Alex: narrador e protagonista.
    • Andy: dono da loja de discos.
    • Billyboy: líder de uma gangue.
    • Branom: assistente de Brodsky.
    • Brodsky: médico.
    • Chefe Chasso: chefe dos guardas da prisão.
    • D. B. da Silva: amigo do escritor.
    • Diretor: diretor da prisão.
    • Doutor: companheiro de cela.
    • Esposa do escritor: vítima.
    • F. Alexander: escritor.
    • Georgie: “druguis” de Alex.
    • Georgina: esposa de Pete.
    • Joe: inquilino.
    • Jojohn: companheiro de cela.
    • Judeuzão: companheiro de cela.
    • Len: “druguis” de Alex.
    • Mama Slouse: esposa de Slouse.
    • Marty: moça que Alex conhece em uma loja.
    • Oficial de Condicional.
    • Parede: companheiro de cela.
    • Pete: “druguis” de Alex.
    • P. R. Deltoid: Conselheiro Pós-Correcional.
    • “Ptitsa velha”: vítima.
    • Rick: “druguis” de Alex.
    • Rubinstein: amigo do escritor.
    • Slouse: dono de uma loja.
    • Sonietta: moça que Alex conhece em uma loja.
    • Tosko: “druguis” de Alex.
    • Touro: “druguis” de Alex.
    • “Vekio”: vítima.
    • “Velho e borbulhante pianitza”: vítima.
    • Z. Dolin: amigo do escritor.
    • Zofar: companheiro de cela.

  • Tempo

A obra conta com tempo cronológico, isto é, tempo linear, focado nas ações dos personagens. Já a época futurista em que transcorrem os fatos não é especificada.

  • Espaço

O espaço da ação é fictício, criado pelo autor, como, por exemplo “Marghanita Boulevard”, o bar “Duque de Nova York na Amis Avenue”, “Attlee Avenue” etc. Assim, é uma cidade inglesa fictícia não nomeada.

  • Narrador

A obra conta com narrador-personagem, pois é narrada por Alex, o protagonista da história, o qual participa ativamente do enredo.

  • Enredo

Antes de mais nada, preciso informar que a obra apresenta um experimentalismo linguístico. Assim, o narrador utiliza palavras novas que lembram uma gíria juvenil, chamada de linguagem “nadsat”. Portanto, o romance começa com Alex e seus “druguis” Pete, Georgie e Tosko.

Segundo o narrador, “estávamos no Lactobar Korova botando nossas rassudoks pra funcionar e ver o que fazer naquela noite de inverno sem-vergonha, fria, escura e miserável, embora seca”. Além disso, Alex e seus amigos são assim descritos segundo a moda da época:

Nós quatro estávamos no auge da moda, o que naqueles dias era vestir um par de calças pretas bem justas com o bom e velho molde de geleia, como a gente chamava, encaixado na virilha por dentro das calças para proteger, além do que também formava uma espécie de desenho que dava para videar com bastante clareza, dependendo da luz. Eu tinha um em forma de aranha.

Naquela noite, encontram “um vekio starre estilo professor aloprado, de óculos e rot aberta no ar frio da notchi” e agridem-no. Entram no bar “Duque de Nova York na Amis Avenue”. Depois, “nós estávamos virando a esquina na direção da Attlee Avenue, e tinha uma loja de doces e cânceres ainda aberta”.

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Eles colocam máscaras, entram na loja e agridem violentamente o dono Slouse e sua esposa, Mama Slouse, além de os roubarem. Voltam ao bar Duque de Nova York, o que serve como álibi, quando policiais entram no bar em busca dos agressores mascarados. Quando saem do bar, encontram nova vítima:

Quando saímos do Duque de Nova York, videamos pela janela comprida e iluminada do bar principal um velho e borbulhante pianitza ou bêbado, uivando as canções indecentes de seus pais e um blurp blurp no meio como se uma orquestra velha de merda estivesse tocando nas suas tripas podres e fedidas. Se tem uma veshka que eu não tolero é essa.

Batem nele. Depois, “virando a esquina da Usina de Força Municipal”, cruzam “com Billyboy e seus cinco druguis”. As duas gangues enfrentam-se. Escutam sirenes da polícia e fogem. Alex e seus “druguis” roubam um carro e vão para um vilarejo. Colocam suas máscaras e invadem um chalé. É a casa de um escritor:

— É um livro — disse eu. — É um livro o que você está escrevendo. — Fiz aquela velha goloz, bem grossa. — Sempre tive a maior admiração por aqueles que sabem escrever livros. — Então olhei a folha de cima, e lá estava o nome — LARANJA MECÂNICA — e eu disse: — Mas que título glupi. Onde já se ouviu falar numa laranja mecânica? — Então eu li um malenk alto fazendo um tipo de goloz alta de pastor: “...A tentativa de impor ao homem, uma criatura evoluída e capaz de atitudes doces, que escorra suculento pelos lábios barbados de Deus no fim, afirmo que a tentativa de impor leis e condições que são apropriadas a uma criação mecânica, contra isto eu levanto minha caneta-espada...”.

Agridem o escritor e sua esposa violentamente, depois quebram tudo. Entram no carro e voltam para a cidade. Pegam um trem: “Saímos no Centro e caminhamos devagar de volta ao Lactobar Korova”. Em seguida, eles se separam e cada um vai para sua casa. No dia seguinte, quando Alex está sozinho em casa, tocam a campainha. É um tal de P. R. Deltoid, Conselheiro Pós-Correcional de Alex:

— Bem — disse P. R. Deltoid —, é só modo de dizer o que eu te digo agora. Tome cuidado, jovem Alex, porque da próxima vez, como você sabe muito bem, não vai mais ser a escola correcional. Da próxima, vai ser o xilindró, e todo o meu trabalho estará arruinado. Se você não tem consideração pelo seu horrível eu, pelo menos poderia ter um pouco por mim, que suou a camisa por você. Uma grande mancha negra, isso eu lhe digo entre nós, para cada um que não recuperamos, uma confissão de fracasso para cada um de vocês que acaba no xadrez.

Após a partida de Deltoid, Alex pega um ônibus e vai para o Centro. Entra em uma loja de discos chamada Melodia. Compra um disco com a Nona de Ludwig van (Beethoven). Ali encontra duas jovens (Marty e Sonietta) e as leva para comer no:

Pasta Parlour logo ali na esquina e deixei que enchessem suas litsos inocentes com espaguete e salsichas e bombas de creme e bananas-split e calda de choc quente, até quase ficar enjoado de ver, irmãos, almoçando frugalmente uma fatia de presunto frio com uma porção de chili. Aquelas duas jovens ptitsas eram muito parecidas, embora não fossem irmãs.

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Depois as leva para a casa dele, para o seu quarto, para ouvirem música:

O que foi feito realmente ali naquela tarde não há necessidade de descrever, irmãos, como todos podem facilmente adivinhar. Aquelas duas ficaram sem platis e smekando, no ponto para bater num instantinho, e elas acharam que era a maior diversão videar o velho titio Alex ali em pé todo nagoi e de cabo de panela duro, esguichando a hipodérmica como um médico experiente, e então injetando a velha dose de secreção de gato selvagem no ruka.

O pai de Alex parece ignorar o que ele faz à noite: “— Não que eu queira me meter, filho, mas onde exatamente você vai trabalhar à noite?”. Na segunda noite, os “druguis” encontram Alex perto de sua casa. Vão para o Duque de Nova York. Saem dali com mais um plano de violência:

Logo depois do Duque de Nova York, na direção leste, havia escritórios e também havia a biblio surrada starre e depois o bolshi flatbloco chamado Flatbloco Victoria por causa de alguma vitória qualquer em alguma coisa, e depois você chegava às casas meio starres da cidade que era chamada Cidade Velha.

Ali Alex invade uma casa e mata sua velha moradora: “e levantei a estátua de prata malenk e desci um belo dum toltchok na sua gúliver e calei a boca dela horrorshow bonitinho”. A polícia chega e prende Alex: “Então eu fui levado a chutes, socos e empurrões até as celas e colocado lá dentro junto com mais uns dez ou doze plenis, muitos dos quais bêbados”.

Ele vai para a Prisão Estatal:

Então ali estava eu agora, dois anos depois de ter sido chutado e trancafiado na Prestata 84F, vestido no auge da moda carcerária, que era um traje de peça única de uma cor muito suja igual a kal, e o número costurado na parte bombada bem em cima do velho tictac e nas costas também, de modo que tanto fazia se vocês me vissem chegando ou indo embora. Eu era o 6655321, e não o seu velho drugui Alex, não, nunca mais.

Ele divide a cela com outros presos. Um deles, um novato, é espancado pelos companheiros de cela e morre. Os companheiros de cela acusam Alex. Como consequência, Alex ouve estas palavras do Diretor:

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Você, 6655321, será reformado. Amanhã você irá para esse tal de Brodsky. Pressupõe-se que você deverá deixar a Custódia do Estado em pouco mais de quinze dias. Em pouco mais de quinze dias você estará fora novamente, no grande mundo livre, e não será apenas um simples número. Suponho — e ele deu um risinho irônico — que essa perspectiva lhe agrade, não?

Alex vai então para o Tratamento de Recuperação, assim feito:

“O que aconteceu então foi que um vek de jaleco branco prendeu minha cabeça numa espécie de descanso de cabeça”, “E então descobri que estavam prendendo minhas rukas nos braços da cadeira e meus nogas estavam como que presos num descanso de pés”, “Mas uma veshka de que não gostei foi quando puseram coisas tipo clipes na pele da minha testa, de modo que as pálpebras foram puxadas para cima, para cima, para cima até que eu não conseguisse fechar meus glazis por mais que tentasse”.

Imobilizado, Alex é obrigado a assistir a vários filmes com cenas de violência. Diante disso, ele sente coisas desagradáveis e até tem vontade de vomitar. Aquilo é uma espécie de “terapia”, que busca condicionar Alex a rejeitar a violência:

— Pare, pare, pare — eu continuava krikando. — Desliguem isso, [...], eu não aguento mais. — Foi o dia seguinte, irmãos, e eu havia realmente dado o melhor de mim de manhã e à tarde para jogar o jogo deles e ficar sentado ali como um maltchik sorridente e colaborador horrorshow na cadeira de tortura enquanto eles exibiam trechos sujos de ultraviolência na tela, meus glazis abertos com presilhas para videar tudo, meu ploti, minhas rukas e meus nogas presos na cadeira para eu não poder fugir.

Quinze dias depois do “tratamento”, Alex está “recuperado”. Como explica o Dr. Brodsky: “Nossa cobaia é, como vocês estão vendo, impelida para o bem, paradoxalmente, por ser impelida na direção do mal. A intenção de agir de modo violento é acompanhada por fortes sensações de mal-estar físico. Para contrabalançar isso, a cobaia precisa mudar para uma atitude diametralmente oposta”.

Ao voltar para casa, descobre que seu quarto foi ocupado pelo inquilino Joe. E também que a polícia levou todos os seus pertences, como lhe explica o pai: “Foi tudo levado, filho, pela polícia. Sabe, aquele novo regulamento de compensação para as vítimas...”. Alex então não tem casa para morar.

Sem rumo, vai até a loja de discos Melodia. Como os filmes de violência do condicionamento tinham música, ao ouvir certa música na loja, começa a passar mal e vai embora às pressas. Vai até o Lactobar Korova, onde também se sente mal. Então vai para a “Biblio Pública”:

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Então coloquei esse livro de volta e tirei o livro grande ou Bíblia, como era chamado, achando que me daria algum tipo assim de conforto, como fizera nos velhos tempos da Prestata (não tão velhos assim, na verdade, mas me parecia algo de muito, muito tempo atrás), e cambaleei até uma cadeira para ler. Mas tudo o que achei foi sobre castigar setenta vezes sete e um bocado de judeus amaldiçoando e dando toltchoks uns nos outros, e isso também me fez querer vomitar.

Alguém o reconhece na biblioteca, ele é agredido. Quando a polícia chega, Alex descobre que Billyboy e Tosko são policiais agora. Os dois levam Alex para o campo e agridem-no violentamente. Alex encontra um vilarejo. Em certa casa, pede ajuda: “— Ai — eu disse —, por favor, me ajude. Fui espancado pela polícia e abandonado para morrer na estrada. Ai, por favor me dê algo de beber e me deixe sentar perto do fogo, por favor, senhor”.

É a casa do escritor que escrevia o tal livro chamado Laranja mecânica. O dono da casa é muito gentil, dá-lhe abrigo. Ele quer usar Alex para combater o regime:

— Sim, liguei para várias pessoas que irão se interessar por seu caso. Sabe, você poderá ser uma arma muito potente para garantir que este atual governo mau e corrupto não volte nas próximas eleições. Sabe, aquilo de que o governo mais se gaba é a maneira pela qual lidou com o crime nesses últimos meses. — Ele olhou para mim muito de perto novamente por sobre seu ovo fumegante, e tornei a me perguntar se ele estava videando que papel eu havia desempenhado na jizna dele. Mas ele disse: — Recrutando jovens brutos para a polícia. Propondo técnicas de condicionamento debilitantes e que tiram a força de vontade. — Todas aquelas slovos compridas, irmãos, e um olhar tipo assim maluco ou bizumni em seus glazis. — Já vimos isso tudo antes — ele disse — em outros países. Estamos à beira do abismo. Sem que nos apercebamos, daqui a pouco teremos o aparato completo do totalitarismo. “Nossa, nossa, nossa”, pensei, mandando ovo pra dentro e mastigando minha torrada.

Ao ouvir uma música, Alex começa a sentir-se mal, mas a porta do quarto foi trancada. Então ele decide se matar e pula pela janela do quarto:

Parece que o pulo não foi de uma altura suficientemente grande para matar. Mas quebrei as costas, os pulsos e os nogas e senti uma dor muito bolshi antes de desmaiar, irmãos, com litsos espantados e surpresos de tcheloveks nas ruas olhando de cima para mim. E logo antes de desmaiar, videei com clareza que nenhum tchelovek em todo este terrível mundo estava do meu lado, e que aquela música através da parede havia sido tipo assim colocada de propósito por aqueles que supostamente seriam meus novos druguis, e que era exatamente essa veshka que eles queriam para sua horrível política egoísta e presunçosa. Tudo isso foi em tipo assim um bilionésimo de minueto, antes de eu abandonar o mundo, o céu e os litsos dos tcheloveks acima de mim que me encaravam.

Ele fica inconsciente uma semana, e alguns doutores revertem o condicionamento. Isso porque o acontecido levou a opinião pública a questionar o “tratamento”: “glazis eu podia ler tipo assim manchetes que meio que tremiam na ruka do tchelovek que as segurava, como RAPAZ VÍTIMA DE ESQUEMA DE REFORMA CRIMINAL E GOVERNO ASSASSINO”.

O rapaz volta a ser o Alex de antes, amante da ultraviolência. O Ministro do Interior visita-o no hospital, acompanhado da imprensa. Recuperado, Alex agora tem três novos “druguis”: Len, Rick e Touro. Reencontra Pete, que agora está casado com uma tal de Georgina. Quando a obra termina, Alex tem 18 anos recém-completados.

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A obra, portanto, mostra a realidade de violência juvenil, adolescentes violentos como Alex, sem propósito na vida, que, se não morrem no caminho (como Georgie), tornam-se policiais como Tosko e Billyboy ou homens de família como Pete.

Leia também: Admirável mundo novo — outra narrativa de caráter distópico

Características da obra Laranja mecânica

  • Estrutura

O romance Laranja mecânica (publicado, pela primeira vez, em 1962) é dividido em três partes. Cada parte possui sete capítulos.

  • Estilo literário

Laranja mecânica, obra do pós-modernismo inglês, apresenta temática social e faz parte da literatura de pós-guerra. Segundo Maria Elisa Cevasco e Valter Lellis Siqueira, é “uma antiutopia, em que Burgess tece considerações a respeito da natureza da liberdade humana”. Lembre que utopia é um modelo de sociedade ideal e, portanto, a antiutopia é o oposto disso. A obra também apresenta experimentalismo linguístico.

Contexto histórico da obra Laranja mecânica

No pós-guerra, o primeiro-ministro Clement Attlee era representante da esquerda socialista e trabalhista. Seu governo foi marcado pela implementação de políticas sociais, regulamentação da seguridade social, fortalecimento do sistema de moradias públicas, aumento da idade mínima para deixar a escola, de 14 para 15 anos, e criação do sistema público de saúde em 1948.

Em 1951, Winston Churchill foi eleito novamente primeiro-ministro pelo partido conservador. Ele foi seguido pelos conservadores Anthony Eden, eleito em 1955, e Harold Macmillan, eleito em 1957. Esse período foi marcado por prosperidade econômica, independência de colônias na África e na Ásia, valorização do consumo, fortalecimento da cultura jovem.

Nesse contexto, o romance de Burgess coloca em evidência a juventude britânica, associada ao consumismo e à violência. Mas também reflete sobre os limites da liberdade e a forma como a sociedade moderna lida com a juventude. O personagem Alex é um jovem sem limites, cruel, violento e autoritário.

Filme Laranja mecânica

O lançamento do filme Laranja mecânica ocorreu em 1971. Ele foi dirigido pelo famoso diretor Stanley Kubrick e estrelado pelo ator britânico Malcolm McDowell. Recebeu quatro indicações ao Oscar e três ao Globo de Ouro, mas não ganhou nenhum desses prêmios.

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No Festival de Veneza, ganhou o prêmio de melhor filme estrangeiro. Porém, o filme foi censurado em vários países por apresentar cenas de sexo e violência.

Anthony Burgess, autor de Laranja mecânica

O escritor Anthony Burgess.
O escritor Anthony Burgess.

Anthony Burgess (John Burgess Wilson) nasceu em 25 de fevereiro de 1917, em Manchester, na Inglaterra. De família católica, estudou na Bishop Bilsborrow Memorial School e no Xaverian College. Em 1940, formou-se em Literatura Inglesa pela Universidade de Manchester.

O autor morou em países como Mônaco, Itália e Estados Unidos. Foi professor em uma faculdade na Malásia. Além de romancista, foi poeta, dramaturgo, compositor e tradutor. Ficou mundialmente famoso devido a seu livro Laranja mecânica. E faleceu em 22 de novembro de 1993, na Inglaterra.

Créditos da imagem

Editora Aleph (Reprodução)

Wikimedia Commons

Fontes

ALENCAR, Thiago Romão de. A “Inevitabilidade do Gradualismo” e o papel histórico do Partido Trabalhista Britânico: fabianismo, corporativismo e bem-estar social no pós-1945. Aurora, Marília, v. 10, n. 1, p. 131-148, jan./ jul. 2017.

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BURGESS, Anthony. Laranja mecânica. Tradução de Fábio Fernandes. São Paulo: Aleph, 2014.

CEVASCO, Maria Elisa; SIQUEIRA, Valter Lellis. Rumos da literatura inglesa. 2. ed. São Paulo: Ática, 1985.

MIKULAKOVÁ, Radka. Aspects of Postmodernism in Anthony Burgess’ novels. 2011. Diploma thesis – Faculty of Education, Masaryk University, Brno, 2011.

SANTOS, Aline Peterson dos. O protagonista nas laranjas mecânicas: um tchelovek bratchni ou um maltchik bizumni? 2016. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2016.

Capa do livro Laranja mecânica, de Anthony Burgess.
Capa do livro Laranja mecânica, de Anthony Burgess, publicado pela editora Aleph.[1]
Autor: Warley Souza
Escrito por Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Revisor(a): Natália Lemes
Revisado por Natália Lemes Com formação em Letras e pós-graduanda em Letramento Informacional, pela UFG, e em Estudos Literários e Ensino de Literatura, também pela UFG, sou revisora de textos desde 2012 e faço parte da equipe do Brasil Escola desde 2010.
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SOUZA, Warley. Laranja mecânica. Brasil Escola, 2026. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/laranja-mecanica.htm. Acesso em 08 de setembro de 2026.
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