Reduções do Tapé

História do Brasil

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Com o auxilio dos índios Guaranis, as primeiras reduções foram iniciadas na área dos rios Piratini e Jacuí, ficando conhecidas como Reduções do Tape.

No território do atual Rio Grande do Sul foram fundadas, entre 1626 e 1634, dezoito reduções, sendo a primeira delas a de São Nicolau, em 1626, seguindo-se, ainda na área de influência do rio Uruguai, às margens dos rios Ijuí e Piratini, as de São Francisco Xavier, Candelária do Piratini, Todos os Santos do Caaró ou Mártires, Assunção do Ijuí, Apóstolos e São Carlos do Caapi.

No Tape propriamente dito, na área de influência dos rios Ibicuí e Jacuí, foram fundadas, à margem do Ibicuí e afluentes, as reduções de Candelária do Ibicuí, São Tomé, São José, São Miguel (que não é a redução de São Miguel das Missões, da qual ainda existem ruínas, no atual município de São Miguel das Missões, próximo a Santo Ângelo, e que é da segunda fase da expansão das Missões no Estado); e São Cosme e São Damião.

Às margens do Jacuí e afluentes, foram fundadas Santa Teresa (a mais setentrional), próximo à atual cidade de Passo Fundo), São Joaquim (mais ou menos próxima ao atual município de Barros Cassal), Sant'Ana, Jesus Maria e São Cristóvão - na área compreendida entre os atuais municípios de Santa Maria, Santa Cruz do Sul e Cachoeira do Sul -, sendo a de São Cristóvão a última a ser fundada, e também a mais avançada para leste, a menos de 200 quilômetros da atual Porto Alegre.

As reduções do Tape ou do localizavam-se do atual Uruguai e faziam parte da penetração dos missionários a partir de Assunção, no sentido Leste.

O Padre Roque Gonzáles de Santa Cruz atravessou o rio Paraná para fundar Encarnación de Itapuá, em 1625, sofrendo grande oposição dos Xamãs 1. Mais ao norte fundou Corpus Cristi, e finalmente chegou a margem direita do rio Uruguai, estabelecendo a redução de Concepción.

Roque Gonzáles tentou varias vezes atravessar o rio Uruguai para converter os índios, mas os Xamãs não deixavam, segundo os missionários, por influencias do demônio, mas na realidade porque eles não aceitavam as mudanças culturais.

Em 1626, Roque Gonzáles, com a imagem de N. SRA. Conquistadora atravessou o rio Uruguai fundando a redução de São Francisco Xavier, um Xamã reagiu expulsando o cura. Os missionários se voltaram contra o falso profeta indígena.

Em 1628 fundaram Assunção do Ijuí, Candelária e todos os santos de Caaró.

Quase todas as reduções do Tape repetem nomes que já haviam sido dados a reduções no Guairá, mas essa não é somente uma coincidência. Quase todas foram destruídas por bandeirantes nos anos seguintes e os índios sobreviventes deslocaram-se para novos lugares, concentrando-se especialmente entre os rios Uruguai e Paraná, em território argentino, onde poderiam proteger-se melhor e estariam mais bem garantidos pela Coroa espanhola. Com isso iniciou-se a segunda fase dos aldeamentos, a mais próspera economicamente, e da qual existem ainda algumas ruínas.

O feiticeiro Nheçu rebelou os nativos porque os padres condenavam a poligamia 1, a feitiçaria e a antropofagia 2. Esse dizia que as epidemias trazidas pelos brancos eram provenientes do batismo. Em 15/11/1628, após a missa, Roque Gonzáles, armava um sino num jirau quando foi morto a golpes de tacape (itaça). O Padre Afonso Rodrigues, ao sair da capela também foi morto.

A 17 de novembro os rebeldes chegaram a Assunção do Ijuí matando o Padre João Del Castilho.

O Padre Romero, de Candelária, enviou 200 índios cristãos a Caaró, mas não encantaram os revoltosos. De Concepción saiu Nicolau Neenguiru com 200 índios atrás dos rebeldes.

Dia 29/11 mais de 300 rebeldes atacaram Candelária do Ijuí, na tentativa de matar Padre Romero, que foi defendido pelos meninos, enquanto os nativos adultos corriam das roças para expulsar os revoltosos. Os nativos de Concepción e Candelária. Liderados por Neenguiru e pelo Jesuíta Antonio Bernal, destruíram as forças de Nheçu em Piropó, no rio Ijuí. O português Manoel Cabral Alpoim, com estância junto a Corriente, ocorreu com sete espanhóis e 200 guaranis das reduções Franciscanas. O combate final realizou-se em Candelária com a aniquilação das hordas rebeldes e enforcamento dos principais chefes.

Referencias Bibliográfica:

FLORES, Moacyr. História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, Nova Dimensão. 1996. 5ª ed.

MAGNOLI, Demétrio, MENEGOTTO, Ricardo & OLIVEIRA, Giovana. Cenário Gaúcho Representações históricas e geográficas. São Paulo: Moderna, 2001.

Texto escrito por Patrícia Barboza da Silva

1 Xamã: representantes dos deuses na terra, descendente de uma linhagem real, um líder espiritual com poderes divinos, são privilegiados seres que dirigem muitas de suas ações pelos sonhos. Espécie de feiticeiro, benzedor, curandeiro.

2 Poligamia : que tem mais de um cônjuge simultaneamente. A poligamia na cultura guarani era usual apenas entre os chefes, que precisavam de mulheres que trabalhassem para darem comida e objetos aos seus subordinados, mantendo assim a chefia. Davam suas mulheres a outros homens em troca de objetos ou em penhor de uma aliança. Esse costume facilitou a mestiçagem com os brancos.

3 Antropofagia: canibalismo. Os guaranis praticavam a antropofagia ritual, comendo os prisioneiros de guerra por ato de vingança, não escapando velhos, mulheres e crianças.

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ESCOLA, Equipe Brasil. "Reduções do Tapé"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/reducoes-tape.htm. Acesso em 31 de outubro de 2020.