Nesta sexta-feira, 1º de maio, é comemorado o Dia do Trabalhador. A data remete historicamente à luta de trabalhadores por melhores condições, adotada informalmente no Brasil desde o início do século XX.
No contexto educacional, o direito dos trabalhadores dialoga diretamente com um dos eixos centrais das Ciências Humanas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), "o trabalho e suas transformações ao longo do tempo".
O tema entra em debate público ao se discutir o fim da escala 6x1, que tramita na Câmara dos Deputados. A autora de História, Filosofia e Sociologia do Sistema de Ensino pH, Ana Paula Aguiar destaca que as relações de trabalho passaram por mudanças profundas, influenciadas pela globalização.
O tema é cotado como relevante para vestibulares por estar ligado a avanços tecnológicos e pelas reformas que flexibilizam os vínculos formais. Ana Paula explica que questões do trabalho podem ser relacionadas com temas de Sociologia.
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Formas de abordagem do trabalho em vestibulares
Conceitos como exploração, mais-valia e precarização de Karl Marx, o esgotamento psíquico na chamada sociedade do cansaço discutido por autores como Zygmunt Bauman e Byung-Chul Han. Além do papel das empresas digitais na reorganização do trabalho, de Nick Srnicek, são formas de abordagem do tema em vestibulares.
Para além de questões, a redação do Enem e outros vestibulares também é vista como uma alternativa para o debate sobre a forma com que a força de trabalho é entendida na sociedade atual. Ana Paula acredita que esse tema seja uma forte proposta de redação, que exige análise crítica e repertório bem fundamentado.
Em janeiro, o Corrige Aqui, plataforma de correção de redações do Brasil Escola, trouxe o tema "O fim da escala 6x1 e os desafios para a qualidade de vida e a produtividade no Brasil", também com o intuito de preparar estudantes para discorrer sobre essas questões.
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Em uma perspectiva histórica, as condições de trabalho podem ser abordadas dentro do contexto do governo de Getúlio Vargas, quando a data do Dia do Trabalho foi incorporada no calendário oficial e assumiu um caráter institucional relacionado com a Consolidação das Leis Trabalhistas.
“Essa mudança não foi neutra: ao deslocar o foco da luta do trabalhador para a valorização abstrata do trabalho, buscou-se esvaziar o conteúdo político da data e limitar seu potencial mobilizador”. Ana Paula Aguiar.
Nas últimas décadas, a discussão ainda ganhou novas perspectivas, ao se observar a chamada "uberização", caracterizada por um modelo em que o trabalhador atua como autônomo, sem vínculo formal de emprego, assumindo os riscos da atividade e dependendo da demanda e do desempenho individual.
Segundo Ana Paula, embora esse modelo possa representar uma oportunidade inicial de renda, “quando se torna a principal forma de trabalho, tende a revelar seus limites, como a ausência de direitos, a instabilidade de ganhos e jornadas prolongadas”, explica.
Veja o vídeo sobre o conceito e teorias do trabalho:
Por Jade Vieira
Jornalista