Mulheres poetas

Mulheres poetas expressam, em seus versos, o universo feminino. Emily Dickinson é uma das mais famosas do mundo. Já Cecília Meireles é o grande nome da poesia brasileira.

Mulheres poetas, em todo o mundo, imprimiram em seus versos a voz da mulher e evidenciaram o universo feminino de várias épocas. Acho importante dizer que, neste texto, optei por utilizar o termo clássico “poetisa”. No entanto, quero ressaltar que, atualmente, muitas mulheres que fazem poesia preferem ser chamadas de “poetas”.

São famosas poetas (ou poetisas) escritoras como a chilena Gabriela Mistral, a estado-unidense Emily Dickinson, a portuguesa Florbela Espanca e a mexicana Juana Inés de la Cruz. No Brasil, grandes nomes da poesia escrita por mulheres são a carioca Cecília Meireles e a mineira Adélia Prado.

Leia também: 25 mulheres importantes da história do Brasil

Resumo sobre mulheres poetas

  • As mulheres poetas mais famosas no mundo são:
    • Alfonsina Storni: argentina e modernista;
    • Elizabeth Barnett Browning: inglesa e realista;
    • Elizabeth Bishop: estado-unidense e modernista;
    • Emily Dickinson: estado-unidense e romântica;
    • Florbela Espanca: portuguesa, transita entre o Simbolismo e o Modernismo;
    • Gabriela Mistral: chilena e modernista;
    • Gertrud Kolman: alemã e modernista;
    • Juana Inés de la Cruz: mexicana e barroca;
    • Maya Angelou: estado-unidense e contemporânea;
    • Noémia de Sousa: moçambicana, de influência modernista;
    • Paulina Chiziane: moçambicana e contemporânea.
  • Algumas famosas mulheres poetas brasileiras:
    • Adélia Prado: mineira e contemporânea;
    • Alice Ruiz: curitibana, associada à geração mimeógrafo;
    • Ana Cristina Cesar: carioca, associada à geração mimeógrafo;
    • Cecília Meireles: carioca e modernista;
    • Conceição Evaristo: mineira e contemporânea;
    • Cora Coralina: goiana e com traços modernistas;
    • Elisa Lucinda: capixaba e contemporânea;
    • Francisca Júlia: paulista e parnasiana;
    • Henriqueta Lisboa: mineira e modernista;
    • Hilda Hilst: paulista e modernista;
    • Maria Firmina dos Reis: maranhense e romântica.

Mulheres poetas mais famosas do mundo

Rostos de poetas mulheres conhecidas. [imagem_principal]
Diversas mulheres — e dos mais diversos locais do mundo — destacaram-se como poetas.
  • Alfonsina Storni

A poetisa argentina e modernista Alfonsina Storni nasceu em 29 de maio de 1892, em Capriasca, na Suíça. Tinha cerca de quatro anos quando se mudou com a família para a Argentina. Nesse país, foi professora, feminista e socialista. Ela é muito conhecida por sua poesia de amor, mas sua obra também coloca em evidência a realidade da mulher de seu tempo.

Uma de suas obras mais conhecidas é Languidez, de 1920. A autora teve uma morte trágica e poética ao mesmo tempo. Tinha câncer de mama e acabou cometendo suicídio, ao jogar-se no mar, no dia 25 de outubro de 1938, em Mar del Plata, na Argentina. Mais tarde, seu corpo foi encontrado na praia La Perla (A Pérola).

  • Elizabeth Barret Browning

Browning nasceu em 6 de março de 1806, em Durham, na Inglaterra. Tinha uma doença crônica associada aos pulmões, mas sem um diagnóstico exato. Casou-se com o poeta Robert Browning em 1846, quando ela tinha 40 anos, e ele, 34.

Foi uma poetisa da era vitoriana, período histórico e literário que durou de 1837 a 1901. É assim chamado porque foi o período de regência da rainha Vitória. As obras desse período apresentam elementos realistas, ou seja, foco em questões sociais e políticas. É de caráter realista sua obra mais famosa, a narrativa em versos Aurora Leigh, de 1856. Também é conhecido seu livro Poemas, de 1844. A poetisa morreu em 29 de junho de 1861, em Florença, na Itália.

  • Elizabeth Bishop

A poetisa estado-unidense Elizabeth Bishop nasceu em 8 de fevereiro de 1911, em Worcester. Vivia com uma pensão deixada pelo pai e viajou a vários países. A escritora tinha um vínculo afetivo com o Brasil, onde viveu nos anos 1950 e 1960 com sua amada, a arquiteta Lota de Macedo Soares.

Foi a “esposa” (na época ainda não havia casamento entre pessoas do mesmo sexo) quem lhe deu amparo contra o alcoolismo e a depressão. Bishop traduziu vários textos brasileiros para o inglês, incluindo o livro Minha vida de menina, de Helena Morley. Foi premiada com o Pulitzer (famoso e importante prêmio estado-unidense), em 1955, pelo seu livro de poesia Norte & Sul/ Uma primavera fria.

Sua poesia modernista transita entre formalismo (cuidado com a estrutura do poema), distanciamento lírico (objetividade, ausência de um “eu” que enuncia a poesia) e a subjetividade memorialística (falar de si própria e de suas memórias). Faleceu em 6 de outubro de 1979, em Boston, nos Estados Unidos.

  • Emily Dickinson

A poetisa estado-unidense Emily Dickinson nasceu em 10 de dezembro de 1830, em Amherst. Pouco sabemos sobre sua vida, pois a escritora preferia o isolamento e nunca se casou. Ela faz parte do Romantismo (estilo de época surgido no final do século XVIII, marcado pelo sentimentalismo exagerado, fuga da realidade e melancolia).

A principal temática de seus poemas é a morte. Seu livro Poemas só foi publicado em 1890, após seu falecimento, ocorrido em 15 de maio de 1886, em sua cidade natal.

  • Florbela Espanca

Florbela Espanca nasceu em 8 de dezembro de 1894, no Alentejo, em Portugal. Foi diagnosticada com depressão em 1907. Talvez por isso, sua obra é carregada de angústia, sentimentalismo, melancolia e passionalidade. E apresenta traços simbolistas, dado seu caráter sombrio.

O Simbolismo foi um estilo de época do final do século XIX, que valorizou a metrificação, a rima, a musicalidade, as sensações e o aspecto metafísico.

De difícil classificação, os textos de Espanca transitam entre o Simbolismo e o Modernismo (estilo de época do início do século XX, marcado pelo experimentalismo, nacionalismo, liberdade de criação e crítica à arte tradicional). Seu principal livro — Charneca em flor — foi publicado em 1931. A poetisa teve um final trágico ao se matar no dia de seu aniversário, em 8 de dezembro de 1930, em Matosinhos, Portugal.

  • Gabriela Mistral

Escritora chilena, Mistral nasceu em 7 de abril de 1889, em Vicuña. Foi professora e diplomata, além de ganhar o Nobel de Literatura em 1945. Suas principais obras poéticas são Desolação (1922), Ternura (1924), Tala (1938) e Lagar (1954). Sua poesia trata de temas como morte, cultura e identidade latino-americana.

Apresenta características únicas, mas é comumente associada ao Modernismo e à vanguarda, ou seja, movimentos caracterizados pelo experimentalismo, nacionalismo, valorização da cultura popular e crítica à arte acadêmica. Mistral faleceu em 10 de janeiro de 1957, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

  • Gertrud Kolmar

Essa poetisa alemã nasceu em 10 de dezembro de 1894, em Berlim, na Alemanha. Trabalhou como educadora. De família judia, foi enviada para o campo de concentração nazista de Auschwitz, em 1943, onde morreu nesse mesmo ano.

É autora de livros como Poemas (1917) e A mulher e os animais (1938). Suas obras tratam de questões existenciais (reflexão sobre a experiência humana) e do universo feminino. De difícil classificação, podem ser associadas, de acordo com sua época de produção, ao Modernismo, o qual foi interrompido com o fortalecimento do nazismo na Alemanha.

  • Juana Inés de la Cruz

A poetisa mexicana Juana Inés de la Cruz nasceu em 12 de novembro de 1648 ou 1651, em Nepantla. Foi dama de companhia de Leonor Carreto, esposa do vice-rei. Era extremamente culta, bonita, e não queria se casar. Assim, seu confessor aconselhou Juana a se tornar freira e evitar uma possível vida de cortesã.

Ela seguiu o conselho e se tornou o principal nome feminino da poesia barroca mexicana. O Barroco foi um estilo de época surgido no final do século XVI, marcado por temática religiosa, sensualismo e forte contradição. A escritora faleceu em 17 de abril de 1695, na Cidade do México. Sua principal obra poética é o livro Inundação castálida, de 1682.

  • Maya Angelou

Essa poetisa da literatura contemporânea estado-unidense nasceu em 4 de abril de 1928, em St. Louis. Foi cantora, atriz e pessoa atuante junto ao movimento dos direitos civis (luta contra a violenta segregação e discriminação racial presente na cultura estado-unidense nas décadas de 1950 e 1960).

Suas obras possuem traços autobiográficos, discutem questões de gênero (papéis sociais masculinos e femininos construídos historicamente) e evidenciam a cultura afro-americana. O poema mais conhecido dessa autora, homenageada com a Medalha Presidencial da Liberdade (honraria americana), é o inesquecível Ainda me levanto, de 1978. Maya faleceu em 28 de maio de 2014, em Winston-Salem.

  • Noémia de Sousa

Escritora moçambicana, Noémia de Sousa nasceu em 20 de setembro de 1926, em Catembe. Foi jornalista e tradutora. Suas poesias, de influência modernista, evidenciam a identidade negra e o universo feminino. Seu único livro é Sangue negro, de 2001, que reúne toda a sua poesia. A mãe dos poetas moçambicanos, como é conhecida, morreu em 4 de dezembro de 2002, em Cascais, em Portugal.

  • Paulina Chiziane

Mais conhecida pelo seu famoso romance Niketche: uma história de poligamia, Paulina Chiziane, ganhadora do Prêmio Camões (o mais importante prêmio literário de obras em língua portuguesa), também é poetisa, autora do livro de poemas O canto dos escravizados, de 2017. Essa autora da literatura contemporânea moçambicana nasceu em 4 de junho de 1955, na vila de Manjacaze. Sua poesia valoriza a memória e a identidade negra.

Leia também: Literatura negra — a produção literária cujo sujeito da escrita é o próprio negro

Mulheres poetas brasileiras

  • Adélia Prado

Não tenho dúvida de que Adélia Prado é a mais famosa poetisa mineira da literatura contemporânea. Ela nasceu em Divinópolis, no dia 13 de dezembro de 1935. Trabalhou como professora, além de ter sido diretora de um grupo teatral. As obras da poetisa mostram a vida cotidiana e o universo feminino. Um de seus livros mais conhecidos é Bagagem, de 1976. Adélia Prado foi premiada com o famoso prêmio Camões.

  • Alice Ruiz

Alice Ruiz nasceu em 22 de janeiro de 1946, em Curitiba. Além de poetisa, é compositora. Sua poesia coloca em evidência o protagonismo feminino e a sociedade patriarcalista. Em sua produção poética, um destaque é o haicai (poema de origem japonesa, com três versos). Sua poesia é marcada pela musicalidade das palavras e pela concisão (objetividade).

Uma de suas principais obras é Navalhanaliga, de 1980. Sua obra pode ser vinculada à poesia marginal de 1970, produzida pela geração mimeógrafo (equipamento antigo de reprodução de documentos, o qual era utilizado para tirar cópias das poesias). Portanto, sua poesia apresenta caráter libertário e experimental.

  • Ana Cristina Cesar

Se você não conhece a poesia de Ana Cristina Cesar, precisa conhecer. A poetisa nasceu em 2 de junho de 1952, no Rio de Janeiro. E morreu ainda jovem, em um evento trágico, quando se suicidou em 20 de outubro de 1983, na cidade natal. Em sua curta vida, foi professora, consultora e pesquisadora.

É um dos principais nomes femininos da poesia marginal da década de 1970. Tal poesia era considerada marginal porque não dependia do aval de editoras, sendo seus autores independentes. A poesia de Ana Cristina Cesar é irônica e possui traços autobiográficos. Seu livro mais famoso é A teus pés, de 1982.

  • Cecília Meireles

Acredito que Cecília Meireles é a poetisa mais famosa do Brasil. Ela nasceu em 7 de novembro de 1901, na cidade do Rio de Janeiro. Trabalhou como professora e foi fundadora da primeira biblioteca infantil brasileira. Ela integra a segunda geração modernista, situada entre 1930 e 1945.

As obras dessa geração são marcadas pela reflexão existencial. Além disso, as poesias de Cecília Meireles apresentam um poético tom melancólico. Seu livro mais famoso é Romanceiro da Inconfidência,  de 1953, que une poesia a elementos históricos. A poetisa faleceu em 9 de novembro de 1964, em sua cidade natal.

  • Conceição Evaristo

Conceição Evaristo é mais conhecida por suas obras narrativas. Porém, ela também escreveu um livro de poesia chamado Poemas de recordação e outros movimentos. A escritora nasceu em 29 de novembro de 1946, em Belo Horizonte. Em grande parte de sua vida profissional, atuou como professora. Autora da literatura contemporânea brasileira, sua obra coloca em foco questões étnicas e questões de gênero.

  • Cora Coralina

A mais famosa poetisa de Goiás, Cora Coralina nasceu em 20 de agosto de 1889, na cidade de Goiás. Foi vendedora de livros e trabalhou como doceira. Apesar de escrever desde a adolescência, somente em 1965 publicou seu primeiro livro: Poemas dos becos de Goiás e estórias mais. Só passou a ser conhecida, quando, em 1980, o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade apresentou a poetisa a todo o país.

Ela faleceu em 10 de abril de 1985, com quase cem anos, em Goiânia. Nunca esteve filiada a nenhuma corrente literária, apesar de apresentar a liberdade criativa do Modernismo (estilo de época iniciado em 1922), e produziu obras marcadas por  linguagem coloquial, caráter memorialístico, elementos do cotidiano, foco no universo feminino e uso de versos livres (sem metrificação e sem rimas).

  • Elisa Lucinda

Uma das poetisas mais importantes da literatura contemporânea brasileira, Elisa Lucinda é uma artista que nasceu em 2 de fevereiro de 1958, em Vitória, no Espírito Santo. É conhecida não só por ser poetisa, mas também pelo seu trabalho como atriz, inclusive em telenovelas. Sua obra poética fala do cotidiano, de questões de gênero, de racismo, entre outras temáticas. Seu livro mais conhecido é O semelhante, de 1995.

  • Francisca Júlia

Importante figura do Parnasianismo brasileiro (estilo de época que esteve em seu auge entre 1882 e 1893), Francisca Júlia é a única poetisa parnasiana brasileira. É claro que outras mulheres na época devem ter escrito versos parnasianos, mas Francisca Júlia é a única poetisa reconhecida até o momento. Ela nasceu em 31 de agosto de 1871, na cidade de Eldorado, em São Paulo.

Além de poetisa, foi professora particular de piano. E sua principal obra é o livro Mármores, de 1895. O poeta parnasiano mais famoso no Brasil é Olavo Bilac, mas sua poesia apresenta algo de emotividade, o que destoa do estilo. O estilo parnasiano privilegia a objetividade, ou seja, a linguagem direta, sem sentimentalismo.

Acho que Francisca Júlia fez isso muito melhor do que Bilac. Seus poemas parnasianos são objetivos e descritivos. Não estou dizendo que ela é melhor ou pior do que Bilac, mas apenas que buscou ser fiel à estética parnasiana. A poetisa morreu em 1 de novembro de 1920, em São Paulo. E pasme! Ela faleceu no dia do sepultamento de seu marido.

  • Henriqueta Lisboa

Essa poetisa mineira nasceu em 15 de julho de 1901, em Lambari. Foi professora, tradutora e a primeira mulher a ser eleita para a Academia Mineira de Letras, em 1963. Sua poesia busca refletir sobre a identidade mineira, com versos curtos e linguagem concisa, e apresenta elementos simbolistas (de caráter espiritualista e transcendental).

Apesar de não haver consenso entre a crítica especializada, a autora pode ser inserida na segunda geração modernista, por suas obras apresentarem questões existenciais e espirituais. Assim, um de seus livros mais conhecidos é Flor da morte, de 1949. A escritora faleceu em 9 de outubro de 1985, em Belo Horizonte.

  • Hilda Hilst

A poetisa Hilda Hilst nasceu em 21 de abril de 1930, na cidade de Jaú, em São Paulo. Após fazer faculdade de Direito, teve curta atuação como advogada. Sua obra está vinculada à terceira fase do Modernismo brasileiro, responsável por uma poesia preocupada com a forma (estrutura) do poema e com temáticas sociopolíticas.

A irônica poesia de Hilst, no entanto, apresenta elementos distintos, como erotismo e hermetismo (linguagem menos clara), além de colocar em evidência o universo feminino e as questões existenciais. Seus livros mais conhecidos são Júbilo, memória, noviciado da paixão, de 1974, e sua prosa poética A obscena senhora D, de 1982. Hilda Hilst faleceu em 4 de fevereiro de 2004, em Campinas.

  • Maria Firmina dos Reis

Mais conhecida pelo seu romance Úrsula, Maria Firmina dos Reis também escreveu o livro de poesias intitulado Cantos à beira-mar, de 1871. Filha de uma mulher alforriada, ela nasceu em 11 de março de 1822, na cidade de São Luís, no Maranhão. Mais tarde, trabalhou como professora. Suas obras fazem parte do Romantismo (estilo de época que durou de 1836 a 1881).

Sua poesia apresenta traços da segunda e da terceira gerações românticas, ou seja, apresenta sentimentalismo exagerado mesclado a uma visão mais realista. A escritora faleceu em 11 de novembro de 1917, com quase cem anos de idade, na cidade de Guimarães, no Maranhão. Suas obras caíram no esquecimento, sendo redescobertas décadas depois.

Poemas escritos por mulheres

Esquema ilustrativa mostra exemplos de poemas de poetas mulheres.
Existem famosas mulheres poetas no Brasil e no mundo.

Porque não pude parar pra Morte
(Emily Dickinson)

Porque não pude parar pra Morte, ela
Parou pra mim, de bondade.
No coche só cabíamos as duas
E a Imortalidade.

Viagem lenta — Ela não tinha pressa,
E eu já pusera de lado
O meu trabalho e todo o meu lazer,
Pra seu exclusivo agrado.

Passamos a escola — no ring crianças
Brincavam de lutador —
Passamos os campos do grão pasmado —
Passamos pelo sol-pôr —

Melhor dizer, ele passou por nós.
E o sereno baixou gélido —
E era de gaze fina a minha túnica —
E minha capa, só tule.

Paramos numa casa; parecia
Um intumescido torrão:
O telhado da casa mal se via,
A cornija rente ao chão.

Desde então faz séculos — mas parecem
Menos que o dia, em verdade,
Em que vi, pelas frontes dos cavalos,
Que iam rumo à eternidade.

Você sabia que a temática da morte é recorrente em textos românticos? Ela faz parte da fuga da realidade muito comum às autoras e aos autores da época. Afinal, o Romantismo não é realista, ele lida com o sonho, com o mistério e as impossibilidades. Nesse poema de Emily Dickinson, o eu lírico (a voz que se expressa na poesia) mostra sua relação amistosa com a morte.

Não há sofrimento, mas aceitação da morte, vista como eternidade. Há um tom melancólico, de despedida da vida. Na última estrofe, o eu lírico feminino dá a entender que já morreu há séculos. Acho fascinante também que, na primeira estrofe, o eu lírico está acompanhado da Morte e da Imortalidade, personificadas, de forma a sugerir que a Morte leva o eu lírico para a Imortalidade.

Eu
(Florbela Espanca)

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

Os versos do soneto (poema de 14 versos) de Florbela Espanca são regulares (metrificados e com rimas). São versos decassílabos, pois apresentam, cada um, 10 sílabas poéticas. Esse rigor formal é típico do Simbolismo. Nesse estilo, também existe algo chamado maiúscula alegorizante (palavra sugestiva com inicial maiúscula para destacar sua importância). No caso, a palavra “Sonho” e “Alguém”.

Também é simbolista o ambiente sombrio e enevoado (“Sombra de névoa tênue e esvaecida”). No mais, o eu lírico é feminino, uma mulher “perdida”, “dolorida”, condenada à morte, “incompreendida”. Ela também parece ser triste, ignorada e solitária.

Ainda me levanto
(Maya Angelou)

Ainda me levanto
Cê me risca da história
Mentindo, desvirtuando,
Cê me afunda na sujeira
Mas ainda me levanto.

Minha audácia te incomoda?
Por que cê tá mal assim?
É que ando como quem tem
Petróleo no jardim.

Como o sol e como a lua,
As marés indo e voltando,
Como a fé alçando voo,
Eu ainda me levanto.

Cê me quer desanimada?
Ombros caindo num pranto,
Olhos e cabeça baixos?
Fraca e triste com meu canto?

Minha audácia te incomoda?
Não fique tão magoado
É que rio como quem tem
Mais de um tesouro guardado

Cê me fere com palavras,
Essas mentiras em bando,
Cê me mata com ofensas,
Mas ainda me levanto.

Eu ser sexy te incomoda?
Por acaso cê te admira
Com esse jeito que eu danço
Com uma joia na virilha?

De uma história sem pudor
Eu me levanto
De um passado que é só dor
Eu me levanto
Sou um negro oceano, largo, movente,
E transbordando, eu aguento a corrente.

 Esquecendo noites apavorantes
Eu me levanto
Partindo rumo a um dia brilhante
Eu me levanto
Trazendo os dons de meus antepassados,
Eu sou o sonho dos escravizados.
Eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto.

Esse poema de Maya Angelou é um símbolo de resistência. O eu lírico feminino fala da realidade de uma pessoa negra e dialoga com alguém, o seu agressor. É possível dizer que ela dialoga com uma pessoa racista: “Cê me risca da história”, “Cê me afunda na sujeira”, “Cê me quer desanimada?”, “Cê me fere com palavras”, “Cê me mata com ofensas”.

Além disso, essa pessoa parece se incomodar com a audácia e a sensualidade (“Eu ser sexy te incomoda?”) do eu lírico. O eu lírico também menciona a carga histórica e o passado de dor de uma pessoa negra. E termina o poema com seu grito de resistência, já que, apesar disso, “Eu me levanto”.

Motivo
(Cecília Meireles)

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Você percebeu que, nesse poema de Cecília Meireles, o eu lírico é masculino? O poema fala do motivo de cantar. No caso, “cantar” significa fazer poesia. Desse modo, o eu lírico masculino diz o que é ser um poeta. É uma bela definição poética para o ser poeta. Um poema metalinguístico, já que é uma poesia que fala de poesia.

Fico intrigado com o fato de Cecília Meireles ter escolhido falar de um poeta e não de uma poeta. Historicamente, somos ensinados que o gênero masculino engloba tudo: se fazemos referência a homens e a mulheres em um mesmo ambiente, usamos “eles”. Esse é o motivo da escolha da poetisa? Provavelmente sim, pois não consigo ver nenhum tipo de ironia no poema.

Musa impassível
(Francisca Júlia)

Musa! Um gesto sequer de dor ou de sincero
Luto jamais te afeie o cândido semblante!
Diante de um Jó, conserva o mesmo orgulho, e diante
De um morto, o mesmo olhar e sobrecenho austero.

Em teus olhos não quero a lágrima; não quero
Em tua boca o suave e idílico descante.
Celebra ora um fantasma anguiforme de Dante.
Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero.

Dá-me o hemistíquio d’ouro, a imagem atrativa;
A rima cujo som, de uma harmonia crebra,
Cante aos ouvidos d’alma; a estrofe limpa e viva;

Versos que lembrem, com seus bárbaros ruídos,
Ora o áspero rumor de um calhau que se quebra,
Ora o surdo rumor de mármores partidos.

Esse poema de Francisca Júlia é um típico poema parnasiano. Ele possui rigor formal (metrificação e rimas). A autora preferiu o uso de versos alexandrinos (12 sílabas poéticas). O poema também tem caráter metalinguístico, pois define o que é a poesia parnasiana.

Na Antiguidade clássica (século VIII a. C. a 476 d. C.), as musas eram divindades que inspiravam os poetas. Portanto, quando o eu lírico descreve a Musa, ele descreve a própria poesia parnasiana, que deve ser bela, objetiva e sem emoções. Outra característica parnasiana é a valorização de elementos greco-latinos.

Além da Musa, o eu lírico também menciona Dante e Homero. Dante, autor de A divina comédia, é um escritor italiano humanista. O humanismo foi um movimento artístico do Renascimento (século XIV ao XVI) que valorizava a cultura da Antiguidade clássica, sendo o escritor Homero o principal representante dessa cultura, autor das obras Ilíada e Odisseia.

Fontes

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Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/literatura/mulheres-poesia-brasileira.htm