A Região Centro-Oeste é uma das cinco grandes regiões do Brasil. Localizada na parte central do território brasileiro, sem saída para o oceano, ela se estende por uma área de 1.606.354,09 km² e estabelece divisa internacional com a Bolívia e o Paraguai. Três estados fazem parte do Centro-Oeste, que são: Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O Distrito Federal completa o quadro de unidades federativas componentes dessa região, sendo nele onde fica situada a capital federal, Brasília, que foi instalada na região Centro-Oeste na segunda metade do século XX.
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Estado |
Capital |
*O Distrito Federal não é um estado do Centro-Oeste, mas, sim, uma unidade federativa. Essa UF foi estabelecida com o propósito de sediar a capital federal do Brasil, que é a cidade de Brasília.
Muito antes da interiorização da ocupação do território brasileiro, a região Centro-Oeste era habitada por povos nativos que deixaram muitos registros arqueológicos da sua permanência naquelas terras. Como a colonização do Brasil se concentrou no litoral, áreas no interior mais distante da costa permaneceram sem contato com os europeus por um certo período, mais precisamente até o século XVIII.
Nesse período, intensificou-se a busca por jazidas de ouro a serem exploradas de maneira a expandir a já bem-sucedida economia aurífera da Colônia. Os bandeirantes foram os responsáveis por essa procura, destacando-se o Anhanguera, como era conhecido Bartolomeu Bueno da Silva.
A expedição de Bartolomeu Bueno da Silva chegou até onde hoje fica Goiás no ano de 1725, tendo conseguido encontrar as reservas de ouro que eram buscadas. Dois anos mais tarde foi fundada a Vila Boa de Goiás, mais tarde conhecida como Cidade de Goiás, que foi a capital do futuro estado até a década de 1930.
Um pouco antes, em 1719, o bandeirante Pascoal Moreira Cabral havia fundado a cidade de Cuiabá, atual capital do Mato Grosso. A instalação de capitanias no Centro-Oeste também data da primeira metade do século XVIII, processo esse que intensificou o povoamento da região e consolidou o domínio dos portugueses sobre o território brasileiro.
A economia do Centro-Oeste era baseada na exploração do ouro e na pecuária, atividade essa que ganhou evidência a partir do século XIX. Esse mesmo período ficou marcado pela Guerra do Paraguai (1864–1870), conflito que envolveu o território do Mato Grosso e resultou na morte de dezenas de milhares de pessoas, além de perdas econômicas de grande volume. O século posterior, por sua vez, ficou caracterizado pela chamada Marcha para o Oeste, uma política do governo de Getúlio Vargas que foi implementada em 1938 com o objetivo de expandir o povoamento do interior do Brasil e promover o seu maior desenvolvimento econômico.
Os produtores agrícolas formaram o principal grupo a se instalar no Centro-Oeste durante esse período. Mais tarde, já na década de 1970, o Cerrado e, principalmente, os estados da região se viram novamente em meio a um movimento migratório intenso de produtores rurais com o incentivo do governo federal, o que ficou conhecido como a expansão da fronteira agrícola brasileira. Esse movimento, contudo, foi mais abrangente e também incluiu áreas no Nordeste e Norte.
Voltando um pouco na nossa linha temporal, é imprescindível mencionar a mudança da capital do Brasil do Sudeste para o Centro-Oeste, o que transformou essa região no ponto nodal que conecta todo o território brasileiro. O local onde seria instalada a nova capital foi escolhido de forma cuidadosa, colocando em prática uma ideia que havia sido elaborada ainda no começo do século XIX, e a sua construção aconteceu na década de 1950.
A cidade de Brasília foi inaugurada em 1960, tornando-se, oficialmente, a capital do Brasil. Com isso, o Centro-Oeste se tornou o centro político do país.
Distante do litoral e situado em uma posição intermediária na zona intertropical do planeta Terra, a continentalidade é o principal fator que influencia o clima da região Centro-Oeste do Brasil. Por causa disso, predomina o clima tropical típico.
O clima tropical tem como principal aspecto a distinção entre duas estações do ano: um verão quente e chuvoso, marcado por temperaturas que podem superar os 30º C ou, mais recentemente, os 35º C, e um inverno ameno e seco, estação em que as temperaturas mais baixas ficam em torno de 18º C, e são alcançadas por influência da massa polar atlântica (mPa) quando ela tem força o suficiente para avançar para o interior do território brasileiro.
É importante dizer que, mesmo dentro da área de influência do clima tropical, existem variações locais que são condicionadas por fatores como o relevo. Considerando as capitais, esse motivo explica o porquê de Cuiabá (MT) apresentar temperaturas médias mais elevadas do que Goiânia (GO), por exemplo.
Na parcela setentrional do estado do Mato Grosso, na divisa do Centro-Oeste com a Região Norte, o clima dominante é o equatorial. Além do calor, com temperaturas médias de 27º C, a umidade é outro aspecto que caracteriza essa ocorrência climática. As chuvas acontecem durante todo o ano, registrando volumes anuais de 1.200 a 1.500 mm. Já no sul do Mato Grosso do Sul e em um pequeno trecho do Distrito Federal, o clima presente é o tropical de altitude, que apresenta temperaturas mais amenas quando comparado ao tropical típico.
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Os planaltos e chapadas são as formas de relevo que melhor caracterizam a paisagem da região Centro-Oeste do Brasil, estando ela inserida nas unidades dos Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná, ao sul, e dos Parecis, ao norte. Compostas por terrenos com topo aplainado que terminam em escarpas, assim como serras e morros testemunhos, essas formas se desenvolveram pela ação intempérica da água, haja vista a densidade da rede hidrográfica dessa região brasileira. Dentre as chapadas do Centro-Oeste estão a Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso, e a Chapada dos Veadeiros, em Goiás. As altitudes nessas áreas chegam a pouco mais de 1.600 metros.
Entre as áreas de maior elevação ficam as depressões, que são a expressão máxima do intemperismo físico promovido pela água. Como sendo uma área bem drenada pelos cursos d’água, as planícies também estão presentes em larga escala no Centro-Oeste do país, destacando-se o Pantanal Mato-Grossense. Essa é considerada a maior planície inundável do mundo, e fica situada no sudoeste da região, entre os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Durante a cheia dos rios, por, pelo menos, seis meses do ano, ela é preenchida por água e dá origem a uma paisagem única no território brasileiro.
A Região Centro-Oeste tem papel importante na hidrografia brasileira. Por apresentar relevo planáltico e regime pluviométrico regular, favorece a manutenção de uma densa rede de rios, ao mesmo tempo em que mantém um extenso conjunto de nascentes de alguns dos maiores cursos d’água do território nacional, assim como afluentes que alimentam as suas respectivas bacias hidrográficas. Esse é um dos motivos pelos quais o Cerrado, bioma que tem a sua maior extensão no Centro-Oeste, é conhecido como o berço das águas.
Analisando a hidrografia do Centro-Oeste a partir das regiões hidrográficas do Brasil, podemos dizer que aquela grande região se sobrepõe a quatro diferentes bacias:
A região Centro-Oeste do Brasil é uma das mais biodiversas do país e apresenta cobertura vegetal característica de três biomas. São eles:
O Centro-Oeste é a região menos populosa do Brasil. Sua população atual, de acordo com o censo mais recente do IBGE, é de 16.289.538 habitantes, o equivalente a 8% dos brasileiros. Quando analisamos a sua distribuição populacional, podemos constatar que se trata, também, de uma região que é pouco povoada, tendo uma densidade demográfica de 10,14 hab./km². Esse valor é pouco menos da metade do que o encontrado para o território brasileiro. Como mostra a tabela, a maior parcela da população do Centro-Oeste vive no estado de Goiás, que tem mais de 7 milhões de habitantes. O Mato Grosso é o segundo mais populoso, com 3,6 milhões.
Mais de 14,8 milhões de pessoas habitam as cidades da região Centro-Oeste, o que faz com que a sua taxa de urbanização seja de 91,4%. A população que vive no meio rural representa apenas 8,6% do total, o que é cerca de 1,4 milhão de pessoas. A cidade de Brasília, capital do país, é a mais populosa do Centro-Oeste e a terceira maior do Brasil, com 2.817.381 habitantes, isto é, a mesma população do Distrito Federal. Depois dela vem Goiânia, que ocupa a 10ª posição do ranking de cidades brasileiras e conta com 1.437.366 habitantes.
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População das UFs do Centro-Oeste |
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UF |
População |
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Distrito Federal |
2.817.381 |
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Goiás |
7.056.495 |
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Mato Grosso |
3.658.649 |
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Mato Grosso do Sul |
2.757.013 |
Fonte: IBGE.
Seguindo um padrão que é observado no Brasil, quando falamos em participação no Produto Interno Bruto (PIB), as atividades do setor terciário são, certamente, as mais expressivas na região Centro-Oeste do Brasil.
Além do turismo, do comércio e dos serviços dos mais variados seguimentos, o funcionarismo público que se concentra na cidade de Brasília (DF) é fundamental para a economia regional. A cidade abriga a sede dos Três Poderes da República, além das principais instituições públicas atreladas ao governo federal, como é o caso dos ministérios, das agências e do setor de defesa territorial, por exemplo.
Ainda assim, o setor primário da economia é dominante quando tratamos das principais atividades econômicas desenvolvidas no Centro-Oeste, influenciando, inclusive, na composição da sua indústria. O estado do Mato Grosso é, hoje, o maior produtor de soja do país, enquanto Goiás ocupa a terceira colocação nacional. A soja produzida no Centro-Oeste tem como principal destino o mercado exterior, sendo a China o seu maior comprador. O milho é outra commodity produzida em larga escala em todos os estados do Centro-Oeste, e segue o mesmo modelo agrário-exportador.
Expandindo para a agropecuária, temos que o Mato Grosso é detentor do maior rebanho bovino do Brasil, com mais de 32,8 milhões de cabeças. Goiás também apresenta uma grande produção pecuária, que, assim como a mato-grossense, é responsável pela comercialização de carne e leite com o exterior.
Os setores primário e secundário da economia estão diretamente relacionados no Centro-Oeste por meio da agroindústria, destacando-se a presença de unidades que fazem o beneficiamento e processamento de grãos, os frigoríficos e a indústria sucroalcooleira. Fora do setor agrícola, o parque industrial é composto por indústrias automobilísticas, químicas, farmacêuticas e de papel e celulose, tendo havido crescimento e diversificação de outros segmentos produtivos nas últimas décadas.
A cultura da Região Centro-Oeste é repleta de manifestações culturais que apresentam fortes influências indígena, africana, europeia e, também, oriunda dos países vizinhos a ela e da população migrante de outras partes do Brasil. As festas populares são uma forma bastante tradicional de celebrar datas do calendário religioso e, também, mostrar algumas das danças, músicas e comidas típicas dessa região. Dentre essas festas estão a Procissão do Fogaréu, que acontece na Cidade de Goiás, a Cavalhada, a Congada, o Festival de Cururu e Siriri e a Festa do Divino Pai Eterno.
Os ritmos da região Centro-Oeste são muito difundidos pelo território brasileiro, sendo o sertanejo o mais comum deles. No entanto, a região também teve muita importância para o rock e o punk, principalmente durante a década de 1980, período em que bandas que eram conhecidas apenas no circuito local ganharam fama em todo o país, como foi o caso do Legião Urbana. Nas danças tradicionais, podemos mencionar o chupim, a catira e o xote. A gastronomia do Centro-Oeste é composta por pratos bastante diversos e que levam ingredientes locais, como o arroz com pequi, o caldo de piranha, o bolinho de arroz e o arroz carreteiro.
Créditos da imagem
Fontes
IBGE. Panorama do Censo 2022. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/.
IBGE Cidades. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/.
REDAÇÃO. Cerrado perdeu 40 milhões de hectares de vegetação em 40 anos, aponta estudo. G1, 01 out. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2025/10/01/cerrado-perdeu-40-milhoes-de-hectares-de-vegetacao-em-40-anos-aponta-estudo.ghtml.
ROSS, Jurandyr L. Sanches. (Org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2019. 6 ed. 3 reimp. (Didática; 3).
SENE, Eustáquio de; MOREIRA, João Carlos. Geografia Geral e do Brasil, 7º ano: ensino fundamental, anos finais. São Paulo: Scipione, 2018.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/brasil/regiao-centro-oeste.htm