Dobramentos modernos são um tipo de estrutura geológica formada a partir da Era Cenozoica, mais precisamente, do Paleógeno, a partir de 65 milhões de anos. Os dobramentos modernos têm origem no limite convergente entre placas tectônicas que, ao colidirem, exercem pressão uma sobre a outra e provocam a deformação e o soerguimento da crosta terrestre, o que caracteriza a orogênese. Por essa razão, eles são chamados também de cinturões ou de cadeias orogenéticas. Foi desse processo que surgiram cadeias montanhosas como a Cordilheira dos Andes, na América do Sul, e a Cordilheira do Himalaia, na Ásia.
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Dobramentos modernos são um tipo de estrutura geológica que se formou a partir do soerguimento da crosta terrestre em áreas de limite convergente entre placas tectônicas. Eles representam as maiores cadeias montanhosas existentes no mundo atual e são assim chamados por terem iniciado o seu processo de formação entre o final da Era Mesozoica e o Paleógeno, no início da Era Cenozoica, atual era geológica que começou há 65 milhões de anos. Os dobramentos modernos também recebem o nome de cinturões ou de cadeias orogenéticas em decorrência do tipo de movimento crustal que acontece na sua área de formação.
A formação dos dobramentos modernos está diretamente ligada ao movimento das placas tectônicas. Esse tipo de estrutura geológica tem origem na região marginal dos blocos rochosos, mais especificamente em áreas de bordas convergentes, que marcam o encontro de duas ou de mais placas tectônicas que estão se movimentando em sentidos opostos. O processo de formação das montanhas e das cadeias montanhosas tem início com a colisão entre essas placas, o que condiciona o início da orogenia, também chamado de orogênese.
A orogênese é o soerguimento rápido de uma parte da crosta terrestre que acontece justamente em função da colisão entre placas tectônicas. Quando classificamos esse processo como “rápido” não podemos nos esquecer de que estamos trabalhando com a escala de tempo geológico, o que altera a nossa percepção cotidiana de passagem temporal. Assim, um movimento rápido equivale a dizer que ele acontece dentro de milhares de anos, que é o caso dos dobramentos modernos.
A colisão provoca o diamorfismo, ou deformação de uma parte da crosta terrestre, que é resultante da pressão horizontal exercida pelos blocos rochosos em movimento. Após o impacto, a placa de maior densidade submerge por baixo da placa de menor densidade, onde acontece a dobra.
Todas as rochas e estruturas que estão posicionadas sobre ela, então, se dobram e realizam movimento ascendente que é resultante da pressão gerada na área, causando a elevação de todo o terreno e provocando impactos significativos no entorno. Quando a Cordilheira dos Andes soergueu, por exemplo, a rede de drenagem sul-americana passou a ser orientada no sentido oeste-leste, com a maior parte dos cursos d’água se voltando para desaguar na costa atlântica. Além dos dobramentos modernos, o processo que descrevemos constitui vulcões e arcos vulcânicos.
Os dobramentos modernos são caracterizados, em primeiro lugar, pelas altitudes que alcançam. Por serem estruturas muito recentes, estiveram pouco expostas aos agentes intempéricos e, por isso, representam as áreas mais elevadas do planeta Terra.
Eles são constituídos por rochas metamórficas derivadas de rochas ígneas (ou magmáticas) e por depósitos sedimentares cujas rochas mais antigas datam do Ordoviciano, período da Era Paleozoica que se estendeu de 488 a 444 milhões de anos. Alguns deles, como é o caso dos depósitos andinos, apresentam evidências do assoalho de antigos oceanos, o que mostra que as rochas que constituem as montanhas que vemos hoje já estiveram a milhares de metros abaixo do nível do mar.
O movimento orogenético que constituiu os dobramentos modernos continua acontecendo em algumas das cadeias montanhosas formadas, uma vez que são áreas tectonicamente ativas. A velocidade média de soerguimento é de 0,5 cm/ano, embora haja localidades em que se observa variações altimétricas de até 1 cm/ano. Como afirmamos, avaliando a partir do tempo cronológico esse pode parecer um movimento lento, mas, do ponto de vista do tempo geológico, é uma mudança rápida. Por conta desse movimento, as áreas em que acontecem estão sujeitas a fenômenos como terremotos e vulcanismo.
Na tabela a seguir, apresentamos os principais dobramentos modernos que conhecemos na atualidade.
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Principais dobramentos modernos do mundo |
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Nome |
Localização |
Altitude máxima |
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Alpes |
Europa |
Mont Blanc (4.807,3 m) |
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América do Sul |
Monte Aconcágua (6.962 m) |
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Ásia |
Monte Everest (8.848,8 m) |
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Montanhas Rochosas |
América do Norte |
Monte Elbert (4.401 m) |
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Diferente dos dobramentos modernos, cujo soerguimento aconteceu mais recentemente na escala de tempo geológico, os dobramentos antigos fazem parte da parcela mais antiga da estrutura geológica do planeta Terra e, por isso, também são chamados de cráton, maciço antigo ou escudo cristalino. Assim como as montanhas jovens, os dobramentos antigos se formaram pelo choque entre placas tectônicas e são constituídos por rochas ígneas e metamórficas. Contudo, a maior parte deles data do Pré-Cambriano, o que significa que têm idade superior a 542 milhões de anos, que foi quando começou o Período Cambriano e, mais amplamente, a Era Paleozoica.
Em função da idade, as rochas dos dobramentos antigos estiveram expostas a todo tipo de agente intempérico, passando por um longo processo de desgaste e DE transformação. Hoje em dia, essa estrutura geológica sustenta formas de relevo como planaltos, morros, montes e serras, e ficam localizadas em áreas que desfrutam de maior estabilidade tectônica, como é o caso do território brasileiro, com a presença de dobramentos antigos no litoral, onde ficam a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira. Os Montes Apalaches, nos Estados Unidos, são outro exemplo de dobramentos antigos.
O território brasileiro é tectonicamente estável pelo fato de estar localizado no centro de uma placa tectônica, que é a placa Sul-Americana. Embora possamos encontrar serras e até montanhas, como já confirmou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não existem dobramentos modernos no Brasil.
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Questão 1
(IFG) Para Guerra & Guerra, uma cordilheira corresponde a:
“Grandes massas de relevo saliente, produzidas pelo orogenismo. Da mesma maneira que cadeia de montanhas ou serras, é uma expressão usada geralmente nas descrições da paisagem física de uma região, na qual a parte técnica é um pouco descuidada. Geralmente se compreendem as cordilheiras como grandes cadeias de montanhas, ex.: cordilheira dos Andes, Alpes, Atlas, Himalaia etc.”
GUERRA, A. T & GUERRA, A. J. T. Dicionário Geológico-Geomorfológico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997, p. 162.
A origem das cordilheiras, ou seja, a orogenia, deve-se fundamentalmente a que tipo de processo geológico-geomorfológico?
A) Falhamentos.
B) Dobramentos.
C) Erosão, deposição e sedimentação.
D) Vulcanismo.
E) Atividades sísmicas.
Resolução:
Alternativa B.
O soerguimento das cordilheiras através da orogenia se deve aos dobramentos, que acontecem no limite convergente entre placas tectônicas. Por isso, as montanhas jovens são chamadas de dobramentos modernos.
Questão 2
(ADM&TEC) Analise as informações a seguir:
I. A formação de grandes cadeias orogênicas em consequência da movimentação das placas ocorreu no início do período Terciário.
II. O Brasil, por se encontrar no meio da placa tectônica Sul-americana, possui dobramentos modernos, vulcões ativos, apesar de os abalos sísmicos de maior intensidade serem pouco frequentes no país.
Marque a alternativa CORRETA:
A) As duas afirmativas são verdadeiras.
B) A afirmativa I é verdadeira, e a II é falsa.
C) A afirmativa II é verdadeira, e a I é falsa.
D) As duas afirmativas são falsas.
Resolução:
Alternativa B.
A afirmativa I descreve corretamente o surgimento das cadeias orogênicas, ou dobramentos modernos, que conhecemos hoje, como os Andes e os Himalaias. No Brasil não existe esse tipo de formação justamente por causa da sua posição na placa Sul-Americana, o que torna a afirmativa II falsa.
Fontes
CASSETI, Valter. Geomorfologia. [S.l.]: [2005].
TEIXEIRA, Wilson.; FAIRCHILD, Thomas Rich.; TOLEDO, Maria Cristina Motta de; TAIOLI, Fabio. (Orgs.) Decifrando a Terra. São Paulo, SP: Companhia Editora Nacional, 2009, 2ª ed.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/geografia/dobramentos-modernos.htm