A colonização inglesa na América foi um longo processo no qual a Inglaterra fundou e conquistou colônias nas Américas. Iniciado no final do século XVI, o processo de colonização inglesa na América só se encerrou no final do período napoleônico, quando a Inglaterra conquistou a Guiana, vizinha do Brasil.
No século XVIII, sob influências das ideias iluministas e cansados dos altos impostos cobrados pelos ingleses, os colonos das Treze Colônias se uniram e declararam sua independência da Inglaterra em 4 de julho de 1776. A declaração deu início à luta pela independência, concluída em 1783, após a vitória do Exército Continental.
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Portugal e Espanha foram os pioneiros na expansão marítima europeia, pois foram os primeiros reinos centralizados do continente, localizavam-se em posição estratégica no Atlântico e possuíam os recursos tecnológicos e econômicos necessários para tal empreendimento.
Em 12 de outubro de 1492, os espanhóis chegaram à América, na famosa expedição de Cristóvão Colombo. Dois anos depois, os dois reinos ibéricos assinaram o Tratado de Tordesilhas, que dividiu as novas terras descobertas, inclusive as Américas, entre Portugal e Espanha.
Os portugueses chegaram ao Brasil em 22 de abril de 1500, quando a esquadra de Cabral desembarcou em Porto Seguro. Na década de 1530, os portugueses passaram a edificar vilas e cidades no litoral do que se tornou o Brasil. Na mesma década, os espanhóis também edificaram cidades no Caribe, na América Central e na América do Norte. Em 1532 eles conquistaram a maior cidade do mundo, Tenochtitlán, capital do Império Asteca.
Foi nesse contexto de hegemonia espanhola e portuguesa nos mares que a Inglaterra iniciou seu processo de colonização da América. Em 1588 a Marinha inglesa venceu a “Invencível Armada”, nome da poderosa Marinha espanhola. A vitória tornou a Marinha inglesa a mais poderosa da época, abrindo as portas para a colonização da América.
Além da expansão marítima europeia, a colonização inglesa da América se iniciou no contexto da Reforma Protestante, iniciada em 1517 por Martinho Lutero. Poucos anos depois, na Inglaterra, Henrique VIII realizou sua própria reforma, criando a Igreja Anglicana.
No final do século XVI, inspirados nas ideias de João Calvino, os puritanos ganharam força na Grã-Bretanha. Católicos, anglicanos e puritanos se alternaram no poder, perseguindo grupos rivais e provocando a migração destes, muitas vezes para a América.
Na época inicial da colonização inglesa na América, vigorava o mercantilismo, no qual os reinos europeus buscavam acumular metais preciosos. Para conseguir tal objetivo, algumas práticas eram comuns, como o protecionismo econômico, a busca por uma balança comercial favorável e a conquista e fundação de colônias.
Legalmente impedida de colonizar a América pela vigência do Tratado de Tordesilhas, a Inglaterra primeiro enviou corsários e piratas para a costa da América. Estes pilhavam navios da Espanha e Portugal, diminuindo os lucros desses reinos e, consequentemente, fortalecendo a Inglaterra.
No final do século XVI e início do XVII, diversas cidades brasileiras foram atacadas por piratas ingleses, como a cidade de Santos, Recife e São Vicente. Mas a maior parte dos piratas ingleses se estabeleceu no Caribe, local estratégico na interceptação dos navios espanhóis.
A principal base dos piratas ingleses na América foi Port Royal, na Jamaica. Mas a cidade foi quase completamente destruída em um terremoto em 1692. Atualmente parte das ruínas da antiga cidade se encontra submersa no Mar do Caribe.
A partir do reinado de Jaime I, a colonização inglesa da América passou a ser, em parte, financiada pelo Estado e empresas privadas. Ignorando o Tratado de Tordesilhas, os ingleses passaram a edificar vilas e cidades no Caribe e na América do Norte. Também construíram entrepostos comerciais nos quais obtinham madeira, tabaco e peles por meio do comércio com os indígenas.
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A primeira tentativa inglesa de colonização da América ocorreu em 1585, no reinado de Elizabeth I, quando cerca de 600 homens se fixaram na ilha de Roanoke, na costa do que é hoje os Estados Unidos. Os colonos enfrentaram muitas dificuldades e ataques dos indígenas e, pouco mais de um ano após a chegada, abandonaram a colônia e retornaram para a Inglaterra.
Em 1587, uma nova colônia foi fundada em Roanoke, dessa vez com aproximadamente 120 pessoas, entre homens e mulheres. Novamente os colonos ingleses enfrentaram dificuldades, e um grupo de colonos, entre eles o líder do grupo, John White, partiu para a Inglaterra em busca de sementes, ferramentas e novos voluntários para a colônia. White deixou em Roanoke sua esposa, seu filho e sua neta, Virgínia, a primeira europeia a nascer nos Estados Unidos.
Na época a Inglaterra enfrentava uma guerra contra a Espanha, e White foi capturado, conseguindo retornar para Roanoke apenas três anos depois de partir. Para a surpresa dele, os habitantes de Roanoke haviam desaparecido, inclusive toda a família de White. Em uma árvore foi cravado com um canivete a palavra “croatoan”. Ainda hoje o destino dos colonos é desconhecido e existem diversas teorias sobre o desparecimento da “Colônia Perdida”. A mais aceita defende que os colonos, em dificuldades, partiram para o sul para viver com os croatoans, povo indígena.
A primeira colônia a prosperar nos Estados Unidos foi a de Jamestown, fundada em 1607, em um empreendimento da Companhia da Virgínia de Londres, que buscava desenvolver atividades econômicas na América que gerassem grandes lucros.
Assim como em Roanoke, os colonos de Jamestown passaram por grandes dificuldades e, entre os anos de 1609 e 1610, viveram o que ficou conhecido como os Tempos de Fome, quando cerca de 80% dos colonos faleceram por não ter o que comer. Achados arqueológicos indicam que nessa época o canibalismo foi praticado na colônia, com os mortos sendo devorados pelos famintos.
Após os Tempos de Fome, a Companhia da Virgínia enviou novos colonos e iniciou a produção de tabaco, que prosperou e passou a gerar grandes lucros para colonos e empresas, trazendo novos colonos da Europa e aumentando o tamanho da colônia.
Em 1620, foi fundada Plymouth por um grupo de colonos, que eram, na sua maioria, puritanos que fugiam das perseguições na Inglaterra. No ano da chegada, os colonos enfrentaram um rigoroso inverno e a escassez de alimentos, o que gerou fome na colônia. Os colonos só conseguiram sobreviver graças à ajuda dos indígenas e, em 1621, realizaram um banquete para agradecer aos nativos, ato que é considerado o primeiro Dia de Ação de Graças. Em pouco mais de um século, os ingleses fundaram treze colônias, que, após a independência, tornaram-se os Estados Unidos.
De grosso modo, dois modelos econômicos foram adotados na colonização inglesa. O primeiro, mais comum no Norte, priorizou o povoamento, baseando-se na agricultura familiar, na pequena produção, na policultura e na produção destinada ao mercado interno. O segundo, conhecido como colônia de exploração, voltou-se para a produção monocultora em grandes latifúndios, com largo uso de mão de obra escrava e com a produção destinada à exportação para o mercado europeu.
![Mapa de regiões colonizadas pelos ingleses e que hoje falam o inglês nas Américas. [imagem_principal]](https://s1.static.brasilescola.uol.com.br/be/2026/03/mapa-colonizacao-inglesa.jpg)
Ainda no século XVII a Inglaterra, exploradores ingleses iniciaram o povoamento do litoral do que é hoje Belize. Inicialmente as principais atividades econômicas dessa região era a extração de madeira, sobretudo o valioso pau-brasil. Em 1655, durante a Guerra Anglo-Espanhola, os ingleses conquistaram diversas ilhas no Caribe, e a principal delas foi a Jamaica. Na Jamaica, a produção industrial girou em torno da cana, que produziu o valioso açúcar, além de rapadura, melado e rum.
No final do século XVIII, em conflitos com os franceses, os ingleses ocuparam a região da Guiana. No final do período napoleônico, foi assinado o Tratado de Londres, que garantiu aos ingleses a posse definitiva da Guiana.
A partir de 1607, quando os ingleses fundaram a vila de Jamestown, diversas outras cidades foram edificadas e, em pouco mais de um século após o início da colonização, existiam na América do Norte Treze Colônias inglesas: New Hampshire, Massachusetts, Rhode Island, Connecticut, New York, New Jersey, Pennsylvania, Delaware, Maryland, Virginia, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Georgia.
Essas colônias, principalmente as do Norte, contavam certa autonomia administrativa em relação aos ingleses. No Norte, predominou a agricultura familiar, em pequenas propriedades, nas quais era produzida uma variedade de alimentos e produtos agrícolas. No Sul, predominou a grande propriedade monocultura, cuja produção era destinada ao mercado europeu. Nessas fazendas a mão de obra escrava foi utilizada em larga escala.
No século XVIII, as ideias iluministas chegaram às Treze Colônias, ganhando força entre a elite local. Em 1756, estourou a Guerra dos Setes anos, na qual os colonos das Treze Colônias apoiaram os ingleses na luta contra os seus inimigos franceses.
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Entre 1756 e 1763, ocorreu a Guerra dos Sete Anos, na qual a Inglaterra e França se enfrentaram na disputa por territórios na América. Durante a guerra, muitos colonos americanos lutaram pelo exército inglês, sendo fundamentais para a vitória da Inglaterra.
Após o conflito, a Inglaterra passou por uma crise econômica e, para solucionar a crise, aumentou e criou diversos impostos, que deveriam ser pagos pelos colonos norte-americanos. Revoltados com os altos impostos, os colonos das Treze Colônias iniciaram os debates para a sua emancipação em relação à Inglaterra.
Em dezembro de 1773, em represália contra os impostos, colonos americanos se disfarçaram de indígenas, entraram em três navios ingleses e lançaram toda a carga de chá destes no mar, o que ficou conhecido como a Festa do Chá de Boston.
Em resposta, o Parlamento britânico aprovou leis que aumentaram o controle da metrópole sobre as Treze Colônias. Entre essas leis existia uma na qual o Porto de Boston deveria ser controlado pelo exército inglês. Além disso, reuniões entre colonos foram proibidas, assim como manifestações públicas. Os colonos norte-americanos também foram obrigados a fornecer alojamentos para os soldados, e os colonos que cometessem crimes seriam julgados por autoridades inglesas. Os colonos das Treze Colônias chamaram essas leis de “Atos intoleráveis” e começaram a se organizar para conquistar a independência.
Em maio de 1775, reuniu-se o Segundo Congresso Continental, do qual participaram delegados das Treze Colônias. No congresso foi redigida a Declaração de Independência dos Estados Unidos, e George Washington foi escolhido para ser o primeiro comandante do Exército Continental. Em 4 de julho de 1776, a independência foi formalmente declarada pelos colonos das Treze Colônias.
A guerra de independência durou até 1783 e terminou com a vitória dos Estados Unidos, o país se tornou a primeira república independente da América. George Washington foi eleito o primeiro presidente do país.
![Mapa mental sobre a Colonização Inglesa. [imagem_principal]](https://s5.static.brasilescola.uol.com.br/img/2018/09/colonizacao-inglesa_be(3).jpeg)
1. (FGV) A conquista colonial inglesa resultou no estabelecimento de três áreas com características diversas na América do Norte. Com relação às chamadas "colônias do sul", é correto afirmar:
a) Baseava-se, sobretudo, na economia familiar e desenvolveu uma ampla rede de relações comerciais com as colônias do Norte e com o Caribe.
b) Baseava-se em uma forma de servidão temporária que submetia os colonos pobres a um conjunto de obrigações em relação aos grandes proprietários de terras.
c) Baseava-se em uma economia escravista voltada principalmente para o mercado externo de produtos, como o tabaco e o algodão.
d) Consolidou-se como o primeiro grande polo industrial da América com a transferência de diversos produtores de tecidos vindos da região de Manchester.
e) Caracterizou-se pelo emprego de mão de obra assalariada e pela presença da grande propriedade agrícola monocultora.
Resposta correta: C.
As colônias do sul possuíam uma economia baseada no sistema de plantation. Nesse sistema, o latifúndio, a monocultura de exportação e o trabalho escravo predominaram.
2. (PUC-PR) O chá veio da China e atingiu a Europa no início do século XVII com o primeiro carregamento chegando a Amsterdã em 1609. A partir do século XVIII, a Inglaterra torna-se o principal importador de chá da Europa. Nesse mesmo período, o chá consistiu em importante bebida da população dos Estados Unidos da América, ainda colônia inglesa. A partir desse contexto, marque a alternativa CORRETA:
a) Esse período é marcado pela questão dos impostos, especialmente a aprovação, em 1773, do imposto inglês sobre o chá, produto importado e muito consumido pelos colonos.
b) Em meados do século XVIII, fortaleceram-se as relações entre colonos norte-americanos e a sua metrópole inglesa, especialmente com o apoio dos colonos contra os invasores espanhóis.
c) Além do imposto sobre o chá, o Parlamento inglês aprovou também o imposto sobre o açúcar. No entanto, essa lei não foi tão grave, pois esse produto não era importante para os Estados Unidos, que, nessa época, quase não consumiam açúcar.
d) A Lei do Chá está relacionada ao episódio em que colonos ingleses, vestidos de índios, jogaram um carregamento de chá no mar, no porto de Boston. Esse incidente radical levou a Inglaterra a reconhecer a independência dos Estados Unidos.
e) Os conflitos entre Inglaterra e França (Guerra dos Sete Anos - 1756-1763) estão relacionados diretamente à 'Guerra de Secessão' norte-americana.
Resposta correta: A
Após a Guerra dos Sete Anos, para tentar recuperar sua economia, a Inglaterra criou diversos impostos sobre os colonos da América, e um deles foi o imposto do chá. O aumento dos impostos levou à Festa do Chá de Boston, considerada pela maior parte dos historiadores como o estopim para a Guerra de Independência dos Estados Unidos.
Fontes
IZECKSHON, Vitor. Estados Unidos: uma história. Editora Contexto, São Paulo, 2021.
KARNAL, Leandro. A história dos Estados Unidos. Editora Contexto, São Paulo, 2007.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/historiag/colonizacao-inglesa.htm