Homeschooling é uma palavra de língua inglesa que significa “educação escolar em casa”. No Brasil, o termo também é conhecido como educação domiciliar ou doméstica. Embora já exista há alguns anos, essa modalidade de educação tem ganhado novos adeptos ultimamente, depois do surgimento da pandemia do coronavírus, em março de 2020.
Nessa modalidade, a criança e o adolescente não frequentam a escola tradicional. Em vez disso, eles são educados em casa, geralmente pelos seus pais, os quais participam ativamente do processo de formação intelectual dos seus filhos. O homeschooling defende que, ao terem aulas em casa, as crianças ganham mais segurança, conforto e qualidade, pois têm a atenção toda para elas.
Segundo a Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), nesse tipo de modalidade, os pais oferecem aos seus filhos uma educação personalizada para poderem explorar o potencial e os talentos de cada um deles. Para isso, a Aned ressalta que os pais devem investir tempo e recursos.
Além da educação intelectual, o foco do homeschooling, de acordo com a Aned, é a preocupação dos pais com a formação do caráter dos seus filhos e em direcionar os valores e as virtudes que estes devem incorporar.
Confira em nosso podcast: As transformações da educação na pandemia
No Brasil, o termo também é conhecido como educação domiciliar ou doméstica.
Essa modalidade de educação tem ganhado novos adeptos depois do surgimento da pandemia do coronavírus.
O homeschooling defende que os pais eduquem seus filhos em casa, participando ativamente do processo de formação intelectual destes.
A educação domiciliar é personalizada para poder explorar o potencial e os talentos das crianças e adolescentes.
Na prática, o homeschooling funciona mediante aplicação de atividades interativas, dinâmicas e utilização de ferramentas em casa.
Pais que têm pouco tempo disponível podem terceirizar a educação doméstica contratando professores particulares ou adotando o Ensino à Distância.
A ideia de desescolarização surgiu, entre os anos de 1960 e 1970, por meio de críticas do professor da Universidade de Harvard John Holt.
O homeshooling está presente em mais de 60 nações ao redor do mundo.
Projetos de Lei que defendem a regulamentação da educação domiciliar no Brasil estão em análise na Câmara dos Deputados.
O homeschooling é criticado no Brasil por ter exigências polêmicas como a que os pais obrigatoriamente devem ter curso superior e as crianças devem passar por avaliação pública.
No homeschooling, o objetivo é que os pais ensinem os seus filhos a aprenderem o conteúdo e não a memorizá-lo. Conforme explica a Associação Nacional de Educação Domiciliar, com a implantação dessa modalidade de educação, as crianças e os adolescentes aprendem a estudar, pesquisar, questionar, raciocinar de forma lógica, interpretar textos e resolver problemas.
Na prática, o homeschooling funciona mediante aplicação de atividades interativas, dinâmicas e utilização de ferramentas em casa, tais como:
Sites, blogs e aplicativos
Videoaulas
Plataformas de ensino
Materiais didáticos
No homeschooling, as crianças e os adolescentes não ficam só em casa. Eles também podem frequentar parques, praças, parquinhos, clubes e bibliotecas. Além disso, podem praticar esportes e aprender música, artes e idiomas em outros locais. Os pais permitem, ainda, que os filhos participem de grupos de famílias que praticam a educação domiciliar para interagir entre si e partilhar experiências.
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Na educação domiciliar, os pais têm papel essencial na formação da criança, mas há alguns que têm pouco tempo disponível para estudar com os filhos em casa. Nesse caso, é possível terceirizar o homeschooling. Veja as opções.
Os pais contratam um ou mais professores particulares para a criança receber a mesma educação que teria nas escolas. A diferença é que a criança ganha toda a atenção do profissional. Nesse caso, geralmente é usado material didático específico.
As aulas via Educação a Distância (EaD) são outra opção de modalidade de ensino dentro do homeschooling. Nesse caso, o professor está do outro lado da tela do computador. As aulas podem ser ao vivo ou gravadas. As crianças normalmente têm material didático físico para acompanhar essas aulas.
Vale destacar que, conforme o conceito do homeschooling, é essencial que os pais supervisionem o aprendizado da criança e do adolescente. Por isso, os responsáveis devem estar atentos ao que o professor presencial ou on-line repassa ao seu filho. Para saber mais sobre essa discussão, confira nosso podcast: Educação à distância é para todos?
O ensino domiciliar era adotado antes da implantação das escolas no Brasil e no mundo. Contudo, não eram todos que tinham acesso a esse tipo de educação. De modo geral, era a elite quem tinha esse tipo de oportunidade. As escolas só se tornaram populares em meados do século XX.
Entre os anos de 1960 e 1970, John Holt, professor da Universidade de Harvard, estabeleceu críticas às escolas, defendendo, pela primeira vez, a ideia de “desescolarização”. Na ocasião, Holt liderou um movimento internacional pela divulgação e legalização do ensino doméstico. Esse episódio é considerado um marco para o surgimento do homeschooling.
O ensino domiciliar ganhou visibilidade nas últimas décadas e vem sendo implantado em alguns países ao redor do mundo. Dados da Aned apontam que ele está presente em mais de 60 nações. Alguns países onde o homescooling é adotado e regulamentado são:
A Emenda Constitucional nº 59 da Constituição Federal destaca que a educação básica é gratuita e obrigatória e que todos devem frequentar a escola dos quatro aos 17 anos.
Dados da Câmara dos Deputados apontam que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a constitucionalidade do homeshooling; sendo assim, não proíbe, mas também não respalda a prática. No entanto, o STF reforça que a educação domiciliar é ilegal até que seja regulamentada uma legislação específica para que os pais tenham garantia de que podem adotar esse tipo de educação com seus filhos.
No Distrito Federal (DF), conforme decisão do governador Ibaneis Rocha, a educação doméstica é liberada. Rocha sancionou a lei que institui o homeschooling em Brasília em dezembro de 2020.
Projetos de Lei que defendem a regulamentação da educação domiciliar estão em análise na Câmara dos Deputados. Tanto defensores da modalidade de educação domiciliar quanto críticos sinalizam que os projetos são polêmicos e, por isso, devem ser bastante debatidos antes serem aprovados.
Entre as críticas aos projetos de homeschooling que estão em trâmite está a exigência de que os pais ou responsáveis por essa modalidade de educação devem ter curso superior. Outro ponto em discussão é que as crianças e adolescentes educados em casa precisam passar por uma avaliação pública.
Profissionais da educação salientam, ainda, que o monitoramento da educação das crianças e dos adolescentes pelo Estado é importante para que os direitos deles sejam atendidos e não violados. Por fim, os especialistas criticam o homeschooling por acreditarem que esse método não tem como objetivo aprimorar a qualidade da educação de todos os brasileiros, mas, sim, de uma minoria.
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Assim como outras modalidades de ensino, o homeschooling conta com vantagens e desvantagens. Confira os pontos positivos e os negativos:
Maior liberdade de instrução e aprendizado
Flexibilidade de horário
Uso de técnicas tecnológicas mais avançadas
Amadurecimento e disciplina das crianças
Aprimoramento dos resultados acadêmicos
Desenvolvimento de forma personalizada
Maior economia e custo-benefício
Falta de socialização com outras crianças
Ausência de dinâmicas e interações realizadas nas escolas
Falta de experiências cotidianas na escola que ajudam a amadurecer
Ausência de conceitos da educação como responsabilidade pública
Falta de convívio com a diversidade
Retrocesso, em alguns casos
Por Silvia Tancredi
Jornalista
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/educacao/homeschooling.htm