Bebida alcoólica é toda e qualquer bebida com uma graduação alcoólica entre 0,5% e 54% em volume de etanol. As bebidas alcoólicas podem ser divididas, basicamente, em fermentadas, como a cerveja e o vinho, e destiladas, como cachaça, tequila, rum e vodca. Atualmente, no mundo, são comercializadas bebidas que chegam a até 96% de teor alcoólico, embora, no Brasil, não se possa comercializar acima de um teor de 60% em volume.
Bebida alcoólica é considerada uma droga lícita, ou seja, legalizada e regulamentada, sendo depressora do sistema nervoso central (SNC). Seus efeitos nocivos são extensos, podendo chegar até mesmo à morte. A Organização Mundial da Saúde (OMS), inclusive, afirma que não existem níveis seguros para consumo de álcool. Das bebidas alcoólicas, a cerveja figura como a mais consumida mundialmente.
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Segundo o Decreto 12.709 de 31 de outubro de 2025, bebida alcoólica é “aquela com graduação alcoólica maior ou igual a 0,5% e menor ou igual a 54% em volume, de álcool etílico potável, à 20 °C, e os destilados alcoólicos, utilizados na elaboração de bebidas alcoólicas, que possuam graduação alcoólica superior a 54% em volume, de álcool etílico potável, a 20 °C.”
O Decreto 12.709 institui os tipos de bebidas alcoólicas. Segundo ele, podemos classificar as bebidas alcoólicas em função do seu processo de produção nos tipos que apresentamos a seguir.
a) Bebida fermentada: é obtida por processo de fermentação. Entre as bebidas fermentadas, temos:
b) Bebida alcoólica por mistura: é obtida pela mistura de uma bebida alcoólica com outra bebida alcoólica, com uma bebida não alcoólica ou com outros ingredientes. Entre essas, podemos destacar:
c) Bebida alcoólica destilada: é obtida por processo de fermentação seguido de destilação ou pelo rebaixamento do teor alcoólico de destilado alcoólico. Entre as bebidas destiladas, destacamos:
d) Bebida alcoólica destilada retificada: é obtida por processo de retificação do destilado alcoólico ou de rebaixamento do teor alcoólico do álcool etílico potável de origem agrícola. Entre essas, destacamos:
O Decreto ainda descreve o destilado alcoólico, o qual não é destinado ao consumo humano direto, mas é empregado como ingrediente na elaboração de bebida alcoólica, bem como é o líquido usado em sistemas de refrigeração.
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Entre as bebidas alcoólicas, as bebidas destiladas possuem um maior teor alcoólico do que as bebidas fermentadas. Existem três bebidas que disputam o topo de bebida com maior teor alcoólico: a estadunidense Everclear, a polonesa Spirytus Rektyfikowany e a boliviana Cocoroco.
A bebida Everclear, da empresa Luxco, é produzida há mais de 100 anos, sendo um destilado à base de grãos, com um teor alcoólico de, aproximadamente, 95%. Entretanto, a empresa afirma que se trata de uma bebida inacabada, a qual tem como finalidade a produção de outras bebidas ou até mesmo produtos, como perfumes. Em alguns estados estadunidenses, a bebida foi proibida e chegou, inclusive, a ser improvisada como combustível. Dada a reputação, a empresa chegou a produzir uma versão mais leve, com “apenas” 60% de teor alcoólico.
Por sua vez, a polonesa Spirytus Rektyfikowany (Espírito Retificado, em português) possui um teor de quase 96% de álcool. É uma vodca retificada, produzida a partir da batata ou da beterraba, que não tem consumo recomendado na forma pura, devendo ser misturada com sucos ou como base para licores. Em alguns países, por questão de segurança, tem comercialização proibida.
A bebida Cocoroco é um aguardente de origem boliviana com teor alcoólico de 96%. É feita artesanalmente a partir da cana-de-açúcar por uma comunidade indígena boliviana chamada aymara. Pode ser consumida na forma pura ou como um chá. Também, por questões de segurança, é proibida em outros países.
O Brasil, aliás, proíbe a comercialização de bebidas alcoólicas que superem o teor alcoólico de 60%. O teor de 96%, aliás, é o máximo que uma bebida alcoólica destilada pode atingir, já que, nessa concentração, o etanol (álcool presente nas bebidas) e a água, tornam-se uma mistura azeotrópica, sem a possibilidade de separação de ambas as substâncias por destilação.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o consumo de álcool está relacionado a mais de 200 doenças, lesões e outras condições nocivas para saúde. Entre as doenças, podemos citar, principalmente:
Entre as lesões, é possível citar algumas intencionais ou não, como quedas, afogamento, queimaduras, agressão sexual, violência doméstica e suicídio. O álcool também é responsável por diversos acidentes no trânsito. No final de 2025, a Polícia Rodoviária Federal do Brasil apontou o registro de 204 mortes em acidentes envolvendo motoristas sob efeito de álcool em estradas federais, com mais de 7 mil infrações por embriaguez ao volante e quase 40 mil autos de infração emitidos após motoristas se recusarem a realizar o teste do bafômetro. No mesmo período, mais de 3070 motoristas foram detidos por embriaguez ao dirigir.
Vale dizer que o álcool também auxilia no desenvolvimento de transtornos por uso de álcool, como a dependência (alcoolismo), além de estar associado a quadros de depressão e de ansiedade. Gestantes não devem consumir álcool, uma vez que podem vir a sofrer com transtornos do espectro alcoólico fatal, em que a forma mais severa é a síndrome alcoólica fetal, que causa deficiências no desenvolvimento do bebê e defeitos congênitos. O consumo de álcool também está associado a complicações no parto, com aumento de risco para aborto espontâneo, além de natimorto ou de parto prematuro.
Vale lembrar que o álcool também pode causar impactos sociais, uma vez que seu consumo nocivo pode levar a problemas familiares, dificuldades no trabalho, desemprego e crises financeiras.
Por isso, a OMS declara que não há quantidade segura de álcool a ser consumida. Ainda segundo a OMS, jovens de 20 a 39 anos são mais afetados, com 13% das mortes atribuíveis ao álcool nessa faixa etária. Ainda dentro dos óbitos relacionados ao álcool, essa substância foi responsável por 6,7% das mortes entre homens e 2,4% das mortes entre mulheres.
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Sim, a bebida alcoólica, seja ela qual for seu tipo, é considerada uma droga, embora seja lícita, ou seja, é legalizada. Isso quer dizer que possuem regulamentação, órgãos de controle, entre outros fatores que permitirão sua comercialização, sua distribuição, sua produção e seu consumo, mediante regras estabelecidas por lei.
O álcool presente nas bebidas alcoólicas é uma substância depressora do sistema nervoso central (SNC), agindo diretamente sobre diversos órgãos, como fígado, coração, vasos e na parede estomacal.
Em pequenas doses, o álcool etílico promove uma desinibição, mas com o aumento dos níveis de ingestão, o indivíduo passa a apresentar uma diminuição da resposta aos estímulos, além de fala pastosa, dificuldade para deambular, entre outros. Quando os níveis de ingestão são muito grandes, superando 0,35 gramas de álcool para cada 100 mL de sangue, o indivíduo pode ficar em coma ou, até mesmo, morrer.
Os efeitos do álcool, obviamente, variam de pessoa para pessoa, em que uma pessoa mais acostumada com o consumo irá sentir os efeitos de maneira mais amena, se comparada a uma pessoa que não possui o hábito de ingestão de bebidas alcoólicas. Indivíduos com uma estrutura física de grande porte (considerando altura, massa muscular e altura) também terão uma maior resistência aos efeitos das bebidas alcoólicas. Fatores associados ao metabolismo, estilo de vida, genética e tempo de ingestão para as bebidas alcoólicas também irão influenciar nos efeitos sentidos.
Segundo a Associação Médica Americana, uma concentração a partir de 0,04 gramas de álcool para cada 100 mL de sangue já é suficiente para trazer prejuízos para o indivíduo consumidor.
A tabela a seguir traz alguns efeitos da alcoolemia no corpo humano em função da quantidade de álcool etílico no sangue.
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Concentração alcoólica (g/100 mL de sangue) |
Efeitos sobre o corpo |
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0,01-0,05 |
Aumento das frequências cardíaca e respiratória |
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Comportamento incoerente ao executar tarefas |
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Perda da capacidade de discernimento e da inibição |
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Leve sensação de euforia, relaxamento e prazer |
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0,06-0,10 |
Diminuição da atenção e vigilância, com perda de reflexos, coordenação e força muscular. |
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Redução da capacidade de tomar decisões racionais e discernimento |
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Sensação crescente de ansiedade e depressão |
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Perda de paciência |
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0,10-0,15 |
Reflexos consideravelmente mais lentos |
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Problemas de equilíbrio |
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Fala arrastada |
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Alteração de algumas funções visuais |
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Vômito |
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0,16-0,29 |
Transtornos graves dos sentidos |
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Alterações graves de coordenação motora, risco de queda. |
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0,30-0,39 |
Letargia profunda |
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Perda da consciência |
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Estado de sedação como ao de uma anestesia cirúrgica |
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Morte |
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A partir de 0,40 |
Inconsciência |
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Parada respiratória |
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Morte |
Fonte: CENTRO DE INFORMAÇÕES SOBRE SAÚDE E ÁLCOOL – CISA. Efeitos do álcool. CISA. 14 set. 2012. Disponível em: https://cisa.org.br/sua-saude/informativos/artigo/item/51-efeitos-do-alcool.
A seguir, estão dispostas algumas leis brasileiras sobre bebidas alcoólicas no Brasil:
No ano de 2023, o portal Insider Monkey listou as 10 bebidas alcoólicas mais consumidas no mundo, de acordo com o tamanho de seu mercado global em 2022, uma vez que dados de consumo em si não estão disponíveis, segundo o mesmo portal.
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Lugar |
Bebida |
Tamanho do mercado global (em 2022) |
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1º |
Cerveja |
US$ 793,74 bilhões |
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2º |
Vinho |
US$ 441,6 bilhões |
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3º |
Licores |
US$ 128,9 bilhões |
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4º |
Baijiu |
US$ 95,21 bilhões |
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5º |
Uísque |
US$ 64 bilhões |
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6º |
Vodca |
US$ 25,98 bilhões |
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7º |
Sidra |
US$ 17,9 bilhões |
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8º |
Rum |
US$ 17,4 bilhões |
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9º |
Gim |
US$ 15,3 bilhões |
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10º |
Tequila |
US$ 14,7 bilhões |
Para efeito de curiosidade, a cachaça ficou em 16º lugar neste ranking, com um mercado global estimado em 3,07 bilhões de dólares no ano de 2022.
Crédito de imagem
[1] The Image Party / Shutterstock
Fontes
BRASIL. Decreto nº 6.117, de 22 de maio de 2007. Aprova a Política Nacional sobre o Álcool. Brasília, DF: Presidência da República, [2007]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6117.htm.
BRASIL. Decreto nº 12.709, de 31 de outubro de 2025. Brasília, DF: Presidência da República, [2025]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/decreto/d12709.htm.
BRASIL. Lei nº 11.705, de 19 de junho de 2008. Altera a Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro. Brasília, DF: Presidência da República, [2008]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11705.htm.
BRASIL. Lei nº 13.106, de 17 de março de 2015. Altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília, DF: Presidência da República, [2015]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13106.htm.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [2011]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt3088_23_12_2011_rep.html.
CENTRO DE INFORMAÇÕES SOBRE SAÚDE E ÁLCOOL – CISA. Efeitos do álcool. CISA. 14 set. 2012. Disponível em: https://cisa.org.br/sua-saude/informativos/artigo/item/51-efeitos-do-alcool.
FARIAS, Julia. Mortes por álcool ao volante crescem 14,6% nas rodovias federais em 2025. CNN Brasil, São Paulo, 30 dez. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/mortes-por-alcool-ao-volante-crescem-146-nas-rodovias-federais-em-2025/.
KHALID, Sultan. 5 Most Consumed Alcohols in the World. Insider Monkey, [s. l.], 12 out. 2023. Disponível em: https://www.insidermonkey.com/blog/5-most-consumed-alcohols-in-the-world-1204057.
KHALID, Sultan. 20 Most Consumed Alcohols in the World. Insider Monkey, [s. l.], 12 out. 2023. Disponível em: https://www.insidermonkey.com/blog/20-most-consumed-alcohols-in-the-world-1204055/.
KOMIYA, Ken. As Bebidas Mais Fortes do Mundo: Entre Recordes, Riscos e História. Blog Quetzalli, [s. l.], 6 ago. 2025. Disponível em: https://quetzalli.com.br/blogs/curiosidades/bebidas-mais-fortes-do-mundo.
VAN DEURSEN, Felipe. Trago perigoso: as bebidas com maior teor alcoólico do mundo. Nossa UOL, [s. l.], 12 ago. 2022. Disponível em: https://www.uol.com.br/nossa/noticias/redacao/2022/08/12/trago-perigoso-conheca-as-bebidas-com-mais-graduacao-alcoolica-no-mundo.htm.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/drogas/alcool.htm