Transição energética é o processo de substituição de fontes não renováveis, principalmente combustíveis fósseis, por fontes limpas de energia em um território. Esse processo inclui toda a cadeia produtiva energética, desde a obtenção da matéria-prima até o armazenamento e a distribuição. Em um contexto socioeconômico com intensa dependência de fontes como o petróleo, a transição energética impõe uma série de desafios a serem superados, entre os quais estão a adequação da tecnologia disponível, a ampliação dos investimentos no setor e a cobrança de preços justos pelos serviços, pensando na democratização ao acesso à energia limpa e renovável. O principal objetivo da transição energética é reduzir as emissões de gases poluentes da atmosfera para a redução dos impactos negativos do aquecimento global e das mudanças climáticas sobre o meio ambiente e a sociedade.
Leia também: O que é matriz energética?
Transição energética é o processo de substituição das fontes utilizadas para a geração de energia em um território, deixando de lado as fontes não renováveis e adotando gradativamente aquelas consideradas limpas até que esse segundo grupo se torne dominante na matriz energética. De maneira mais objetiva, a transição energética nada mais é do que a troca de combustíveis fósseis, como o petróleo e o gás natural, por fontes como a água, a luz solar, os ventos, o calor do interior do planeta e as marés, que produzem menos impactos ao meio ambiente.
Na definição do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a transição energética engloba não somente a geração de energia como, também, a maneira como as matérias-primas são obtidas para a sua geração, o armazenamento, a distribuição da energia entre a população e suas diferentes formas de consumo. O processo transicional, então, afetaria toda a cadeia produtiva do setor energético e promoveria um salto em direção ao desenvolvimento sustentável.
A transição energética tem sido implementada como uma das estratégias para se alcançar o desenvolvimento sustentável nas próximas décadas. Para isso, um de seus maiores objetivos é reduzir as emissões de gases do efeito estufa pela queima de combustíveis fósseis. Atrelado a ele está o objetivo de minimizar a crise climática e enfrentar o aquecimento global e seus impactos negativos ao meio ambiente e à sociedade.
Confira também: Ebulição global — a atual fase de aceleração do aquecimento global e das mudanças climáticas
Para que a transição energética seja feita de maneira eficiente, é fundamental que ela seja norteada por um conjunto de princípios básicos. Esses princípios são conhecidos como os 5D da transição energética e são importantes para colocar em prática essa mudança em todos os países comprometidos com a proteção do meio ambiente e, sobretudo, com a desaceleração do aquecimento global e das mudanças climáticas.
Abaixo, entenda o que representa cada um dos 5D da transição energética.
A transição energética é um processo que deve ser feito de maneira gradual e constante visando alcançar um objetivo futuro: a substituição das fontes de geração de energia. Para isso, é fundamental que o Estado e os agentes econômicos estejam comprometidos com essa mudança e engajem em iniciativas para promover as ações necessárias para que a transição energética aconteça.
Além das normas traduzidas em políticas públicas que servem para orientar o processo de acordo com a demanda e com as necessidades do território, é imprescindível a análise dos recursos disponíveis e a condução de estudos para se averiguar a viabilidade de cada fonte de energia: solar, eólica, hidráulica, geotérmica, maremotriz. O mapeamento do consumo de energia, que revela quais são os setores e os agentes que fazem o seu uso e, também, as fontes demandadas, permite traçar metas que sejam adequadas para a população, principalmente, e para os agentes econômicos daquela localidade.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a transição energética não depende exclusivamente da alteração das fontes utilizadas na geração. O aumento da eficiência no uso da energia por meio da fabricação de carros que consomem menos combustível, a construção de edificações isoladas que impedem a perda de calor durante os invernos rigorosos ou que criem ambientes agradáveis no verão, a concepção de cidades sustentáveis e o desenvolvimento de eletrodomésticos de baixo consumo são algumas das maneiras de se garantir esse objetivo. Por isso, fazer a transição energética é uma tarefa que exige a cooperação de diferentes setores da sociedade.
O aumento da eficácia dos sistemas de geração, de armazenamento e de transmissão de energia também auxilia na transição. Somente a partir disso é possível efetivar a ampliação das unidades geradoras a partir de fontes renováveis com a certeza de que as perdas serão minimizadas e de que os custos de produção e de manutenção serão reduzidos. Outro ponto que deve ser levado em conta é a inclusão da justiça social como uma de suas metas prioritárias, visando democratizar o acesso à energia, sendo esse um dos pilares da transição energética.
O processo de transição energética, como qualquer tipo de transformação no ordenamento econômico e espacial de um território, provoca impactos que são considerados tanto positivos quanto negativos. No segundo caso, a maioria deles tende a se concentrar no período de adaptação da infraestrutura e das normas à nova matriz energética, com a previsão de serem mitigados de forma gradativa. Podemos apontar como efeitos positivos da transição energética:
Por outro lado, a concepção de novas tecnologias tem intensificado a procura por recursos minerais que são categorizados como críticos, haja vista a sua importância econômica e energética. Os minerais estratégicos também tiveram a sua demanda multiplicada, o que implica continuidade da exploração econômica do solo e potencial para esgotamento das reservas desses recursos, que são limitadas geográfica e quantitativamente. Além disso, os custos para a implementação de uma matriz energética mais limpa, ao menos inicialmente, poderão refletir no aumento do valor pago pelos consumidores finais.
O Brasil é um país rico em recursos naturais, principalmente a água, os quais representam importantes fontes para geração de energia. Até mesmo por isso a nossa matriz energética é equilibrada, sendo composta por 50% de fontes renováveis, destacando-se a hidráulica, a eólica e a solar. O gráfico abaixo mostra a composição da matriz energética brasileira. Mais do que isso, e conforme explica|2| a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o setor é responsável por 20,5% das emissões de gases poluentes identificadas no Brasil enquanto, no mundo, a geração de energia responde por 75,5% delas. Enquanto isso, o uso da terra e a agropecuária são os setores que mais geram poluição atmosférica no território brasileiro.
Ainda segundo a EPE, a capacidade instalada no país aumentou 95,5 GW em uma década, e a maioria dela, mais precisamente, 97%, de fontes renováveis, como a energia eólica. Ao mesmo tempo, cresceu o número de domicílios que faz uso desse tipo de energia, notadamente solar, assim como o Brasil tem ampliado medidas que garantem o amplo acesso da população a eletricidade e à energia e auxiliam no combate à pobreza energética. Entre essas medidas, citamos o desconto para famílias de baixa renda e programas federais que ampliam as redes de infraestrutura para levar luz a regiões que ainda não eram contempladas, como áreas rurais ou áreas remotas do território.
Diante desse cenário, constata-se que a realização da transição energética no Brasil é uma realidade cada vez mais próxima e que pode, novamente, colocar o país em uma posição de destaque no mundo, ainda mais em se tratando de medidas ambientais. Para sistematizar o processo em todo o território nacional, orientar as próximas etapas e coordenar as ações em diferentes escalas, foi instituída a Política Nacional de Transição Energética (PNTE) através da resolução nº 5, de 26 de agosto de 2024, do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Algumas das diretrizes da PNTE incluem a redução da pobreza e da desigualdade energética, o reconhecimento das desigualdades regionais do Brasil e a promoção da universalização do acesso à energia.
Veja também: Matriz energética brasileira — mais detalhes sobre o conjunto de fontes de energia utilizadas no território nacional
Alterar a infraestrutura, a produção e os padrões de consumo de energia em um território afeta a população, os agentes econômicos e o ordenamento espacial. Por isso, esse é um processo que impõe uma série de desafios a serem superados, entre os quais podemos citar:
Questão 1
(Unitau)
O Uruguai tem sido apontado como um case de sucesso no que se refere à transição energética na América Latina. O consumo de energia do país dobrou em 50 anos, quando se iniciou um processo de transformação da infraestrutura energética. A rápida transição na matriz energética uruguaia seria ainda mais comemorada, contudo, se o país não apresentasse uma das contas de luz mais caras da região. O processo de transição energética na América Latina nos leva a questionamentos sobre até que ponto deveríamos copiar os modelos europeus.
Disponível em https://agencia.fapesp.br/livro-analisa-a-transicaoenergetica-na-america-latina-pela-perspectiva-de-pesquisadoresda-regiao/51558. Acesso 03 mai 2024.
Sobre o tema da transição energética, assinale a alternativa CORRETA:
A) A transição energética não diz respeito a todo tipo de energia, mas somente à energia elétrica.
B) A fonte de energia mais importante para viabilizar a transição energética é a geotérmica, obtida de fontes termais no interior da Terra.
C) A transição energética do século XXI busca conter o desequilíbrio entre os sistemas de energia e a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE), controlando o impacto das atividades humanas sobre o clima.
D) A energia eólica (tanto em terra quanto no mar) e a energia solar não podem ser empregadas na transição energética devido ao baixo potencial energético que elas possuem no planeta.
E) O objetivo da transição energética é a descarbonização, ou seja, substituir as fontes de energia provenientes de carbono, por fontes de energias renováveis.
Resolução:
Alternativa E.
A transição energética tem como objetivo reduzir as emissões de poluentes como o dióxido de carbono (CO2) por meio da substituição de fontes como os combustíveis fósseis por fontes limpas, como a energia eólica e a solar. Contudo, ressalta-se que esse processo considera todos os tipos de energia, e não exclusivamente a elétrica.
Questão 2
(CNU – FGV) Leia o trecho a seguir.
“O conceito de transição energética está associado ao processo de substituição da base de recursos e/ou tecnologias usada para gerar energia por outros(as). Esse processo pode ocorrer por diversas razões, como a escassez de um recurso energético ou o aparecimento de tecnologias mais eficientes.”
(Fonte: https://www.gov.br/aneel/pt-br/assuntos/transicaoenergetica/a-transicao-energetica-no-brasil)
Com base no conceito de transição energética, é correto afirmar que o Brasil:
A) possui vantagens comparativas no processo de transição energética por apresentar menor volume de subsídios federais destinados aos combustíveis fósseis e maiores incentivos para as fontes renováveis;
B) lida com pressões externas, principalmente no setor elétrico, devido à baixa participação de fontes renováveis em sua matriz energética em comparação com outros países;
C) enfrenta o desafio de tornar a matriz energética mais resiliente frente à emergência climática, já que eventos extremos podem comprometer a estabilidade das fontes renováveis;
D) destaca-se internacionalmente por liderar a transição energética e a descarbonização no setor de transportes, com ampla adoção de tecnologias limpas;
E) apresenta como diferencial uma infraestrutura avançada de transmissão de energia, com redes modernas e amplas que conectam regiões produtoras de fontes renováveis aos principais centros consumidores.
Resolução:
Alternativa C.
A transição energética no Brasil possui vantagens pelo fato de o país já ter uma matriz energética formada por muitas fontes limpas, contudo, elas podem ser comprometidas com as mudanças climática, já que são recursos como a água e os ventos, que dependem diretamente das condições atmosféricas para se manterem.
Notas
|1| FERRAZ JR. “Série Energia”: Perdas de energia na distribuição e transmissão são grande desafio. Jornal da USP, 08 dez. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/serie-energia-perdas-de-energia-na-distribuicao-e-transmissao-sao-grande-desafio/.
|2| EPE. Transição energética no Brasil – 10 anos do Acordo de Paris. Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 2025. Disponível em: https://www.epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/transicao-energetica-no-brasil-10-anos-do-acordo-de-paris.
Crédito de imagem
[1] Tarcisio Schnaider / Shutterstock
Fontes
ANEEL. A transição energética no Brasil. Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), 06 mai. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/aneel/pt-br/assuntos/transicao-energetica/a-transicao-energetica-no-brasil.
ATTÍLIO, Lucas. The consequences of the energy transition: Evidence from North America, Europe, and China. Science of The Total Environment, v. 1026, 20 abr. 2026. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0048969726003189.
BRASIL, Carlos Henrique; TAVARES, Yasmin. Os 5Ds da nova energia: a bússola da transição energética no Brasil. Exame, 05 set. 2025. Disponível em: https://exame.com/esg/os-5ds-da-nova-energia-a-bussola-da-transicao-energetica-no-brasil/.
GARCIA, Edenise. Energia limpa? Conheça os efeitos colaterais da transição energética. Revista Galileu, 02 jun. 2026. Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/colunistas/tnc-brasil/coluna/2023/06/energia-limpa-conheca-os-efeitos-colaterais-da-transicao-energetica.ghtml.
Instituto E+ Transição Energética. Disponível em: https://emaisenergia.org/
MME. Transição energética: a mudança de energia que o planeta precisa. Ministério de Minas e Energia (MME), 03 out. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mme/pt-br/assuntos/noticias/transicao-energetica-a-mudanca-de-energia-que-o-planeta-precisa.
REDAÇÃO. Guia completo sobre Transição Energética. Petrobras, 31 mar. 2026. Disponível em: https://nossaenergia.petrobras.com.br/w/transicao-energetica/tudo-sobre-transicao-energetica-o-que-e-qual-a-importancia-principais-beneficios-e-mais.
REDAÇÃO. Impactos da transição energética, expectativas e desafios. Petrobras, 02 out. 2024. Disponível em: https://nossaenergia.petrobras.com.br/w/transicao-energetica/descubra-os-impactos-da-transicao-energetica-no-cenario-mundial-e-as-expectativas-para-os-proximos-anos.
REDAÇÃO. Os 5 Ds da transição energética no Brasil. Pós PUCPR Digital, 02 mai. 2023. Disponível em: https://posdigital.pucpr.br/blog/transicao-energetica.
UNDP. What is the sustainable energy transition and why is it key to tackling climate change? United Nations Development Programme (UNDP), [s.d.]. Disponível em: https://climatepromise.undp.org/news-and-stories/what-sustainable-energy-transition-and-why-it-key-tackling-climate-change.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/geografia/transicao-energetica.htm