Estrelas de nêutrons são um entre os possíveis estágios finais da vida de estrelas massivas que pertencem à sequência principal. As estrelas que não são massivas o suficiente para originarem um buraco negro transformam-se em estrelas de nêutrons.
Estrelas de nêutrons são pequenas, porém extremamente quentes e densas, apresentam altíssimas gravidades e podem ter campos magnéticos extremos.
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O processo que dá origem às estrelas de nêutrons são as supernovas, processo que ocorre quando uma estrela consome todo o seu combustível. Assim que isso acontece, cessam-se as fusões nucleares no núcleo da estrela, causando, assim, um colapso gravitacional: suas camadas externas são ejetadas em grandes velocidades e para todas as direções do espaço. Um pequeno núcleo, entretanto, mantém-se coeso, dando origem à estrela de nêutrons.
Como o nome sugere, essas estrelas são formadas exclusivamente por nêutrons. Isso acontece porque o núcleo que resulta da morte das estrelas é extremamente massivo, sua gravidade compacta-o cada vez mais, fazendo com que prótons e elétrons fundam-se em nêutrons.
As estrelas de nêutrons têm um tamanho médio que varia entre 10 km e 30 km de diâmetro. Entretanto, por serem geralmente estrelas de brilho muito fraco e diminutas, quando comparadas às outras estrelas, seu tamanho é estimado indiretamente. Isso ocorre por meio das interações gravitacionais entre elas e outros astros circundantes, ou ainda, mediante a detecção de gases e poeira cósmica que formam discos de acreção, que giram em alta velocidade ao redor dessas estrelas, tornando sua detecção mais fácil.
As estrelas de nêutrons originam-se de outras estrelas que tinham massas de 10 a 30 vezes superiores à do Sol. O resultado da morte dessas grandes estrelas provoca o surgimento de uma estrela de nêutrons que pode ter entre 2 e 3 massas solares.
Depois dos buracos negros, as estrelas de nêutrons são os corpos celestes mais densos já descobertos pelo homem. A densidade de uma estrela de nêutrons pode variar entre 3,7.1017 kg/m³ e 5,9.1017 kg/m³, ou seja, são centenas de trilhões mais densas que o Sol.
Tamanha densidade resulta no fato de o volume de uma colher de chá (5 ml) da matéria contida em uma estrela de nêutrons tenha cerca de um bilhão de toneladas!
A estrela de nêutrons mais próxima da Terra até hoje é conhecida como Calvera e encontra-se na constelação da Ursa Menor, a uma distância que pode variar entre 250 e 1000 anos-luz daqui.
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Algumas estrelas de nêutrons giram muito rápido em volta de seu próprio eixo. O recorde de velocidade é da estrela PSR J1748-2446ad, que completa 716 voltas em torno de si mesma a cada segundo, por esse motivo sua superfície rotaciona à 25% da velocidade da luz
A gravidade na superfície de uma estrela de nêutrons varia em torno de 2.1012 m/s². Assim, se um objeto fosse solto à 1 m de altura em uma estrela de nêutrons de 12 km de diâmetro, chegaria à superfície da estrela com uma velocidade de 1400 km/s!
A dilatação temporal devido à gravidade das estrelas de nêutrons faria com que 8 anos lá equivalessem a 10 anos na Terra.
O campo magnético das estrelas de nêutrons pode chegar à marca de 1011 T. Para se ter uma ideia, o maior campo magnético artificial já produzido pelo homem foi de 1200 T e, ainda assim, 50 milhões de vezes mais intenso que o campo magnético da Terra.
Algumas estrelas de nêutrons emitem feixes extremamente intensos e concentrados de partículas e raios x, bem como ondas de rádio, o que faz com que essas estrelas sejam conhecidas como pulsares.
Por Rafael Helerbrock
Professor de Física
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/fisica/o-que-e-uma-estrela-de-neutrons.htm