Parábola é o gráfico de uma função do segundo grau (também chamada de função quadrática). Seu formato é curvo, semelhante à letra U, podendo ser mais “aberta” ou “fechada” dependendo dos coeficientes da função do segundo grau que a definem. A parábola pode assumir posições diferentes, também de acordo com a função do segundo grau correspondente.
Os principais elementos da parábola são o foco, a reta diretriz, o eixo e o vértice, comumente representados no plano cartesiano.
Leia também: Afinal, o que é uma função do segundo grau?
Parábola é gráfico de uma função do segundo grau (ou função quadrática). Ao contrário da reta, que é o gráfico de uma função do primeiro grau, não é possível desenhar com exatidão uma parábola conhecendo-se alguns de seus pontos. No entanto, para o estudo da parábola, é suficiente construir um esboço com base na função quadrática que a determina.
Mas antes de relacionar diretamente uma parábola com sua função, vejamos a definição matemática dessa curva. Formalmente, uma parábola é o conjunto dos pontos equidistantes a uma reta d (chamada de reta diretriz) e um ponto fixo F (chamado de foco) que não esteja na reta. Atenção: a distância de um ponto a uma reta é o segmento perpendicular a ela passando pelo ponto. Na imagem a seguir, PQ é distância do ponto P (um ponto sobre a parábola) até a reta diretriz d . Consequentemente, pela definição da parábola, PQ = PF.
Todos os pontos P sobre a parábola estão à mesma distância de d e F.
Chamamos de eixo da parábola a reta perpendicular à reta diretriz passando pelo foco. Ainda, o ponto da parábola mais próximo da reta diretriz é chamado de vértice da parábola. Uma característica importante do vértice é que ele é o ponto médio entre o foco e o ponto de interseção do eixo com a reta diretriz.
Curiosidade: A parábola também pode ser definida como a curva resultante da interseção de um cone com um plano paralelo a uma de suas geratrizes.
Na maioria dos casos, estudamos parábolas com eixo vertical. Consequentemente, essas parábolas podem ter concavidade para cima ou concavidade para baixo. Observe os exemplos de parábolas a seguir, cujos eixos coincidem com o eixo das ordenadas (eixo y) do plano cartesiano.
Dada a função que caracteriza uma parábola, é possível determinar seu formato e algumas características. Para isso, devemos analisar os coeficientes da função. Considere uma função do segundo grau f(x) = ax2 + bx + c com determinante Δ = b2 -4ac .
Assim, podemos concluir que:
Saiba mais: Relação entre parábola e coeficientes de uma função do segundo grau
Os principais elementos de uma parábola são:
A propriedade mais famosa da parábola está relacionada ao foco. Essa propriedade estabelece que raios incidentes paralelos ao eixo são refletidos para o foco.
Algo semelhante ocorre com as ondas sonoras. Consequente, essa propriedade é muito utilizada pelas antenas parabólicas, que possuem o formato de um paraboloide de revolução (ou superfície parabólica). Tal formato é obtido por meio da rotação de uma parábola.
Assim, a antena parabólica amplifica os sinais fracos recebidos por satélite ao convergi-los para o foco.
Além disso, a propriedade “contrária” também é válida: raios emitidos pelo foco são espalhados em direções paralelas ao eixo. Alguns instrumentos são construídos para funcionar com base nessa ideia, como lanternas de mão, holofotes e faróis de automóveis.
As equações reduzidas da parábola são obtidas pela definição dessa figura. Se P = (x, y) é um ponto da parábola, então a distância de P até a reta diretriz d é igual à distância de P até o foco F. Assim, basta utilizar as expressões de distância entre dois pontos e distância entre ponto e reta.
Vejamos as duas principais equações reduzidas da parábola, que consideram a reta diretriz paralela ao eixo x, o vértice V na origem e p como metade do parâmetro (portanto, p é a distância do vértice ao foco ou, de maneira equivalente, do vértice à reta diretriz).
Exemplo: Qual a equação reduzida de uma parábola com vértice (0, 0) em que o foco está no semieixo positivo das ordenadas e possui parâmetro 4?
Observe que, nessas condições, a parábola possui eixo vertical sobre o eixo das abscissas e reta diretriz no semieixo negativo das ordenadas, além de concavidade voltada para cima. Como o parâmetro é 4, p = 2 . Portanto, sua equação reduzida é x2 = 8y , em que P= (x, y) são pontos da parábola.
Cuidado: Alguns autores utilizam a letra p para indicar todo o parâmetro (e não metade, como fizemos aqui). Consequentemente, as equações reduzidas da parábola ficam um pouco diferentes, ainda que a teoria de construção seja exatamente a mesma. Para compreender melhor esse assunto, confira o texto: Cônicas.
Além dos usos associados à propriedade refletora, a parábola possui outra aplicação superimportante: descrever a posição de objetos em relação ao tempo no movimento uniformemente variado (MUV).
Nesse tipo de movimento, um corpo altera sua velocidade segundo uma aceleração constante. Assim, a expressão que descreve sua posição (normalmente representada por S) em relação ao tempo (normalmente representado por t) forma uma parábola.
Saiba mais: Estudo dos gráficos do movimento uniformemente variado
Questão 1
(PUC RS 2017) O morro onde estão situadas as emissoras de TV em Porto Alegre pode ser representado graficamente, com algum prejuízo, em um sistema cartesiano, através de uma função polinomial de grau 2 da forma y = ax² + bx + c , com a base da montanha no eixo das abscissas.
Para que fique mais adequado essa representação, devemos ter:
a) a > 0 e b² – 4ac > 0
b) a > 0 e b² – 4ac < 0
c) a < 0 e b² – 4ac < 0
d) a < 0 e b² – 4ac > 0
e) a < 0 e b² – 4ac = 0
Solução: Alternativa D
Como a concavidade é virada para baixo, o coeficiente a deve ser menor do que zero. Ainda, como a parábola corta o eixo das abscissas na base da montanha em dois pontos, o determinante deve ser maior do que zero.
Questão 2
(Enem) A parte interior de uma taça foi gerada pela rotação de uma parábola em torno de um eixo z, conforme mostra a figura.
A função real que expressa a parábola, no plano cartesiano da figura, é dada pela lei \(f\left(x\right)=\frac{3}{2}x^2-6x+C\) em que C é a medida da altura do líquido contido na taça, em centímetros. Sabe-se que o ponto V, na figura, representa o vértice da parábola, localizado sobre o eixo x.
Nessas condições, a altura do líquido contido na taça, em centímetros, é
a) 1
b) 2
c) 4
d) 5
e) 6
Solução: Alternativa E
Como a parábola toca o eixo das abscissas em um ponto, o determinante deve ser igual a zero. Portanto, \(b^2-4ac=0\), ou seja, \({(-6)}^2-4\frac{3}{2}C=0\), logo, C = 6.
Por Maria Luiza Alves Rizzo
Professora de Matemática
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/matematica/parabola.htm