As normas da ABNT estabelecem a uniformização de trabalhos científicos. ABNT é a sigla da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Essa instituição privada e sem fins lucrativos tem a missão de estabelecer as normas para a produção de trabalhos científicos. As principais normas da ABNT são a NBR 10520, referente à citação em documentos, a NBR 6023, que padroniza a apresentação de referências, e a NBR 14724, de 2024, referente à apresentação de trabalhos acadêmicos.
Leia também: Texto de divulgação científica — características, estrutura e exemplos
A Associação Brasileira de Normas Técnicas foi criada em 28 de setembro de 1940.
Com suas normas, a ABNT promove a uniformização dos trabalhos científicos.
Monografias, dissertações, teses e artigos científicos apresentam uma estrutura fixa.
O significado da sigla ABNT é Associação Brasileira de Normas Técnicas. A ABNT é uma instituição de caráter privado e sem fins lucrativos, criada na década de 1940, que estabelece as normas brasileiras para a divulgação do conhecimento científico e tecnológico.
As principais normas da ABNT estão relacionadas às formas de fazer uma citação e de apresentar as referências no final do texto, além da apresentação de trabalhos acadêmicos. Assim, temos:
Veja também: Coesão textual — como articular os elementos de um texto
Segundo a NBR 14724, um trabalho acadêmico (monografia, dissertação e tese) deve possuir elementos externos, elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais.
Já a estrutura de relatório técnico e/ou científico, segundo a NBR 10719, também deve apresentar elementos externos, pré-textuais, textuais e pós-textuais.
Segundo a NBR 6022, a estrutura de artigo científico deve apresentar elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais.
De acordo com a NBR 15287, a estrutura de projeto de pesquisa deve apresentar elementos externos, pré-textuais, textuais e pós-textuais.
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NBR 14724 |
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TIPO |
FORMATO |
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Margem |
Anverso da folha |
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3 cm na margem esquerda e superior, e 2 cm a margem direita e inferior. |
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Verso da folha |
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3 cm na margem direita e superior, e 2 cm na margem esquerda e inferior. |
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Fontes |
Fonte de tamanho 12 para todo o texto, com exceção de citações diretas com mais de três linhas, notas de rodapé, ficha catalográfica, paginação, fontes e legendas de ilustrações e tabelas. Tais elementos “devem ser em tamanho menor e uniforme”. |
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Papel e cores |
Cores |
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Texto preto. Ilustrações podem ser coloridas. |
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Impressão |
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Deve-se utilizar papel A4 branco ou reciclado. |
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Espaçamento |
Espaço 1,5 entre linhas. Espaço simples em: citações diretas com mais de três linhas, notas de rodapé, referências, títulos das ilustrações e das tabelas, fontes e legendas das ilustrações e das tabelas, natureza (tipo, objetivo, nome da instituição e área de concentração) do trabalho). |
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Paginação |
Páginas pré-textuais não são numeradas, mas são consideradas na contagem de páginas. A folha da ficha catalográfica não entra na contagem de páginas nem recebe numeração. A numeração começa na primeira folha da parte textual. Para a numeração, são utilizados algarismos arábicos, no canto superior direito, a 2 cm da borda superior. O verso da folha, se utilizado, apresenta numeração no canto superior esquerdo. |
Baixe um modelo editável neste link: Modelo editável de trabalho formatado ABNT.
As citações diretas curtas (até três linhas) devem ser indicadas por aspas duplas.
Exemplo 1:
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Em sua carta a Maria Adelaide Amaral, Caio Fernando Abreu (2002, p. 65) diz: “Minha vida tá em compasso de espera”. |
Assim, entre parênteses, colocamos o ano da publicação e a página de onde foi extraída a citação. Outros dados da publicação serão explicitados quando listarmos as referências.
Exemplo 2:
Quando a indicação da fonte vem após a citação, colocamos o sobrenome do autor, o ano da publicação e a página de onde foi extraída a citação:
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Veja este trecho da carta enviada a Maria Adelaide Amaral: “Minha vida tá em compasso de espera” (Abreu, 2002, p. 65). |
As citações diretas longas (mais de três linhas) devem aparecer em destaque, com um recuo de 4 cm, sem aspas, em espaço simples e com fonte menor:
Exemplo:
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Em A força das coisas, Simone de Beauvoir (2009, p. 233) traz relatos de inúmeras viagens: Cruzamos com duas caravanas: o deserto tornava-se mais imenso, medido no passo balanceado dos camelos; pelo menos o número de homens, animais e bagagens estava de acordo com seu tamanho. Mas de onde vinha, para onde ia aquele homem que surgia de lugar nenhum e que caminhava a passos largos? Nós o seguíamos com os olhos até que fosse de novo absorvido na grande ausência que nos envolvia. |
Outra maneira de indicar a publicação citada é:
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Em A força das coisas, há relatos de inúmeras viagens, acompanhados das impressões da autora: Cruzamos com duas caravanas: o deserto tornava-se mais imenso, medido no passo balanceado dos camelos; pelo menos o número de homens, animais e bagagens estava de acordo com seu tamanho. Mas de onde vinha, para onde ia aquele homem que surgia de lugar nenhum e que caminhava a passos largos? Nós o seguíamos com os olhos até que fosse de novo absorvido na grande ausência que nos envolvia (Beauvoir, 2009, p. 233). |
Segundo a norma, o ponto-final “deve ser usado para encerrar a frase e não a citação”. Por isso, no exemplo acima, temos “[...] absorvido na grande ausência que nos envolvia (Beauvoir, 2009, p. 233).”, ou seja, o ponto-final vem depois do parêntese.
Se o autor do texto quiser dar ênfase a alguma parte da citação direta, ele deve indicar assim:
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Em sua carta a Maria Adelaide Amaral, Caio Fernando Abreu (2002, p. 65, grifo nosso) diz: “Minha vida tá em compasso de espera”. |
Também se pode utilizar a expressão “grifo próprio”. De acordo com a norma, quando “o texto transcrito já tiver destaque, não existe necessidade de informar o grifo”.
Já nas citações indiretas (quando o autor do texto parafraseia ideias alheias), não se usam aspas nem recuo. Mas é preciso indicar a fonte (autor e ano da publicação), sendo o número de página ou a localização elementos opcionais.
Exemplo:
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E aquela situação faz lembrar a ocasião em que Simone de Beauvoir (2009) ficou intrigada com o surgimento de um homem no deserto, questionou a sua procedência e o seu destino. |
OU
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Em relação a essa ausência em meio ao deserto (Beauvoir, 2009), é possível afirmar que ela está relacionada ao próprio vazio existencial. |
Por fim, também é possível fazer citação de uma citação:
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Na concepção de Jenkinson, os arquivos podem ser entendidos como [...] documentos “...produzidos ou usados no curso de um ato administrativo ou executivo (público ou privado) de que são parte constituinte e, subsequentemente, preservados sob a custódia da pessoa ou pessoas responsáveis por aquele ato e por seus legítimos sucessores para sua própria informação” (Jenkinson, 1937, p. 11 apud Schellenberg, 2006, p. 36). |
Assim, usamos a expressão “apud” para indicar que extraímos a citação de algum outro documento e não do livro do autor da citação. Os elementos devem ser apontados nesta ordem: autoria, ano, página do documento original (se houver), o termo apud, autoria, ano, página da fonte consultada (se houver).
As referências bibliográficas são colocadas no final do trabalho, em ordem alfabética.
Veja estes exemplos:
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ABREU, Caio Fernando. Cartas. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2002. BEAUVOIR, Simone de. A força das coisas. Tradução de Maria Helena Franco Martins. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009. |
Assim, temos as informações na seguinte ordem:
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SOBRENOME DO AUTOR (em caixa alta), seguido do nome do autor após a vírgula; título em itálico, negrito ou sublinhado; subtítulo (se houver), precedido de dois-pontos; nome do tradutor (se houver); edição (se houver); cidade, editora e ano de publicação. |
Caso não haja indicação de local de publicação, colocamos, em seu lugar, [s. l.], que significa sine loco e deve estar em itálico. Se não constar o nome da editora na publicação, em seu lugar, devemos indicar, em itálico: [s. n.], que significa sine nomine.
Nesse caso, a indicação dos autores é separada por ponto e vírgula.
Exemplo:
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NICOLA, José de; INFANTE, Ulisses. Gramática contemporânea da língua portuguesa. 9. ed. São Paulo: Scipione, 1992. |
É permitido indicar apenas o nome do primeiro autor seguido da expressão, em itálico, et al.
Exemplo:
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BARTHES, Roland et al. Análise estrutural da narrativa: pesquisas semiológicas. Tradução de Maria Zélia Barbosa Pinto. 2. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1972. |
A referência é iniciada com o título, de forma que a primeira palavra deve estar em caixa alta.
Exemplo:
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LAZARILHO de Tormes. Tradução de Heloísa Costa Milton e Antonio R. Esteves. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2012. |
O destaque não é colocado no título, mas no nome do periódico, que é seguido de cidade, volume, número, páginas, mês e ano.
Exemplo:
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BYLAARDT, Cid Ottoni. Arte engajada e arte autônoma no pensamento de Theodor Adorno. Pandaemonium, São Paulo, v. 16, n. 22, p. 84-100, dez. 2013. |
Após os elementos comuns de referenciação, devemos acrescentar o endereço eletrônico, precedido da expressão “Disponível em:” e a data de acesso, precedida da expressão “Acesso em:”.
Exemplo:
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BYLAARDT, Cid Ottoni. Arte engajada e arte autônoma no pensamento de Theodor Adorno. Pandaemonium, São Paulo, v. 16, n. 22, p. 84-100, dez. 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pg/a/5X5HXkRrM6T7PBCkZjM9rWJ/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 7 jul. 2023. |
Vale lembrar que não os sinais < > não são mais usados, como se fazia antes.
É preciso indicar o autor e o título do capítulo. Após a expressão “In”, em itálico, colocamos a referência do livro, monografia, dissertação ou tese a que pertence o capítulo.
Exemplo:
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DUARTE, Rodrigo. Pressupostos teóricos da crítica à indústria cultural. In: DUARTE, Rodrigo. Teoria crítica da indústria cultural. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003. |
Na referenciação de monografia, dissertação e tese, os elementos essenciais são:
Esses dados devem ser dispostos desta forma:
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SILVA, Victória Bayma da. Estudo observacional e retrospectivo da utilização do ecodoppler associado ao contraste de microbolhas no acompanhamento após a correção endovascular do aneurisma da aorta abdominal (EVAR). 2022. Monografia (Bacharel em Medicina) – Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2022. SOUZA, Driciele Glaucimara Custódio Ribeiro de. Entre o cinema e a pintura, o imaginário artístico de Andrei Tarkóvski. 2022. Dissertação (Mestrado em História, Teoria e Crítica de Cinema) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2022. DRUBSCKY, Camila Andrade. Até que ponto o narcisismo pode ser datado? Uma reflexão à luz das contribuições de Piera Aulagnier. 2008. Tese (Doutorado em Psicologia) – Centro de Teologia e Ciências Humanas, Pontifícia Universidade Católica, Rio de Janeiro, 2008. |
Encontros acadêmicos também geram a produção de textos científicos. Os elementos principais na referenciação de um evento acadêmico são:
Tais elementos são assim organizados:
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CONGRESSO NACIONAL DO CONPEDI, 16., 2007, Belo Horizonte. Anais [...]. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2008. |
Também é possível referenciar parte do evento:
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FERES, Anaximandro Lourenço Azevedo; SANTOS, Anderson Avelino dos. A literatura desafia o Direito. Grande sertão: veredas — uma antecipação do problema sociopolítico de segurança pública no Brasil. In: CONGRESSO NACIONAL DO CONPEDI, 16., 2007, Belo Horizonte. Anais [...]. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2008. |
Na primeira Reunião de Laboratórios de Ensaios de Materiais, em 1937, surgiu a primeira proposta de se criar uma Entidade Nacional de Normalização. Na segunda Reunião de Laboratórios de Ensaios de Materiais, em 1939, a proposta foi consolidada na cidade de São Paulo. Mas a ABNT só foi fundada em 28 de setembro de 1940, durante a terceira Reunião de Laboratórios Nacionais de Ensaios de Materiais, ocorrida no Rio de Janeiro.
Saiba mais: Intertextualidade — citação, paráfrase, epígrafe e outros tipos
A ABNT, com suas normas, possibilita uma uniformização no processo de transmissão do conhecimento. Assim, pesquisadoras e pesquisadores seguem um modelo único, uma linguagem comum, na formatação de seus trabalhos científicos, o que elimina a subjetividade autoral. Portanto, todos os trabalhos seguem um padrão, compreendido pelos receptores dessas obras.
Créditos das imagens
Fontes
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. História da normalização brasileira. Rio de Janeiro: ABNT, 2011.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022. 2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2018.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023. 3. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2025.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520. 2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2023.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10719. 4. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2015.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724. 4. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2024.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15287. 3. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2025.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Quem somos. Disponível em: https://www.abnt.org.br/institucional/sobre.
SILVA, Joyce Gouvêa da. Arquivo, arquivista e memória: uma análise do discurso em periódicos científicos brasileiros. 2019. TCC (Bacharelado em Arquivologia) – Instituto de Arte e Comunicação Social, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2019.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/redacao/normas-da-abnt.htm