O cinema brasileiro surgiu no final do século XIX, chegando ao país em 1896, pouco após sua invenção na França, e teve diversos filmes e movimentos de destaque internacional, como o Cinema Novo dos anos 1950 e 1960. Recentemente, o cinema nacional tem sido aclamado internacionalmente, com obras multipremiadas como Ainda Estou Aqui (2024) e O Agente Secreto (2025), o que despertou mais interesse sobre o tema, porém, a sétima arte influencia e é influenciada pela história do país há mais de um século.
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As origens do cinema no Brasil remontam ao final do século XIX. A tecnologia inovadora chegou rápido ao nosso país, ainda em 1896, menos de um ano após seu “nascimento” na França, em 1895. No Brasil, a primeira exibição cinematográfica ocorreu em 8 de julho de 1896, na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro, em uma sessão organizada pelo belga Henri Paillie. Foram projetados oito pequenos filmes produzidos pelos irmãos Lumière, retratando cenas do cotidiano europeu.
A primeira filmagem ocorrida em solo brasileiro se deu em 19 de junho de 1898, no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, pelo ítalo-brasileiro Afonso Segreto, que estava retornando da Europa a bordo do navio Brèsil com um cinematógrafo (equipamento de filmagem) que ele havia recentemente adquirido.
As filmagens registram a chegada da embarcação na Baía de Guanabara, com destaque para a paisagem da baía. O filme foi intitulado “Uma Vista da Baía de Guanabara” e é considerado o marco inicial da produção cinematográfica nacional. É por isso que no dia 19 de junho é celebrado o Dia do Cinema Brasileiro, como veremos mais à frente neste artigo. Infelizmente, os registros dessa primeira obra do cinema brasileiro foram perdidos.
A primeira sala de cinema fixa no Brasil surgiu em 31 de julho de 1897, também no Rio de Janeiro, com o nome de “Salão de Novidades Paris”. O cinema brasileiro mais antigo ainda em funcionamento é o Cine Olympia, em Belém do Pará, inaugurado em 1912. Outro marco inaugural relevante do cinema nacional inclui o primeiro filme nacional de ficção, que foi “Os Estranguladores”, de 1908, dirigido por Antônio Leal e Francisco Marzulo, baseado em um crime real ocorrido nessa época no Rio de Janeiro.
Em 1929, um novo marco: a realização do primeiro filme sonoro nacional, a comédia “Acabaram-se os Otários”, dirigida por Luiz de Barros. Um ano depois, em 1930, foi fundado o primeiro grande estúdio de cinema nacional, a Cinédia, por Adhemar Gonzaga, no Rio de Janeiro, o que foi um grande passo na profissionalização da produção cinematográfica brasileira.
Entre as décadas de 1930 e 1950, o cinema brasileiro passou por um processo de maior organização industrial, com a criação de estúdios cinematográficos. O período marca um esforço de construção de um cinema de padrão industrial inspirado em modelos estrangeiros, tendo como referência o cinema hollywoodiano dos Estados Unidos e o cinema europeu, especialmente o francês.
Nessa fase, havia uma tentativa de conciliar qualidade técnica, narrativa clássica e apelo comercial, ainda que enfrentando fortes dificuldades estruturais para se sustentar economicamente em longo prazo. Nela ocorreu o surgimento de três importantes estúdios profissionais. O primeiro foi a Cinédia, fundada em 1930, por Adhemar Gonzaga, no Rio de Janeiro. Esse foi o primeiro estúdio com infraestrutura industrial no Brasil. Gonzaga buscou o modelo de Hollywood para produzir filmes com qualidade técnica.
O segundo grande estúdio desse período foi a Atlântida Cinematográfica, de 1941, fundada por Moacyr Fenelon e José Carlos Burle, no Rio de Janeiro. O foco dessa companhia era fazer um cinema popular e comunicativo, que falasse a língua das massas brasileiras. Com isso, consolidou-se o gênero chanchada, estilo tipicamente brasileiro de cinema que misturava comédia, carnaval e música, e que fez enorme sucesso de público formando as primeiras grandes estrelas de cinema do Brasil, como Oscarito e Grande Otelo. O grande sucesso comercial da Atlântica e de suas chanchadas permitiu que o cinema brasileiro pudesse competir com as poderosas produções estrangeiras nas salas de exibição.
O terceiro grande estúdio que marcou esse período foi a Companhia Cinematográfica Bera Cruz, fundada em 1949, em São Bernardo do Campo, São Paulo, por Franco Zampari e Ciccillo Matarazzo. Esse estúdio marcou uma tentativa ambiciosa de se criar uma espécie de “Hollywood Brasileira” e, para isso, investiram pesado importando técnicos europeus e equipamentos de ponta.
Em 1953, essa empresa lançou o filme O Cangaceiro, dirigido por Lima Barreto, que venceu o prêmio de Melhor Filme de Aventuras e Menção Especial pela trilha sonora no prestigiado Festival de Cannes, sendo o primeiro grande sucesso internacional do cinema brasileiro, tanto de crítica quanto de público.
Apesar do sucesso artístico de suas poucas produções, a Vera Cruz teve um período curto de existência, declarando falência já em 1954. Seu modelo de negócio se mostrou financeiramente insustentável em curto prazo, tornando o negócio inviável. Mesmo com o sucesso mundial de “O Cangaceiro”, em 1953, o retorno financeiro não foi suficiente para cobrir as despesas da empresa. Com fluxo de caixa suficiente, ela acumulou dívidas impagáveis e acabou por liquidar os ativos da companhia.
Outro marco importante do cinema brasileiro nesse período é o Primeiro Congresso Nacional do Cinema Brasileiro, ocorrido em 1952, no Rio de Janeiro, e que reuniu cineastas e intelectuais para discutirem, entre diversos assuntos, a proteção do mercado nacional contra a concorrência estrangeira, que ameaçava dominá-lo, lançando assim as bases que culminaram no Cinema Novo anos depois.
A partir do final dos anos de 1950 e, sobretudo, ao longo da década de 1960, surge um do movimentos mais marcantes e aclamados da história do cinema nacional: o Cinema Novo. Trazendo uma proposta estética e política inovadora, o Cinema Novo rompeu com os padrões industriais de então, assumindo o cinema como instrumento de reflexão crítica sobre a sociedade brasileira.
Esse movimento articulou linguagem cinematográfica experimental e engajamento político a temas como desigualdade social, identidade nacional e as contradições do desenvolvimento brasileiro, tornando-se uma referência estética central do cinema tanto nacional quanto internacionalmente.
Um ponto interessante é que esse alto nível artístico reconhecido internacionalmente não se deu por meio de vultosos investimentos em capacidade técnica, pelo contrário, partiu do uso da precariedade material da produção artística nacional, de maneira criativa, autêntica e inovadora, como meio de afirmação de uma estética própria e para conquista de autonomia autoral diante da indústria, o que Glauber Rocha, o maior nome desse movimento, sintetizou na frase: “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”.
O Cinema Novo surgiu com forte influência do neorrealismo italiano e da Nouvelle Vague francesa, e teve como principal iniciador o cineasta Nelson Pereira dos Santos, com o filme Rio, 40 graus, de 1955. Filmado nas favelas cariocas com atores não profissionais, esse filme chegou a ser proibido pela censura, na época, por mostrar um Rio de Janeiro pobre e desigual, o que demonstra como ele representava um ponto de inflexão em direção a um olhar mais reflexivo e crítico da sociedade.
No entanto, a consolidação estética e teórica do movimento vem com a produção do aclamado cineasta baiano Glauber Rocha, a figura mais proeminente do movimento, e que trouxe filmes icônicos como: Deus e o Diabo na Terra do Sol, de 1964, que enfoca a desigualdade social e o misticismo do Sertão nordestino como resposta a um contexto de opressão estrutural; e Terra em Transe, de 1967, que explora a identidade nacional e as contradições políticas de forma experimental e inovadora.
O Cinema Novo deu ao cinema brasileiro um enorme reconhecimento internacional, colocando o Brasil no mapa dos grandes festivais. Glauber Rocha recebeu o prêmio de Melhor Diretor em Cannes por O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, de 1969, consolidando a influência desse movimento no cinema mundial e influenciando grandes cineastas como Martin Scorsese e Francis Ford Coppola.
Nos anos de 1970 e 1980, o cinema brasileiro conviveu com o contexto da Ditadura Militar no Brasil e da Guerra Fria no ambiente internacional, e foi marcado por um processo de diversificação estética e institucional da produção cinematográfica nacional. Surgiram nesse período, produções do chamado Cinema Marginal, filmes de apelo mais popular e filmes de experiência autoral, tudo permeado por por uma presença crescente do Estado no financiamento e na regulação do setor.
A Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes S.A.), produtora e distribuidora estatal fundada em 1969, fez do Estado o maior produtor e regulador do cinema nacional. Figuras como Roberto Farias, que dirigiu a empresa, buscaram conciliar a qualidade do Cinema Novo com o apelo comercial para dominar o mercado interno, tendo um padrão técnico apurado, mas sem aprofundar críticas sociais e políticas, é claro, com a preocupação de não entrar em choque com os interesses do regime autoritário que estava no poder.
Ao mesmo tempo, o Cinema Marginal, surgido no bairro da Boca do Lixo, em São Paulo capital, trazia a proposta de uma ruptura estética radical. Cineastas como Rogério Sganzerla e Júlio Bressane marcaram esse período com filmes icônicos como O Bandido da Luz Vermelha, de Sganzerla, em 1968.
No entanto, o maior sucesso comercial do cinema brasileiro nesse período, com a maior fatia do mercado de exibição, foi o gênero pornochanchada. Caracterizadas por comédias eróticas que aproveitavam as brechas da censura moral do regime, as pornochanchadas foram fundamentais para manter as salas de cinema cheias e a indústria nacional girando financeiramente, apesar de muito criticadas pela elite cultural e por consumidores mais exigentes estética e politicamente. Uma das obras mais importantes desse gênero foi A Dama do Lotação, de 1978, de Neville d’Almeida, que bateu um recorde de bilheteria, com cerca de 12 milhões de espectadores.
A década de 1980 marca o fim de um ciclo do cinema nacional e um contexto de crise econômica do país. A hiperinflação e a crise da dívida externa do país sufocaram investimento da indústria do cinema. O governo Sarney, o primeiro presidente civil após cinco governos militares, tentou “salvar” o setor promulgando a Lei Sarney, de 1986, que foi a primeira grande lei de incentivo fiscal, mas a instabilidade era grande e se intensificou nos anos seguintes.
O golpe final na já claudicante indústria nacional do cinema veio em 16 de março de 1990, quando o recém-eleito presidente Fernando Collor extinguiu a Embrafilme e o Concine, levando o cinema brasileiro a uma forte crise de produção.
O início da década de 1990 foi marcado por uma profunda crise no cinema brasileiro, associado à extinção dos mecanismos estatais de fomento, especialmente da Embrafilme, do Concine e da Fundação do Cinema Brasileiro, que ocorreu por meio do Decreto nº 99.226 do presidente Fernando Collor de Mello, logo após assumir o governo, em março de 1990. Como resultado disso, a produção nacional de cinema praticamente cessou. Em 1992, apenas um filme brasileiro de longa-metragem foi lançado comercialmente, marcando o ponto mais baixo da história da indústria.
Esse cenário começou a se transformar a partir da chamada retomada do cinema brasileiro, que ocorreu na segunda metade da década, quando novos modelos de financiamento, políticas públicas e estratégias de circulação permitiram a recuperação gradual da produção nacional. Esse período inaugura uma nova fase esteticamente marcada pela diversidade de gêneros, linguagens e públicos.
Um marco importante desse processo de retomada foi a aprovação, em 1991, da Lei Rouanet, idealizada pelo diplomata, filósofo e professor universitário brasileiro Sérgio Paulo Rouanet, que exercia o cargo de secretário de cultura do governo Collor. Essa lei introduziu o mecanismo de renúncia fiscal, mas o cinema precisava de um incentivo mais específico para o setor, o que ocorreu em 1993, com a Lei do Audiovisual, que foi o grande motor da retomada.
Essa legislação permitia que empresas e pessoas físicas abatessem impostos ao investir na produção cinematográfica. Por fim, em 2001, o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso criou a Ancine, agência reguladora cujo objetivo é fomentar, regular e fiscalizar a indústria cinematográfica e videofonográfica nacional. A partir de então, o país voltou a ter uma indústria de cinema mais estável e institucionalizada.
Alguns filmes emblemáticos desse período foram:
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Escolher momentos históricos do cinema brasileiro para um breve texto é sempre algo mais ou menos arbitrário e é certo que muitos momentos ficarão de fora dessa seleção. No entanto, privilegiamos aqui acontecimentos que funcionam como marcos na história do nosso cinema e, por isso, ajudam a compreender tanto suas fases, seus momentos de expansão e suas crises.
O reconhecimento externo do nosso cinema não se deu de forma contínua ou crescente, mas em ondas, quase sempre articuladas a propostas artísticas que articulavam uma linguagem cinematográfica inovadora com uma reflexão crítica sobre a realidade social e política do nosso país.
No âmbito do movimento do Cinema Novo, diversos filmes, diretores e atores passaram a ser reconhecidos e influenciar a trajetória do cinema na Europa e nos Estados Unidos. O mais premiado diretor dessa geração foi o cineasta baiano Glauber Rocha:
Outros cineastas desse movimento foram muito reconhecidos e prestigiados internacionalmente, como:
Na década de 1970, já fora do contexto do Cinema Novo, temos alguns filmes brasileiros com grande destaque internacional:
Nos anos 1990, apesar de toda a crise que marcou o setor na primeira metade da década, destacaram-se:
A década de 2010 foi prolífica em filmes nacionais de grande reconhecimento internacional, demonstrando que o setor avançou muito nesse início de século em termos de produtividade e qualidade, apesar dos desafios que ainda são enormes. Alguns exemplos importantes de sucesso internacional:
Apesar dos desafios enfrentados pela indústria na década atual — como o drama da pandemia do covid 19 e de um governo, entre 2019 e 2022, apontado por membros da comunidade do cinema nacional como tendo sido avesso ao setor|1| e |2| —, esta tem sido uma das décadas em que o cinema nacional mais se destacou internacionalmente em sua história. O destaque maior vai para duas produções multipremiadas:
O longa Ainda Estou Aqui (2024) conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional, a primeira vitória brasileira nessa categoria, além de ter recebido mais duas indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Filme e de Melhor Atriz, para Fernanda Torres. O longa também venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Drama, para Fernanda Torres, além de também ter sido indicado ao prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira.
Foi o primeiro prêmio do país no Globo de Ouro desde 1999, quando Central do Brasil venceu como melhor filme em língua estrangeira. O filme acumulou mais de 60 prêmios internacionais, incluindo Melhor Roteiro no Festival de Veneza, Melhor Filme no Grand Prix FIPRESCI, entre muitos outros de grande renome internacional, o que faz dele um dos mais premiados da história do cinema nacional.
O filme O Agente Secreto (2025), do pernambucano Kleber Mendonça Filho, também desponta como um dos mais premiados da história do nosso cinema, se não o mais premiado, tendo ganhado 56 troféus em 36 premiações até ao início de 2026. Entre os prêmios de maior destaque, venceu dois prêmios no Festival de Cannes, o de Melhor Direção, para Kleber Mendonça Filho, e de Melhor Ator, para Wagner Moura, além de ter sido indicado para a Palma de Ouro (Melhor Filme) nesse mesmo festival.
Também venceu dois prêmios no Globo de Ouro: o de Melhor Filme Internacional e de Melhor Ator, para Wagner Moura. Foi indicado em quatro categorias do Oscar (igualando o recorde nacional de indicações de Cidade de Deus), incluindo o de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Elenco e Melhor Ator, para Wagner Moura.
Além disso, o filme recebeu inúmeras premiações de grande prestígio: venceu o prêmio de Melhor Filme Internacional no Critics Choice; foi indicado a Melhor Filme de Língua Não-Inglesa e Roteiro Original no BAFTA; venceu o prêmio de Melhor Filme, Direção e Ator no Paris Film Critics Awards venceu como Melhor Filme Internacional e Melhor Ator no New York Film Critics Circle Awards, entre dezenas de outras premiações internacionais e nacionais de renome.
Outros filmes brasileiros da década atual que merecem destaque são:
Definir quais são os melhores filmes da história do cinema brasileiro seria uma enorme pretensão, pois os critérios são múltiplos e podem enfatizar aspectos como impacto histórico, sucesso comercial, impacto e relação com o público, análise acadêmica sob os mais diversos olhares, avaliação dos críticos, entre outras perspectivas tão relevantes quanto essas. Por isso, o que faremos aqui é apontar os caminhos mais comuns ao se buscar responder a essa difícil questão.
Do ponto de vista dos festivais mais prestigiados do cinema mundial, os filmes listados no tópico anterior são os melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Como vimos, fazem parte dessa lista:
A ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) tem uma lista chamada “Os 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos”|3|, publicada em 2015. Essa lista dá destaque a clássicos do cinema nacional como:
Quem gosta muito e/ou quer muito conhecer de verdade o cinema nacional pode se programar e assistir a todos esses clássicos.
Existe um documento intitulado “Listagem de Filmes Brasileiros com mais de 500.000 Espectadores (1970 a 2019)”, disponibilizado pela ANCINE (Agência Nacional do Cinema Nacional)|5|, que serve como o ranking de público oficial de longo prazo do cinema nacional. Com base nessa listagem, os 5 filmes brasileiros com maior público são:
O Dia do Cinema Brasileiro é celebrado em 19 de junho e faz referência à data em que, no ano de 1898, o cinegrafista Afonso Segretto realizou o primeiro registro cinematográfico em território brasileiro, mostrando a beleza da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, a bordo do navio Brèsil que retornava da Europa. Curiosamente, o filme gravado por Segreto em 1898 nunca chegou a ser exibido publicamente e acabou se perdendo, embora o registro de sua realização seja aceito como o ponto de partida da história do cinema no Brasil.
Alguns setores e instituições também celebram o dia 5 de novembro, que marca a primeira exibição pública de cinema no Brasil, ocorrida em 1896. O evento aconteceu na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro, onde foram projetados curtas-metragens dos irmãos Lumière para a elite carioca. Além disso, a data coincide com o nascimento de Paulo César Saraceni e o falecimento de Humberto Mauro, dois pilares do cinema nacional.
Foi apenas a partir dos anos 1970 que historiadores do cinema brasileiro começaram a adotar formalmente o 19 de junho como a data comemorativa oficial. Essa escolha serviu para diferenciar o ato da produção/realização (fazer o filme) do ato da exibição pública, que ocorreu anteriormente em 1896. Atualmente, a data é validada por órgãos oficiais como a ANCINE (Agência Nacional do Cinema) e o Arquivo Nacional, que utilizam o dia para promover ações de preservação da memória e fomento ao setor.
Em 2024 e 2025, o Dia do Cinema Brasileiro foi utilizado como plataforma para anúncios importantes do governo federal, como a assinatura de decretos que regulamentam a Cota de Tela, garantindo a exibição obrigatória de produções nacionais nos cinemas.
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Notas
|1| PANHO, Isabella Alonso. “Diretor de ‘Ainda estou aqui’ diz que filme não sairia nos anos Bolsonaro”. VEJA, 15 fev. 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/maquiavel/diretor-de-ainda-estou-aqui-diz-que-filme-nao-sairia-nos-anos-bolsonaro/.
|2| ANDRADE, Jéssica. “Kleber Mendonça Filho fala sobre ‘guinada à direita’ e Bolsonaro”. Correio Braziliense, 12 jan. 2026. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2026/01/7331019-kleber-mendonca-filho-fala-sobre-guinada-a-direita-e-bolsonaro.html.
|3| ABRACCINE. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CRÍTICOS DE CINEMA. Abraccine organiza ranking dos 100 melhores filmes brasileiros. [S.l.: s.n.], 27 nov. 2015. Disponível em: https://abraccine.org/2015/11/27/abraccine-organiza-ranking-dos-100-melhores-filmes-brasileiros/
|4| ANCINE. Agência Nacional do Cinema. Listagem de filmes brasileiros com mais de 500.000 espectadores 1970 a 2019 (PDF). Brasília: Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual – OCA, [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/ancine/pt-br/oca/publicacoes/mercado-audiovisual-brasileiro/cinema/arquivos-pdf/listagem-de-filmes-brasileiros-com-mais-de-500-000-espectadores-1970-a-2019.pdf/view
Créditos das imagens
[2] Wikimedia Commons (reprodução)
[4] Wikimedia Commons (reprodução)
[5] Wikimedia Commons (reprodução)
Fontes
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CRÍTICOS DE CINEMA (ABRACCINE). Os 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos. São Paulo: Abraccine, 2016.
AGÊNCIA NACIONAL DO CINEMA (ANCINE). Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual. Brasília: ANCINE, s.d.
BERNARDET, Jean-Claude. Historiografia clássica do cinema brasileiro. São Paulo: Annablume, 2008.
CINEMATECA BRASILEIRA. Dia do Cinema Brasileiro: origem e significado histórico. São Paulo: Cinemateca Brasileira, s.d.
CINEMATECA BRASILEIRA. Base de dados históricos do cinema brasileiro. São Paulo, s.d.
JOHNSON, Randal; STAM, Robert. Cinema brasileiro e identidade nacional no cenário internacional. Revista de Cinema e Audiovisual, v. 4, n. 2, 2005.
NAGIB, Lúcia. A retomada do cinema brasileiro. Cadernos de Cinema Brasileiro, Rio de Janeiro, n. 1, p. 9-18, 1997.
NAGIB, Lúcia. Brazil on screen: cinema novo, new cinema, utopia. Londres: I. B. Tauris, 2007.
RAMOS, Fernão Pessoa. Panorama do cinema brasileiro: história e estilos. Estudos Avançados, São Paulo, v. 15, n. 43, p. 61-82, 2001.
RAMOS, Fernão Pessoa; MIRANDA, Luiz Felipe (orgs.). Enciclopédia do cinema brasileiro. 3. ed. São Paulo: SENAC São Paulo, 2012.
SIMIS, Anita. Estado e cinema no Brasil. São Paulo: Annablume; FAPESP, 1996.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/cultura/cinema-brasileiro.htm