Multinacionais, conhecidas também como transnacionais, são empresas com sua sede instalada em um país e que dispõem de várias filiais em outros países.
Elas ampliaram a sua presença no espaço mundial após o fim da Segunda Guerra Mundial, quando se consolidou o processo de globalização e houve o aperfeiçoamento dos meios de transporte e de comunicação, favorecendo os fluxos de informações, capitais e mercadorias. Foi nesse mesmo período que mais empresas desse tipo ingressaram no Brasil.
As maiores multinacionais do hoje são as que atuam nos setores da tecnologia e energético, seguindo as demandas de um mundo modernizado e altamente conectado.
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São aquelas que possuem a sede instalada em um país e filiais espalhadas por diversos outros países.
São chamadas também de empresas transnacionais.
Entre seus objetivos, estão a redução dos custos com o processo de produção e a ampliação da sua margem de lucro.
A instalação de uma filial em um país depende dos fatores locacionais, como infraestrutura, aparato normativo e fiscal, mão de obra e matérias-primas.
Seu surgimento aconteceu durante a primeira fase do capitalismo, mas elas expandiram globalmente a partir do final da Segunda Guerra Mundial.
Com a globalização, a modernização dos meios de comunicação e transporte facilitou a difusão delas pelo espaço mundial.
Estão presentes no Brasil desde o início do século XX. Sua presença foi ampliada a partir da década de 1950 mediante políticas governamentais.
As maiores multinacionais brasileiras hoje são a Vale e a Petrobras.
Em escala global, as empresas de tecnologia dominam o ranking das maiores multinacionais.
As dez maiores empresas multinacionais estão listadas abaixo de acordo com um levantamento realizado no início do ano de 2022, levando em consideração o seu capital de mercado. Descrevemos qual é o setor de atuação de cada uma delas e o país ou território onde está instalada a sua sede.
Empresa multinacional |
Setor de atuação |
Sede |
Apple |
Tecnologia |
Estados Unidos |
Saudi Aramco |
Energia |
Arábia Saudita |
Microsoft |
Tecnologia |
Estados Unidos |
Alphabet |
Tecnologia |
Estados Unidos |
Amazon |
Tecnologia |
Estados Unidos |
Tesla |
Automobilístico |
Estados Unidos |
Berkshire Hathaway |
Financeiro |
Estados Unidos |
NVIDIA |
Tecnologia |
Estados Unidos |
Taiwan Semiconductor Manufacturing Company |
Semicondutores |
Taiwan |
Meta |
Tecnologia |
Estados Unidos |
Fonte: Investopedia. Dados referentes a março de 2022.
As empresas multinacionais podem ser definidas como aquelas que têm a sua matriz ou sede instalada em determinado país e filiais espalhadas por diversos outros países e territórios, sem um limite exato para a quantidade de locais em que elas atuam.
O processo de globalização e aperfeiçoamento dos meios de informação e de comunicação, em conjunto com a internacionalização do capital, facilitou o avanço das grandes empresas multinacionais pelo mundo, estando presentes hoje em todos os continentes e na maioria dos países. Por essa razão, o conceito de multinacional tem cada vez mais dado lugar ao conceito de transnacional. Isso porque essas companhias não se limitam às suas fronteiras nacionais, tendo como campo de ação todo o espaço mundial.
A difusão das empresas multinacionais pelo espaço mundial apresenta diversos objetivos específicos que variam consideravelmente de acordo com o setor em que cada uma delas desenvolve as suas atividades. Apesar disso, é possível identificar muitos objetivos em comum entre essas empresas, alguns dos quais foram viabilizados pelo novo período técnico-científico em que nos inserimos. Listamos alguns desses objetivos abaixo.
Conquista e expansão de um novo mercado consumidor, isto é, do público-alvo ao qual o produto que essas empresas oferecem é destinado.
Busca por novas fontes de matérias-primas.
Procura por mão de obra barata e qualificada.
Obtenção de vantagens locacionais oferecidas pelos países onde elas pretendem se instalar.
Redução dos gastos com impostos e taxas de exportação e importação.
Aumento da sua margem de lucro com base na redução dos custos do processo produtivo, que compreende desde a aquisição de matérias-primas até o transporte de mercadorias.
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O processo de deslocamento das empresas de seu país de origem e expansão pelo espaço mundial se acelerou com o advento da globalização e da modernização dos meios de comunicação e também de transportes. Esse novo paradigma tecnológico permitiu que houvesse o que chamamos de desagregação vertical da indústria, que corresponde ao desmembramento do seu processo produtivo e à realocação das diversas etapas de produção em países e territórios distintos, onde houvesse maior oferta de condições.
Isso foi possível porque os sistemas de comunicação atual são mais eficazes, assim como o transporte se tornou mais dinâmico e ágil, colocando em contato direto e em tempo real uma filial com a outra e também com a sua matriz e organizando, portanto, essas unidades empresariais em uma verdadeira estrutura em rede.
A fim de se deslocarem em direção a um novo país, ou ainda se expandirem dentro de um mesmo território, as empresas multinacionais levam em consideração uma série de elementos que recebem o nome de fatores locacionais. Esses fatores correspondem à infraestrutura de transportes, sobretudo sua rede física, suas redes de comunicação e eletricidade, seus incentivos fiscais, seu mercado consumidor, sua disponibilidade de matéria-prima e mão de obra, entre outros elementos essenciais para a instalação de uma empresa.
Além disso, as empresas multinacionais adentram em outros territórios por meio de novos métodos de atuação que surgiram com o advento do capitalismo financeiro, a atual fase desse sistema econômico. Assim, elas podem atuar por meio dos seguintes métodos:
fusão e aquisição de empresas atuantes no mesmo ramo ou em áreas distintas;
joint-ventures, que consiste na cooperação temporária entre empresas;
incorporação de empresas e também separação;
investimentos em uma nova estrutura industrial (greenfield) em outro país ou em uma estrutura já existente para reaproveitamento ou não (brownfield).
A origem das empresas multinacionais, de acordo com alguns pesquisadores, remonta à era do capitalismo mercantilista, a primeira fase de desenvolvimento desse que era um então novo sistema econômico. Trata-se da Companhia Holandesa das Índias Orientais, que teve forte presença econômica e também política em partes da África e sobretudo na Ásia em um contexto de colonização territorial europeia durante os séculos XVII e XVIII, quando a empresa chegou ao fim. Outros autores situam o surgimento das multinacionais no final do século XIX.
As empresas multinacionais passaram por um intenso processo de expansão a partir da segunda metade do século XX, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O movimento aconteceu principalmente dos Estados Unidos e da Europa em direção aos países asiáticos e africanos, direcionando-se mais tarde às demais áreas do continente americano nos chamados países emergentes ou subdesenvolvidos. Nesse período, que se estendeu até o final do século, as maiores empresas multinacionais eram aquelas atuantes nos setores automobilístico, de energia (petroquímicas) e eletrônicas.
A financeirização da economia e o advento do meio técnico-científico-informacional característico da atual fase da globalização facilitaram ainda mais a ampliação internacional das empresas, que se difundiram por todo o planeta. Destaca-se ainda que um novo perfil de empresas multinacionais passou a predominar, aquele do setor tecnológico e informacional, como veremos no item a seguir.
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As empresas multinacionais ampliaram a sua presença no Brasil quase no mesmo período em que houve a sua expansão pelo mundo na segunda metade do século XX. Estamos tratando aqui do período que corresponde às décadas de 1950 e 1960, quando principalmente as montadoras automobilísticas intensificaram seu ingresso no país em decorrência das políticas econômicas e de desenvolvimento implantadas pelo governo do então presidente Juscelino Kubitschek. Nota-se, entretanto, que empresas como a italiana Ford já atuavam no Brasil desde a década de 1920.
Voltando um pouco mais no tempo, o embrião do que viriam a ser algumas empresas multinacionais brasileiras surgiu ainda entre meados do século XIX e início do século XX, como foi o caso da atual Ambev e da Alpargatas, respectivamente do setor de bebidas e calçados. Nas décadas de 1940 e 1950, foram fundadas a Vale do Rio Doce, hoje Vale, e a Petrobras, consideradas hoje as maiores multinacionais brasileiras ao lado da Ambev, do grupo Itaú e do Bradesco, ambos do setor bancário.
A adoção das políticas neoliberais e a maior abertura econômica ao capital internacional, a partir do final do século XX, ampliaram em muito a presença de empresas multinacionais no território brasileiro, e as políticas econômicas adotadas em períodos subsequentes tornaram o país um campo fértil para os investimentos estrangeiros e para a presença dessas empresas transnacionais em setores diversos, como o alimentício, tecnológico, financeiro, automotivo e de energia.
Créditos da imagem
[1] Drop of Light / Shutterstock
[2] Donatas Dabravolskas / Shutterstock
Por Paloma Guitarrara
Professora de Geografia
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/economia/empresas-multinacionais.htm