Conjunção

Conjunção reúne orações ou termos em um mesmo enunciado. Ela pode ser classificada como coordenativa ou subordinativa, conforme o grau de independência entre os termos.

As conjunções são vocábulos gramaticais cuja função é reunir ou relacionar orações em um mesmo enunciado. Quando houver duas ou mais palavras com a função de conjunção, dizemos que se trata de uma locução conjuntiva. As conjunções e locuções conjuntivas têm o objetivo de unir duas ou mais orações ou palavras.

Essa classe de palavras pode ser dividida em conjunções subordinativas e conjunções coordenativas, e cada uma dessas classificações possui suas subdivisões conforme a estrutura e o sentido determinados.

Uso das conjunções nas orações

Antes de iniciarmos a explicação sobre as conjunções propriamente, é importante recordarmos o conceito básico de orações. A oração é uma unidade linguística em que se encontra obrigatoriamente um verbo ou uma locução verbal. Observe os exemplos a seguir:

No primeiro exemplo, temos apenas uma oração, já que temos apenas um verbo. No segundo exemplo, temos duas orações pela quantidade de verbos observados, e não necessariamente pelo ponto final. Entretanto podemos usar uma conjunção para transformar os dois enunciados do segundo exemplo em apenas um:

O cachorro fugiu de casa, mas voltou no dia seguinte.

Acompanhe mais um exemplo que segue a mesma linha de raciocínio, iniciando com duas orações e dois enunciados e depois transformando-os em um só:

Nos dois casos, temos um enunciado com duas orações, já que em cada um temos dois verbos. As palavras marcadas em vermelho são as conjunções que ligaram uma oração a outra no mesmo enunciado.

Entretanto, a conjunção mas e a conjunção que possuem classificações diferentes: a primeira é uma conjunção coordenativa, e a segunda, subordinativa. Vamos aprender a diferença entre elas?

Leia também: Coesão – articulação textual que pode utilizar a conjunção como recurso

Conjunções coordenativas

Quando duas orações são independentes entre si e podem ser completamente entendidas uma sem a outra, dizemos que são orações coordenadas, ou seja, elas estão ordenadas em conjunto, embora não necessariamente precisem estar juntas. Logo, as conjunções coordenativas são responsáveis por juntar essas orações independentes no mesmo enunciado, como no exemplo anterior.

Por reunirem termos independentes, as conjunções coordenativas podem juntar termos menores do que uma oração, contanto que tenham a mesma função dentro do enunciado. Assim, podem juntar substantivos, adjetivos, advérbios, verbos, orações etc.

→ Classificação das conjunções coordenativas

Recebem sua classificação de acordo com a relação que estabelecem entre os termos que são ligados por elas. É importante ressaltar que a conjunção coordenativa não se altera com a mudança de construção em uma frase, pois ela liga elementos independentes.

As conjunções coordenativas podem ser aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e explicativas.

→ Conjunções coordenativas aditivas

Estabelecem relação de adição entre as orações ou os termos conectados. Como exemplos de conjunções aditivas, temos “e” (para sentido positivo), “nem” (para sentido negativo), entre outros.

→ Conjunções coordenativas adversativas

Estabelecem relação de oposição entre as orações ou os termos conectados. Como exemplos de conjunções adversativas, temos “mas”, “porém”, “todavia”, “contudo” e “senão” (quando possui significado de “mas”), entre outros.

→ Conjunções coordenativas alternativas

Estabelecem relação de alternância entre as orações ou os termos conectados. Essa alternância pode dizer respeito à incompatibilidade ou à equivalência entre eles. Como exemplo de conjunções alternativas temos o “ou”. Dependendo do contexto, temos também as conjunções alternativas “já”, “bem”, “talvez”, “ora”, entre outras. Elas podem ou não aparecer repetidas entre os termos que ligam.

Embora não seja consenso entre os gramáticos, alguns consideram, ainda, mais dois tipos de conjunções coordenativas: as conclusivas e as explicativas.

→ Conjunções coordenativas conclusivas

Estabelecem relação de conclusão entre as orações ou os termos conectados. Como exemplos de conjunções aditivas, temos “pois”, “portanto”, “logo”, “assim”, “então”, entre outros.

→ Conjunções coordenativas explicativas

Estabelecem relação de explicação entre as orações ou os termos conectados. Como exemplos de conjunções aditivas, temos “pois”, “porque”, “porquanto”, “que”, entre outros.

Para saber mais sobre como usar e quais as classificações dessas conjunções, acesse: Conjunções coordenativas.

Conjunções subordinativas

Quando temos uma oração sendo dependente da outra, ou seja, quando uma oração depende de outra para ser entendida, dizemos que ela é uma oração subordinada à outra (que passa a ser a principal). Assim, a conjunção que liga a oração subordinada à oração principal chama-se conjunção subordinativa.

As conjunções subordinativas podem ser integrantes ou adverbiais.

As conjunções subordinativas integrantes iniciam as orações substantivas, que são aquelas que possuem, em relação à oração principal, função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, aposto, agente da passiva ou complemento nominal. Temos como exemplo “que” e “se”.

Leia também: Diferenças entre a subordinada subjetiva e a objetiva direta

As conjunções subordinativas adverbiais, por sua vez, introduzem orações subordinadas adverbiais e são subdivididas em causais, comparativas, concessivas, condicionais, conformativas, consecutivas, finais, modais, proporcionais, temporais e integrantes.

→ Conjunções subordinativas causais

Iniciam orações com relação de causa, motivo da oração principal. São conjunções subordinativas causais “que”, “porque”, “como”, entre outras.

→ Conjunções subordinativas comparativas

Iniciam orações com relação de comparação com a oração principal. Podem estabelecer relação de igualdade, superioridade ou inferioridade. São conjunções subordinativas comparativas “como”, “qual”, “mais que”, “menos que”, entre outras.

→ Conjunções subordinativas concessivas

Iniciam orações que se mostram obstáculo para as ideias da oração principal. São conjunções subordinativas concessivas “ainda que”, “embora”, “se bem que”, “apesar de que”, entre outras.

→ Conjunções subordinativas condicionais

Iniciam orações que exprimem condições necessárias para realizar o que se declara na oração principal ou fato (real ou suposto) que contradiz o que foi expresso na oração principal. Como exemplos, temos “se”, “caso”, “sem que”, “uma vez que”, “contanto que”, entre outros.

→ Conjunções subordinativas conformativas

Iniciam orações que exprimem conformidade com as orações principais. São conjunções conformativas “como”, “conforme”, “segundo”, entre outras.

→ Conjunções subordinativas consecutivas

Iniciam orações que são consequência daquilo que foi expresso nas orações principais. Como exemplos, temos “tanto que”, “tal qual”, entre outros.

→ Conjunções subordinativas finais

Iniciam orações que são finalidade do que foi descrito na oração principal. São exemplos “para”, “a fim de”, entre outros.

→ Conjunções subordinativas modais

Iniciam orações que exprimem o modo pelo qual se executou o fato expresso na oração principal. São exemplos “sem que”, “de modo que”, entre outros.

→ Conjunções subordinativas proporcionais

Iniciam orações que exprimem algo que ocorre, aumenta ou diminui na mesma proporção do que se exprime na oração principal. São exemplos “à medida que”, “tanto quanto”, “quanto mais”, “quanto menos”, entre outros.

→ Conjunções subordinativas temporais

Iniciam orações que exprimem o tempo em relação ao que é dito na oração principal. Podem ter relação de tempo anterior, posterior, frequentativo (ou seja, repetido) e concomitante. Como exemplos temos “antes que”, “primeiro que”, “depois que”, “quando”, “assim que”, “desde que”, “sempre que”, “a cada vez que”, “enquanto”, entre outros.

Vale lembrar que algumas conjunções subordinativas, como “que”, “como”, “porque”, “se”, entre outras, podem pertencer a mais de uma classe gramatical. Nesse caso, é necessário atenção, pois seu valor depende do contexto em que se inserem, passível de ambiguidade.

Para aprofundar-se nos usos e significados dessas conjunções, acesse nosso texto: Conjunção subordinativa.

As conjunções têm como uma das principais funções trazer articulação ao texto.
As conjunções têm como uma das principais funções trazer articulação ao texto.

Exercícios resolvidos

Questão 1

(Copeve-Ufal - 2010 - Casal - Advogado) Em qual período o se é uma conjunção integrante?

a) Paraquedista se prepara para romper a barreira do som com salto da estratosfera.

b) Um tecido comum pegaria fogo se fosse exposto diretamente a essa radiação.

c) Sabe-se também que a alimentação materna pode ter impacto na chance de a criança vir a desenvolver câncer.

d) Marilyn Monroe morreu aos 36 anos de forma trágica, vítima de uma overdose de medicamentos que até hoje não se sabe se foi intencional, acidental ou provocada por alguma misteriosa conspiração política.

e) Não fale rápido demais. Se sua dicção não for boa, ninguém irá entender o que você diz.

Resolução

Alternativa d, pois o se grifado inicia a oração subordinada substantiva da oração principal “não se sabe”. Nas alternativas b e e, se é uma conjunção condicional. Nas alternativas a e c, se não é conjunção.

 

Por Guilherme Viana
Professor de Português  


Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/conjuncao.htm