Nefertiti foi uma rainha do Egito Antigo que viveu no século XIV a.C. Ela se tornou uma das figuras mais conhecidas do mundo antigo por sua atuação como esposa do faraó Amenófis IV e por ter desempenhado um papel político de grande importância, o que era incomum para uma rainha egípcia naquela época.
O faraó Amenófis IV instituiu no Egito o culto a Aton, o deus solar, em uma grande reforma religiosa e política. A rainha Nefertiti era representada como modelo de devoção, e a família real como mediadora entre o deus e a humanidade. Ela aparece na arte egípcia em posição de destaque cerimonial, em cenas oficiais, ao lado de seu marido. O busto de Nefertiti, descoberto em 1912, é a mais famosa representação artística da rainha, visto a partir do século XX como um símbolo universal de beleza feminina.
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Nefertiti foi uma rainha egípcia que viveu no século XIV a.C. Ela era esposa do faraó Akhenaton (Amenófis IV) e se tornou uma das figuras mais conhecidas da Antiguidade por ter desempenhado um papel político de grande importância, incomum para uma rainha egípcia, num momento em que o Egito passava por uma das mais importantes reformas políticas e religiosas de sua história, com o estabelecimento do culto ao deus Aton, que representava o círculo solar.
A imagem de Nefertiti aparece com destaque em muitas inscrições da época, em cenas oficiais, ao lado de seu marido. Ela não é vista apenas em cenas domésticas ou cerimoniais, como é comum a rainhas egípcias, mas está também em representações de caráter político, algumas tradicionalmente reservadas ao faraó, como oferendas ao deus solar Aton. Esse protagonismo nas suas representações sugere uma posição de elevada autoridade.
Nefertiti viveu, sobretudo, na nova capital fundada por Akhenaton, a cidade de Akhetaton (atual Amarna), construída por volta de 1346 a.C. como centro do culto exclusivo ao deus Aton. O culto a Aton era o centro de uma grande reforma religiosa e política empreendida então por Amenófis IV, que agora se rebatizaria como Akhenaton, significando “aquele que louva a Aton”.
Nesse contexto, a rainha era representada como modelo de devoção, como mediadora entre o deus e a família real, o que reforça a centralidade simbólica do casal real, Akhenaton e Nefertiti, no novo sistema religioso que estava sendo criado.
Do ponto de vista iconográfico, Nefertiti foi cuidadosamente construída como uma imagem de poder, beleza e sacralidade, em representações artísticas que romperam com os padrões rígidos da tradição artística egípcia anterior.
Embora muitos aspectos de sua origem familiar permaneçam incertos, tal como seus pais ou local exato de nascimento, o consenso historiográfico presente nas fontes é de que Nefertiti não foi apenas esposa de um faraó, mas uma figura central do Estado egípcio em um momento crucial de sua história, quando uma grande reforma política e religiosa era empreendida. Sua atuação ajudou a moldar um dos períodos mais controversos e debatidos da história do Antigo Egito.
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O casamento de Nefertiti com o faraó Amenófis IV, depois nomeado Akhenaton, ocorreu por volta do início do século XIV a.C., embora não exista uma data exata registrada nas fontes históricas. Nesse período, Amenófis ainda governava a partir da cidade de Tebas, a antiga capital do Egito. Mais tarde, após a reforma religiosa, o casal e toda a corte seriam transferidos para Akhetaton, a nova capital construída pelo faraó.
Desde as primeiras representações oficiais, Nefertiti aparece com o título de “Grande Esposa Real”, posição que lhe garantia destaque cerimonial e visibilidade política. Ela surge associada às decisões simbólicas e religiosas do reinado, especialmente no que se refere ao culto ao deus solar Aton, que se estabelecia então. Isso indica que esse casamento não foi apenas uma aliança dinástica tradicional, mas um pilar importante do novo projeto religioso e político do casal real.
O casamento de Nefertiti e Akhenaton foi representado de maneira inédita na arte egípcia. Até então, os faraós eram representados de forma solene, sagrada, central, enquanto as rainhas apareciam em posição secundária, em escala (tamanho) menor e com representação de funções rituais muito mais limitadas. Além disso, os deuses eram representados de modo antropozoomórfico (formato de homens com animais, como o corpo de homem e a cabeça de falcão do deus Hórus).
Agora, com Akhenaton e Nefertiti, essa tradição artística rigidamente seguida por muitos séculos foi rompida. As representações artísticas, como os relevos, passam a mostrar o casal em cenas de intimidade familiar, acompanhados de suas filhas, sob os raios de sol de Aton, um deus representado de forma abstrata e não antropozoomórfica.
Nefertiti aparece em escala (tamanho) equivalente à do próprio faraó, em sinal de igualdade simbólica, realizando rituais e oferendas ao deus, funções rituais antes exclusivas dos faraós — algo inédito. Além disso, o estilo corporal tornou-se mais naturalista e expressivo, menos rígido e idealizados.
Todas essas mudanças não foram apenas estéticas, elas refletiram um novo conjunto de valores e uma nova teologia em que a família real se afirmava como mediadora única entre o deus e o mundo humano.
As fontes indicam com segurança que Nefertiti foi mãe de seis filhas, todas com o faraó Akhenaton. Não há registros confiáveis que indiquem o nascimento de filhos homens atribuídos a ela, o que é um dado relevante para se compreender as conflituosas disputas sucessórias que se seguiram ao fim desse período. Os nomes das seis filhas de Nefertiti, atestados em relevos, placas e inscrições do período são:
Todas essas princesas aparecem com frequência na arte oficial do período, sobretudo em cenas familiares sob os raios de Aton, o que reforça o caráter simbólico da família real como núcleo sagrado do novo sistema religioso que estava sendo implementado.
A filha primogênita, Meritaton, passou a assumir títulos e funções relevantes nos últimos anos do reinado do pai Akhenaton e chegou a ocupar a posição de “Grande Esposa Real”, o que sugere uma tentativa de manter a legitimidade dinástica em um contexto político instável, na ausência de um filho homem que desse continuidade à dinastia.
A segunda filha, Meketaton, morreu ainda jovem, possivelmente durante uma epidemia que atingiu a cidade de Akhetaton na época. Sua morte é representada por cenas funerárias do período. Já a terceira filha, Ankhesenpaaton, se tornaria figura central no período de transição dinástica ao se casar com Tutancâmon, já após a restauração do culto tradicional aos deuses egípcios.
Nefertiti e Nefertari são frequentemente associadas no imaginário popular como “grandes rainhas do Egito”. No entanto, do ponto de vista histórico, elas não foram contemporâneas e não participaram do mesmo contexto histórico. A comparação entre elas é portanto retrospectiva e simbólica, não factual.
A rainha Nefertiti viveu no século XIV a.C., durante a XVIII Dinastia, como esposa do faraó Amenófis IV (Akhenaton). Já Nefertari foi a principal esposa do faraó Ramsés II, governante da XIX Dinastia, que reinou entre 1279 a.C. e 1213 a.C., portanto cerca de um século depois do período de Nefertiti.
A associação entre essas duas figuras históricas surgiu na historiografia moderna e na cultura visual contemporânea, que tende a reunir mulheres poderosas do Egito Antigo em uma mesma categoria de “rainhas excepcionais”, apesar das profundas diferenças históricas entre elas.
O busto de Nefertiti é, possivelmente, a mais célebre representação artística da rainha na arte egípcia e desempenha um papel central na construção da imagem que ela tem nos dias de hoje. Essa escultura foi descoberta em 1912, em Amarna (antiga Akhetaton), no Egito, durante escavações arqueológicas conduzidas por pesquisadores alemães. Desde então, o busto se tornou um dos principais símbolos visuais da antiguidade egípcia.
Foi esculpido em calcário e coberto por estuque pintado, e apresenta a rainha com sua característica coroa azul, típica das rainhas desse período. A obra é datada de cerca de 1345 a.C., durante o auge do reinado de seu esposo Akhenaton.
A beleza da imagem da rainha representada impressiona e chama atenção. Porém, apesar do evidente naturalismo da obra, ela não deve ser compreendida como um retrato realista, mas como uma imagem idealizada, construída com propósitos políticos, com a intenção de expressar autoridade, sacralidade e perfeição.
O significado da obra variou profundamente ao longo do tempo. A partir do século XX, a escultura passou a ser interpretada como modelo universal de beleza feminina, o que desloca o foco de seu contexto político e religioso original. Ainda assim, a descoberta e a popularização do busto contribuiu decisivamente para a consolidação de Nefertiti como ícone feminino atemporal.
Não. Nefertiti não foi uma deusa no sentido tradicional da religião egípcia. Ela não integrou o panteão oficial dos deuses egípcios nem recebeu cultos. No entanto, durante o período em que reinou junto de seu marido, o faraó Akhenaton, ela teve um papel de grande relevância, até mesmo sagrada, no contexto da nova religião — do culto ao deus Aton — que estava sendo implantada, o que ajuda a explicar a persistência dessa dúvida na percepção moderna.
Nesse culto a Aton, o faraó e sua família passaram a ocupar um papel central como mediadores únicos entre o deus, agora considerado único, e a humanidade. Nesse contexto, Nefertiti aparece em relevos realizando oferendas, recebendo os raios sagrado de Aton e participando dos rituais, todas prerrogativas antes exclusivas dos faraós, o que reforça o papel sagrado de Nefertiti e de toda a família real na nova religião, mas não no sentido de ser considerada ou cultuada como uma divindade.
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Questão 1.
A figura de Nefertiti tornou-se central no chamado Período de Amarna, durante a XVIII Dinastia do Egito Antigo. Sua recorrente representação em relevos realizando rituais, oferendas e participando diretamente do culto ao deus Aton revela uma transformação significativa nas formas tradicionais de poder e sacralidade.
A partir do texto, essa transformação está associada principalmente:
A) à substituição completa do faraó pela rainha no exercício do poder político.
B) à divinização formal de Nefertiti como deusa integrante do panteão egípcio.
C) à centralização do sagrado na família real como mediadora entre o deus e os homens.
D) à retomada das tradições politeístas anteriores à reforma religiosa.
E) à adoção de práticas religiosas estrangeiras trazidas por alianças diplomáticas.
Resposta: C
Durante a revolução religiosa de Akhenaton, o culto a Aton concentrou a sacralidade na figura do faraó e de sua família. Nefertiti não foi deificada formalmente, mas exerceu papel essencial como mediadora simbólica entre o deus e a humanidade. As alternativas A e B exageram seu papel; a D contradiz o monoteísmo amarniano; e a E não encontra respaldo nas fontes.
Questão 2.
O famoso busto de Nefertiti, descoberto em 1912 em Amarna, é frequentemente interpretado como um símbolo universal de beleza feminina. No entanto, a análise historiográfica apresentada no artigo propõe uma leitura mais contextualizada dessa obra.
Segundo essa abordagem, o busto deve ser compreendido principalmente como:
A) um retrato realista feito para celebração pública do culto popular à rainha.
B) uma peça funerária destinada ao túmulo oficial de Nefertiti.
C) um objeto artístico desvinculado de funções políticas ou religiosas.
D) um modelo de oficina e uma imagem idealizada associada ao poder e à sacralidade.
E) uma representação tardia produzida séculos após o Período de Amarna.
Resposta: D
O busto de Nefertiti foi encontrado no ateliê do escultor Thutmose e provavelmente servia como modelo de oficina, além de expressar uma imagem idealizada da rainha. Sua função original estava ligada à política, à religião e à estética oficial do regime amarniano, e não à exibição pública ou ao contexto funerário.
Créditos das imagens
[1] Wikimedia Commons (reprodução)
[2] Wikimedia Commons (reprodução)
[3] Wikimedia Commons (reprodução)
[4] Achim Wagner / Shutterstock (reprodução)
[5] Wikimedia Commons (reprodução)
Fontes
TYLDESLEY, Joyce A. Nefertiti’s face: the creation of an icon. Cambridge, MA: Harvard University Press, 2018.
REEVES, Nicholas. Akhenaten: Egypt’s false prophet. London: Thames & Hudson, 2001.
SILVERMAN, David P.; WEGNER, Josef W.; WEGNER, Jennifer Houser (org.). Akhenaten and Tutankhamun: revolution and restoration. Philadelphia: University of Pennsylvania Museum of Archaeology and Anthropology, 2006.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/historiag/nefertiti.htm