A Guerra das Malvinas foi um conflito bélico entre Argentina e Reino Unido que aconteceu no ano de 1982 e que teve como principal causa uma longa disputa travada entre os dois países pela soberania das Ilhas Malvinas.
O conflito foi iniciado com a ocupação militar promovida pela Argentina nas Malvinas no dia 2 de abril, motivada pela tentativa de recuperar o domínio sobre as ilhas e garantir o apoio popular em meio à crise econômica e ao governo ditatorial. Apesar dos esforços, o Reino Unido saiu vitorioso da guerra, que terminou 74 dias mais tarde com um saldo de 907 mortos, dentre os quais 649 militares argentinos e 255 britânicos. Hoje as Ilhas Malvinas, ou Ilhas Falkland, são consideradas território ultramarino do Reino Unido e continuam a ser reivindicadas pela Argentina.
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A Guerra das Malvinas foi um conflito entre Argentina e Reino Unido que aconteceu no território das Ilhas Malvinas em 1982.
As Ilhas Malvinas são um arquipélago de 778 ilhas que fica localizado na América do Sul, a cerca de 500 metros a leste da costa da Argentina, onde são cercadas pelo Oceano Atlântico.
O motivo da Guerra das Malvinas foi a disputa pela soberania do arquipélago que ocorre entre Argentina e Reino Unido desde o século XIX. A questão do domínio territorial das Malvinas, contudo, remonta ao período colonial das Américas.
O conflito também foi deflagrado como uma tentativa do governo ditatorial argentino de recuperar o domínio das Ilhas Malvinas para aumentar o apoio da população diante de um cenário de crise econômica.
A Guerra das Malvinas teve início em 2 de abril com a ocupação da cidade de Stanley pelos argentinos e se estendeu até 14 de junho, tendo um saldo de 907 mortos; a maioria, militares (649 militares argentinos e 255 britânicos).
O Reino Unido venceu a Guerra das Malvinas contra a Argentina. As Malvinas são consideradas território ultramarino britânico, motivo pelo qual também são chamadas de Ilhas Falkland.
A disputa pelo território das Ilhas Malvinas não se encerrou com o fim da guerra, e a Argentina mantém a sua reivindicação de soberania sobre o arquipélago.
A Guerra das Malvinas foi um conflito armado entre a Argentina e o Reino Unido que aconteceu no território das Ilhas Malvinas, também chamadas Ilhas Falkland, na América do Sul, entre os meses de abril e junho de 1982. Essa foi a primeira e única vez em que os países entraram em confronto direto em meio à sua disputa pela soberania do arquipélago mencionado, o que deixou uma marca permanente nas relações diplomáticas entre eles.
O motivo da Guerra das Malvinas foi a disputa territorial entre Argentina e Reino Unido pelo arquipélago das Ilhas Malvinas. As raízes desse conflito geopolítico são encontradas no período colonial do continente americano, quando Espanha, França e Reino Unido se estabeleceram nas ilhas e, por um período de tempo, exerceram domínio parcial sobre elas.
Durante o século XVIII, os franceses venderam a sua parte da ilha para os espanhóis, que permaneceram no território junto dos ingleses, que exerciam domínio sobre as Malvinas Ocidentais. Contudo, essa permanência não foi pacífica.
Houve uma tentativa de unificação pouco tempo depois e que quase terminou em uma guerra entre Espanha e Reino Unido no ano de 1771. Por conta de questões financeiras e problemas em curso em outro domínio colonial, no entanto, os britânicos deixaram as Ilhas Malvinas, e o mesmo aconteceu com a Espanha. Apesar disso, nenhum dos países abriu mão da reivindicação de soberania sobre o arquipélago.
Nesse ínterim, as colônias espanholas na América lutavam pela sua independência. Uma delas foi a Argentina, país que integrava a Capitania Geral do Rio da Prata e, posteriormente, o Vice-Reino do Rio da Prata, e que se tornou independente da Espanha no ano de 1816. A partir de então, a Argentina passou a reivindicar o território das Ilhas Malvinas.
As Ilhas Malvinas, um arquipélago formado por duas ilhas maiores (Malvinas Orientais e Malvinas Ocidentais) e mais um conjunto de 776 pequenas ilhas, ficam aproximadamente a 500 km a leste da costa sul da Patagônia, e os argentinos entendem que a soberania sobre o arquipélago é um direito herdado do período em que era uma colônia espanhola.
Desde então, a disputa que era travada por Espanha e Reino Unido passou a acontecer entre Argentina e Reino Unido, culminando no conflito bélico que foi a Guerra das Malvinas.
A recuperação das Ilhas Malvinas foi adotada pelo general Leopoldo Galtieri, que governou a Argentina entre 1981 e 1982, como um objetivo a ser cumprido visando não somente a assegurar a soberania argentina sobre o arquipélago como, principalmente, melhorar a imagem do governo perante a população.
À época, a Argentina enfrentava um período de intensa repressão política e aprofundamento da crise econômica em meio a uma ditadura militar que havia sido iniciada no ano de 1976. Diante desse cenário, a retomada das Malvinas, ainda que pela força, seria uma maneira de aumentar a popularidade do presidente e do regime. No dia 2 de abril de 1982, tropas argentinas foram enviadas para as Ilhas Malvinas, dando início, então, à Guerra das Malvinas.
Inicialmente, 800 soldados argentinos desembarcaram na cidade de Stanley, capital das Ilhas Malvinas sob o governo britânico, na madrugada do dia 2 de abril. A ação recebeu o nome de Operação Rosário. Algum tempo mais tarde, chegaram reforços de mais de 2.000 oficiais argentinos, o que culminou na rendição dos fuzileiros reais da marinha britânica que realizavam a segurança do arquipélago e estavam em menor número.
Stanley, então tomada pelos argentinos, teve o seu nome alterado para Puerto Argentino, e é assim chamada até hoje pelo país sul-americano. Em muitos mapas das Ilhas Malvinas, aliás, os termos que encontramos estão em espanhol.
No início do confronto, as tropas argentinas conseguiram dominar as principais áreas portuárias das Ilhas Malvinas. Entretanto, a reação britânica aconteceu pouco tempo depois. Houve uma tentativa de negociação por parte do Reino Unido, o que incluiu uma resolução do Conselho de Segurança da ONU (Resolução nº 502) emitida no dia 3 de abril, que exigiu a retirada das tropas argentinas das Ilhas Malvinas.
Os britânicos conquistaram apoio internacional, especialmente dos Estados Unidos e dos demais países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), o que foi importante para as suas ações durante a Guerra das Malvinas. Os EUA, inclusive, chegaram a oferecer suporte militar para os britânicos enquanto o conflito estava em curso.
O Reino Unido e a Argentina romperam relações diplomáticas e não chegaram a um acordo. No mesmo dia 3 de abril, o país europeu, que era liderado pela primeira-ministra Margaret Thatcher, enviou uma força-tarefa em direção às Ilhas Malvinas. Os primeiros oficiais britânicos aportaram na ilha Geórgia do Sul, a leste das Malvinas Orientais, no dia 25 de abril de 1982, o que resultou na rendição dos argentinos que estavam no local e no início dos embates diretos entre os soldados das marinhas britânica e argentina.
As principais batalhas da Guerra das Malvinas que terminaram com a vitória dos argentinos foram aquelas travadas entre a força aérea da Argentina e a marinha do Reino Unido, que deixaram 15 embarcações destruídas ou danificadas por meio de ataques aéreos que incluíram bombardeios com mísseis Exocet, fabricados pela França e que consistiam em armamentos antinavio de curto alcance.
O que debilitou as forças argentinas em campo e representou uma vantagem para os britânicos, além do uso de equipamentos obsoletos, foi a sua preparação para que o Reino Unido adentrasse o território principal via Stanley, ou Puerto Argentino, na costa nordeste das Malvinas Orientais. A expectativa fez com que a Argentina concentrasse seus esforços na cidade que é considerada capital do arquipélago. Enquanto isso, os britânicos adentraram por Puerto San Carlos, 115 km a oeste de Stanley.
A partir de então, foram registradas intensas batalhas terrestres, enquanto os ataques aéreos da Argentina contra as embarcações britânicas continuavam. As forças do Reino Unido realizaram a tomada de diferentes assentamentos e povoados no interior montanhoso das Ilhas Malvinas enquanto se dirigiam à capital, alcançando a região no dia 12 de junho.
Dois dias depois, em 14 de junho de 1982, as forças argentinas que estavam em Stanley anunciaram a sua rendição, o que levou ao encerramento da Guerra das Malvinas após 74 dias de duração. Além de milhares de presos, o confronto terminou com um saldo de mortes de 907 pessoas, sendo 649 militares argentinos, 255 britânicos e 3 moradores locais.
A Guerra das Malvinas terminou com a vitória do Reino Unido sobre a Argentina. No país sul-americano, houve o aprofundamento da crise econômica e política, e o então presidente, general Leopoldo Galtieri, renunciou ao mandato três dias após o encerramento do conflito. Um ano mais tarde, aconteceu a redemocratização da Argentina e o fim da ditadura militar.
O Brasil não se envolveu ativamente na Guerra das Malvinas. O país, assim como a Argentina, vivia os últimos anos da ditadura militar quando o conflito eclodiu, e mantinha boas relações diplomáticas com o território vizinho. Era igualmente próximo dos Estados Unidos por motivos estratégicos, notadamente no campo econômico, e do Reino Unido.
Os brasileiros obtinham informações a respeito do conflito por meio de uma rede de espionagem que foi estabelecida no país vizinho com o objetivo de burlar a censura do governo ditatorial argentino, segundo reportagem do jornal Estadão|1|. Além do mais, houve momentos de apoio à Argentina, com registros de ações de inteligência|2| que auxiliaram o país sul-americano, mas, no contexto geral, o Brasil se manteve neutro nesse conflito.
Segundo reportagem do jornal O Globo|3|, existia pressão interna para o apoio aos britânicos devido ao uso inicial da força militar por parte da Argentina, mas tal fato não se traduziu em nenhuma medida de maior impacto para comprometer as relações com as partes do conflito, ou os EUA.
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Hoje as Ilhas Malvinas são consideradas território ultramarino do Reino Unido, sendo chamadas Ilhas Falkland pelos britânicos. O domínio do país europeu sobre o arquipélago foi estabelecido no ano de 1833 e é contestado pela Argentina. A ONU mantém as Ilhas Malvinas na sua lista de dependências como sendo um território do Reino Unido, embora adicione a existência de uma disputa pela soberania com a Argentina.
Notas
|1| e |2| GODOY, Marcelo; TOSTA, Wilson. Guerra das Malvinas: Brasil espionou Argentina e revirou míssil dos ingleses no conflito. Estadão, 01 mai. 2022. Disponível em: https://www.estadao.com.br/politica/eleicoes/brasil-espionou-argentinos-e-revirou-missil-dos-ingleses-durante-a-guerra-das-malvinas/.
|3| DUCHIADE, André. Documentos do chanceler de Figueiredo mostram independência frente aos EUA em meio a crises. Jornal O Globo, 07 jul. 2019. Disponível em: https://oglobo.globo.com/mundo/documentos-do-chanceler-de-figueiredo-mostram-independencia-frente-aos-eua-em-meio-crises-23788466.
Créditos da imagem
Fontes:
AFP. Os pilotos argentinos e uma façanha na guerra das Malvinas. G1, 29 mar. 2013. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/03/os-pilotos-argentinos-e-uma-facanha-na-guerra-das-malvinas.html.
LOUREIRO, Fernando. As Falklands-Malvinas: uma breve história da disputa que levou à guerra entre Argentina e Inglaterra. Café História, 04 abr. 2022. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/falklands-malvinas-a-historia-de-uma-longa-disputa.
MISSILE DEFENSE PROJECT. Exocet, Missile Threat, Center for Strategic and International Studies, 30 nov. 2016. Disponível em: https://missilethreat.csis.org/missile/exocet/.
MULVANEY, Kieran. The improbable Falklands War still resonates decades later. National Geographic, 01 abr. 2022. Disponível em: https://www.nationalgeographic.com/history/article/falklands-war-history-and-legacy.
REDAÇÃO. Argentina x Reino Unido: como o Brasil se posicionou na guerra das Malvinas. UOL Educação, 15 jul. 2026. Disponível em: https://educacao.uol.com.br/noticias/2026/07/15/argentina-x-inglaterra-como-o-brasil-se-posicionou-na-guerra-das-malvinas.ghtm.
REDAÇÃO. De quem são as Malvinas? Como acabou a guerra entre Argentina e Reino Unido. UOL Educação, 13 jul. 2026. Disponível em: https://educacao.uol.com.br/noticias/2026/07/13/de-quem-sao-as-malvinas-como-acabou-a-guerra-entre-argentina-e-inglaterra.ghtm.
REPÚBLICA ARGENTINA. A 188 años de la ocupación ilegal de las Malvinas Argentina reafirma sus derechos de soberanía sobre las islas. Ministerio de Relaciones Exteriores, Comercio Internacional y Culto, [s.d.]. Disponível em: https://cancilleria.gob.ar/es/188-anos-de-la-ocupacion-ilegal-de-las-malvinas-argentina-reafirma-sus-derechos-de-soberania-sobre.
UNITED NATIONS. Non-Self-Governing Territories. The United Nations and Decolonization, UN [s.d.]. Disponível em: https://www.un.org/dppa/decolonization/nsgt#_edn3.
VALÉRIO, Marco Aurélio Gumieri; HENTZ, Luiz Antonio Soares. Islas Malvinas versus Falkland Islands: o arquipélago da discórdia. RIL: Revista de Informação Legislativa, v. 50, n. 198, p. 187-207, 2013. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/496960/000983411.pdf.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/guerras/guerra-das-malvinas.htm