As pirâmides do Egito são monumentos erigidos a partir do III milênio a.C. nas proximidades a oeste do Rio Nilo, tendo como função primária o repouso físico do faraó e sua preparação para o mundo espiritual após a morte. Elas foram feitas em diferentes tamanhos, estruturas e materiais, representando a genialidade dos matemáticos e arquitetos que ascenderam no período do Antigo Império Egípcio. Foram construídas por trabalhadores livres e eram revestidas de calcário branco, originalmente, característica que se perdeu com o passar dos séculos. Entre as mais famosas estão as pirâmides da Necrópole de Gizé.
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As pirâmides do Egito são tumbas monumentais feitas de pedras, construídas a partir do período do Antigo Império Egípcio, em meados do milênio III a.C. Localizadas a oeste do Rio Nilo, no Egito, nordeste do continente africano, essas pirâmides foram construídas em diversos tamanhos e estruturas arquitetônicas, com o principal propósito de auxiliar na ascensão da alma do faraó para a eternidade entre os deuses.
Além disso, serviam de túmulos para a família real e de depósito de riquezas, as quais seriam levadas para o além junto de seu líder. Apesar dos milênios que decorrem desde a construção dessas imponentes estruturas, a grande maioria das pirâmides resistiu à história e ao tempo.
Não houve um único idealizador das pirâmides do Egito. Essas colossais estruturas foram sendo aperfeiçoadas com o tempo e a experiência dos maiores arquitetos da antiga civilização egípcia — os egípcios eram muito avançados em conhecimentos matemáticos. Há registros de que treze pirâmides foram erigidas apenas no período do Antigo Império (2575-2130 a.C.), de um total de mais de cem construídas durante as dinastias sucessoras.
No entanto, se há uma pessoa responsável pela “invenção” das pirâmides egípcias, seu nome é Imhotep. Reconhecido por muitos como o primeiro arquiteto registrado pela história, Imhotep, a serviço do faraó Djoser, da Terceira Dinastia do Império Antigo, foi o idealizador da primeira tumba piramidal dessa sociedade. Sua criação foi como um modelo intermediário entre as mastabas (túmulos mais primitivos) e as pirâmides de face lisa que surgiriam mais tarde.
A estrutura do monumento era formada por seis mastabas, uma em cima da outra, como se formassem grandes “degraus”, cada um deles menor que seu subjacente. Construída na região do Saqqara, próximo da antiga capital Mênfis, a pirâmide resistiu ao tempo, parcialmente, graças a restaurações.
A engenhosa criação de Imhotep serviu de inspiração para outros arquitetos egípcios proeminentes, como Nefermaat, filho do faraó Sneferu da Quarta Dinastia, a quem é atribuída a construção da Pirâmide de Sneferu, erigida provavelmente no decorrer do século XXVI a.C. Esse monumento recebeu o apelido de “Pirâmide Curvada” porque a sua base, embora sugira uma continuidade de estrutura proporcional até o topo, é abruptamente substituída por uma “curva” (que substitui o ângulo de 52° para 43°) o que lhe dá um aspecto arredondado.
Esse formato peculiar resultou possivelmente de alterações feitas de última hora no projeto do monumento, decorrente da pressa para concluí-la. Mesmo assim, sua base sólida permitiu que a estrutura resistisse praticamente intacta no decorrer dos milênios.
Não satisfeito com a conclusão dessa pirâmide, Nefermaat responsabilizou-se por outro projeto, auxiliado pelo coordenador de obras Kanefer: o da “Pirâmide Vermelha”, que recebeu este apelido posteriormente devido ao seu material de calcário avermelhado (que naquela época era revestido em calcário branco, assim como todas as outras pirâmides). Esta é considerada a primeira pirâmide de face lisa construída pelos egípcios, com o mesmo ângulo de 43 graus desde a base, até o topo.
Poucos anos depois, os egípcios erigiram o que é muitas vezes considerado o auge da arquitetura com pirâmides no Egito: as pirâmides de Gizé, que compõem as principais estruturas da Necrópole de Gizé. Por problemas documentais, alguns nomes encontrados sugerem a autoria ou participação dos já citados Nefermaat e Kanefer, e de um terceiro, Ankhhaf, em sua construção. Apesar das incertezas, os três monumentos, que ficam próximos ao Cairo, refletem o esplendor da arquitetura do Antigo Império.
Trata-se da colossal Pirâmide de Quéops, ao centro (originalmente com quase 147 metros de altura), entre as pirâmides de Quéfren (144 metros de altura) e de Miquerinos (66 metros). Todas foram erigidas no século XXVI a.C. Muitas outras estruturas sepulcrais abrangem a necrópole, como as três pequenas pirâmides logo ao sul da Pirâmide de Miquerinos, feitas possivelmente para guardar as múmias das mulheres da família real de Quéops, e a Esfinge, erigida a leste da Pirâmide de Quéfren para proteger o complexo de seu faraó.
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No auge das técnicas de construção das pirâmides do Egito, blocos de 2 a 3 toneladas, geralmente de calcário, eram extraídos das minas próximas — em alguns casos, o mesmo processo era feito com peças semiconstruídas de até 80 toneladas. Esses blocos eram transportados por trenós puxados sobre esteiras conduzidas pela areia úmida e, dependendo da distância ou do peso do material, poderiam ser levados por embarcações Rio Nilo abaixo.
Atualmente, acredita-se que o cuidadoso empilhamento das obras era feito com cordas e postes levados por rampas em espiral, instaladas interna ou externamente à estrutura — uma árdua tarefa geralmente realizada por trabalhadores livres (e não escravos, como geralmente se pensa) e constante coordenação de engenheiros e arquitetos. Após a edificação das pirâmides, elas eram revestidas de calcário branco, tornando-se lisas e brilhantes — características que se perderam com o passar dos séculos, devido ao reaproveitamento do material e às ações da natureza.
Algumas delas passaram a receber um topo à parte (o piramídio), revestido de calcário branco polido e folheado por ligas de ouro e prata, podendo ser vista de muito longe graças ao reflexo criado pela extremidade. Diz-se que em raras ocasiões, o topo de certas pirâmides, como a de Quéops, era feito de ouro maciço, porém, trate-se de uma lenda, já que não há evidências sobre isso. O fato é que todas as pirâmides, atualmente, já deixaram de possuir seus brilhantes piramídios por ocasião dos saques ocorridos no decorrer dos séculos.
De acordo com a egiptologia moderna, mais de cem pirâmides foram construídas pelos egípcios, de forma que uma parte delas não resistiu ao tempo, restando apenas suas ruínas. Listamos algumas abaixo, que estão entre as mais proeminentes da história e em termos de conservação, seguidas dos nomes de seus faraós idealizadores, suas principais características, as dinastias a que se referem e a região das construções. São elas:
As estruturas internas das pirâmides do Egito, assim como as externas, variavam bastante. Por isso, podemos tomar como exemplo a Grande Pirâmide de Quéops, que representa o ponto mais alto da arquitetura piramidal egípcia.
Assim como a maioria das pirâmides, a estrutura construída para abrigar o corpo de Quéops é acessada pela face norte, direção que, para a mitologia egípcia, significava a eternidade. A entrada é discreta e revela um corredor que desce até novos caminhos; seguindo até o seu fim, no entanto, chega-se ao nível abaixo do solo, onde se encontra a câmara subterrânea. Estima-se que a câmara tenha sido projetada para abrigar o corpo do faraó antes da conclusão da obra, mas as mudanças no projeto levaram-na a ser transferida para o centro da estrutura.
Por esse motivo, há um corredor conectado ao caminho descendente antes do limite do solo, que por sua vez, ascende até adentrar na Grande Galeria: ali, um caminho secundário leva quase ao centro da pirâmide, onde erroneamente se atribuía ser a “câmara da rainha” (cuja real função é ainda incerta); já o caminho principal, que se mantém em ascensão, sobe até a câmara do faraó, pouco mais ao sul do centro da pirâmide. Além disso, a estrutura conta com um discreto poço para os trabalhadores da sua obra e um duto cujas possibilidades poderiam ser a de ventilar a construção ou servir de caminho para os espíritos dos sepultados “saírem” da pirâmide.
Esteticamente, as pirâmides do Antigo Império não eram preenchidas com pinturas — uma atribuição mais coerente a templos, e não pirâmides. E por mais que seja tentador imaginar que essas pirâmides ainda contenham incontáveis tesouros, a probabilidade é mínima, já que era convencional acumulá-los todos na câmara do faraó, que, infelizmente, foram saqueadas no decorrer dos séculos de sua existência ou levadas a museus europeus.
Após a IV Dinastia, as pirâmides se tornaram mais simples e passaram a ter textos escritos nas paredes internas. O mito de que os caminhos das pirâmides eram formados por labirintos e armadilhas não é verificável, de forma que apenas a partir dos monumentos do Médio Império, construíram-se algumas passagens falsas para confundir saqueadores, mas sem o rigor complexo que define um labirinto.
As pirâmides do Egito podem ser encontradas principalmente ao longo da margem oeste do Baixo Rio Nilo, nas proximidades da atual capital do país, Cairo. Elas estão localizadas no interior de necrópoles como Gizé, Saqqara, Dahshur, Abusir e Meidum.
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Créditos das imagens
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Fontes
COUTO, Sérgio P.; MELO, Edgar. Pirâmides e soberanos do Egito. São Paulo: Editora Escala, 2015.
JACQ, Christian. O Egito dos grandes faraós. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.
JACQ, Christian. O mundo mágico do Egito Antigo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.
LEHNER, Mark. The Complete Pyramids: Solving the Ancient Mysteries. Londres: Thames & Hudson, 1997.
O LIVRO DA HISTÓRIA NEGRA. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2021.
SHAWN, Ian. The Oxford History of Ancient Egypt. Oxford: Oxford Press, 2002.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/historiag/a-historia-das-piramides-no-egito-antigo.htm