A subnutrição é uma condição clínica causada pelo consumo insuficiente de nutrientes e calorias, o que impede o corpo de atender às suas necessidades energéticas. Esse déficit nutricional prolongado prejudica o sistema imunológico e afeta o desenvolvimento físico e cognitivo, com impactos mais severos nas crianças. A condição tem relação direta com a insegurança alimentar, além de fatores sociais, econômicos e climáticos, que dificultam o acesso regular a alimentos de qualidade.
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A subnutrição é uma condição clínica causada pelo consumo insuficiente de nutrientes, ou seja, por uma alimentação que não fornece calorias suficientes para atender às necessidades energéticas do corpo ou é deficiente em nutrientes como proteínas, vitaminas e minerais.
A insuficiência nutricional da alimentação está relacionada tanto à quantidade quanto à qualidade dos alimentos. Durante um período prolongado, esse déficit leva à subnutrição. O corpo é afetado pela falta de nutrientes, o que causa o mau funcionamento do sistema imunológico e afeta negativamente o desenvolvimento físico e cognitivo, principalmente nas crianças.
A subnutrição também está relacionada à segurança alimentar e à vulnerabilidade socioeconômica e climática. Isso significa que regiões com altos índices de pobreza e sujeitas à seca prolongada e a catástrofes naturais, por exemplo, tendem a registrar maiores taxas de subnutrição nas populações.
A desnutrição é termo amplo que é utilizado para descrever qualquer desequilíbrio nutricional que prejudica a saúde. Isso inclui deficiências de calorias, proteínas, vitaminas e minerais.
Já a subnutrição é uma forma específica de desnutrição, caracterizada pela deficiência de nutrientes e energia. Um corpo subnutrido não possui energia para se desenvolver e funcionar adequadamente.
Por exemplo, uma pessoa que possui deficiência de vitamina D em sua dieta, sem prejuízo de ingestão de calorias, estaria desnutrida, mas não subnutrida. Já uma pessoa que não consome calorias suficientes, de forma que falta ao seu corpo energia para os processos normais do organismo, estaria desnutrida e, mais especificamente, subnutrida.
Um outro termo utilizado para condições relacionadas a desequilíbrio nutricional é malnutrição. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define malnutrição como um desequilíbrio no consumo de energia e/ou nutrientes de uma pessoa. Isso inclui a desnutrição, a subnutrição, deficiências de vitaminas ou sais minerais, sobrepeso e obesidade.
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A subnutrição pode ser causada por diferentes fatores interligados que afetam a alimentação, por isso é considerada uma condição multifatorial. Fatores sociais, econômicos, ambientais e de saúde estão relacionados ao desenvolvimento de subnutrição em uma pessoa ou uma população.
A insegurança alimentar é considerada uma das principais causas e diz respeito à falta de acesso regular a alimentos suficientes e nutritivos. A insegurança alimentar é avaliada nos núcleos familiares e é classificada em três níveis pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA):
As causas da insegurança alimentar estão ligadas à pobreza, desemprego, preços elevados dos alimentos e desigualdade social. Além disso, regiões que sofrem com conflitos armados, choques climáticos extremos (como seca, inundações etc.) e crises econômicas são os principais afetados pela insegurança alimentar.
A subnutrição também ser causada por doenças que afetam a absorção de nutrientes, como doenças crônicas, infecções e distúrbios gastrointestinais. Em crianças, diarreia e pneumonia são causas comuns de subnutrição associadas à capacidade de absorção de nutrientes, mesmo que a disponibilidade alimentar seja segura.
Os sintomas da subnutrição envolvem manifestações físicas e funcionais que podem variar conforme a gravidade e a duração da deficiência nutricional.
A subnutrição infantil representa um dos maiores desafios de saúde pública global, pois possui consequências graves principalmente durante os primeiros anos de vida. No contexto mundial, quase metade das mortes em crianças menores de 5 anos está ligada à subnutrição.
Os efeitos da subnutrição infantil são graves, porque a nutrição adequada nos primeiros anos é essencial para o desenvolvimento físico e cognitivo. Crianças subnutridas apresentam atraso de crescimento, perda de peso e de massa muscular, sistema imunológico comprometido e vulnerabilidade aumentada a doenças com risco de morte, como diarreia e pneumonia.
A subnutrição infantil pode prejudicar de maneira irreversível o desenvolvimento cerebral, causando prejuízos à memória, dificuldades de concentração e redução do potencial intelectual.
No Brasil, a insegurança alimentar está frequentemente associada à vulnerabilidade social e às mudanças sociais que interferem no consumo alimentar. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstraram uma melhora no cenário da insegurança alimentar no país.
Em 2024, 75,8% dos lares brasileiros viviam em situação de segurança alimentar. A insegurança alimentar total (soma dos níveis leve, moderado e grave) caiu de 27,6% em 2023 para 24,2% em 2024. Apesar da melhora, a subnutrição continua sendo um problema, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, que historicamente apresentam os maiores índices de insegurança alimentar.
Dados do Ministério da Saúde também indicam que a desnutrição afeta desproporcionalmente crianças negras e indígenas, refletindo desigualdades sociais estruturais.
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As consequências da subnutrição podem ser duradouras, principalmente quando afeta crianças. É considerada a causa de 45% das mortes de crianças de zero a cinco anos em todo o mundo. A falta de nutrientes essenciais leva a uma série de doenças crônicas, incluindo anemia, problemas gastrointestinais, diabetes e hipertensão.
Além dos impactos na saúde, a subnutrição causa danos irreversíveis ao desenvolvimento cerebral, resultando em dificuldades de aprendizado e baixo desempenho escolar. Economicamente, a subnutrição perpetua um ciclo de pobreza, pois adultos que sofreram com a condição na infância tendem a ter menor produtividade e renda ao longo da vida.
A problemática da subnutrição vai além da saúde individual, afetando a estabilidade global. A condição de insegurança alimentar tem influência direta na saúde da população, levando a carências nutricionais e aumento de doenças. Além disso, a falta de acesso à alimentação causa o deslocamento forçado de populações, gerando instabilidade, que pode se espalhar por países e regiões inteiras.
A nível global, estima-se que centenas de milhões de pessoas enfrentam níveis agudos de insegurança alimentar, o que representa uma grave ameaça à vida e aos meios de subsistência. Considerando a saúde, as principais consequências da subnutrição são:
Por ser de causa multifatorial, a subnutrição exige combate com uma abordagem também multifacetada. Esse combate tem como foco melhorar a disponibilidade e a estabilidade do acesso a alimentos para as populações vulneráveis.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA), por exemplo, oferece assistência imediata em emergências (conflitos armados, catástrofes naturais), distribuindo alimentos para populações vulneráveis.
De forma local, estratégias para o combate à subnutrição incluem o apoio a pequenos agricultores com treinamento e seguro climático, fornecimento de subsídio financeiro em regiões afetadas por desastres naturais e a melhoria de infraestruturas locais, como pontes, para facilitar o acesso aos mercados. A educação nutricional e o fornecimento de combustíveis eficientes para o preparo adequado dos alimentos também são estratégias essenciais para garantir o aproveitamento máximo dos alimentos.
No Brasil, para combater esse cenário, existe a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), aprovada em 1999, que busca respeitar, proteger e promover os direitos humanos à saúde e à alimentação, integrando a segurança alimentar na construção de políticas públicas e na Atenção Primária à Saúde.
Assim, o combate à subnutrição exige uma abordagem integrada, envolvendo políticas públicas, ações de saúde e iniciativas globais. Isso aparece nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que visam erradicar a fome e todas as formas de malnutrição até 2030.
Fontes
BHUPATHIRAJU, Shilpa N.; HU, Frank. Desnutrição. Manual MSD Versão Saúde para a Família. Out. 2023. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/distúrbios-nutricionais/desnutrição/desnutrição.
BRASIL. Ministério da Saúde. Desnutrição. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/nutrisus/desnutricao.
MURÇA, Giovana. Subnutrição: entenda o que é e como combatê-la. Pacto Contra a Fome, 5 nov. 2024. Disponível em: https://pactocontrafome.org/subnutricao/.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Malnutrition. Genebra: WHO, 2024. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/malnutrition.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/doencas/subnutricao.htm