Futuro do pretérito do indicativo

O futuro do pretérito do indicativo é um tempo verbal. Ele aponta um fato futuro em relação a uma ação passada. Esse tempo verbal apresenta as desinências “-ria” ou “-rie”.

Futuro do pretérito do indicativo é um tempo verbal que indica uma ação futura em relação a um fato passado. Em sua forma regular e irregular, é formado com as desinências “-ria” ou “-rie”: “falaria”, “falaríeis”, “faria”, “faríeis” etc. Já o futuro do presente do indicativo indica ação futura em relação a um fato atual.

O futuro do pretérito composto é formado pelo verbo auxiliar “ter” ou “haver”, no futuro do pretérito simples, mais o verbo principal no particípio: “teria falado”, “haveria feito” etc.

Leia também: Quais são os tempos verbais?

Resumo sobre o futuro do pretérito do indicativo

  • O futuro do pretérito do indicativo é um tempo verbal que expressa:
    • acontecimento futuro em relação a um fato passado: “Nós prometemos que dormiríamos mais”;
    • incerteza em relação a um fato passado: “Ontem, haveria talvez nove ou dez pacientes atrasados”;
    • hipótese relacionada a uma condição: “Se comprasse um robô aspirador, minha casa ficaria mais limpa”;
    • pedido educado: “Eu gostaria de ficar sozinha”;
    • ironia: “Daria para ser menos desagradável?”.
  • Verbos regulares e irregulares no futuro do pretérito do indicativo recebem as desinências “-ria” ou “-rie”: “amaria”, “amaríeis”, “saberia”, “saberíeis” etc.
  • O futuro do pretérito composto é formado pelo verbo auxiliar “ter” ou “haver”, no futuro do pretérito simples, mais o verbo principal no particípio: “teria feito”, “haveria feito” etc.
  • O futuro do pretérito composto expressa:
    • dúvida em relação a um fato passado: “Ela teria viajado no ano passado”;
    • hipótese em relação a uma condição expressa por verbo no pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo: “Se eu houvesse errado, ela já teria telefonado”.

O que é o futuro do pretérito do indicativo?

O futuro do pretérito do indicativo é um tempo verbal. O termo “pretérito” é sinônimo do termo “passado”, pois ambos têm o mesmo significado. Portanto, o futuro do pretérito é o futuro do passado, pois indica um fato futuro em relação a um fato passado.

Por exemplo:

Ele disse que faria um testamento.

Note que o verbo “disse” está no passado, já o verbo “faria” indica acontecimento futuro em relação a esse fato passado. O verbo é uma palavra que expressa ação, estado ou fenômeno natural. No caso, “dizer” e “fazer” são ações. Já o modo indicativo expressa uma atitude de certeza do enunciador (aquele que exprime a mensagem).

Então, para você identificar o futuro do pretérito do indicativo, você precisa conhecer os tempos verbais e as características do modo indicativo. É essencial que você localize o verbo no pretérito (passado) e veja se outro verbo do enunciado indica uma ação futura:

Eu decidi que viajaria em outubro.

Marta afirmou que chegaria cedo à escola.

Nós prometemos que seríamos fiéis a nossas ideias.

Observe que os atos de decidir, afirmar e prometer são certos, não expressam dúvida. O complemento desses verbos apontam um fato futuro, ou seja, algo que vai acontecer após a enunciação dessas frases: viajar, chegar e ser.

Portanto, o principal uso do futuro do pretérito do indicativo é apontar um fato futuro em relação a um fato passado. No entanto, ele também pode ser usado para expressar incerteza em relação a um fato passado. Isso pode parecer contraditório, já que é um tempo do modo indicativo, mas cada língua tem suas peculiaridades.

Veja estes exemplos:

Naquele dia, haveria talvez uns cinco imigrantes feridos.

Eu teria uns cinco anos quando falei pela primeira vez.

É também possível utilizar esse tempo verbal para indicar uma hipótese associada a uma condição:

Se me abandonasse, isso seria insuportável.

Ela faria melhor, se soubesse que estava sendo avaliada.

Eu também posso utilizar esse tempo verbal para fazer um pedido, com polidez:

Eu gostaria de sair agora, por favor.

Ou expressar ironia:

Daria para ser menos barulhento?

Exemplos de futuro do pretérito do indicativo

VERBO

FUTURO DO PRETÉRITO DO INDICATIVO

 

 

 

TRABALHAR

Eu trabalharia

Tu trabalharias

Ele ou ela trabalharia

Nós trabalharíamos

Vós trabalharíeis

Eles ou elas trabalhariam

 

 

 

CONHECER

Eu conheceria

Tu conhecerias

Ele ou ela conheceria

Nós conheceríamos

Vós conheceríeis

Eles ou elas conheceriam

 

 

EXISTIR

Eu existiria

Tu existirias

Ele ou ela existiria

Nós existiríamos

Vós existiríeis

Eles ou elas existiriam

 

 

CONTER

Eu conteria

Tu conterias

Ele ou ela conteria

Nós conteríamos

Vós conteríeis

Eles ou elas conteriam

 

 

SUPOR

Eu suporia

Tu suporias

Ele ou ela suporia

Nós suporíamos

Vós suporíeis

Eles ou elas suporiam

 

 

VIR

Eu viria

Tu virias

Ele ou ela viria

Nós viríamos

Vós viríeis

Eles ou elas viriam

Futuro do pretérito composto

O futuro do pretérito composto é formado pelo verbo auxiliar “ter” ou “haver” (conjugado no futuro do pretérito simples) mais o verbo principal no particípio (quando regular, apresenta terminações “-ado” ou “-ido”).

Veja, por exemplo, o futuro do pretérito composto com o verbo principal “comprar”:

“Eu teria comprado” ou “Eu haveria comprado”.

“Tu terias comprado” ou “Tu haverias comprado”.

“Ele ou ela teria comprado” ou “Ele ou ela haveria comprado”.

“Nós teríamos comprado” ou “Nós haveríamos comprado”.

“Vós teríeis comprado” ou “Vós haveríeis comprado”.

“Eles ou elas teriam comprado” ou “Eles ou ela haveriam comprado”.

Agora, observe o futuro do pretérito composto com o verbo principal “colidir”:

“Eu teria colidido” ou “Eu haveria colidido”.

“Tu terias colidido” ou “Tu haverias colidido”

“Ele ou ela teria colidido” ou “Ele ou ela haveria colidido”.

“Nós teríamos colidido” ou “Nós haveríamos colidido”.

“Vós teríeis colidido” ou “Vós haveríeis colidido”.

“Eles ou elas teriam colidido” ou “Eles ou ela haveriam colidido”.

Você deve usar o futuro do pretérito composto para expressar dúvida acerca de uma ação passada:

Eles teriam sido contaminados no mês passado?

Júlio e Roger haveriam feito um testamento antes da tragédia?

Esse tempo também aponta uma hipótese, associada a uma condição expressa no pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo:

Se Juliano tivesse embarcado, ele já teria chegado lá.

Alda haveria concluído o trabalho se você houvesse dado as instruções corretas.

Leia também: Quais são os tempos verbais compostos?

Conjugação do futuro do pretérito

O verbo regular é aquele que segue um padrão de conjugação. Isso quer dizer que, para conjugar verbos semelhantes, você só precisa repetir o padrão. Por exemplo, o verbo “achar”, no futuro do pretérito, é “eu acharia”. Assim, o verbo “cantar” (tem a mesma terminação de “andar”), no futuro do pretérito, fica “eu andaria”.

Então, para conjugar um verbo regular no futuro do pretérito, você deve acrescentar, após o radical (elemento principal de uma palavra) ou o tema (radical mais vogal “a”, “e” ou “i”), uma das seguintes terminações: “-ria” ou “-rie”. Assim, no verbo “acharia”, temos o radical “ach-”, o tema “acha-” e a desinência modo-temporal “-ria”. Essa desinência é a parte final do verbo e indica modo indicativo e tempo futuro do pretérito.

Veja, a seguir, a conjugação de três desses verbos no futuro do pretérito do indicativo.

FUTURO DO PRETÉRITO DO INDICATIVO

PRIMEIRA CONJUGAÇÃO

SEGUNDA CONJUGAÇÃO

TERCEIRA CONJUGAÇÃO

ANDAR

VENDER

CONSUMIR

Eu andaria

Tu andarias

Ele ou ela andaria

Nós andaríamos

Vós andaríeis

Eles ou elas andariam

Eu venderia

Tu venderias

Ele ou ela venderia

Nós venderíamos

Vós venderíeis

Eles ou elas venderiam

Eu consumiria

Tu consumirias

Ele ou ela consumiria

Nós consumiríamos

Vós consumiríeis

Eles ou elas consumiriam

Assim, na segunda pessoa do plural “vós”, a desinência indicadora de futuro do pretérito do indicativo é “-rie”. Porém, nas outras pessoas verbais (eu, tu, ele ou ela, nós, eles ou elas), a desinência é “-ria”. Lembre que a desinência é a parte final do verbo conjugado.

Já as desinências “-s”, “-mos”, “-is” e “-m” são desinências número-pessoais. Elas apontam a pessoa e o número (singular ou plural): “-s” (segunda pessoa do singular), “-mos” (primeira pessoa do plural), “-is” (segunda pessoa do plural) e “-m” (terceira pessoa do plural).

Os verbos irregulares (aqueles que não seguem um padrão de conjugação), no futuro do pretérito, apresentam a mesma terminação “-ria” ou “-rie”. Veja, por exemplo, a conjugação do verbo “fazer”, no futuro do pretérito do indicativo:

Eu faria

Tu farias

Ele ou ela faria

Nós faríamos

Vós faríeis

Eles ou elas fariam

Note que a irregularidade desse verbo está no radical “faz-”, já que ele não se mantém no futuro do pretérito do indicativo, pois o “z” é eliminado. O mesmo ocorre com o verbo “dizer”:

Eu diria

Tu dirias

Ele ou ela diria

Nós diríamos

Vós diríeis

Eles ou elas diriam

Futuro do pretérito e futuro do presente

Eu já disse para você que o futuro do pretérito é o futuro do passado, ou seja, ele aponta um fato futuro em relação a um fato passado, como, por exemplo, observamos na frase:

Ontem, ele disse que faria o almoço.

Note que o verbo “faria” indica uma ação futura em relação a uma ação passada, isto é, o ato de dizer. Afinal, “ele disse” ontem que, no futuro, “faria o almoço”. Isso também ocorre nestes enunciados:

Quando meu filho era criança, eu tinha certeza de que ele seguiria meus bons conselhos.

Mesmo com a tragédia que ocorreu, Fábio continuaria a sorrir naquele ano.

Eu sabia que Lucas me esperaria e nunca seria infiel.

Já o futuro do presente do indicativo, como o próprio nome sugere, aponta um fato futuro em relação a um fato presente, como, por exemplo, notamos na frase:

Estou dizendo que farei o almoço.

Observe que o verbo “farei” indica uma ação futura em relação a uma ação presente, isto é, o ato de dizer. Afinal, “estou dizendo” (no presente, agora) que, no futuro, “farei o almoço”. Isso também ocorre nestes enunciados:

Meu filho é uma criança, e tenho certeza de que ele seguirá meus bons conselhos.

Mesmo com a tragédia que acaba de ocorrer, sei que Fábio continuará a sorrir.

Eu sei que Lucas me esperará e nunca será infiel.

Além disso, o futuro do presente também pode ser usado para dar ordem:

Não matarás!

Você viajará comigo.

Assim como o futuro do pretérito, o futuro do presente também pode indicar dúvida, mas em relação ao presente:

Será ela ganhadora do prêmio?

Jorge terá vinte anos agora.

Relacionado ao futuro do subjuntivo (do qual falarei no próximo tópico), também pode indicar possibilidade:

Se não tiver objeções, comprarei a casa.

Trabalharei melhor, se você fizer silêncio.

Por fim, para conjugar um verbo regular no futuro do presente do indicativo, você precisa acrescentar, após o radical ou o tema, uma destas terminações: “-ra” ou “-re”. Então, no verbo “andarei”, temos o radical “and-”, o tema “anda-” e a desinência modo-temporal “-re”. Tal desinência aponta o modo indicativo e o tempo futuro do presente.

Veja, abaixo, a conjugação de três verbos no futuro do presente do indicativo.

FUTURO DO PRESENTE DO INDICATIVO

PRIMEIRA CONJUGAÇÃO

SEGUNDA CONJUGAÇÃO

TERCEIRA CONJUGAÇÃO

ANDAR

VENDER

CONSUMIR

Eu andarei

Tu andas

Ele ou ela anda

Nós andaremos

Vós andareis

Eles ou elas andao

Eu venderei

Tu vendes

Ele ou ela vende

Nós venderemos

Vós vendereis

Eles ou elas vendeo

Eu consumirei

Tu consumis

Ele ou ela consumi

Nós consumiremos

Vós consumireis

Eles ou elas consumio

Os verbos irregulares, no futuro do presente, também apresentam a terminação “-ra” ou “-re”. Observe a conjugação do verbo “fazer”, no futuro do presente do indicativo:

Eu farei

Tu fas

Ele ou ela fa

Nós faremos

Vós fareis

Eles ou elas fao

Como mencionei no tópico anterior, a irregularidade desse verbo está no radical “faz-”, pois ele não se mantém no futuro do presente do indicativo, já que o “z” é eliminado. O mesmo ocorre com o verbo “dizer”:

Eu direi

Tu dis

Ele ou ela di

Nós diremos

Vós direis

Eles ou elas dio

Já as desinências “-i”, “-s”, “-mos”, “-is” e “-o” são número-pessoais. Portanto, “-i” e “-s” indicam a primeira e segunda pessoas do singular, enquanto “-mos”, “-is” e “-o” apontam a primeira, segunda e terceira pessoas do plural.

Futuro do subjuntivo

Você deve usar o futuro do subjuntivo para expressar um fato futuro já concluído em relação a outro fato futuro, sempre associado à ideia de possibilidade ou condição:

Quando ela alugar a casa, aceitaremos sua ajuda financeira.

Note que “aceitaremos” a ajuda depois que “ela alugar a casa”. Portanto, a ação de alugar a casa deve estar concluída quando aceitarem a ajuda.

Veja outros exemplos:

Aquele que fizer todas as questões, ganhará um ponto extra.

Se você olhar para fora, verá uma linda flor.

Já o futuro do subjuntivo composto é usado da mesma forma que o tempo simples, isto é, para expressar um fato futuro já concluído em relação a outro fato futuro, sempre associado à ideia de possibilidade ou condição:

Quando houverem feito todas as questões, ganharão um ponto extra.

Você verá uma linda flor depois que tiver olhado para fora.

Para conjugar um verbo regular no futuro do subjuntivo, você deve acrescentar, após o radical ou o tema, as terminações “-r” ou “-re”. Portanto, no verbo “andares”, temos o radical “and-”, o tema “anda-” e a desinência modo-temporal “-re”. Tal desinência aponta o modo subjuntivo e o tempo futuro.

Observe, no quadro abaixo, a conjugação de três verbos no futuro do subjuntivo.

FUTURO DO SUBJUNTIVO

PRIMEIRA CONJUGAÇÃO

SEGUNDA CONJUGAÇÃO

TERCEIRA CONJUGAÇÃO

ANDAR

VENDER

CONSUMIR

Eu andar

Tu andares

Ele ou ela andar

Nós andarmos

Vós andardes

Eles ou elas andarem

Eu vender

Tu venderes

Ele ou ela vender

Nós vendermos

Vós venderdes

Eles ou elas venderem

Eu consumir

Tu consumires

Ele ou ela consumir

Nós consumirmos

Vós consumirdes

Eles ou elas consumirem

Os verbos irregulares, no futuro do subjuntivo, também apresentam as terminações “-r” ou “-er”. Veja a conjugação do verbo “fazer”, no futuro do presente do indicativo:

Eu fizer

Tu fizeres

Ele ou ela fizer

Nós fizermos

Vós fizerdes

Eles ou elas fizerem

A irregularidade desse verbo está no radical “faz-”, pois ele não se mantém no futuro do subjuntivo, já que o “a” é trocado por “i”. Já o verbo “dizer”, cujo radical é “diz-”, tem o “z” substituído por “ss” durante a conjugação:

Eu disser

Tu disseres

Ele ou ela disser

Nós dissermos

Vós disserdes

Eles ou elas disserem

Por fim, as desinências “-s”, “-mos”, “-des” e “-m” são número-pessoais. Portanto, “-s” indica a segunda pessoa do singular, enquanto “-mos”, “-des” e “-m” apontam a primeira, segunda e terceira pessoas do plural.

Leia também: Pretérito imperfeito — como conjugar os verbos nesse tempo verbal?

Exercícios sobre futuro do pretérito do indicativo

Questão 1 (Unimontes) [modificada]

A flor no asfalto
Otto Lara Resende

Conheço essa estrada genocida, o começo da Rio-Petrópolis. Duvido que se encontre um trecho rodoviário ou urbano mais assassino do que esse. São tantos os acidentes que já nem se abre inquérito. Quem atravessa a avenida Brasil fora da passarela quer morrer. Se morre, ninguém liga. Aparece aquela velinha acesa, o corpo é coberto por uma folha de jornal e pronto. Não se fala mais nisso.

Teria sido o destino de d. Creusa, se não levasse nas entranhas a própria vida. Na pista que vem para o Rio, a vinte metros da passarela de pedestres, d. Creusa foi apanhada por uma Kombi. O motorista tentou parar e não conseguiu. Em seguida veio outro carro, um Apolo, e sobreveio o segundo atropelamento. A mesma vítima. Ferida, o ventre aberto pelas ferragens, deu-se aí o milagre.

[...]

Do livro Bom dia para nascer, crônicas — Companhia das Letras, 1993.

Na primeira oração do período “Teria sido o destino de d. Creusa, se não levasse nas entranhas a própria vida”, o verbo, no futuro do pretérito, exprime um fato

A) certo.

B) hipotético.

C) presente.

D) improvável.

Resolução:

Alternativa B.

O uso de “teria sido” (futuro do pretérito composto), na crônica, expressa um fato hipotético, ou seja, o cronista faz uma suposição acerca de um possível destino para d. Creusa.

Questão 2 (Unimontes)

As três experiências

Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O “amar os outros” é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.

E nasci para escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo. Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por que foi esta que eu segui. Talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que, para escrever, o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E no entanto cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estreia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.

Quanto a meus filhos, o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Meus dois filhos foram gerados voluntariamente. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias, eu lhes dou o que é possível dar. Se eu não fosse mãe, seria sozinha no mundo. Mas tenho uma descendência e para eles no futuro eu preparo meu nome dia a dia. Sei que um dia abrirão

as asas para o voo necessário, e eu ficarei sozinha. É fatal, porque a gente não cria os filhos para a gente, nós os criamos para eles mesmos. Quando eu ficar sozinha estarei cumprindo o destino de todas as mulheres [...].

LISPECTOR, Clarice. Crônicas para jovens. Rio de Janeiro: Rocco, 2010. Adaptado.

Quando o assunto é tempo e modo verbais, há, no português contemporâneo, formas equivalentes ao futuro do pretérito e ao futuro do presente. Vejamos:

a) Futuro do pretérito: quanto ao tempo verbal pretérito imperfeito do modo indicativo, ainda encontramos, comumente, em linguagem corrente, o seu uso com valor de futuro do pretérito do indicativo, em casos como:

“Se eu tivesse dinheiro, comprava aquele vestido.”

Disponível em: http://educacao.globo.com/portugues/assunto/usos-da-lingua/tempos-e-modos-verbais.html. Acesso em: 20 set. 2019. Adaptado.

b) Futuro do presente: corresponde à nossa própria intuição do que seja o futuro, ou seja, aquilo que está por vir, seja como expectativa, torcida, desejo. Possui três formas alternantes no português atual, por exemplo:

“Estudará” (cada vez mais restrita a contextos formais);

“Vai estudar” (de uso crescentemente aceito, mesmo em contextos não excessivamente formais);

“Irá estudar” (que equivale a uma ênfase da última forma).

Disponível em: http://educacao.globo.com/portugues/assunto/usos-da-lingua/tempos-e-modos-verbais.html. Acesso em: 20 set. 2019. Adaptado.

Acerca dessas possibilidades de substituição de tempos verbais mencionados, assinale a alternativa INCORRETA.

A) “Se eu não fosse mãe, seria sozinha no mundo.” Se eu não fosse mãe, era sozinha no mundo.

B) “[...] cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez.” Cada vez que escreverei é como se fosse a primeira vez.

C) “Talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado [...]” Talvez porque para as outras vocações eu precisava de um longo aprendizado.

D) “Sei que um dia abrirão as asas para o voo necessário [...]” Sei que um dia vão abrir as asas para o voo necessário.

Resolução:

Alternativa B.

Segundo o enunciado, o futuro do pretérito pode ser substituído pelo pretérito imperfeito do modo indicativo. Já o futuro do presente pode ser substituído pelas formas: “ir  no presente do indicativo + verbo no infinitivo” ou “ir no futuro do presente + verbo no infinitivo”. Isso só não ocorre na alternativa B, já que a expressão “vou escrever” foi substituída por “escreverei” e não o contrário. Até porque, na frase, “vou escrever” indica um futuro próximo, marcado pela presença de “é”: “cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez”. Assim, a substituição adequada poderia ser, com verbo no futuro do subjuntivo: “cada vez que eu escrever, será como se fosse a primeira vez”.

Fontes

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2024.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da língua portuguesa. 3. ed. São Paulo: Scipione, 2008.

NICOLA, José de; INFANTE, Ulisses. Gramática contemporânea da língua portuguesa. 15. ed. São Paulo: Scipione, 1999. 


Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/futuro-do-preterito-do-indicativo.htm