Artemis II foi uma missão tripulada da Nasa que teve como objetivo testar a espaçonave Orion em conjunto com os procedimentos necessários a serem adotados em meio a uma viagem de longa distância, que marcou o retorno do ser humano à Lua. A Artemis II, no entanto, foi uma missão de sobrevoo, o que significa que não aconteceu nenhum pouso na superfície lunar. Ela pode ser entendida como uma missão de preparo para a Artemis III, prevista para o ano de 2027.
Depois de ter sido adiada, a Artemis II foi lançada em 1º de abril de 2026, e teve duração exata de nove dias. Quatro profissionais integraram o seleto grupo de apenas quatro tripulantes da Artemis II, grupo esse formado por três estadunidenses e por um canadense. O sucesso comprovado dessa missão foi de extrema importância para assegurar a capacidade dos seres humanos de retornarem à Lua de forma segura depois de mais de meio século, além de viabilizar a realização de missões de permanência na superfície lunar e, também, de voos ainda mais distantes no espaço profundo.
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A missão Artemis II foi uma missão espacial conduzida pela Nasa que visou realizar novos testes no sistema operacional da espaçonave Orion, em um sobrevoo na Lua e nas regiões próximas a ela. A Nasa é a agência espacial dos Estados Unidos, e sua sigla corresponde a National Aeronautics and Space Administration (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço).
Essa foi uma missão com uma tripulação de quatro pessoas, sendo a primeira vez que o ser humano retornou para perto do satélite natural e saiu da órbita baixa do planeta Terra em mais de meio século. Inclusive, a Artemis II bateu o recorte da missão Apollo 13, realizada em 1970, tornando-se a missão tripulada que alcançou a maior distância do planeta Terra: 406.771 quilômetros. Diante do sucesso da missão Artemis II, ela, agora, abriu espaço para a concretização da missão Artemis III, quando, de fato, astronautas pousarão pela segunda vez na superfície lunar.
O principal objetivo da Artemis II foi promover testes no sistema operacional da nave Orion e do superfoguete lunar chamado Sistema de Lançamento Espacial (SLS, na sigla em inglês). Além dos equipamentos, os astronautas selecionados colocaram à prova diversas operações que são fundamentais para a execução de um pouso seguro, o que deverá ser feito somente em um futuro não muito distante. Isso porque a Artemis II foi uma missão de sobrevoo, não tendo ocorrido nenhum tipo de descida na superfície lunar, esperada para acontecer apenas na Artemis III.
Assim sendo, e conforme esquematizado em artigo|1| do portal Space.com, a missão da Nasa avaliou quatro pontos principais:
Para que isso fosse possível, a Orion avançou 6.545 quilômetros além da órbita lunar e realizou um movimento de retorno para dar uma volta no satélite, tendo passando, inclusive, pelo famoso lado oculto da Lua, e, então, seguiu seu caminho de volta para o planeta Terra. Aliás, a missão dependeu exclusivamente do campo gravitacional Terra-Lua para alcançar a superfície terrestre novamente, o que significa que o retorno não necessitou de propulsão dos motores. Por isso, a Nasa classificou essa como uma missão eficiente em termos de economia de combustível.
A realização do trajeto descrito acima é o que comprovou a capacidade dos equipamentos de não apenas conduzirem os astronautas até a Lua novamente, como, também, de mantê-los em segurança no espaço profundo, em uma região que está mais afastada da órbita mais próxima da Terra.
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A Artemis II aconteceu na primeira quinzena de abril de 2026, entre os dias 1º e 10. A missão partiu do Kennedy Space Center, na Flórida (EUA), no dia 1º do mês, tendo retornado para a Terra após 9 dias, 1 hora e 32 minutos, de acordo com informações da Nasa.
A Artemis II foi uma missão com quatro tripulantes, sendo três selecionados pela Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, e um selecionado pela CSA. A CSA é a agência espacial do Canadá, e sua sigla corresponde a Canadian Space Agency (Agência Espacial Canadense). Apresentamos cada um deles na tabela abaixo, apontando as suas respectivas funções nessa importante missão espacial.
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Tripulação da Artemis II |
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Foto |
Tripulante |
Função na Artemis II |
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Reid Wiseman, astronauta da Nasa e ex-piloto da Marinha dos Estados Unidos. |
Comandante |
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Victor Glover, astronauta da Nasa e ex-piloto da Marinha dos Estados Unidos. Já atuou como piloto em missão da Space-X. Foi a primeira pessoa negra a viajar até a Lua. |
Piloto |
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Christina Hammock Koch, astronauta da Nasa. É engenheira e detentora do recorde de mulher a permanecer por maior tempo em voo espacial individual contínuo por ter permanecido 328 dias na Estação Espacial Internacional. Participou de três caminhadas espaciais promovidas pela Nasa. |
Especialista de missão |
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Jeremy R. Hansen, astronauta da CSA. É Coronel da Força Aérea Real Canadense, sendo o primeiro de seu país a realizar um voo para a Lua. |
Especialista de missão |
A missão Artemis II representou um marco histórico na exploração espacial com a volta do ser humano para a Lua. Embora não tenha pousado na superfície lunar, a Artemis II foi muito bem-sucedida no teste das tecnologias disponíveis para as viagens tripuladas ao espaço profundo, incluindo a trajetória de retorno e reentrada na atmosfera terrestre.
Em termos técnicos, os sistemas de propulsão funcionaram como o esperado pelos engenheiros, e não foi preciso nenhum tipo de correção de trajetória durante o seu movimento ascendente, embora tais correções teriam sido normais e esperadas. No segundo dia de missão, o motor principal foi brevemente acionado, e também obteve os resultados esperados pela equipe que estava acompanhando em terra.
Todo o primeiro dia de missão transcorreu ainda na órbita terrestre, o que rendeu as primeiras imagens do nosso planeta que foram capturadas pela equipe de astronautas da Artemis II. A partir do segundo dia, quando o motor principal foi ativado, a Orion deixou o espaço de influência da Terra e seguiu em direção à Lua.
Alguns problemas operacionais internos aconteceram, mas nenhum deles que pudesse oferecer risco à tripulação ou colocar em cheque a missão, como falhas no banheiro da cápsula e problemas de conexão com sistemas de comunicação. O mais importante foi a comprovação de que as tecnologias presentes na Orion, como o de remoção de dióxido de carbono provenientes do processo de respiração e, principalmente, seu sistema de propulsão, se mostraram seguros para novas viagens tripuladas para a Lua.
No sexto dia de missão, a Artemis II alcançou a distância máxima que os seres humanos já chegaram do planeta Terra, superando o recorde anterior, que era da missão Apolo 13. A partir de então, a Orion contornou a Lua e conseguiu passar pelo lado oculto, que consiste na face oposta àquela que conseguimos observar da superfície terrestre. Durante esse trajeto, houve uma interrupção de contato com a Nasa por cerca de 45 minutos. Os tripulantes conseguiram capturar fotos detalhadas do lado oculto da Lua, as quais exibem crateras de impacto de meteoritos e feições de relevo que serão objeto de estudo nos próximos anos.
Após dar a volta no satélite natural da Terra, a Orion começou o seu trajeto de retorno para o planeta. Iniciava-se o que muitos classificaram como o período mais tenso da missão, que era o de preparação para a reentrada na atmosfera terrestre. A alta velocidade da cápsula, que era de quase 40 mil km/h, somada com a interação do metal com os gases em suspensão no entorno do planeta geram a combustão, o que exige um escudo térmico eficiente para proteger os astronautas. A reentrada foi bem-sucedida, e a Orion fez o seu pouso final em segurança nas águas do oceano Pacífico no final da tarde do dia 10 de abril de 2026.
A Artemis I foi a primeira de um conjunto de missões da Nasa que tem como objetivo fazer com que o ser humano pise novamente na Lua e dê continuidade aos estudos do satélite natural da terra, motivo pelo qual tem sido descrita como a sucessora direta do Programa Apollo|2|, responsável pelo primeiro pouso de uma missão tripulada na superfície lunar.
Sem nenhuma tripulação, a Artemis I ficou marcada pelo lançamento da espaçonave Orion e do SLS pela primeira vez. A Orion conseguiu viajar a uma distância de 432 mil quilômetros além da órbita terrestre, maior do que aquela alcançada na Apollo 13, segundo informações da Nasa. O lançamento aconteceu no dia 16 de novembro de 2022.
Mesmo sem tripulação, foram colocados manequins no módulo de tripulação da Orion para avaliar parâmetros de temperatura, de radiação, de aceleração e de vibração, de maneira a avaliar a capacidade dos equipamentos e da espaçonave de carregar os astronautas e de realizar percursos de longa duração no espaço profundo com eles. As variações estavam sendo monitoradas por meio de sensores que foram instalados nas roupas desses manequins.
Outro teste que foi fundamental para o sucesso da Artemis I foi o retorno para a superfície terrestre a uma velocidade de 38.000 km/h, ultrapassando o escudo térmico com temperaturas de 3.000º C. A Orion retornou para a Terra no dia 11 de dezembro de 2022, depois de 25,5 dias de missão.
Notas
|1| TINGLEY, Brett. NASA's Artemis 2 mission: Everything you need to know. Space, 19 dez. 2025. Disponível em: https://www.space.com/artemis-2-humans-moon-orbit#section-what-will-artemis-2-do.
|2| REUTERS. Missão Artemis I faz história e espaçonave Orion inicia retorno para terra. CNN, 06 dez. 2022. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/missao-artemis-i-faz-historia-e-espaconave-orion-inicia-retorno-para-terra/.
Fontes
ARTEMIS. Artemis III. National Aeronautics and Space Administration - Nasa, 2026. Disponível em: https://www.nasa.gov/mission/artemis-iii/
ARTEMIS – Nasa. Disponível em: https://www.nasa.gov/blogs/artemis/.
GHOSH, Pallab. Has Artemis II shown we can land on the Moon again? BBC, 07 abr. 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/news/articles/cj60nkd8nrko.
GHOSH, Pallab; FRANCIS, Alison. Artemis crew home safely after completing historic mission to the Moon. BBC, 10 abr. 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/news/articles/cr51z54d5rpo
GRIMM, Linda; ZAKRZEWSKI, Joseph A. Artemis II Flight Day 6: Crew Wraps Historic Lunar Flyby. Nasa, 06 abr. 2026. Disponível em: https://www.nasa.gov/blogs/missions/2026/04/06/artemis-ii-flight-day-6-crew-wraps-historic-lunar-flyby/.
HAMBLETON, Kathryn. NASA’s First Flight With Crew Important Step on Long-term Return to the Moon, Missions to Mars. NASA, 08 abr. 2025. Disponível em: https://www.nasa.gov/missions/artemis/nasas-first-flight-with-crew-important-step-on-long-term-return-to-the-moon-missions-to-mars/.
KRAFT, Rachel H. View the Best Images from NASA’s Artemis I Mission. NASA, 21 dez. 2022. Disponível em: https://www.nasa.gov/humans-in-space/view-the-best-images-from-nasas-artemis-i-mission/.
PEIXOTO, Roberto. Artemis II: Nasa atrasa para setembro de 2025 1ª missão tripulada à Lua em 50 anos. G1, 09 jan. 2024. Disponível em: https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2024/01/09/artemis-ii-nasa-atrasa-para-setembro-de-2025-1a-missao-tripulada-a-lua-em-50-anos.ghtml.
NYT. Por que voltar para casa pode ser a parte mais perigosa da missão Artemis II. Jornal O Globo, 09 abr. 2026. Disponível em: https://oglobo.globo.com/mundo/clima-e-ciencia/noticia/2026/04/09/por-que-voltar-para-casa-pode-ser-a-parte-mais-perigosa-da-missao-artemis-ii.ghtml.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/geografia/artemis-ii.htm