Nebulosas são nuvens formadas por poeira cósmica, hidrogênio, hélio e gases ionizados a partir de restos de estrelas que se desagregaram. Ao serem observadas, as nebulosas apresentam formatos irregulares semelhantes aos das nuvens, o que foi determinante para a escolha do nome desses corpos celestes, pois a palavra nebulosa provém de um termo em latim que significa nuvem. As nebulosas podem chegar a ter centenas de anos-luz de extensão.
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As nebulosas podem ser formadas a partir de supernovas, o evento final do ciclo de vida das estrelas. Após uma estrela com mais de 10 massas solares ter exaurido o hidrogênio no seu núcleo, ela começa a sintetizar todos os elementos do carbono em diante até a produção de um caroço de ferro.
Inicialmente, esse caroço é sustentado pela pressão interna, mas quando sua massa supera 1,4 de massa solar (limite de Chandrasekhar), ele colapsa, formando um núcleo extremamente denso, composto quase inteiramente por nêutrons.
A detonação da supernova ocorre quando as camadas externas da estrela continuam a implodir e sofrem um rebote pelo núcleo, com violência capaz de ejetar material no espaço com velocidades de até 70.000.000 km/h. Isso libera quantidades colossais de energia, produzindo um grande aumento de luminosidade, que pode perdurar por meses.
A nebulosa produzida pelos ejetos da explosão é chamada de remanescente de supernova. Contudo, uma nebulosa também pode surgir pela mera aglutinação de átomos pela ação da gravidade.
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No verão de 1054, durante a dinastia Sung, astrônomos chineses registraram que uma estrela, na constelação atual de Touro, repentinamente tornou-se tão brilhante quanto a lua cheia. Eles a descreveram como uma “estrela convidada” branco-avermelhada, e a observaram durante dois anos, até que ela desapareceu gradualmente. Os astrônomos haviam testemunhado uma supernova, e o material ejetado nesse evento cataclísmico agora compõe os filamentos da Nebulosa do Caranguejo.
Um dos objetos astronômicos mais fotografados, essa nebulosa escura se assemelha a um cavalo-marinho, ou a um cavalo de jogo de xadrez. Sua forma incomum foi descoberta numa placa fotográfica em 1888. As raias na área brilhante acima da Cabeça de Cavalo são, provavelmente, produzidas por campos magnéticos da nebulosa.
A mais famosa e brilhante nebulosa celeste, a Nebulosa do Órion, é facilmente visível a olho nu como uma mancha avermelhada, difusa, abaixo do Cinturão do Órion, da constelação de Órion. É a nebulosa de emissão mais próxima da Terra e tem sido intensamente pesquisada pelos astrônomos.
Localizada num dos braços espirais da Via Láctea, as observações da Nebulosa da Águia deram origem a novas ideias na teoria da formação estelar. Essa região é um imenso berçário estelar, onde jovens estrelas florescem, novas são formadas, e estão presentes o material e os processos que deflagram o nascimento de futuras estrelas. A seguinte foto do interior da Nebulosa da Águia é conhecida como “Pilares da Criação”, sendo uma das fotos mais icônicas tirada pelo telescópio espacial Hubble em 1995.
A Nebulosa Hélice é a nebulosa planetária mais próxima do Sol, mas sua distância real é incerta, e as estimativas estão entre 85 e 650 anos-luz. É chamada de Nebulosa Hélice porque, vistos da Terra, os gases expulsos dão a impressão de formar uma hélice.
A Olho de Gato é uma das mais complexas nebulosas planetárias. Sua confusa estrutura teria sido produzida por um sistema binário fechado, em interação, ou por atividade magnética recorrente de uma única estrela.
As nebulosas são as responsáveis pela formação estelar, isto é, as estrelas são formadas pelo colapso gravitacional de nebulosas. Porém, uma nebulosa deve ter uma massa mínima para que sua gravidade supere a pressão interna que se opõe ao colapso. Nebulosas maiores se fragmentam à medida que colapsam, formando protoestrelas irmãs, que estão próximas entre si, tão próximas que estão ligadas gravitacionalmente.
A matéria se aquece com o avanço do colapso e, em algumas nebulosas, a temperatura e a densidade tornam-se elevadas o suficiente para o início das reações de fusão nuclear. Assim, nasce uma estrela.
Enquanto as nebulosas são nuvens de gás e poeira atraídos gravitacionalmente e podem ser os berços formadores de jovens estrelas, as galáxias são estruturas maiores e mais robustas que podem conter de milhões até bilhões de estrelas, nebulosas, supernovas e até um buraco negro supermassivo em seu centro. Por analogia, enquanto a nebulosa é o “berço”, a galáxia é a “casa” das estrelas.
O primeiro registro da observação de uma nuvem interestelar foi feito pelo cientista grego Cláudio Ptolomeu por volta do ano de 150 d.C. Ptolomeu registrou em dois livros de sua coleção Almagesto a presença de cinco estrelas que apresentavam uma forma indefinida, como se fossem nuvens. Já a primeira fotografia de uma supernova só veio a ocorrer em 1870, pelo pioneiro da astrofotografia Henry Draper (1837-1882), quando dirigiu sua câmera para a Nebulosa do Órion, a mais brilhante do céu.
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Créditos das imagens
[1] Ken Crawford/ Wikimedia Commons (reprodução)
[2] Wikimedia Commons (reprodução)
[3] ESA/ Hubble/ Wikimedia Commons (reprodução)
[4] NASA, ESA, B. Balick (Universidade de Washington), M. Guerrero (Instituto de Astrofísica de Andalucía) e G. Ramos-Larios (Universidade de Guadalajara) (reprodução)
Fontes
PICAZZIO, Enos. O céu que nos envolve: Introdução à astronomia para educadores e iniciantes. 1. ed. Universidade de São Paulo. Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, 2011.
REES, Martin. Enciclopédia Ilustrada do Universo (vol. 1). 1. ed. DK TT Dueto, 2008.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/fisica/o-que-sao-nebulosas.htm