Cacofonia

A cacofonia é um vício de linguagem. Ela consiste na formação de som desagradável, ridículo ou obsceno.

Cacofonia ou cacófato é um som desagradável, ridículo ou obsceno. Esse vício de linguagem ocorre quando a proximidade de duas ou mais palavras gera uma palavra inconveniente: “Devemos fazer como ela falou”. Nesse caso, a proximidade entre os termos “como” e “ela”, dá origem ao vocábulo “moela”.

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Resumo sobre cacofonia

  • Cacofonia é um vício de linguagem caracterizado pela formação de som desagradável, ridículo ou obsceno: “A boca dela estava pintada”.
  • Outros vícios de linguagem são os seguintes:
    • ambiguidade: “Carla olhou para o rapaz com os óculos”;
    • barbarismo: “Não é nenhum pobrema”;
    • colisão: “Só Soraia sabia do seu sacrifício”;
    • eco: “O coração de irmão é tão grandão”;
    • estrangeirismo: “São tantas fake news”;
    • hiato: “O morto foi o oposto de bom”;
    • pleonasmo: “Foi forçada a sair para fora de casa”;
    • preciosismo: “A cefaleia é um óbice à minha ventura”;
    • solecismo: “ele lhe puniu pela indiscrição”.

Significado de cacofonia

A cacofonia ou cacófato é um vício de linguagem. Consiste em um som desagradável ou termo ridículo ou obsceno. E acontece quando a proximidade entre duas palavras dá origem a esse som desagradável ou a esse termo inconveniente. Assim, cacofonia significa som desagradável obtido pela proximidade de dois ou mais termos, ou pronúncia incorreta que gera esse tipo de som.

Por exemplo, a expressão “a boca dela” apresenta cacofonia:

A BOCA DELA

Veja que a proximidade entre as palavras “boca” e “dela” dá origem à palavra “cadela”. Assim, a expressão é risível, ou seja, é ridícula, leva ao riso. Nesse caso, demonstra o descuido da pessoa que usa tal expressão.

Exemplos de cacofonia

Naquele dia, eu vi ela na empresa.

Entrava no elevador quando uma mão tocou seu ombro.

Vingar-me-ei por cada humilhação sofrida.

Quando ela te tinha feito mal, fiquei do teu lado.

Não posso admitir que amo ela mais do que tudo.

Ele diz que me ama, mas não ama nada, é tudo mentira.

Soube que ela tinha feito todas essas coisas horríveis.

Desta vez não perdoarei como fiz na vez passada.

A verdade é que bebeu café demais.

Foi para casa, já que tinha terminado a tarefa mais cedo.

Fiz tudo pela dona Joana, aquela ingrata.

Dividimos os brindes e ficamos com cinco cada um.

Meu amigo, fale-me já o que você quer.

O objeto é da marca Brito.

Mônica aqui em casa é novidade.

Filhos da nação, é preciso coragem!

Ele cantou nosso hino com devoção!

Vamos dividir: uma minha e outra sua.

Tipos de cacofonia

Segundo o gramático Luiz Antonio Sacconi, os tipos de cacofonia são:

  • Cacófato

Som torpe, isto é, obsceno:

Mônica ganhou um presente.

Jânio, mande-me já isso!

Eu escapei de mais uma armadilha.

  • Eco

A repetição na terminação de palavras:

O agente inteligente ficou doente.

A ação de edição da documentação é valorizada.

Note que isso é vício na linguagem comum. Mas em versos de uma poesia, é um recurso literário chamado rima.

  • Parequema

Aproximação de sons semelhantes ou iguais:

Uma soberba barata caminhava pelo teto.

Essa gata terrível destruiu meu sofá!

  • Hiato

Aproximação de vogais iguais ou sequência de vogais:

 

Veja a alucinação coletiva como algo preocupante.

 

Lucrécia irá agora ao otorrino.

Achei muito interessante um comentário de Sacconi sobre a cacofonia. E acho que vale a pena fazer uma citação, pois quem escreve sabe que nem sempre é possível fugir de certas situações. Diz o gramático:

“Muitas vezes não é possível fugir a certas cacofonias. Por isso, a ânsia de encontrá-las caracteriza pecado maior que elas próprias”.

Mas, voltando aos tipos de cacofonia, o gramático Domingos Paschoal Cegalla não aponta tal classificação. Ele considera cacofonia (ou cacófato), hiato e eco como tipos de vícios de linguagem independentes. Já Evanildo Bechara não trata cacofonia no tópico sobre vícios de linguagem.

O gramático considera a cacofonia, o hiato e o eco como “encontros de fonemas que produzem efeito desagradável ao ouvido”. Portanto, apontar tipos de cacofonia não parece ser uma tendência no estudo da gramática normativa.

Leia também: Preconceito linguístico — a discriminação que se volta contra o modo de falar de uma pessoa

Vícios de linguagem

Os vícios de linguagem estão relacionados ao uso inadequado da língua, seja na fala, seja na escrita. São incorreções, pois contrariam as regras da gramática normativa. Nesse caso, a palavra “vício” tem sentido de “defeito”, “mau hábito”, “erro”. Portanto, cometer tais vícios demonstra que você não tem conhecimentos linguísticos ou que é uma pessoa descuidada.

Os principais tipos de vício de linguagem são:

    1. Ambiguidade: ocorre quando a frase apresenta duplo sentido. Por exemplo, em “Doralice, vi o Fábio com sua irmã”. Nessa frase, fica difícil saber se a irmã é do Fábio ou da Doralice.
    1. Barbarismo: uso incorreto de palavra seja na pronúncia seja no sentido. Portanto, se você diz que “Eu queria comprar uma lata de salchicha, mas estava muito cara. Depois, tive que enfrentar o tráfico com aquele engarrafamento de todos os dias. Está cada vez mais difícil para os cidadões desta cidade”. Você queria dizer ou escrever “salsicha”, “tráfego” e “cidadãos”, mas cometeu alguns barbarismos.
    1. Cacofonia ou cacófato: consiste na formação de som desagradável, ridículo ou obsceno, como “boca dela”, que contém o termo “cadela”.
    1. colisão: repetição de consoantes semelhantes ou iguais, como nestas frases: “A raposa e o rato do romance riam na rua do Rio” ou “Cada carro que capotou, era do mesmo fabricante”.
    1. Eco: consiste na repetição da terminação das palavras: “A bagagem para a viagem estava na garagem”.
    2. Estrangeirismo: usar palavras estrangeiras quando é desnecessário. Você já notou como atualmente se usa estrangeirismos sem necessidade? Imagine que alguém diga assim: “Meu weekend está genial. Mas na segunda tenho um meeting no meu job”. Essa pessoa praticou um vício de linguagem. Devia dizer simplesmente: “Meu fim de semana está genial. Mas na segunda tenho uma reunião no meu trabalho”. 
    1. Hiato: consiste na repetição sequencial e desagradável de vogais, como em: “Traga a água para lavar a saia”. Atenção! Existe outro fenômeno linguístico chamado de hiato, ou seja, o encontro vocálico. Quando duas vogais se encontram, isso é chamado de hiato: “voo”, “sda”, “coelho” etc. Então são dois conceitos diferentes para uma mesma palavra. Uma coisa é o encontro vocálico, outra coisa é o vício de linguagem.
    1. Pleonasmo ou redundância: uso desnecessário de palavra ou expressão, a qual pode ser dispensada sem comprometer o sentido. Por exemplo, dizer “entrar para dentro”. Basta dizer “entrar”, a expressão “para dentro” é redundante, repetitiva. Afinal, não entramos para fora. Outro exemplo é “surpresa inesperada”. A palavra “surpresa” já expressa algo inesperado. Atenção! Existe também uma figura de linguagem chamada pleonasmo, usada em textos literários. Nesse caso, a repetição ou redundância é intencional, pois é usada para dar ênfase à expressão. Por exemplo: “Riu o riso dos heróis”. Portanto, o pleonasmo é vicioso quando não é intencional ou literário. 
    1. Preciosismo ou rebuscamento: é o “falar difícil”, de forma exagerada, pouco natural, afetada: O progenitor, na pretérita noite, ofertou-lhe um ósculo e um amplexo. É mais simples dizer: O pai, na noite passada, deu-lhe um beijo e um abraço. 
    1. Solecismo: consiste em erros gramaticais de sintaxe. Por exemplo: Assisti o jogo. A regência verbal de “assistir” é “assistir A”: “Assisti ao jogo”. Outro exemplo é: Aluga-se casas. A concordância verbal deve ocorrer entre o sujeito “casas” (no plural) e o verbo “aluga”: “Alugam-se casas”.

Fontes

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 39. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

SACCONI, Luiz Antonio. Nossa gramática: teoria e prática. 26. ed. São Paulo: Atual Editora, 2001.


Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/cacofonia.htm