Afinal, o que é fogo? O fogo é uma manifestação luminosa de uma reação de combustão que se desenvolve muito rapidamente. Não é uma substância e, por conta disso, não é considerado matéria. Contudo, a sua coloração é dependente da composição química do combustível que está sendo queimado.
O fogo, em reações de combustão, mantém-se por meio de uma reação em cadeia, que se inicia mediante ignição de um combustível, o qual é oxidado por um comburente. É a energia gerada nesse processo que faz a reação se manter. O fogo, quando descontrolado, torna-se um incêndio, o qual apresenta diversas consequências desastrosas para aqueles que são afetados por ele.
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O fogo é uma manifestação de uma reação exotérmica conhecida como combustão. A combustão envolve combustível e um oxidante (comburente), com liberação de energia térmica. Quando essa reação se desenvolve muito rapidamente, ela pode produzir, além do calor, luz e som, que é entendido como o fogo.
Dessa forma, o fogo não é uma substância, não se englobando em nenhum estado da matéria conhecido, como sólido, líquido, gás e até mesmo o plasma. Isso porque o fogo não tem forma específica nem é tateável, o que lhe impede de ser considerado sólido ou líquido, nem se expande por completo, tomando forma e volume de um recipiente, o que lhe impede de ser considerado um gás ou um plasma.
Contudo, o fogo, por vezes, pode atingir temperaturas suficientemente altas para ionizar as moléculas do ar, criando um plasma no interior da chama. Ou seja, por mais que o fogo não seja considerado plasma, ele pode conter plasma.
O fogo possui quatro estágios de funcionamento. Inicialmente, há a ignição, que começa a ocorrer quando o oxigênio, o combustível e a energia se unem para desencadear a reação química de combustão. É nesse estágio que um extintor de incêndio consegue controlar o fogo.
Depois, o fogo apresenta uma etapa de crescimento (ou desenvolvimento), na qual as chamas iniciais, como fonte de energia térmica, fazem queimar mais combustível disponível. O gás quente gerado transfere energia na forma de calor, por condução, convecção ou radiação, permitindo que combustíveis próximos atinjam sua temperatura de ignição.
Posteriormente, o fogo atinge o estado no qual está totalmente desenvolvido, estabelecido, em que já se espalhou por praticamente todo o combustível disponível. Nesse estágio, a temperatura atinge seu máximo, resultando em danos por conta do calor. O oxigênio, nesse ponto, é consumido rapidamente.
Por fim, o fogo se extingue ao consumir todo o combustível disponível, com consequente queda de temperatura, com as chamas se tornando menos intensas.
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O fogo não é uma substância, assim sendo, não é matéria. Na verdade, ele se manifesta como luz, que é uma onda eletromagnética.
Porém, a coloração da chama está intimamente ligada à composição química do combustível que está sendo queimado. Por exemplo, a coloração azulada é consequência da presença de carbono e de hidrogênio no combustível. Já compostos de cobre, ao serem queimados, apresentam uma coloração esverdeada. Essa distinção, inclusive, é aproveitada em laboratórios para identificação de possíveis elementos em uma amostra, nos chamados testes de chama.
A coloração da chama também pode ser em decorrência da sua temperatura. Em combustões incompletas, em que não há quantidade suficiente de oxigênio para a reação, é comum que os compostos de carbono sejam oxidados parcialmente. Nessas condições, o combustível pode ser carbonizado e formar fuligem. Essa fuligem, sendo queimada, fica extremamente quente e começa a emitir luz branca no espectro visível. Contudo, conforme as partículas de fuligem começam a ascender pelo ar, elas resfriam, passando a deslocar as emissões para o infravermelho. É por isso que, no topo da chama, é comum que o fogo tenha coloração avermelhada, com as partes mais inferiores entre amarelo e branco. Na combustão completa, entretanto, as chamas ficam com coloração azul.
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O fogo se forma durante uma reação de combustão, que ocorre a partir de condicionantes típicos de reações químicas, o que envolve energia e presença de reagentes. As condicionantes para a formação e manutenção do fogo são expostas no chamado “tetraedro do fogo”. Assim, segundo o tetraedro do fogo, é necessário que haja:
O fogo pode se espalhar mediante mecanismos de transferência de energia térmica (condução, convecção e radiação). Quando o fogo se espalha de maneira desenfreada e descontrolada, em grandes proporções, tem-se um incêndio.
O incêndio pode ser considerado um evento desastroso, uma vez que causa danos em diversas proporções, podendo danificar vegetação e construções e provocar riscos à saúde dos seres vivos, podendo levar, inclusive, à morte. A depender da escala, os incêndios podem causar prejuízos de grande magnitude, sobrecarregando significativamente cofres públicos e privados. A quantidade de energia térmica constantemente produzida é também muito grande, podendo proporcionar queimaduras de diversos graus de intensidade.
Os incêndios, como resultantes do fogo, podem ainda carregar partículas sólidas e promover a difusão de gases tóxicos, os quais também podem gerar danos aos sistemas respiratórios de seres vivos ou também levar à morte os seres que a eles foram expostos.
O fogo é, provavelmente, a primeira reação química realizada pelo Homo erectus, um de nossos ancestrais. Isso ocorreu em um intervalo de tempo estimado entre 1,8 milhão e 300 mil anos atrás. As pesquisas arqueológicas indicam que a utilização do fogo se iniciou no chamado Período Neolítico, mesmo assim, é muito difícil (para não se dizer impossível) precisar quando o ser humano começou a manipular o fogo.
Entretanto, a relação dos hominídeos com o fogo não se iniciou com sua manipulação e controle, uma vez que o fogo já era observado como decorrência de fenômenos naturais, como raios de tempestades.
A apropriação do fogo, sem dúvida alguma, permitiu que a humanidade se desenvolvesse e trouxesse mais segurança para sua existência. O fogo propiciou uma melhor iluminação, permitindo a busca de alimentos em ambientes escuros, o aquecimento durante os períodos de inverno e baixas temperaturas, o cozimento de alimentos e o afugentamento de possíveis predadores.
Paralelamente, o fogo permitiu o desenvolvimento de instrumentos, como cerâmicas, e, posteriormente, o surgimento da forja e da metalurgia. Segundo o célebre cientista Charles Darwin, o fogo foi a segunda maior descoberta da humanidade, ficando apenas atrás da linguagem.
O fogo já foi reverenciado por civilizações e, inclusive, foi tratado como um dos quatro elementos fundamentais pelos antigos filósofos gregos. Muitos anos depois, o fogo foi um dos protagonistas da Primeira Revolução Industrial, por meio das máquinas a vapor, que se utilizavam da energia oriunda da queima do carvão para produzir trabalho, impulsionando máquinas que antes dependiam da força humana.
Desde então, o fogo tem se perpetuado em nossa sociedade, porém nem sempre de maneira vantajosa. Terríveis foram os incêndios ao longo de nossa história, que vitimaram diversos inocentes, como o marcante caso da Boate Kiss, no ano de 2013, na cidade gaúcha de Santa Maria.
Questão 1
(Fuvest) O cientista Richard Feynman, prêmio Nobel de Física em 1965, fez comentários sobre o processo de combustão em uma entrevista chamada Fun to Imagine. Segundo ele, à primeira vista, é impressionante pensar que os átomos de carbono de uma árvore não entram em combustão com o oxigênio da atmosfera de forma espontânea, já que existe uma grande afinidade entre essas espécies para a formação de CO2. Entretanto, quando a reação tem início, o fogo se espalha facilmente.
Essa aparente contradição pode ser explicada pois
A) a reação depende de um processo que concentre o carbono para ocorrer.
B) o fogo torna a reação desfavorável.
C) o fogo depende da presença de CO2 para começar.
D) o átomo de carbono da árvore é muito mais resistente ao O2 do que os átomos de carbono dispersos no fogo.
E) a reação precisa de uma energia de ativação para começar.
Resolução:
Alternativa E.
Embora tenha todos os reagentes necessários para a reação de combustão, no caso, o combustível (como a matéria orgânica da floresta) e o gás oxigênio (comburente), ela só se inicia por meio de uma energia de ativação, a qual servirá como um gatilho para desencadear o processo químico. Tal energia deve ser aplicada para que os átomos participantes da reação adquiram a energia cinética mínima para que as colisões entre eles resultem em quebras de ligações químicas.
Questão 2
(Unicamp) O Brasil ardeu em chamas em 2020. Muitas soluções foram propostas, incluindo o uso do “boi bombeiro”, porém nem todas eliminam de fato um dos três componentes que mantêm o fogo: calor, combustível e comburente. A figura a seguir representa três ações de bombeiros para extinguir o fogo.

Nas alternativas a seguir, o componente ausente no triângulo representa o componente eliminado pela ação dos bombeiros para a extinção do fogo.
Assinale a alternativa que apresenta a correlação adequada entre as ações A, B e C e o componente eliminado do triângulo do fogo em cada ação, respectivamente.
A) 
B) 
C) 
D) 
Resolução:
Alternativa D.
O triângulo do fogo apresenta três condicionantes para a ocorrência do fogo: combustível, comburente e calor.
Na situação A, ao ser espalhada a palha, extinguiu-se o combustível (uma biomassa, rica em carbono).
Na situação B, a colocação de um pano sobre a chama serve para impedir o contato do fogo com o oxigênio, eliminando, assim, o comburente.
Na situação C, a utilização de água serve para resfriamento do fogo, diminuindo a quantidade de calor/energia térmica presente, cessando, assim, o fogo.
Fontes
CLIFTON, J. The Chemistry of Fire. ReAgent. 29 abr. 2020. Disponível em: https://www.reagent.co.uk/blog/chemistry-of-fire/.
CORPO DE BOMBEIRO MILITAR DE SANTA CATARINA. Tópicos introdutórios: ciências do fogo. 1ª ed. Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, Diretoria de Ensino: Florianópolis, SC, 2018.
FARRELL, I. The burning question. RSC – Education in Chemistry. 21 abr. 2022. Disponível em: https://edu.rsc.org/everyday-chemistry/what-state-of-matter-is-fire/4015393.article.
GIFEL. Saiba qual é a diferença entre fogo e incêndio. Gifel. 26 jul. 2017. Disponível em: https://www.gifel.com.br/saiba-qual-e-diferenca-entre-fogo-e-incendio/.
NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL. Quando e como foi descoberto o fogo: a verdade sobre essa história. National Geographic. 12 abr. 2023. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/03/quando-e-como-foi-descoberto-o-fogo-a-verdade-sobre-essa-historia.
QUINTIERE, J. G. Fundamentals of Fire Phenomena. 1ª ed. John Wiley & Sons: Inglaterra, 2006.
ROITMAN, I. Uma pequena história do fogo. Universidade de Brasília. 29 set. 2024. Disponível em: https://noticias.unb.br/artigos-main/7550-uma-pequena-historia-do-fogo.
VAN WAGTENDONK, J. W. Fire as Physical Process. In: Fire in California’s Ecosystems. Cap. 3. Califórnia, EUA: University of California Press, 2006
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/quimica/o-que-e-fogo.htm