Radioisótopos são os isótopos radioativos de um elemento químico cuja origem pode ser natural ou sintética. Os radioisótopos, portanto, apresentam a propriedade de sofrer decaimento nuclear, o que significa que seus núcleos sofrem decomposição com emissão de radiação. O tempo de decaimento de um radioisótopo é constante, sendo determinado pelo chamado tempo de meia-vida.
Radioisótopos são empregados em diversas áreas, principalmente na medicina, onde são utilizados para diagnósticos e tratamentos. Também são úteis na datação de fósseis e rochas, além de serem importantes na agricultura, seja para controle de pragas ou até mesmo irradiação de alimentos. Os radioisótopos também são importantes na produção de energia e para sistemas de segurança industriais e residenciais.
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Radioisótopos são os isótopos radioativos de um determinado elemento químico. Os radioisótopos podem ser de origem natural ou sintética (produzidos em laboratório). São muito úteis, sendo usados na cura e diagnóstico de doenças, na preservação de alimentos, no acompanhamento de reações químicas e, até mesmo, como combustível de naves espaciais.
Os radioisótopos sendo isótopos radioativos apresentam decaimento nuclear, o que quer dizer que seus núcleos sofrem decomposição, emitindo radiação (como partículas alfa, beta e radiação gama). Ao sofrerem decaimento, sofrem a chamada reação nuclear, uma vez que sofrem mudança de composição de seu núcleo.
\({}_{88}^{226}\mathrm{Ra} \;\rightarrow\; {}_{86}^{222}\mathrm{Rn} \;+\; {}_{2}^{4}\alpha\) (decaimento alfa de um radioisótopo)
\({}_{6}^{14}\mathrm{C} \;\rightarrow\; {}_{7}^{14}\mathrm{N} \;+\; {}_{-1}^{0}\beta\) (decaimento beta de um radioisótopo)
A velocidade de desintegração de um radionuclídeo apresenta uma constante chamada de tempo de meia-vida, que é caracterizada como sendo o tempo necessário para que sua quantidade decaia pela metade. O tempo de meia-vida é um parâmetro importante do radioisótopo. A tabela a seguir apresenta a meia-vida de alguns núcleos radioativos.
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Radioisótopo |
Meia-vida |
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Trítio |
12,3 anos |
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Carbono-14 |
5730 anos |
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Carbono-15 |
2,4 segundos |
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Potássio-40 |
1,26 ∙ 109 anos |
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Cobalto-60 |
5,26 anos |
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Estrôncio-90 |
28,1 anos |
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Iodo-131 |
8,05 dias |
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Césio-137 |
30,17 anos |
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Rádio-226 |
1600 anos |
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Urânio-235 |
7,1 ∙ 108 anos |
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Urânio-238 |
4,5 ∙ 109 anos |
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Férmio-244 |
3,3 ∙ 10−3 segundo |
Alguns radioisótopos são físseis, ou seja, podem sofrer fissão nuclear, dividindo-se em núcleos menores mediante absorção de nêutrons.
\({}^{235}_{92}\mathrm{U} + {}^{1}_{0}\mathrm{n} \;\rightarrow\; {}^{142}_{56}\mathrm{Ba} + {}^{92}_{36}\mathrm{Kr} + 2\,{}^{1}_{0}\mathrm{n}\) (fissão nuclear do urânio-235)
Veja também: Fusão nuclear x fissão nuclear — qual a diferença?
A partir dos tempos de meia-vida dos radioisótopos, é possível utilizá-los como alicerces para datação, seja de matéria orgânica (como é o caso do carbono-14) ou geológica (como é o caso do urânio-238 e o potássio-40).
Uma pequena parte do carbono presente nos seres vivos está na forma de carbono-14, o qual apresenta um decaimento beta com tempo de meia-vida de 5730 anos, numa proporção de fixa de cerca de 1 átomo de 14C para cada 1012 átomos de 12C. Quando um ser vivo morre, o teor de carbono começa a cair e, dessa forma, há uma alteração na razão de átomos de carbono, a qual é utilizada para datar a matéria orgânica.
Rochas podem ter seu tempo de existência estimada a partir de seu esmagamento sob vácuo. O potássio-40 lá presente é convertido em argônio-40. Após o esmagamento, um espectrômetro de massa é capaz de medir os níveis de argônio liberados. Tal técnica serviu para estimar a idade das rochas da superfície da Lua, por exemplo.
É possível marcar moléculas com radioisótopos, podendo assim acompanhar mudanças e determinar posições, permitindo o monitoramento desses compostos em diversos sistemas, inclusive em seres vivos. Na agricultura, o uso de traçadores radioativos permite o acompanhamento do metabolismo das plantas, verificando o que é necessário para seu crescimento, o que está sendo absorvido pelas raízes e pelas folhas, além de se observar a retenção de determinados elementos químicos.
Traçadores são aplicados em insetos para acompanhar o seu comportamento, como no caso de formigas, em que se descobre seu formigueiro de origem e, no caso de abelhas, as flores de sua preferência. A marcação de insetos com radioisótopos permite a eliminação de pragas, uma vez que é possível, dessa forma, identificar qual predador irá se alimentar do inseto indesejável, evitando o uso de inseticidas.
Os traçadores também são úteis para determinação do mecanismo das reações químicas. Por exemplo, é possível marcar o átomo de oxigênio da água com um radioisótopo desse elemento (18O, por exemplo) e monitorando o mesmo ao longo do processo reacional, como no caso da fotossíntese:
6 CO2 (g) + 6 H218O (l) → C6H12O6 (s) + 3 O2 (g) + 3 18O2 (g)
Graças a tal técnica, foi possível demonstrar que o oxigênio produzido na fotossíntese vem das moléculas de água, e não das moléculas de dióxido de carbono.
Os radiofármacos são compostos radioativos, sem atividade farmacológica, que são usados para diagnóstico ou terapia em medicina nuclear. Os radiofármacos, além do radioisótopo, apresentam também um carreador (ou ligante) que apresenta afinidade biológica por um órgão, tecido ou sistema. Dessa forma, o radiofármaco é transportado até seu alvo via afinidade biológica, ao passo que é monitorado pela emissão de radiação. Isso permitiu o desenvolvimento de técnicas de diagnóstico e de terapia mais sensíveis e precisas.
É o caso da cintilografia. Para avaliação, por exemplo, de distúrbios na tireoide, pode-se fazer com que o paciente faça a ingestão de uma solução de iodo-131, a qual é absorvida pela glândula tireoide. O iodo-131 é um emissor beta e gama e, com isso, a região da glândula tireoide é posta em frente a um detector (cintilômetro), permitindo a obtenção de uma imagem da glândula.
A radioterapia consiste no tratamento por meio da utilização de fontes radioativas, como césio-137 ou cobalto-60, com a finalidade de destruir células tumorosas, as quais são mais sensíveis à radiação do que os tecidos normais. Na radioterapia, o paciente é exposto a um feixe de radiação, o qual é concentrado sobre a região que será tratada, por meio de irradiação (exposição de um corpo à radiação).
Alimentos podem ser irradiados (expostos a uma fonte radioativa) objetivando uma maior conservação. Batatas irradiadas, por exemplo, podem ser armazenadas por mais de um ano sem murcharem ou brotarem, o que facilita, inclusive, no controle de custos. Vale lembrar que a irradiação não contamina os alimentos, uma vez que, para haver contaminação, deve haver a presença do material indesejado no alimento, o que não ocorre.
A indústria farmacêutica também utiliza fontes radioativas para esterilização de seringas, luvas cirúrgicas, gaze e materiais descartáveis. Isso impede a utilização de esterilização com altas temperaturas, o que poderiam causar deformações ou outros danos nos materiais, impedindo seu uso subsequente.
Detectores de fumaça podem utilizar o radioisótopo amerício-241, o qual ioniza as partículas de fumaça e, assim, permite a passagem de corrente elétrica capaz de acionar o alarme.
Na indústria, é comum a utilização da gamagrafia, que consiste na impressão de radiação gama em filmes fotográficos, técnica também chamada de radiografia de peças metálicas. No caso, são aplicados radioisótopos em peças metálicas, a fim de observar se há defeitos ou rachaduras no corpo das peças. Essa técnica também pode ser utilizada por empresas de aviação, para investigar se há fadiga nas partes metálicas e soldas essenciais no corpo do avião.
Detectores de níveis de líquidos em tanques podem empregar radioisótopos. No caso, uma fonte emite radiação para um detector que se encontra no lado oposto. Quando o líquido atinge um nível suficiente, boa parte da radiação deixa de chegar ao detector, indicando que o mesmo chegou à altura indicada.
Reações de fissão nuclear liberam muita energia. A energia liberada na fissão de 1,0 grama de urânio-235 supera em milhões de vezes a energia liberada na combustão de 1,0 grama de metano. Por isso, radioisótopos físseis, como o urânio-235 e o plutônio-239, podem ser usados como fonte de energia para usinas nucleares. A imensa energia produzida é utilizada para o aquecimento de grandes massas de água, que, assim, produzirão grandes quantidades de vapor, utilizadas para movimentação de turbinas e consequente produção de energia elétrica.
Essa energia também pode ser empregada em espaçonaves, como é o caso da sonda Voyager 2, a qual já saiu do nosso sistema solar e, por conta disso, utiliza radioisótopos de meias-vidas longas como combustível.
Os principais radioisótopos usados na medicina são:
Saiba mais: Por que o lixo radioativo é perigoso e onde ele deve ser descartado?
Isótopos são espécies atômicas diferentes de um mesmo elemento químico (pois possuem o mesmo número atômico). Se tais espécies atômicas forem radioativas, estas serão consideradas como sendo radioisótopos. Dessa forma, radioisótopos são isótopos radioativos.
Isótopos e radioisótopos diferentes de um mesmo elemento químico sofrem, essencialmente, as mesmas reações químicas, mas com diferenças no comportamento dos seus núcleos. Enquanto os isótopos são estáveis, os radioisótopos sofrem reações nucleares, como um decaimento, onde haverá emissão de radiação e decomposição nuclear, com conseguinte alteração da composição do núcleo atômico do radioisótopo.
Fontes
AFONSO, Júlio Carlos. Radioisótopos na medicina. Ciência Hoje. Rio de Janeiro, v. 56, n. 333, p. 32-37, jan./fev. 2016. Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/radioisotopos-na-medicina/.
ATKINS, P.; JONES, L.; LAVERMAN, L. Princípios de Química: questionando a vida e o meio ambiente. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2018.
CARDOSO, Eliezer de Moura. Aplicações da Energia Nuclear. Colaboradores: Ismar Pinto Alves, Claudio Braz, Sonia Pestana. Rio de Janeiro: Comissão Nacional de Energia Nuclear, [202-?]. Disponível em: https://fiocruz.br/biosseguranca/Bis/manuais/radioprotecao/Aplicaes%20da%20Energia%20Nuclear.pdf.
VITAL, K. D. et al. Radiofármacos e suas aplicações. Brazilian Journal of Health and Pharmacy, [s. l.], v. 1, n. 2, p. 57-69, 2019. Disponível em: https://bjhp.crfmg.org.br/crfmg/article/view/80/47.
WORLD NUCLEAR ASSOCIATION. Radioisotopes in Medicine. London: World Nuclear Association, 21 jan. 2026. Disponível em: https://world-nuclear.org/information-library/non-power-nuclear-applications/radioisotopes-research/radioisotopes-in-medicine.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/quimica/radioisotopos.htm