O urso-polar (Ursus maritimus) é um mamífero pertencente à família Ursidae (junto com os outros ursos) que, durante o processo evolutivo, desenvolveu características que permitiram sua sobrevivência no Círculo Polar Ártico, como uma camada espessa de gordura (tecido adiposo), patas largas que auxiliam na natação e na mobilidade em cima da neve e pelos que, apesar de aparentarem serem brancos, são quase incolores e possuem uma dupla camada que ajudam a manter o urso aquecido. Além de serem homeotérmicos (sangue quente) como os outros mamíferos, esses animais possuem uma pele preta, que ajuda a absorver o calor do sol, e outras adequações metabólicas e fisiológicas.
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Os ursos-polares são animais que possuem alimentação predominantemente carnívora, alimentando-se, na maioria das vezes, de focas. Eles precisam de uma dieta rica em lipídios, para suprir a camada de gordura que mantém o corpo aquecido, além de funcionar como uma reserva de energia nos períodos em jejum.
As focas sempre vão à superfície para respirar, e é nesse momento que os ursos-polares aproveitam para capturar esses animais, ficando em locais estratégicos para atacar no momento certo. Quando esses animais não conseguem capturar suas presas favoritas, podem alimentar-se, também, de alguns peixes, como o salmão, e de carcaças de animais e, em casos de escassez de alimento, podem consumir algas.
Os ursos-polares são animais que dependem do ambiente congelado para sobreviver. Seu metabolismo, sua reprodução e sua alimentação estão intimamente ligados ao ecossistema onde vivem. São animais que podem ser encontrados no Círculo Polar Ártico, que inclui os países: Groelândia, Dinamarca, Rússia, Estados unidos e Noruega.
Apesar de passarem grande parte do seu tempo na superfície, em cima das crostas de gelo ou da terra coberta de neve, são considerados, na maioria das vezes, animais marinhos, pois dependem da água para desenvolver suas atividades, principalmente a caça, a hidratação e a alimentação.
A reprodução dos ursos-polares é bem específica, e tudo acontece considerando o clima do ambiente onde vivem. As fêmeas possuem um período reprodutivo que vai de março até junho, porém a ovulação pode ocorrer em qualquer um desses meses, acontecendo normalmente no mês de abril. Após o acasalamento, a fecundação é frequentemente retardada, para garantir que os filhotes nasçam nas melhores condições ambientais do inverno.
Os ursos-polares são animais poligâmicos, ou seja, podem ter diferentes parceiros sexuais durante a vida. Entretanto, após o nascimento dos filhotes, o macho costuma passar um tempo protegendo e cuidando de sua prole.
No início da gestação, que dura 195 a 265 dias, a fêmea procura se alimentar bem e fazer reservas de energia. Ao se aproximar do nascimento, ela cava uma toca na neve (que pode ter até 3 câmaras) e prepara-se para um período sem se alimentar. Nesse momento, que pode ser considerado uma “hibernação diferenciada”, a fêmea irá dedicar-se apenas aos filhotes, amamentando-os e garantindo que eles cresçam saudáveis e que consigam realizar todas as suas necessidades fisiológicas. Esse período dura aproximadamente 3 meses.
O urso-polar é considerado o maior mamífero carnívoro da terra, e seu tamanho favorece ainda mais a sua existência. O macho pode atingir 3 metros de comprimento, e as fêmeas são um pouco menores, podendo atingir 2,5 metros de comprimento.
Esses animais podem pesar entre 350 e 700kg, e seu peso pode ser influenciado por diversos fatores, como questões genéticas, alimentação equilibrada e a saúde do animal. Apesar de parecer um animal sedentário, por conta do tamanho e do peso, esses animais conseguem desenvolver muito bem suas atividades, principalmente por serem nômades, ou seja, não possuem um local fixo para morar e, por esse motivo, vivem em constante movimento, em busca de parceiro sexual e alimento.
O peso corporal dos ursos-polares é fisiologicamente importante para a saúde e para a sobrevivência desses animais, pois a camada de gordura abaixo da pele contribui para o controle de temperatura, fazendo com que o animal não perca tanto calor para o ambiente. Além disso, a gordura corporal auxilia na flutuabilidade durante a natação, fazendo com que esses animais sejam ótimos nadadores.
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O urso-polar distribui-se por todo o Círculo Polar Ártico no Hemisfério Norte, podendo ser encontrado em diferentes países, como: Groelândia, Dinamarca, Rússia, Estados unidos (Alasca) e Noruega (Svalbard). O urso-polar não pode ser encontrado na Antártida, porque são animais nativos do Ártico, e nunca, durante toda sua história evolutiva, conseguiram migrar para a região Antártida, por falta de pontos terrestres que conectem esses lugares e por outros fatores, como obstáculos geográficos e o clima específico das regiões onde habitam.
O urso-polar foi considerado vulnerável à extinção pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), e isso não se deve apenas ao aquecimento global, mas aos altos índices de poluição, que expõem esse e outros animais a diversas substâncias tóxicas, que se acumulam nos tecidos e afetam o funcionamento dos órgãos.
O derretimento das geleiras dificulta a vida dos ursos-polares em diversos aspectos, alguns deles são:
Questão 1
(Enem) Devido ao aquecimento global e à conseqüente diminuição da cobertura de gelo no Ártico, aumenta a distância que os ursos-polares precisam nadar para encontrar alimentos. Apesar de exímios nadadores, eles acabam morrendo afogados devido ao cansaço.
A situação descrita acima
A) enfoca o problema da interrupção da cadeia alimentar, o qual decorre das variações climáticas.
B) alerta para prejuízos que o aquecimento global pode acarretar à biodiversidade no Ártico.
ressalta que o aumento da temperatura decorrente de mudanças climáticas permite o surgimento de novas espécies.
C) mostra a importância das características das zonas frias para a manutenção de outros biomas na Terra.
D) evidencia a autonomia dos seres vivos em relação ao habitat, visto que eles se adaptam rapidamente às mudanças nas condições climáticas.
Resolução:
Alternativa B.
O aquecimento global ocasiona o derretimento das geleiras, o que dificulta a vida do urso-polar em diversos aspectos, e um deles deve-se ao aumento do tempo em que esses animais passam nadando para encontrar pontos congelados para conseguir descansar.
Questão 2
(Quadrix) O urso-polar é um animal que consegue manter a temperatura corporal constante em um meio ambiente que pode atingir baixas temperaturas. Animais com essa característica são denominados de
A - poiquilotérmicos.
B - pecilotérmicos.
C - ectotérmicos.
D - heterotérmicos.
E - homeotérmicos.
Resolução:
Alternativa E.
Todos os mamíferos são animais homeotérmicos, ou seja, conseguem manter sua temperatura independente da temperatura do ambiente.
Fontes
BBC Earth. Polar Bears and Climate Change. Disponível em: https://www.bbcearth.com.
IUCN – International Union for Conservation of Nature. Ursus maritimus (Polar Bear). 2024.
Arctic Climate Impact Assessment (2004). Impact of a Warming Arctic: Arctic Impact Climate Assessment. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0-521-61778-2. OCLC 56942125. The relevant paper is Key Finding 4
REGEHR, E.V.; LUNN, N.J.; AMSTRUP, N.C.; STIRLING, I. (2007). Effects of earlier sea ice breakup on survival and population size of polar bears in western Hudson Bay. Journal of Wildlife Management. 71 (8): 2673–2683. doi:10.2193/2006-180
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/animais/urso-polar.htm