O castelhano é uma língua originária do latim vulgar, que era falado na Península Ibérica, e tem esse nome porque nasceu no reino de Castela (Castilla), pertencente à região que os romanos denominavam Hispania. Com a unificação do território hoje conhecido como Espanha, essa língua também passou a ser denominada espanhol, de modo que as duas palavras – castelhano e espanhol – fazem referência à mesma língua.
No entanto, algumas regiões da Espanha e países hispano-americanos têm preferência por um ou outro termo, e suas razões se baseiam em questões históricas, culturais e políticas. Sigue leyendo para saber más.
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Com relação à estrutura da língua (sintaxe, morfologia, gramática…), não há diferença alguma, pois “castelhano” e “espanhol” se referem ao mesmo idioma. No entanto, alguns países e regiões apresentam preferências quanto a um dos termos.
De acordo com a Real Academia Española, o termo español é mais recomendado por ser a denominação utilizada internacionalmente. Por sua vez, o termo castellano é preferível para fazer referência ao dialeto nascido no reino de Castela durante a Idade Média, e também quando se faz alusão à língua comum do Estado Espanhol – a língua espanhola – em relação com outras línguas faladas na região, como o catalão (catalán), o galego (gallego) ou o vasco (vasco/euskera).
O castellano se tornou a língua representativa do território espanhol no século XV, quando o Reino de Castela começou a ocupar o território denominado Hispania, e se converteu na língua comum de comunicação entre os diferentes reinos. No começo do século XVI, o termo español começou a se generalizar e se tornou mais popular no século XVII, ainda que a palavra castellano continue sendo usada em menor frequência.
Em 1923, a Real Academia Española decidiu que a denominação correta é español; no entanto, a Constituição Espanhola (1978) afirma que os dois termos estão corretos. Já nas Américas, o termo popularizado é castellano, principalmente após a publicação da Gramática de la lengua castellana destinada al uso de los americanos (século XIX), de autoria do venezuelano Andrés Bello.
Atualmente, os dois termos são usados, mas países como Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai preferem o termo castellano, por entender que español é a língua do colonizador. Por outro lado, também afirmam que as diferenças léxicas e gramaticais entre o idioma falado no país europeu e especificamente em cada um desses países tornam español e castellano línguas diferentes.
O castelhano/espanhol tem algumas características às quais devemos prestar atenção na hora de aprender esse idioma.
Na Espanha, a diferença entre a pronúncia de /s/, /z/ e /c/ antes das vogais -e e -i é diferente. Por exemplo, o som de /s/ é igual ao do /ss/ em língua portuguesa, mesmo quando está entre duas vogais; desse modo, essa letra não assume o som de /z/, como acontece em português. A palavra casa se pronuncia cassa.
Por sua vez, a letra /z/ tem um som interdental (a língua é colocada entre os dentes). Nos dicionários bilíngues, esse som é representado pelo símbolo θ. O mesmo acontece com a letra /c/ antes das vogais -e e -i. Nos países da América Hispânica e na Guiné Equatorial, ambas têm o som de /s/.
Outra característica comum a todos os países é a pronúncia de /l/ ao final de uma palavra ou entre uma vogal e uma consoante, pois nesses casos sua pronúncia é sempre realizada com a ponta da língua tocando os alvéolos.
Uma das principais características da língua espanhola/castelhana é o uso frequente de pronomes de complemento.
Outra característica importante é a existência de dois passados que podem ser traduzidos da mesma forma em português, o pretérito perfecto compuesto e o pretérito indefinido; no entanto, o primeiro é usado para falar de um passado recente ou que ainda influencia no presente.
O vocabulário do espanhol/castelhano apresenta uma ampla variedade. É um idioma falando em mais de 20 países e que, em cada um deles, recebeu influências de diferentes línguas (árabe, grego, nahuatl, quechua, guaraní, banto, mapuche…). Desse modo, há muitas formas de se referir a uma mesma coisa. Por exemplo, milho pode ser maíz (ES), choclo (CH, AR, PE) ou elote (MX); chinelo pode ser chancla ou ojotas (AR). Caneta pode ser bolígrafo, birome, lapicera, lapicero...
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Considerando que o castelhano é uma outra forma de se referir ao espanhol, esse idioma é falado nos seguintes países:
Castelhano e catalão são duas línguas diferentes, ambas faladas na Espanha. Enquanto o castelhano é uma outra forma de se referir ao espanhol, o catalão é uma língua falada na Catalunha, comunidade autônoma da Espanha.
A seguir, algumas dicas importantes para aprender castelhano:
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O castelhano/espanhol surgiu durante a invasão dos povos romanos à Península Ibérica em 218 a.C. A região já era ocupada por outros povos, cada um com seu idioma, e, apesar da imposição do latim, essas línguas influenciaram e deram origem à língua que hoje denominamos espanhol/castelhano.
A primeira denominação – castelhano – deve-se ao fato de que essa língua era falada no Reino de Castela (Castilla), pertencente à região que os romanos denominaram Hispania. Com a expansão do Reino de Castela (Castilla), essa passou a ser a língua de comunicação adotada (castellano), abrindo também a possibilidade de que fosse denominada español.
Fontes
ESPAÑOL. Diccionario panhispánico de dudas. Disponível em: https://www.rae.es/dpd/español
EL ORIGEN del castellano. Disponível em: https://www.costadevalencia.com/blog/el-origen-del-castellano-0.
¿ESPAÑOL o castellano? Origen histórico de la eterna duda lingüística. Disponível em: https://theconversation.com/espanol-o-castellano-origen-historico-de-la-eterna-duda-linguistica-240228.
LAS COSAS y las palabras: ¿español o castellano? Disponível em: https://tn.com.ar/sociedad/las-cosas-y-las-palabras-espanol-o-castellano_977758/.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/espanhol/castelhano.htm