Jane Eyre

Jane Eyre é um romance da escritora britânica Charlotte Brontë. Ele faz parte da literatura inglesa do período vitoriano e conta a história de Jane, uma jovem órfã.

Jane Eyre é um romance da escritora inglesa Charlotte Brontë. O livro é uma obra Da Era Vitoriana. Ele apresenta temática social, visão realista e discute questões morais. Além disso, sua protagonista é uma mulher forte e independente, que sobrevive em uma sociedade opressora e patriarcal.

O livro conta a história de Jane Eyre, uma órfã que, após ser educada em uma instituição de caridade, consegue um emprego de governanta na casa de Edward Rochester. Os dois apaixonam-se, mas o casamento não se realiza em um primeiro momento, pois Edward é casado com uma mulher louca, que ele mantém isolada. Os dois ficam juntos apenas ao final da obra, após uma sequência de acontecimentos.

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Resumo sobre a obra Jane Eyre

  • Jane Eyre é um romance da escritora inglesa Charlotte Brontë.
  • Na obra, Jane Eyre é uma órfã inglesa de dez anos que mora na casa da viúva Mrs. Reed, esposa do tio falecido de Jane.
  • Mrs. Reed não gosta da menina e resolve enviá-la para uma instituição de caridade para Jane estudar.
  • Na instituição Lowood, Jane fica amiga da resignada Helen Burns, que acaba morrendo.
  • Com 18 anos de idade, Jane Eyre consegue uma vaga como governanta em Thornfield Hall, cujo proprietário é Mr. Rochester.
  • Nessa propriedade, Jane é professora de Adele, suposta filha ilegítima de seu patrão.
  • A casa apresenta um segredo: Edward Rochester esconde ali sua esposa louca.
  • Jane e Edward apaixonam-se, e, durante o casamento, é revelado que o noivo já é casado.
  • Desiludida, Jane vai embora, passa por dificuldades e acaba conseguindo abrigo na casa de Mr. St. John e de suas duas irmãs.
  • St. John é um missionário e pede Jane em casamento, mas ela não aceita o pedido.
  • Jane descobre que tem um tio rico, que morreu e deixou toda a sua fortuna para ela.
  • A protagonista descobre também que é prima de St. John e de suas duas irmãs.
  • Ao voltar a Thornfield, fica sabendo que a casa pegou fogo e que a esposa louca de Edward morreu.
  • Na tragédia, Edward perdeu completamente a visão, mas vive em outra propriedade.
  • Jane Eyre vai até seu amado Edward Rochester, e os dois casam-se em uma cerimônia simples.

Análise da obra Jane Eyre

Capa do livro “Jane Eyre”, de Charlotte Brontë, publicado pela editora Companhia das Letras. [imagem_principal]
Capa do livro Jane Eyre, de Charlotte Brontë, publicado pela editora Companhia das Letras. [1]

→ Personagens da obra Jane Eyre

  • Adele Varens: aluna de Jane.
  • Amy: filha de Mrs. Eshton.
  • Barbara: criada de Miss Temple.
  • Bertha Antoinette Mason: irmã de Richard.
  • Bessie: ama em casa de Mr. Reed.
  • Blanche: filha de Lady Ingram.
  • Bobby: filho de Bessie.
  • Briggs: advogado.
  • Celine Varens: dançarina francesa, mãe de Adele.
  • Coronel Dent: convidado de Rochester.
  • Diana: irmã de Mr. St. John.
  • Eliza: filha de Mrs. Reed.
  • Georgiana: filha de Mrs. Reed.
  • Grace Poole: criada de Thornfield.
  • Hannah: empregada de St. John.
  • Helen Burns: uma colega de Jane.
  • Jane Eyre: protagonista.
  • John: marido da cozinheira de Thornfield.
  • John Green: sacristão.
  • John Reed: filho de Mrs. Reed.
  • Julia Severn: interna de Lowood.
  • Lady Lynn: convidada de Rochester.
  • Leah: criada de Thornfield.
  • Lord Ingram: convidado de Rochester.
  • Louisa: filha de Mrs. Eshton.
  • Madame Pierrot: professora de francês.
  • Maria Temple: superintendente de Lowood.
  • Mary: irmã de Mr. St. John.
  • Mary: filha de lady Ingram.
  • Mary Ann Wilson: interna de Lowood.
  • Mesrour: cavalo de Mr. Rochester.
  • Miss Abbot: criada de Bessie.
  • Miss Gryce: professora.
  • Miss Miller: professora.
  • Miss Oliver: filha de Mr. Oliver.
  • Miss Scatcherd: professora.
  • Miss Smith: professora.
  • Mr. Bates: médico.
  • Mr. Brocklehurst: clérigo.
  • Mr. Carter: médico.
  • Mr. Edward Rochester: proprietário de Thornfield.
  • Mr. Eshton: convidado de Rochester.
  • Mr. Henry Lynn: convidado de Rochester.
  • Mr. Lloyd: farmacêutico.
  • Mr. Miles: professor.
  • Mr. Nasmyth: reverendo.
  • Mr. Oliver: dono da fábrica de agulhas e da fundição.
  • Mr. Reed: falecido esposo de Mrs. Reed e tio de Jane.
  • Mr. Richard Mason: conhecido de Rochester.
  • Mr. Rowland Rochester: falecido irmão de Edward.
  • Mr. St. John Rivers: primo de Jane.
  • Mr. Wood: pároco.
  • Mrs. Eshton: esposa de Mr. Eshton.
  • Mrs. Fairfax: administradora de Thornfield.
  • Mrs. Harden: uma governanta.
  • Mrs. Reed: parente de Jane.
  • Pilot: cachorro.
  • Robert Leaven: cocheiro e marido de Bessie.
  • Sam: lacaio.
  • Sophie: ama de Adele.
  • Uma cigana.

→ Tempo da obra Jane Eyre

Jane Eyre possui tempo cronológico, ou seja, linear. Já a história narrada ocorre no século XIX.

→ Espaço da obra Jane Eyre

A história de Jane Eyre transcorre na Inglaterra. Jane Eyre é criada em Gateshead Hall, a casa de parentes. Estuda na instituição Lowood. Nos arredores de Millcote, Jane é professora e governanta. Depois, conhece seus primos e vive perto do vilarejo de Morton.

→ Narrador da obra Jane Eyre

Jane Eyre conta com um narrador em primeira pessoa, ou seja, uma narradora-personagem. Assim, a personagem Jane Eyre é quem relata os acontecimentos.

→ Enredo da obra Jane Eyre

A obra começa quando Jane Eyre tem dez anos de idade. Ela vive na casa da viúva Mrs. Reed, sendo criada com os filhos dessa senhora. Porém, Jane não gosta de morar na casa dela. A protagonista é uma criança rebelde, vista como malcriada, e é enviada para longe, a fim de estudar em uma escola chamada Instituição Lowood.

Conversando com uma colega (Helen Burns), Jane descobre que o lugar é uma instituição de caridade destinada a meninas órfãs. A narradora relata sua rotina na instituição e evidencia as atitudes das professoras. No entanto, a vida de Jane Eyre não é fácil nesse lugar. Logo no início, sofre este tipo de perseguição:

— Minhas queridas crianças — prosseguiu, patético, o clérigo de mármore negro — esta é uma ocasião triste e melancólica! É minha obrigação prevenir-vos que essa menina, que devia ser uma das ovelhas do Senhor, é uma pequena pária. Não é um membro do verdadeiro rebanho, mas uma intrusa, uma forasteira. Deveis ficar em guarda contra ela, deveis evitar o seu exemplo, evitar até mesmo a sua companhia. Deveis excluí-la das vossas brincadeiras e bani-la das vossas conversas. Professoras, deveis observá-la, vigiar os seus movimentos, pesar as suas palavras, examinar minuciosamente as suas ações, punir seu corpo para salvar sua alma! [...]. Esta menina, senhoras, é uma mentirosa!

[...]

— Soube disso pela sua benfeitora. A senhora caridosa e devota que a adotou quando ficou órfã, e a criou como sua própria filha. Essa bondade, essa generosidade, a infeliz menina pagou com uma ingratidão tão tenebrosa, tão terrível, que ao fim a sua benfeitora foi obrigada a separá-la de seus próprios filhos, temerosa de que seu mau exemplo contaminasse a pureza deles. Ela veio para cá para ser curada, assim como os antigos judeus mandavam seus doentes para o turbulento poço de Bethesda. E vós, professoras e superintendente, peço-vos que não permitam que as águas fiquem estagnadas em volta dela.

Jane fica amiga de Helen, de quem Miss Temple, a superintendente, parece gostar muito. Porém, a resignada Helen adoece e morre de febre tifoide. A doença faz muitas vítimas ali, mas Jane sai ilesa. Jane está com 18 anos quando decide colocar anúncio em um jornal para conseguir trabalho em uma casa de família como governanta.

Consegue o trabalho e, quando está prestes a sair de Lowood, recebe a visita de Bessie (criada de Mr. Reed), que está casada e tem uma filha e um filho. Assim, Jane fica sabendo notícias dos primos e da tia. Finalmente, Jane chega à nova casa (Thornfield) onde vai trabalhar como professora de Miss Varens, uma protegida de Mr. Rochester.

Jane foi contratada pela administradora Mrs. Fairfax, que não tem filhos. O proprietário de Thornfield é Mr. Rochester, mas ele não costuma aparecer muito por lá. Jane é a governanta da casa e tem a função de ser professora de Adele. Já Mr. Edward Rochester, o dono da propriedade, não tem família.

Logo Jane e Edward ficam íntimos, conversam bastante. Ele conta a ela que, no passado, apaixonou-se por uma dançarina francesa chamada Celine, com quem teve uma filha ilegítima, ou seja, Adele. Ou melhor, Celine dizia que Adele era filha dele: “E talvez seja, embora eu não veja sinais dessa sombria paternidade no seu semblante”.

Edward Rochester afirma:

Alguns anos depois que terminei com a mãe, ela abandonou a filha e partiu para a Itália, com um músico ou um cantor, não sei bem. Eu não reconhecia nenhum direito por parte de Adele de ser sustentada por mim, nem reconheço agora, pois não sou seu pai, mas sabendo que ela estava inteiramente ao abandono, tirei a pobre criança da imundície e do lodo de Paris e a trouxe para cá, para crescer limpa no solo saudável do campo inglês.

Em certa ocasião, Jane acorda Mr. Rochester: “Relatei brevemente o que acontecera. O estranho riso que ouvira no corredor, os passos subindo ao terceiro andar, a fumaça, o cheiro de incêndio que me conduzira ao quarto dele, [...]”. Ele pede sigilo a Jane. Parece que há um mistério em Thornfield.

Já está claro que Jane e ele estão se envolvendo amorosamente, não é mesmo? Depois de uma viagem, Edward volta, com convidados. Entre eles, a insuportável Miss Blanche Ingram. Tudo indica que ele e a dama estão comprometidos. Os convidados ainda estão na casa, quando, certa noite: “A noite, o seu silêncio, a sua calma foram invadidos por um grito selvagem, agudo, estridente, que correu de ponta a ponta a mansão de Thornfield”.

Para os convidados, Edward dá a seguinte desculpa: “Uma criada teve um pesadelo. Foi só isso”. Depois, Rochester pede a ajuda de Jane:

E entrou no apartamento. Uma explosão de riso saudou sua entrada. Barulhento no início, e terminando naquele grito de duende — há! há! há! — característico de Grace Poole [uma criada]. Então ela estava lá! Ele fez algum tipo de acerto sem falar, embora eu ouvisse uma voz baixa que se dirigia a ele. Então saiu e fechou a porta atrás de si.

— Aqui, Jane! — disse.

Caminhei até o outro lado de uma enorme cama que, com seus dosséis abaixados, escondia a maior parte do quarto. Uma cadeira de balanço estava perto da cabeceira e havia um homem sentado nela, sem o casaco. Estava imóvel, de cabeça baixa e com os olhos fechados. Mr. Rochester segurou o candeeiro sobre o seu rosto. Reconheci a face pálida e parecendo sem vida do estranho, Mason. Vi também que um lado da camisa e um braço estavam ensopados de sangue.

Rochester busca um médico, Carter, para cuidar do ferido. Tempos depois, o cocheiro da família Reed vai até Thornfield, diz a Jane que Mr. John Reed morreu. A senhora Reed está doente. Jane pede licença a Rochester para ir visitá-la, pois Mrs. Reed quer falar com ela. Porém, Mrs. Reed alterna “entre o delírio e a letargia”.

Quando está um pouco lúcida, entrega uma carta a Jane, datada de três anos atrás:

“Senhora

Peço-lhe a gentileza de mandar-me o endereço de minha sobrinha, Jane Eyre, e contar-me como ela está. É minha intenção escrever-lhe sem demora, e pedir-lhe que venha morar comigo na ilha da Madeira. Graças à Providência consegui fazer fortuna, e como sou solteiro e sem filhos, gostaria de adotá-la enquanto eu viver, e torná-la minha herdeira assim que eu me for.

Sou, senhora, etc. etc...

JOHN EYRE

Madeira”

Jane Eyre volta para a casa de Mr. Rochester. Em conversa com ele, ela descobre que ele ainda não tem noiva. Edward acaba pedindo que Jane seja sua esposa, e ela aceita. Ainda não estão casados quando Jane vê um possível fantasma: “Parecia uma mulher alta e grande, senhor, com cabelos grossos e negros caindo pelas costas. Não sei a roupa que vestia, mas era branca e justa. Se era um vestido, um lençol ou uma mortalha, não sei dizer”.

Esta é a explicação de Mr. Rochester para o fato:

— Bem, Jane, vou lhe explicar tudo isso. Metade foi sonho, metade realidade. Uma mulher entrou, de fato, no seu quarto. E essa mulher era... deve ter sido, Grace Poole. Você diz que ela é um ser estranho. Por tudo que sabe, tem razões para considerá-la assim. O que foi que ela fez a mim? O que foi que ela fez a Mason? Num estado entre o sono e a vigília, você notou que ela entrava e viu as suas ações. Mas, como estava febril, emprestou-lhe uma aparência estranha, diferente da que ela realmente tem. Os longos cabelos negros, a face escura e inchada, a estatura exagerada, foram produto da sua imaginação. Resultado do pesadelo. O maldoso rasgar do véu foi real, e é bem próprio dela. Sei que vai perguntar porque mantenho tal mulher na minha casa. Quando estivermos casados há um ano e um dia, eu lhe direi: mas não agora. Está satisfeita, Jane? Aceita a minha solução para o mistério?

Chega, enfim, o casamento. Porém, durante a cerimônia, um homem chamado Briggs interrompe-os, diz que há a “existência de um impedimento”. Segundo ele, “Mr. Rochester tem uma esposa que ainda vive”. A esposa é Bertha Antoinette Mason. Então a revelação: Bertha está louca e sendo cuidada por Grace Poole!

Mr. Rochester dá uma explicação a Jane:

— Bem, Jane, sendo assim ele [o pai de Edward] desejava manter a propriedade intacta. Não podia suportar a ideia de dividir seus bens e deixar-me uma porção justa. Resolveu que tudo ficaria para o meu irmão, Rowland. Ainda assim, não podia suportar que um filho seu fosse pobre. Era preciso fazer um casamento rico. Logo procurou-me uma noiva. Mr. Mason, um comerciante e proprietário de uma plantação nas Índias Ocidentais, era seu velho conhecido. Ele havia investigado e tinha certeza que as suas possessões eram vastas e ricas. Descobriu também que ele tinha um filho e uma filha, e soube pelo próprio Mr. Mason que este pretendia dotar a filha com a quantia de trinta mil libras. Era suficiente. Quando deixei o colégio, fui mandado para a Jamaica, a fim de desposar uma noiva já arranjada para mim. Meu pai não mencionou o seu dote, mas disse que Miss Mason era o orgulho de Spanish Town por causa da sua beleza. E não era mentira. Achei-a muito bela, no estilo de Blanche Ingram: alta, morena e majestosa. Sua família queria me agarrar, porque eu era de boa linhagem. E ela também queria. Foi-me apresentada em festas, ricamente trajada. Raramente a vi sozinha e tivemos muito poucas conversas privadas. Ela me lisonjeava, e me agradava dispensando-me fartamente seus encantos e talentos. Todos os homens do seu círculo pareciam admirá-la e invejar-me. Fiquei fascinado, encorajado: meus sentidos foram excitados e, sendo ignorante, jovem e inexperiente, pensei que a amava. Não há pior loucura do que as rivalidades idiotas da sociedade, a lascívia, a precipitação, a cegueira da juventude, para apressar um homem no cumprimento do seu dever. Os parentes me encorajavam; os rivais me provocavam; ela me seduzia. Antes mesmo que eu soubesse onde pisava, o casamento se realizou. Oh! Não tenho respeito nenhum por mim mesmo, quando penso nesse ato. Sou dominado por uma onda de desprezo! Eu nunca a amei, nunca a estimei, nem mesmo a conhecia. Não tinha certeza se havia sequer alguma virtude na sua natureza: não vi modéstia, nem benevolência, nem candura, nem refinamento de espírito ou maneiras. E mesmo assim casei-me: bruto, desprezível, imbecil e toupeira que eu era! Com menos torpeza eu poderia... Mas é melhor que me lembre com quem estou falando.

— Nunca havia visto a mãe da minha esposa. Achei que estivesse morta. Depois da lua de mel, soube do meu erro: ela era demente, e estava trancada num asilo de loucos. Havia também um irmão mais novo... mudo e idiota completo. O mais velho, a quem você viu (e a quem não consigo odiar, apesar de abominar toda a família, porque ele tem na alma alguns lampejos de afeição, revelados no contínuo interesse que demonstra pela infeliz irmã, e também na afeição canina que um dia teve por mim) — esse provavelmente um dia ficará no mesmo estado. Meu pai e meu irmão Rowland sabiam de tudo, mas pensaram apenas nas trinta mil libras e se uniram no complô contra mim.

Assim, quando a esposa ficou louca, ele levou-a para a Inglaterra. Já que o casamento de Jane não se realiza, ela vai embora para outra cidade e passa por dificuldades. Chega até uma casa simples. Está faminta e exausta. Pede à criada para falar com seu patrão ou sua patroa. A empregada Hannah, desconfiada, bate a porta em sua cara.

Eis que chega o dono da casa: Mr. St. John. Ele vive com suas duas irmãs, Mary e Diana. Ao ver Jane, pálida, na porta, faz com que ela entre. Dão-lhe comida. Ela diz se chamar Jane Elliot. Ela dorme na casa. Pede ajuda a St. John para conseguir um emprego. Ele consegue para ela um emprego como professora da escola de uma tal Miss Oliver.

Tempos depois, St. John descobre que o sobrenome verdadeiro de Jane é Eyre. Informa-lhe que Mr. Briggs a procura para dizer-lhe que seu tio John, residente em Madeira, morreu. Jane agora é rica. Além disso, St. John revela que seu sobrenome é Eyre Rivers. O Eyre foi herdado da mãe, irmã do tio John, que morava em Madeira.

São primos, ela agora tem uma família. St. John pede Jane em casamento. Mas para Jane: “A única razão por que ele me pediu em casamento é para ter uma companheira-ajudante no seu trabalho na Índia [como missionário]”. Jane decide voltar a Thornfield Hall para saber notícias de Mr. Rochester, mas não encontra ninguém lá. Alguém lhe informa:

— Não, madame. Oh, não! Ninguém mais vive lá. Acho que a senhora não é da região, ou teria ouvido sobre o que aconteceu lá no último outono. Thornfield Hall é agora uma ruína, incendiou-se, logo após a colheita. Uma calamidade terrível! Uma quantidade enorme de coisas valiosas destruídas, mal se salvou alguns móveis. O fogo começou no meio da noite, e antes que o socorro chegasse de Millcote o prédio todo já estava em chamas. Foi um espetáculo terrível: eu mesmo fui testemunha dele.

Assim, Bertha, a esposa de Edward, morreu no incêndio. Além disso, Edward ficou completamente cego. Está vivendo agora em “Ferndean, na casa senhorial de uma fazenda que ele tem, a quase cinquenta quilômetros [de Thornfield]. É um lugar bem desolado”. Ela vai ao seu encontro e casa-se com ele.

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Características da obra Jane Eyre

→ Estrutura da obra Jane Eyre

O romance Jane Eyre, publicado, pela primeira vez, em 1847, possui 38 capítulos.

→ Estilo literário da obra Jane Eyre

Charlotte Brontë é uma escritora da Era Vitoriana. As obras desse período são mais realistas, apresentam crítica social e também evidenciam questões morais. A condição social da órfã Jane Eyre é mostrada pelo narrador, de forma a denunciar a disparidade social entre ricos e pobres.

Questões morais também são discutidas, já que Jane, mesmo sem saber, apaixona-se por um homem casado, o qual mantém segredo sobre a esposa louca. Além disso, a obra possui um diferencial: uma protagonista forte e mais independente do que a mulher da época. Assim, apresenta questões de gênero e denuncia a condição da mulher vitoriana, vítima do sistema patriarcal.

Contexto histórico da obra Jane Eyre

Jane Eyre foi publicado em 1847, no contexto da Era Vitoriana, que teve início em 1837 e terminou em 1901. Durante esse período, o Reino Unido foi governado pela Rainha Vitória. Ele foi marcado pela industrialização, pelo imperialismo e pelas transformações socioculturais. Com a ascensão da burguesia, seus valores morais ficaram em evidência. A Era Vitoriana apresenta uma cultura fortemente moralista, com forte repressão sexual. Nesse contexto, as disparidades sociais também estão em evidência.

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Adaptações da obra Jane Eyre

→ Longas-metragens da obra Jane Eyre

Pôster do filme “Jane Eyre”, lançado em 1921 e uma das primeiras adaptações da obra de Charlotte Brontë.
Pôster do filme Jane Eyre, lançado em 1921.
  • Jane Eyre (1921): produção estado-unidense, direção de Hugo Ballin.
  • A órfã de Lowood (1926): produção alemã, direção de Curtis Bernhardt.
  • Jane Eyre (1934): produção estado-unidense, direção de Christy Cabanne.
  • Jane Eyre (1943): produção estado-unidense, direção de Robert Stevenson.
  • A garota órfã (1956): produção de Hong Kong, direção de Yan Jun.
  • Jane Eyre (1961): produção estado-unidense, direção de Marc Daniels.
  • Bedi bandavalu (1968): produção indiana, direção de C. Srinivasan.
  • Jane Eyre (1970): produção britânica, direção de Delbert Mann.
  • Jane Eyre (1996): coprodução entre França, Reino Unido, Estados Unidos e Itália, dirigido por Franco Zeffirelli.
  • Jane Eyre (1997): produção britânica, direção de Robert Young.
  • Jane Eyre (2011): coprodução entre Reino Unido e Estados Unidos, direção de Cary Joji Fukunaga.

→ Minisséries da obra Jane Eyre

  • Jane Eyre (1956): produção britânica, direção de Campbell Logan.
  • Jane Eyre (1963): produção britânica, direção de Rex Tucker.
  • Jane Eyre (1973): produção britânica, direção de Joan Craft.
  • Jane Eyre (1983): produção britânica, direção de Julian Amyes.
  • Jane Eyre (2006): produção britânica, direção de Susana Branca.

Charlotte Brontë, autora de Jane Eyre

Pintura retratando Charlotte Brontë, a autora de “Jane Eyre”.
Charlotte Brontë, em pintura de John Hunter Thompson.

Charlotte Brontë é a autora de Jane Eyre. Ela nasceu em 21 de abril de 1816, em Thornton, na Inglaterra. Mais tarde, em 1824, ingressou na instituição de ensino Cowan Bridge, no Clergy Daughters’ School. Assim, desde cedo, dedicou-se aos estudos, à leitura e à escrita. Também foi tutora, além de professora na Bélgica.

Em 1846, em companhia de suas irmãs Emily e Anne, publicou uma coletânea de poemas. Em seguida, publicou Jane Eyre, sua obra mais famosa. Ela casou-se, em 1854, com Arthur Bell Nicholls. Não teve filhos e faleceu no dia 31 de março de 1855, em Haworth, na Inglaterra.

Crédito de imagem

[1] Companhia das Letras (reprodução)

Fontes

ALBRECHT, Karina Gebien. Literatura inglesa. Indaial: UNIASSELVI, 2019.

ALLISON, Simon P.; LOBO, Dileep N. The death of Charlotte Brontë from hyperemesis gravidarum and refeeding syndrome: a new perspective. Clinical Nutrition, Edinburgh, v. 39, n. 1, jan. 2020.

BARBOSA, Mariana de Oliveira Lopes. Era Vitoriana. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/era-vitoriana.htm.

BRONTË, Charlotte. Jane Eyre: uma autobiografia. Tradução de Doris Goettems. São Paulo: Landmark, 2010.

CEVASCO, Maria Elisa; SIQUEIRA, Valter Lellis. Rumos da literatura inglesa. 2. ed. São Paulo: Ática, 1985.

DUARTE, Paloma Mariano. Jane Eyre, de Charlotte Brontë: uma leitura patriarcalista. 2018. Monografia (Licenciatura em Letras) – Centro de Formação de Professores, Universidade Federal de Campina Grande, Cajazeiras, 2018.


Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/literatura/jane-eyre.htm