O futuro do presente é um dos tempos verbais do modo indicativo, sendo usado para indicar ações, fatos ou estados que ainda vão acontecer em relação ao momento em que se fala.
Leia também: Quais são os tempos verbais?
O futuro do presente é um tempo verbal do modo indicativo.
Indica ação que ocorrerá em momento posterior ao da fala.
Costuma ocorrer em contextos de previsões, promessas, hipóteses e instruções.
Pode aparecer em formas simples ou compostas.
Difere-se do futuro do pretérito, outro tempo verbal do modo indicativo.
O futuro do presente é um tempo verbal do modo indicativo, indicando ações que ocorrerão em momento posterior ao da fala. Observe:
Nós faremos um churrasco no final de semana.
Nesse caso, o verbo “fazer” aparece conjugado no tempo futuro, pois indica uma ação que ocorrerá no final de semana após o momento da fala.
Veja a conjugação de três verbos regulares no tempo futuro do presente do modo indicativo:
|
1ª conjugação |
2ª conjugação |
3ª conjugação |
|
amar |
varrer |
assistir |
|
amarei |
varrerei |
assistirei |
|
amarás |
varrerás |
assistirás |
|
amará |
varrerá |
assistirá |
|
amaremos |
varreremos |
assistiremos |
|
amareis |
varrereis |
assistireis |
|
amarão |
varrerão |
assistirão |
O futuro do presente é usado principalmente para marcar ações que ocorrerão após o momento em que se fala. Veja:
Amanhã, eu estudarei para a prova.
Terminaremos os exames em cinco minutos.
Meus primos visitarão minha cidade no mês que vem.
Eu serei engenheira quando eu crescer!
Nós viajaremos o mundo todo algum dia...
Perceba como, em todos os casos, os verbos destacados indicam ações que ainda não ocorreram, mas que são apresentadas como certas de ocorrer em momento posterior ao presente, seja dentro de alguns segundos, seja em um futuro incerto. Nesses casos, a ação pode ser entendida como uma previsão ou uma promessa.
Atenção! Em casos específicos, o tempo futuro do presente é usado para indicar uma dúvida a respeito de uma ação no tempo presente ou passado. Veja:
“Onde estará meu celular, agora?”
Aqui, apesar de o verbo estar no futuro do presente, a dúvida é sobre algo no momento presente da fala, podendo ser substituído pela forma no presente:
“Onde está meu celular, agora?”
O mesmo efeito pode ser gerado para uma ação passada. Veja este outro caso sobre uma dúvida no tempo passado:
verbo auxiliar no futuro do presente + verbo principal no particípio
“Ué, quem terá batido à minha porta a essa hora da noite?”
Nesses casos, há uma locução verbal em que um dos verbos é conjugado no futuro do presente e outro permanece no particípio. Portanto, em exceções, o tempo futuro do presente pode ser usado para expressar dúvida no tempo presente ou passado.
Os verbos no futuro do presente apresentam desinência própria. Nos verbos regulares do português, esse tempo é formado a partir do radical do verbo com o acréscimo de terminações específicas. Veja:
radical + vogal temática + desinência modo-temporal + desinência número-pessoal → forma no futuro do presente
cant + a + r + ei → cantarei
vend + e + r + ei → venderei
part + i + r + ei → partirei
Nos três casos, a desinência que indica o futuro do presente do indicativo é r. Quando os verbos têm essa formação, os falantes entendem que a ação está conjugada no futuro do presente do indicativo.
Veja como essa desinência permanece nos verbos regulares de 1ª conjugação:
cant + a + r + ei → cantarei
cant + a + r + ás → cantarás
cant + a + r + á → cantará
cant + a + r + emos → cantaremos
cant + a + r + eis → cantareis
cant + a + r + ão → cantarão
Veja como essa desinência permanece nos verbos regulares de 2ª conjugação:
vend + e + r + ei → venderei
vend + e + r + ás → venderás
vend + e + r + á → venderá
vend + e + r + emos → venderemos
vend + e + r + eis → vendereis
vend + e + r + ão → venderão
Veja como essa desinência permanece nos verbos regulares de 3ª conjugação:
part + i + r + ei → partirei
part + i + r + ás → partirás
part + i + r + á → partirá
part + i + r + emos → partiremos
part + i + r + eis → partireis
part + i + r + ão → partirão
Atenção! Verbos irregulares têm formas diferentes, devido à mudança no radical. Exemplos:
dizer → direi
poder → poderei
haver → hei
O futuro do presente composto é uma locução verbal formada por dois verbos: verbo ter no futuro do presente e o particípio do verbo principal. Essa locução é usada para indicar uma ação futura que estará concluída antes de outra ação futura ou antes de um momento futuro de referência.
Veja:
verbo auxiliar no futuro do presente + verbo principal no particípio
Até o final do ano, eu terei escrito muitos textos.
Ela terá completado toda a formação depois que finalizar as tarefas.
Nós já teremos entregado o projeto até o encerramento do prazo.
No primeiro caso, o momento de referência é “o final do ano”, enquanto a ação futura de “escrever” ocorrerá antes do momento de referência.
No segundo caso, o momento de referência é a ação “finalizar as tarefas”, que ocorrerá após a ação futura “completar”.
No terceiro caso, o momento de referência é “o encerramento do prazo”, enquanto a ação verbal “entregar” também é futura, mas ocorre antes do momento de referência.
Atenção! O futuro do presente composto não deve ser confundido com a locução verbal no tempo presente usada para indicar uma ação no futuro simples. Exemplo:
Eu vou escrever mais um texto amanhã. → ação futura
Eu terei escrito muitos textos antes de poder descansar. → ação futura já concluída em relação a outro momento do futuro (“poder descansar”)
No primeiro caso, temos uma locução verbal usando um verbo no tempo presente (“vou”) para indicar uma ação futura (“vou escrever”, ou seja, “escreverei”).
Já no segundo caso, temos uma locução verbal no futuro do presente composto (“terei escrito”) para indicar uma ação futura como algo já concluído em relação a outro tempo no futuro (“poder descansar”).
Leia também: Quais são os tempos verbais compostos?
O futuro do presente normalmente indica um fato que ocorrerá posteriormente ao momento da fala, visto como possível ou planejado.
Já o futuro do pretérito indica um fato que ocorreria em certas condições, em geral dependendo de outra ação.
Observe a diferença:
Futuro do presente: “Eu comprarei esse livro.”
Futuro do pretérito: “Eu compraria esse livro.”
No primeiro caso, há intenção de comprar o livro, ou seja, a ação futura é entendida como realizável em momento posterior ao da fala.
No segundo caso, nota-se que não há certeza da compra do livro, ou seja, a ação futura é uma possibilidade, mas sob alguma condição.
Questão 1
(Vunesp, 2019)
Leia o trecho inicial do conto “O cobrador”, de Rubem Fonseca, para responder à questão.
Na porta da rua uma dentadura grande, embaixo escrito Dr. Carvalho, Dentista. Na sala de espera vazia uma placa, Espere o Doutor, ele está atendendo um cliente. Esperei meia hora, o dente doendo, a porta abriu e surgiu uma mulher acompanhada de um sujeito grande, uns quarenta anos, de jaleco branco.
Entrei no gabinete, sentei na cadeira, o dentista botou um guardanapo de papel no meu pescoço. Abri a boca e disse que o meu dente de trás estava doendo muito. Ele olhou com um espelhinho e perguntou como é que eu tinha deixado os meus dentes ficarem naquele estado.
Só rindo. Esses caras são engraçados.
Vou ter que arrancar, ele disse, o senhor já tem poucos dentes e se não fizer um tratamento rápido vai perder todos os outros, inclusive estes aqui — e deu uma pancada estridente nos meus dentes da frente.
Uma injeção de anestesia na gengiva. Mostrou o dente na ponta do boticão: A raiz está podre, vê?, disse com pouco caso. São quatrocentos cruzeiros.
Só rindo. Não tem não, meu chapa, eu disse.
Não tem não o quê? Não tem quatrocentos cruzeiros. Fui andando em direção à porta.
Ele bloqueou a porta com o corpo. É melhor pagar, disse. Era um homem grande […]. E meu físico franzino encoraja as pessoas. Odeio dentistas, comerciantes, advogados, industriais, funcionários, médicos, executivos, essa canalha inteira. Todos eles estão me devendo muito. Abri o blusão, tirei o 38 [...]. Ele ficou branco, recuou. Apontando o revólver para o peito dele comecei a aliviar o meu coração: tirei as gavetas dos armários, joguei tudo no chão, chutei os vidrinhos todos como se fossem balas, eles pipocavam e explodiam na parede. Arrebentar os cuspidores e motores foi mais difícil, cheguei a machucar as mãos e os pés. O dentista me olhava, várias vezes deve ter pensado em pular em cima de mim, eu queria muito que ele fizesse isso para dar um tiro naquela barriga grande […].
Eu não pago mais nada, cansei de pagar!, gritei para ele, agora eu só cobro!
(O melhor de Rubem Fonseca, 2015.)
O primeiro verbo atribui ideia de futuro ao segundo na locução verbal sublinhada em:
A) “Fui andando em direção à porta” (8º parágrafo)
B) “Apontando o revólver para o peito dele comecei a aliviar o meu coração” (9º parágrafo).
C) “Todos eles estão me devendo muito” (9º parágrafo).
D) “Na sala de espera vazia uma placa, Espere o Doutor, ele está atendendo um cliente” (1º parágrafo).
E) “o senhor já tem poucos dentes e se não fizer um tratamento rápido vai perder todos os outros” (4º parágrafo).
Resposta
Alternativa E. Em “vai perder”, o primeiro verbo (“vai”) atribui uma ideia de futuro em relação ao segundo (“perder”), sendo uma locução que pode ser substituída por “perderá”.
Questão 2
(Fauel, 2024)
Considere a crônica a seguir, de autoria de Clarice Lispector, para responder à questão.
Insônia infeliz e feliz
De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam.
Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão.
Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir?
Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão. Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta.
Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.
(“Insônia infeliz e feliz”, por Clarice Lispector, com adaptações)
No terceiro parágrafo do texto, ao questionar “Quem estará acordado agora?”, a autora emprega o verbo “estar” no tempo futuro do indicativo com o intuito de expressar uma:
A) afirmação sobre o porvir.
B) certeza sobre o passado.
C) convicção sobre o futuro.
D) dúvida sobre o presente.
Resposta
Alternativa D. Na frase “Quem estará acordado agora?”, o verbo “estará” aparece no futuro, mas acompanhado do advérbio “agora”, indicando que se trata de uma dúvida sobre um fato do presente.
Fontes:
AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Parábola, 2021.
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 38ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7ª ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2016.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/futuro-do-presente.htm