A nova variante da Covid-19, BA.3.2, está sendo monitorada pela Rede Global de Vírus (GVN), organização que reúne virologistas de mais de 40 países.
Para Marcelo Otsuka, infectologia do Hospital Infantil Darcy Vargas, gerido pelo Einstein, ao tratar do coronavírus, é importante compreender que ele é um vírus com alta capacidade de mutação e por este motivo é que se tem muitas variantes.
Apelidada de "Cicada" (cigarra em português), ela foi identificada pela primeira vez em novembro de 2024 e já foi relatada em 23 países, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.
No último dia 11 de março, completaram-se seis anos do anúncio oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS) que determinou emergência sanitária global até maio de 2023. A pandemia do coronavírus teve origem em Wuhan, na China, e provocou uma série de desdobramentos como isolamento social e milhões de casos e mortes pelo mundo.
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A nova variante da Covid-19 é a BA.3.2 que é caracterizada pela capacidade significativa de expansão da doença devido ao número elevado de mutações, conceitua Marcelo.
Diante de uma variante de vírus, é preciso considerar os aspectos abaixo, lista o infectologista:
Identificar se a nova variante promove maior gravidade na doença;
Capacidade de disseminação do vírus;
Quanto a nova variante consegue fugir da resposta imunuológica das vacinas atuais.
No caso da BA.3.2, Otsuka destaca que ela é resultado de muitas mutações o que permite ser uma variante com capacidade de expandir a doença. Entretanto, não se observa uma avanço na gravidade a partir de sua infecção.
Nesse sentido, apesar do número significativo de casos da variante, ela não conta com a gravidade característica da Ômega, por exemplo.
Vanessa Lentini da Costa Zarpellom, infectologista do Hospital Santa Marcelina, explica que a nova variante BA.3.2 é uma sublinhagem da Omicron, a do final de 2021. Entre os sintomas listados pela médica, estão:
Quadro de síndrome gripal
Febre
Tosse
Dor de garganta
Dor no corpo
Dor de cabeça
Coriza
Congestão nasal
Às vezes diarreia.
Segundo Vanessa Lentini, até dados publicados na Semana Epidemiológica 12 (28 de março) não houve registro da nova variante Cicada no Brasil.
Quanto à resposta imunológica das vacinas atuais contra a nova variante BA.3.2 da Covid-19, segundo Marcelo Otsuka, é possível perceber que há uma fuga da resposta vacinal, mas que não impossibilita o uso da vacina.
Por contar com muitas mutações, principalmente na proteína Spike - responsável pela ligação do vírus à célula -, a BA.3.2 causa no organismo uma resposta menor imunológica, uma vez que o foco das vacinas é a produção de anticorpos anti-proteína Spike, explica.
Apesar do uso da vacina não ser descartado pelo profissional, ele alerta para a necessidade de atualização vacinal. Além disso, é fundamental a continuidade do desenvolvimento de imunizantes contra o coronavírus e o monitoramento de novas variantes.
É fundamental que as pessoas infectadas façam o uso de máscaras para evitar a transmissão do vírus, que acontece por meio de gotículas emitidas na fala, no espirro ou na tosse. O contato com uma pessoa infectada ou com superfícies e objetos contaminados pode levar também ao quadro infeccioso.
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Uma pandemia ocorre quando uma doença espalha-se por uma grande quantidade de regiões no globo, ou seja, ela não está restrita apenas a uma localidade, estando presente em uma grande área geográfica.
Confira a videoaula sobre o que é o coronavírus, quais são os sintomas e riscos da Covid-19:
Por Lucas Afonso
Jornalista
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/noticias/nova-variante-covid-19-duvidas-sobre-a-ba32/3132950.html