Clarice Lispector

Clarice Lispector foi uma escritora, jornalista e diplomata brasileira. O conjunto de sua obra literária é um dos mais importantes do modernismo brasileiro.

Clarice Lispector (1920-1977) foi uma das mais importantes figuras da literatura modernista brasileira. Autora de clássicos como A hora da estrela, Laços de família ou ainda o livro de contos Felicidade Clandestina, Lispector construiu uma obra singular em nossa história, ressaltando um estilo intimista, com um olhar voltado para as questões cotidianas e, principalmente, psicológicas do ser humano.

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Características

A obra de Clarice Lispector é normalmente associada ao Modernismo brasileiro em sua fase final. Seus livros são contemporâneos de outros autores, como Cecília Meireles e Vinicius de Moraes. É comum encontrarmos personagens criados pela escritora passando por processos de epifania diante de situações corriqueiras, banais.

A epifania, vale lembrar, é uma espécie de reconhecimento que uma personagem passa, compreendendo a essência de algo. No conto O amor, do livro Laços de família, por exemplo, a personagem central, Ana, tem uma epifania enquanto sai para comprar ovos e vê um cego mastigando chicletes. A personagem faz uma espécie de viagem introspectiva enquanto estava sentada no Jardim Botânico, do Rio de Janeiro – vale a pena conferir esse conto inteiro para conhecer qual é a revelação encontrada pela personagem.

Biografia

Clarice Lispector nasceu na Ucrânia, no dia 10 de dezembro de 1920. Aos dois anos de idade, em 1922, a autora migrou para o Brasil devido à Guerra Civil Russa, que provocou a falência da família de Lispector, assim como por motivos de perseguição religiosa – a família era judia.

Da Ucrânia, entretanto, a autora afirma: "Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo". Para Clarice, o país em que nascera não teve grande influência em sua formação. De fato, quando questionada, dizia-se pernambucana – foi em Recife que a família passou a residir.

No conto Felicidade Clandestina, publicado em livro homônimo, Clarice narra a infância de uma personagem que era apaixonada por Monteiro Lobato e residia em Recife, assim como a autora. Tais detalhes biográficos fazem alguns leitores suporem que a autora falava de si mesma quando construíra a personagem.

Aos quatorze anos de idade, mudou-se com o pai para o Rio de Janeiro, local em que fixou residência durante boa parte da vida. Na cidade maravilhosa, já órfã de mãe, que havia falecido quando a escritora tinha oito anos, a autora frequentou a Universidade Federal do Rio de Janeiro e tornou-se uma conhecida escritora, jornalista e diplomata brasileira.

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Doença e morte

Clarice Lispector morreu no Rio de Janeiro, em 09 de dezembro de 1977, aos 56 anos. A causa da morte foi um câncer no ovário. A autora deixou dois filhos e um legado incalculável para a literatura brasileira.

Obras

As principais obras de Clarice Lispector são:

Perto do coração selvagem (1943)

Laços de família (1960)

A paixão segundo G. H. (1961)

A legião estrangeira (1964)

Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (1969)

Felicidade clandestina (1971)

Água viva (1973)

A hora da estrela (1977)

Um sopro de vida (1978)

Frases

Com o advento da internet e das redes sociais, Clarice Lispector tornou-se uma das autoras mais compartilhadas entre entusiastas da literatura, embora a autoria de muitas citações deva ser motivo de desconfiança de usuários desavisados. Muito do que se compartilha com o nome de Lispector nunca foi escrito pela própria autora, o que nos obriga a ter cuidado e checar as fontes antes de enviar as frases da autora para os amigos virtuais.

Uma frase famosa de Clarice que vive aparecendo nas redes sociais é a seguinte: “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”. Esse trecho incrível realmente é da autora e pode ser conhecido em seu contexto completo no livro Perto do coração selvagem, primeiro romance da escritora.

Veja outras frases  famosas da autora:

“Ela é tão livre que um dia será presa. ‘Presa por quê?’ ‘Por excesso de liberdade’. ‘Mas essa liberdade é inocente?’ ‘É’. ‘Até mesmo ingênua’. ‘Então por que a prisão?’ ‘Porque a liberdade ofende’.” -  Um Sopro de Vida (Pulsações)

"Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite." – A hora da estrela


Por Me. Fernando Marinho


Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/literatura/clarice-lispector.htm