Bens e serviços são produtos e habilidades ofertados aos consumidores ou a agentes intermediários dentro de um sistema produtivo. O que os diferencia é o fato de os bens materiais serem tangíveis e terem uso feito pelo comprador à sua maneira, enquanto os serviços são intangíveis e dependem da expertise de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos, sendo contratados segundo a necessidade. Não somente a população, consumidora final, faz a aquisição de bens e de serviços, como, também, empresas e outros prestadores de serviços. Nesse caso, eles recebem a classificação de bens e de serviços intermediários, já que são indispensáveis para o andamento do processo produtivo.
No Brasil, os bens e os serviços são passíveis de tributação. Nesse sentido, foi criado o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), recolhido nas esferas estadual e municipal e que substituiu o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto Sobre Serviços (ISS) por meio da reforma tributária aprovada em 2023.
Leia também: Afinal, o que é o ICMS?
Bens e serviços são produtos ofertados aos consumidores ou a intermediários dentro de um sistema produtivo. Por essa razão, os serviços também são enquadrados na categoria de bens econômicos, que são aqueles que podem ser adquiridos por meio da compra mediante um preço preestabelecido ou acertado com o comprador ou com o contratante. Os bens e os serviços são parte fundamental de uma cadeia produtiva ou de serviços, visto que respondem diretamente à demanda de consumo e são indispensáveis para a manutenção dos diferentes setores produtivos que constituem a economia de um território.
Os serviços também podem ser classificados como bens econômicos. Atribui-se a eles a classificação de bens imateriais, em contraposição aos bens materiais. Essa é a principal diferença entre os bens e os serviços. Entenda:
Veja também: Setor terciário — o setor da economia ligado às atividades econômicas de comércio e de prestação de serviços
Os bens são classificados de acordo com a sua finalidade em bens de produção, em bens intermediários e em bens de consumo. Saiba a diferença entre cada um deles:
|
Bens de produção |
Bens intermediários |
Bens de consumo |
|
São os bens que serão reintroduzidos no processo de produção de outros itens, servindo como insumos ou como matéria-prima. Inclui chapas metálicas, peças para maquinários, madeira, combustíveis fósseis, aço e demais produtos derivados das indústrias pesadas (ou de base). Os bens de produção são vendidos para outras indústrias pesadas ou intermediárias. |
Também são itens empregados no processo de fabricação de outros bens. Contudo, estamos falando de equipamentos, de maquinários, de componentes elétricos e eletrônicos, de peças para utilitários, de plástico, de borracha, de papel e de celulose e de outros bens desenvolvidos nas indústrias intermediárias. Comumente vendidos para indústrias de bens de consumo. |
São divididos em duas categorias: duráveis e não duráveis. Em geral, são os bens finais colocados à venda para a população, isto é, os consumidores. Os bens de consumo duráveis apresentam longa duração e não perdem a sua utilidade rapidamente, como os eletrodomésticos, as roupas, os cosméticos e os automóveis. Os bens de consumo não duráveis são aqueles para uso ou para consumo imediato ou rápido, como é o caso dos alimentos e de bebidas. |
Os serviços, por sua vez, podem ser classificados de diferentes maneiras. Uma delas é segundo o tipo de pessoa jurídica que o oferece: pública ou privada. Temos, com isso, dois tipos de serviço:
|
Serviço público |
Serviço privado |
|
São todos os tipos de serviços oferecidos por estabelecimentos, por organizações ou por agências que fazem parte do governo de um território. Eles são financiados a partir de uma parcela dos tributos que são pagos pelos cidadãos, que podem usufruir de forma gratuita de tais serviços. Estão inclusos aqui serviços dos ramos da saúde, da educação e da segurança pública. |
São os serviços oferecidos por empresas do setor privado, ou por indivíduos que trabalham de forma autônoma como prestadores. Diferente dos serviços públicos, os serviços privados somente são efetivados mediante o pagamento antecipado ou logo após a sua realização. Nessa categoria, existem diferentes tipos de serviços (pessoais, administrativos, de varejo, empresariais etc.) que atendem tanto pessoas físicas quanto pessoas jurídicas, incluindo outras empresas e prestadores. |
Segundo o tipo de consumo, os serviços podem ser categorizados da seguinte forma:
A Organização das Nações Unidas (ONU), conforme artigo da professora Anita Kon |1|, divide os serviços de acordo com a tarefa em:
Os bens e os serviços intermediários são aqueles que integram as etapas de um processo produtivo para a concepção ou para a obtenção de um novo tipo de bem ou de serviço, fazendo com que ele chegue até o destinatário final. Nesse sentido, eles são adquiridos ou contratados por empresas ou por prestadoras de serviço com o intuito de assegurar a continuidade das etapas de produção ou de desenvolvimento de um determinado bem econômico.
Então, um bem intermediário é um insumo empregado para a fabricação de um novo tipo de bem final ou, até mesmo, de um outro bem intermediário. São os maquinários, os sistemas de automação, as peças e as matérias-primas indispensáveis para o funcionamento de uma unidade industrial e, por conseguinte, para a continuidade do processo de produção e de adição de valor ao bem final. A ausência de um ou de mais bens intermediários interrompe a cadeia produtiva e atrasa por completo as entregas.
Seguindo a mesma lógica, os serviços intermediários são aqueles prestados diretamente para outras empresas e que garantem a entrega da produção. Fazem parte dessa categoria os serviços, como de manutenção e de logística, plataformas de atendimento ao cliente, agências de consultoria, determinados serviços bancários e financeiros e suporte técnico às empresas e às indústrias.
A reforma tributária que simplificou os impostos pagos pelos contribuintes no Brasil alterou aqueles que recaíam sobre os bens e sobre os serviços. Atualmente, o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e o ISS (Imposto Sobre Serviços) são os principais tributos pagos sobre bens e sobre serviços no território nacional. Enquanto o primeiro se originou na década de 1920 e é recolhido na esfera estadual, o segundo é mais recente, do começo dos anos 2000, e é recolhido na esfera municipal. Contudo, a partir de 2027, eles darão lugar ao Imposto sobre Bens e Serviços, ou IBS.
O IBS é um dos dois Impostos sobre Valor Adicionado (IVA) criado no âmbito da reforma tributária que foi aprovada no ano de 2023. Seu intuito é, de fato, substituir o ICMS e o ISS, e será recolhido, segundo o Ministério da Fazenda, no local de consumo de um bem ou de contratação do serviço. Ele incindirá sobre bens e sobre serviços nacionais e internacionais, isto é, importados. Além dele, o IVA é constituído por um tributo federal chamado Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e que entrará em vigor no mesmo período.
Notas
|1| KON, Anita. Service activities: reviewing concepts and typologies. Brazilian Journal of Political Economy, [S. l.], v. 19, n. 2, p. 307–328, 1999. Disponível em: https://periodicos.fgv.br/bjpe/article/view/95959.
Fontes
FERREIRA, Pedro Cavalcanti; DELALIBERA, Bruno R.; VELOSO, Fernando. Serviços intermediários e produtividade agregada no Brasil. Revista Brasileira de Economia, n. 75, ed. 3. Jul/Set. 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbe/a/HkjDqFvNSGtZRPDZgdtyrKx/?format=html&lang=pt.
MEIRELLES, Dimária Silva e. The concept of service. Brazilian Journal of Political Economy, [S. l.], v. 26, n. 1, p. 119–136, 2006. Disponível em: https://periodicos.fgv.br/bjpe/article/view/95111.
REDAÇÃO. Understanding Consumer Goods: Types, Examples, and Key Insights. Investopedia, [s.d.]. Disponível em: https://www.investopedia.com/terms/c/consumer-goods.asp.
SEFAZ. Reforma Tributária. Secretaria da Fazenda (SEFAZ), [s.d.]. Disponível em: https://portalservicos.sefaz.ce.gov.br/tema-geral+reforma-tributaria+66f68fe66e78d03226ba98d3.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/economia/bens.htm