Plot twist é um recurso narrativo usado tanto na literatura quanto no cinema que consiste em uma reviravolta na trama, o que quebra com as expectativas do receptor da obra. O plot twist é um momento de grande impacto na narrativa. Ele é resultado de uma trama bem-estruturada e coerente.
Há reviravoltas famosas tanto no cinema quanto na literatura. Um exemplo é a revelação de que Darth Vader, de Guerra nas estrelas, é o pai de Luke Skywalker. Outro exemplo é o livro O médico e o monstro, que tem seu auge com a revelação de que o médico e o monstro são a mesma pessoa. Revelações hoje amplamente conhecidas por todos, mas que causaram grande impacto no passado.
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O plot twist é um recurso narrativo que consiste em uma reviravolta na trama, seja em uma obra literária, seja em uma obra cinematográfica.
Éum elemento-surpresa que quebra com as expectativas do leitor ou do espectador, a partir de uma reviravolta coerente com a trama narrada.
Alguns plot twists clássicos são:
Algumas obras literárias famosas que apresentam plot twist são:
Algumas obras cinematográficas famosas que apresentam plot twist são:
O sexto sentido, de M. Night Shyamalan;
Uma mente brilhante, de Ron Howard;
O planeta dos macacos, de Franklin J. Schaffner.
O plot twist é uma reviravolta na trama. Tenho certeza de que você já esteve diante de um plot twist. É quando a história (do filme que você está assistindo ou do livro que você está lendo), surpreendentemente, toma outra direção. A esse fenômeno da ficção chamamos “plot twist”.
A expressão “plot twist” é inglesa. “Plot” significa “história” ou “enredo”. Já “twist” é “torção” ou “giro”. Traduzido ao pé da letra, “plot twist” é “reviravolta da história”. A reviravolta é uma mudança súbita no enredo, algo que você não esperava, e, de repente, lá está, deixando você surpreso, de boca aberta.
Segundo o doutor em História Thiago Henrique Felício, o plot twist é “uma reviravolta no enredo — recurso este oriundo da literatura, mas que se tornou mais comum no cinema a partir da década de 1990, quando surgiram filmes que obtiveram êxito em utilizá-lo no intuito de contornar o desgaste provocado pelo modelo industrial”. |1|
O plot twist é caracterizado por uma reviravolta na trama. É um elemento não esperado pelo receptor da obra. Portanto, ele não é anunciado de antemão. A pessoa que está lendo o livro ou assistindo ao filme não espera essa reviravolta. O plot twist é um elemento-surpresa.
Ele quebra as expectativas do receptor da obra, o qual, de repente, depara-se com algo inesperado. É como se você estivesse caminhando em uma praça já conhecida, e, de repente, um drone caísse sobre sua cabeça e mudasse os seus planos. É claro que o plot twist não é tão desagradável quanto um drone caindo sobre sua cabeça.
Pelo contrário, o objetivo desse recurso ficcional é produzir comoção no leitor ou no espectador. E, como você sabe, emoções provocadas por obras ficcionais são prazerosas, mesmo que sejam desagradáveis. Isso porque é uma experiência artificialmente provocada e não uma tragédia pessoal (como um drone caindo em sua cabeça).
Esse prazer ao vivenciar experiências a partir de uma obra ficcional tem um nome: catarse. Em definição de dicionário, catarse é a “libertação de sentimentos ou emoções reprimidas, que conduz a uma sensação de alívio ou pacificação”. Ou ainda, segundo Aristóteles, “efeito de libertação e purificação emocional provocado no espectador pela experiência estética da tragédia, em resultado do confronto com as violentas emoções (horror, piedade etc.) evocadas”.
O plot twist é uma mudança drástica no enredo, algo inesperado e surpreendente. É uma mudança repentina. Você não está esperando por tal reviravolta. Por isso, quando ela acontece, o impacto é grande. Esse recurso literário ou cinematográfico tem o poder de mudar os rumos da história que está sendo contada.
Quando ocorre o plot twist, a interpretação do leitor ou do espectador também se altera, já que as coisas não eram bem como ele acreditava. Porém, a reviravolta faz sentido na trama, não é uma mudança forçada e permite que você entenda melhor o enredo. Tanto é verdade que você acaba dizendo um “ah!...” ao entender certos acontecimentos antes ignorados por você.
Eu disse que o plot twist não é anunciado de antemão, e é verdade. No entanto, é comum que o narrador dê leves pistas. Afinal, a reviravolta precisa fazer sentido no enredo. Porém, o objetivo mesmo é que você não consiga fazer associações preliminares entre acontecimentos prévios e o plot twist. Do contrário, é anulada a surpresa essencialmente característica desse recurso literário.
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Em uma história policial, o narrador é o misterioso assassino.
A pessoa em quem o protagonista confiava foi quem desencadeou todo seu infortúnio.
Quem todos acreditavam ser o herói da história é, na verdade, um grande vilão.
A pessoa amada é uma impostora.
A pessoa humilde e com autoestima baixa é uma pessoa dissimulada com um plano maligno.
Toda a história contada não passou de um sonho.
O que aconteceu não é real, pois pertence a uma realidade virtual.
A história aconteceu apenas na mente de um personagem em coma ou louco.
Um dos personagens principais é alguém do futuro, com uma missão importante.
O que parecia outro planeta é o futuro da Terra.
A pessoa que todos acreditavam ser o vilão estava agindo para salvar alguém ou o planeta.
O personagem principal está morto, mas não sabe.
O protagonista é um robô que acreditava ser humano.
O personagem se transforma naquilo que ele combatia.
O herói descobre que o vilão da história é seu pai.
O personagem principal descobre que não passa de um clone.
O chefe ou o par romântico de um dos personagens principais é alguém em busca de vingança por humilhações do passado.
Antes de começar este tópico, estou dando alerta de spoiler. Isso mesmo, vou ter que expor as reviravoltas de filmes e de livros, o que vai estragar sua experiência com tais obras. Então, desculpe-me, por favor.
A revolução dos bichos, de George Orwell: os porcos passam a andar nas patas traseiras, ou seja, transformam-se em humanos.
Senhora, de José de Alencar: a protagonista enriquece e casa-se com o homem que a desprezou no passado para se vingar dele.
Dom Casmurro, de Machado de Assis: a história romântica entre Bentinho e Capitu sofre uma reviravolta quando o marido começa a suspeitar de uma traição.
Psicose, de Robert Bloch: a mãe do protagonista, na verdade, está morta.
Jane Eyre, de Charlotte Brontë: o casamento de Jane é interrompido com a revelação de que seu noivo já é casado.
A escuridão ao nosso redor, de Eliot Schrefer: os protagonistas descobrem que são clones descartáveis.
O assassinato de Roger Ackroyd, de Agatha Christie: o assassino é o narrador da história.
Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa: o personagem Reinaldo ou Diadorim, melhor amigo do protagonista, é uma mulher.
O médico e o monstro, de Robert Louis Stevenson: o médico e o monstro são a mesma pessoa.
O sexto sentido, de M. Night Shyamalan: o psicólogo que trata o menino que vê gente morta está morto.
Uma mente brilhante, de Ron Howard: pessoas que o protagonista achava serem reais são fruto de sua mente esquizofrênica.
Saltburn, de Emerald Fennell: o protagonista, que parecia estar sendo manipulado pela família de seu amigo rico, arquitetou todo um plano de destruição dessa família.
Os outros, de Alejandro Amenábar: a família que acreditava estar sendo assombrada por fantasmas são os verdadeiros fantasmas.
O planeta dos macacos, de Franklin J. Schaffner: o que o protagonista acreditava ser outro planeta era a Terra do futuro.
Guerra nas estrelas, de George Lucas: o vilão Darth Vader é pai de Luke Skywalker.
A vila, de M. Night Shyamalan: o vilarejo retrógrado não é do final do século XIX, como somos levados a pensar, mas do presente.
Ilha do medo, de Martin Scorsese: aquele que acreditava ser um investigador é um criminoso internado em um hospital psiquiátrico.
Estômago, de Marcos Jorge: o presidiário Raimundo Nonato desperta empatia, pois é simpático e parece inofensivo, até que descobrimos que ele possui uma mente perversa.
Notas
|1| FELÍCIO, Thiago Henrique. Cineasta, historiador ou sujeito subversivo?: o caso Glauber Rocha e a repressão aguda aos excluídos da história após o golpe de 1964. 2020. Tese (Doutorado em História) – Setor de Ciências Humanas, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2020.
Fontes
CATARSE. In: INFOPÉDIA. Disponível em: https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/catarse.
FELÍCIO, Thiago Henrique. Cineasta, historiador ou sujeito subversivo?: o caso Glauber Rocha e a repressão aguda aos excluídos da história após o golpe de 1964. 2020. Tese (Doutorado em História) – Setor de Ciências Humanas, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2020.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/literatura/plot-twist.htm