Drácula

Drácula é um famoso livro do escritor irlandês Bram Stoker. A obra é um romance gótico da literatura vitoriana e mostra o fim do terrível vampiro Conde Drácula.

Drácula é um romance do escritor irlandês Bram Stoker. O livro é uma obra gótica do período vitoriano. Ele foi publicado, pela primeira vez, em 1897. Apresenta elementos sobrenaturais ou fantásticos, aspecto sombrio, acontecimentos mórbidos, atmosfera capaz de provocar o terror.

O livro começa com o encontro do inglês Jonathan Harker com o Conde Drácula, em um castelo na Transilvânia. Drácula vai para a Inglaterra, onde transforma Lucy em uma vampira. Lucy é amiga de Mina (noiva de Harker). Para destruir o monstro, o professor Van Helsing organiza uma caçada ao Conde Drácula.

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Resumo sobre a obra Drácula

  • O inglês Jonathan Harker, a serviço, vai até o castelo do Conde Drácula, na Transilvânia.

  • O conde tem interesse em uma propriedade na Inglaterra, e Harker está cuidando da documentação.

  • Harker fica no castelo por mais de um mês, onde presencia coisas aterrorizantes e sobrenaturais.

  • Ele é noivo de Mina, a qual é amiga de Lucy, que, por sua vez, vai se casar com um lorde chamado Arthur.

  • O Conde Drácula vai para a Inglaterra e morde Lucy, que vai ficando cada vez mais doente.

  • Mina descobre que Jonathan está doente em um hospital de Budapeste, vai ao encontro dele, e lá eles se casam.

  • Arthur pede a ajuda do doutor Seward, que, por sua vez, solicita a ajuda do professor Van Helsing.

  • Van Helsing não consegue salvar a vida de Lucy, que morre, ou melhor, transforma-se em uma vampira.

  • Arthur, Van Helsing e Morris matam a vampira Lucy, a qual estava atacando algumas crianças.

  • O casal Harker volta para a Inglaterra e junta-se ao grupo que está empenhado em encontrar e destruir Drácula.

  • Drácula agora tem nova vítima, pois Mina começa a apresentar os mesmos sintomas de Lucy.

  • O grupo destrói as caixas com terra da Transilvânia, terra que mantinha Drácula “vivo” no país estrangeiro.

  • Quando resta apenas uma caixa, o conde foge para a Transilvânia, onde seus perseguidores o esperam e o matam.

Análise da obra Drácula

Capa do livro “Drácula”, de Bram Stoker, publicado pela editora Companhia das Letras. [imagem_principal]
Capa do livro Drácula, de Bram Stoker, publicado pela editora Companhia das Letras. [1]

→ Personagens da obra Drácula

  • Abramoff: marinheiro.

  • Agatha: irmã em um hospital de Budapeste.

  • Arthur Holmwood: noivo de Lucy.

  • Cocheiros: levam Harker até o castelo de Drácula.

  • Drácula: conde da Transilvânia.

  • Esposa do estalajadeiro.

  • Estalajadeiro: dono do hotel Coroa de Ouro.

  • Hawkins: patrão de Jonathan.

  • John Seward: diretor do asilo de loucos.

  • Jonathan Harker: protagonista.

  • Lucy Westenra: amiga de Mina.

  • Marquand: advogado.

  • Mina Murray: noiva de Jonathan.

  • Olgaren: marinheiro.

  • Patrick Hennessey: subordinado de Seward.

  • Petrofsky: marinheiro desaparecido.

  • Quincy P. Morris: pretendente de Lucy.

  • R. M. Renfield: paciente do Dr. Seward.

  • Swales: um conhecido de Lucy e Mina.

  • Van Helsing: doutor em medicina, filosofia, literatura etc.

→ Tempo da obra Drácula

A história de Drácula apresenta tempo cronológico, pois a narrativa é linear, focada na apresentação dos acontecimentos em ordem cronológica. Já a época em que a trama ocorre é a segunda metade do século XIX, sem especificação do ano exato, já que os diários apresentam apenas dia e mês. Os acontecimentos ocorrem entre 3 de maio e 6 de novembro.

A única referência à época está sugerida em um túmulo no cemitério: “Edward Spencelagh, mestre-marinheiro, morto por piratas na costa de San Andrés, em abril de 1854, aetat trinta”. Portanto, a história passa-se depois disso, isto é, em algum ano da segunda metade do século XIX.

→ Espaço da obra Drácula

O principal espaço da narrativa de Drácula é a Inglaterra. Porém, há também a passagem dos protagonistas pela Transilvânia (região da Romênia).

→ Narrador da obra Drácula

Drácula possui narrador-personagem, pois quem narra participa da história narrada. Como o romance é composto por trechos de diários e de cartas, os principais narradores são: Jonathan Harker, Mina Murray, Lucy Westenra, Seward e Van Helsing.

→ Enredo da obra Drácula

O romance Drácula é composto por vários trechos de diários e por cartas. Assim, ele começa com o diário de Jonathan Harker. Ele relata sua viagem, com saída de Munique, passando por Viena, Budapeste. Harker é inglês, vive em Londres. Seu destino é a Transilvânia, onde pretende “negociar com um aristocrata local”:

Minha tarefa nesta terra estranha era tratar da compra de uma propriedade rural em Londres: algo aparentemente simples e burocrático. [...]. Seria esse um incidente corriqueiro na vida de um advogado comercial adjunto? [...]. Sim, pois pouco antes de partir de Londres, recebi a notícia de que passara na prova; agora, sou oficialmente um advogado comercial.

Antes de se encontrar com o Conde Drácula, Jonathan hospeda-se no Hotel Coroa de Ouro. Sobre Drácula, paira uma aura de mistério e medo. Por fim, Harker chega ao castelo do conde. Assim, é descrito o seu dono:

Lá dentro, estava um homem velho, de rosto totalmente barbeado, exceto por um comprido bigode branco. Estava vestido de negro, da cabeça aos pés, sem qualquer traço ou vestígio de outra cor. Na mão, erguia uma arcaica lanterna portátil, toda de prata, sem redoma nem manga — a chama dançava livremente no vento encanado pela abertura da porta, produzindo sombras trêmulas e compridas. O velho cavalheiro me convidou a entrar, fazendo um elegante gesto com a mão direita.

Seu rosto era aquilino — muito aquilino. Tinha nariz adunco e afilado, com narinas peculiarmente arqueadas; a testa era alta e recurva. O cabelo era escasso ao redor das têmporas, mas crescia em abundância no resto do crânio. As sobrancelhas eram maciças, quase unidas acima do nariz, com pelos hirsutos e emaranhados. A boca (até onde eu podia ver, sob o enorme bigode) era um ricto cruel, com dentes brancos e estranhamente agudos, que se projetavam sobre os lábios — cujo rubor denotava um vigor espantoso em um homem de sua idade. Suas orelhas eram pálidas, com extremidades pontiagudas; o queixo era amplo e forte; as faces eram firmes, embora muito magras. A impressão geral era de uma lividez extraordinária.

Jonathan passa alguns dias no castelo, e começa a ficar perturbado:

Há algo estranho neste lugar, algo que me perturba. Meu desejo é estar bem longe daqui — na verdade, meu desejo é jamais ter vindo. Talvez essa existência noturna esteja cobrando seu preço; mas quem dera fosse apenas isso! Se houvesse mais alguém para conversar, talvez as coisas fossem suportáveis — mas não há ninguém. Ninguém além do conde, é claro — e o que pensar sobre ele? Temo que eu seja a única alma vivente em todo este castelo. Serei prosaico até onde os fatos permitirem: isso me ajudará a suportar a realidade delirante. Não posso deixar que minha imaginação tome o controle sobre mim. Se minha fantasia me dominar, estou perdido. Vejamos agora em que pé as coisas estão — ou parecem estar.

O conde solicita que ele fique ali durante mais um mês, para desagrado de Jonathan Harker. Além das sensações estranhas e do medo, Harker também vê coisas insólitas como: “Mas meus sentimentos subitamente se converteram em repulsa e terror quando vi todo o corpo do conde deslizar para fora da janela — e logo em seguida ele se pôs a rastejar pela parede do castelo, de cabeça para baixo, suspenso sobre o pavoroso abismo, com o grande manto a esvoaçar ao seu redor feito um par de asas”.

Em certa ocasião, três damas misteriosas (vampiras) tentam morder o pescoço de Harker. Ele é salvo pelo conde: “— Como ousam tocá-lo? Como ousam colocar os olhos sobre ele? Estão proibidas, e sabem muito bem disso! Para trás, eu ordeno! Esse homem me pertence! Se voltarem a encostar um dedo nele, minha ira cairá sobre vocês!”.

Porém, Jonathan fica em dúvida se todos os acontecimentos bizarros são reais ou fruto de sonho ou de alucinação. Ele também surpreende o conde na seguinte condição:

Em uma das cinquenta caixas de madeira, numa pilha de terra recém-escavada, jazia o conde. Não consegui determinar se estava morto ou adormecido. Os olhos estavam abertos e parados, mas sem o aspecto vítreo da morte. O rosto, embora pálido, tinha o calor da vida, e os lábios estavam vermelhos como sempre. Mas não havia qualquer sinal de movimento: nem pulso nem respiração, nenhum latejar no peito. Inclinei-me sobre ele e tentei encontrar algum sinal de vida, mas foi inútil. Era evidente que estava ali havia pouco tempo; do contrário, o cheiro de terra remexida já teria se dissipado. Ao lado da caixa, havia uma grande tampa, perfurada em alguns pontos. [...]; mas me detive ao fitar seus olhos mortos — que, embora inconscientes de minha presença, deixavam transparecer uma mirada do ódio mais profundo e visceral. Imediatamente, abandonei o local, corri pelas escadas, saí do quarto pela janela e voltei a enveredar pela parede do castelo. Chegando novamente ao meu quarto, atirei-me na cama e tentei pensar...

Em seguida, a narrativa é conduzida por cartas entre as senhoritas Mina Murray e Lucy Westenra. Mina é uma professora e comprometida com Jonathan. Já Lucy, amiga de Mina, fica logo comprometida com o jovem Arthur, amigo do Dr. Seward, o qual relata suas experiências de trabalho em um diário.

O romance também conta com uma carta entre Quincey P. Morris e Arthur Holmwood, os quais são amigos. Além das cartas para a amiga, Mina também tem um diário. Nele, ela comenta que foi informada de que Jonathan em breve regressará e fala do sonambulismo de sua amiga Lucy.

Porém, os dias passam, e nada de o noivo de Mina voltar. Em seu diário, ela anexa um excerto do Dailygraph, que traz uma reportagem sobre uma violenta tempestade, que acaba trazendo um barco até o píer de Tate Hill, em Whitby. Tal fato gera comoção, pois encontram no barco apenas o cadáver de um marujo preso ao leme:

O marinheiro tivera ambas as mãos fortemente amarradas, uma sobre a outra, a um dos raios do leme. Entre uma das mãos e a madeira da roda, encontrava-se espremido um crucifixo; o rosário enrolava tanto os pulsos quanto o raio do leme; tudo isso apertado com força por um sólido cordel. O pobre sujeito decerto esteve sentado por algum tempo, mas os bruscos movimentos das velas devem ter feito a roda do leme girar com tanta violência que o corpo foi lançado de um lado para o outro — e as cordas rasgaram a carne até os ossos.

Encontram o diário de bordo do capitão do Deméter (embarcação), onde este relata os fatos da viagem rumo à Inglaterra: “No dia 6 de julho, terminamos de embarcar a carga, areia branca e caixas com terra. Ao meio-dia partimos. Vento leste, suave. Tripulação: cinco marinheiros, dois imediatos, cozinheiro e eu (capitão)”.

Dias depois, um marinheiro desaparece. Além disso, outro marinheiro revela que “há um homem estranho a bordo do navio”. Outro marujo desaparece, depois outro, até restar apenas o capitão do Deméter. Já Lucy continua com suas crises de sonambulismo, o que preocupa Mina.

Em certa ocasião, segundo Mina, ocorre o seguinte fato aterrorizante com sua amiga sonâmbula:

Nesse momento, a sombria criatura ergueu a cabeça e divisei olhos vermelhos cintilando como faíscas num rosto muito branco. Lucy não respondeu. Continuei correndo até atravessar a entrada do cemitério. Por um instante, a igreja se interpôs entre meus olhos e o banco; perdi Lucy de vista. Segui adiante, o vento limpou a face da lua e um clarão iluminou todo o cemitério: lá estava ela, inclinada para trás, a cabeça recostada ao banco. Sozinha. Não havia sinal de pessoa ou animal em toda a vizinhança.

Cada dia que passa, Lucy fica mais fraca, mas Mina não entende o porquê, afinal Lucy come e dorme bem. Enquanto isso, Jonathan, doente, está internado em um hospital de Budapeste. Já Renfield, o paciente do Dr. Seward, sofre influência de Drácula. Depois de muito tempo, ele emite suas primeiras palavras coerentes: “— Serei paciente, Mestre. A hora está chegando… chegando… chegando!”.

Mina vai para Budapeste para visitar o noivo. O casamento entre eles é realizado no hospital, por um capelão. Agora ela é Mina Harker. Enquanto isso, na Inglaterra, Arthur pede ajuda ao Dr. Seward, pois está preocupado com Lucy. O médico não encontra “nenhum distúrbio funcional”, Lucy “não sofre de nenhuma enfermidade que eu conheça”.

No entanto, ele diz que “sua aparência me deixou preocupadíssimo”. Seward resolve pedir a ajuda do seu “velho amigo e mentor”, o professor Van Helsing (especialista em doenças obscuras), que mora em Amsterdam. Então, Van Helsing vai para a Inglaterra, pois Lucy piora muito. Van Helsing nota as marcas vermelhas no pescoço da moça.

Além de Van Helsing, Seward está totalmente dedicado a ajudar Lucy. Eles mantêm a moça sob vigilância: “Agora é quase uma da madrugada. Van Helsing e Arthur estão com Lucy, e devo rendê-los em quinze minutos; tentarão descansar até às seis da manhã. Estou gravando estas anotações no fonógrafo de Lucy; temo que amanhã nossa vigília chegue ao fim”.

Jonathan e Mina voltam para a Inglaterra. No entanto, o senhor Hawkins, patrão de Jonathan, morre. Quanto a Lucy, está muito pior, às vezes parece possuída: “Van Helsing e eu voltamos os olhos para Lucy: um espasmo cruzou seu rosto, como uma sombra de raiva, e os dentes se fecharam num gesto selvagem, como se quisessem triturar alguma coisa. Então ela fechou os olhos e voltamos a escutar sua laboriosa respiração”.

Lucy morre. Van Helsing decide cortar a cabeça de Lucy e arrancar-lhe o coração. Para isso, precisa da ajuda de Seward: “Depois que o caixão estiver lacrado, e enquanto estiverem dormindo todos os outros, você e eu viremos aqui. Vamos abrir a tampa do caixão e fazer o que tem de ser feito; depois, fechamos e lacramos tudo de novo, e ninguém vai notar nada”. Porém, Van Helsing cancela o procedimento.

A imprensa divulga que, em Hampstead, crianças “foram encontradas com leves ferimentos no pescoço. As feridas parecem causadas por um rato ou um pequeno cachorro”. Enquanto isso, Dr. Van Helsing entra em contato com Mina:

Van Helsing veio e já se foi. Ah, que encontro estranho — e como minha cabeça gira, depois de tudo o que falamos! É como se o mundo dos sonhos invadisse a realidade — e não falo de sonhos suaves e agradáveis. Será tudo verdade? Será possível? Se eu não tivesse lido o diário de Jonathan, descartaria tudo isso como impossível e absurdo. Pobre, pobre Jonathan! Como deve ter sofrido! Imploro a Deus que nossa investigação não o perturbe de novo. Tentarei poupá-lo; mas talvez, no final das contas, o melhor para Jonathan seja descobrir que seus olhos, seus ouvidos e sua mente não o enganaram, e que é tudo verdade; isso pode lhe servir de consolo — embora seja um conforto frio e aterrorizante.

Van Helsing lê o diário de Jonathan: “Li o fascinante diário de seu marido. Esta noite, durma sem dúvidas. Por mais estranhas e terríveis que sejam todas essas coisas, elas são reais! Juro por minha vida”. O casal dispõe-se a ajudar Van Helsing no que for preciso. Depois, Van Helsing vai até o Dr. Seward, propõe irem até a tumba de Lucy:

Lá estava Lucy — e sua aparência era a mesma da véspera do funeral. Na verdade, sua beleza era ainda mais radiante. Dessa vez, eu realmente não conseguia acreditar que estivesse morta. Os lábios continuavam vermelhos — não, estavam mais vermelhos do que antes; e em sua face despontava um delicado rubor.

Ela tem dentes afiados, Lucy é quem está mordendo as crianças. Para acabar com ela, Van Helsing explica: “— Vou cortar a cabeça dela, encher sua boca de alho e cravar uma estaca em seu coração”. Deixa isso para outra noite, quando, além de Seward, Arthur e Quincey Morris também estão presentes:

Arthur pegou a estaca e o martelo: sua mente agora estava concentrada e as mãos já nem sequer estremeciam. Van Helsing apanhou o missal e começou a ler; Quincey e eu repetimos as preces da melhor forma que pudemos. Arthur colocou a aguçada ponta de madeira sobre o peito do cadáver; fixei os olhos no ponto em que a estaca pressionava a carne branca. E então Arthur golpeou com toda a força.

Assim, eliminam a terrível criatura. Em seguida, Jonathan e Mina unem-se ao grupo para combaterem o Conde Drácula, que está na Inglaterra. Entrementes, Renfield implora ao Dr. Seward para ir embora. Logo os homens vão vasculhar o casarão de Drácula:

— Por enquanto — ele [Van Helsing] disse — nossa noite foi um grande sucesso. Não sofremos nenhum dos males que eu tanto temia e conseguimos determinar quantas caixas estão faltando. [...]. Uma lição importante também aprendemos, se for permitido argumentar a particulari: o conde pode comandar criaturas selvagens, mas ainda não as controla completamente. Pois vejam: os ratos hoje responderam ao seu chamado (assim como os lobos que ele convocou do alto do castelo, para atormentar Jonathan e aquela pobre mãe); mas em seguida fugiram na confusão dos cachorros de meu amigo Arthur. Outros problemas temos à nossa frente, outros perigos e outros medos; e essa não foi a única nem a última vez que aquele monstro usou seus poderes sobre o mundo selvagem. Muito bem: agora sabemos que ele partiu. Ótimo! Isso nos dá a oportunidade de gritar “xeque” neste estranho jogo de xadrez, cujo prêmio são almas humanas.

Porém, Mina é agora a nova vítima do conde. Então, os homens vão em busca do vampiro, conseguem destruir as “caixas” (elas contêm terra dos arredores do castelo do conde, pois ele precisa dela para descansar). Finalmente, encontram a casa do conde e o esperam para eliminá-lo. Porém, o vampiro não vai se deixar vencer facilmente:

De súbito, num único impulso, ele saltou para dentro do recinto, passando por nós com assombrosa velocidade, antes que pudéssemos erguer as mãos para detê-lo. Não era o movimento de um homem, mas de uma pantera — e a visão daquele salto inumano nos arrancou do momentâneo estupor que a chegada do conde havia causado.

Tentaram vencer o vampiro, mas, dessa vez, ele consegue fugir. É por meio de Mina que Van Helsing e os outros ficam sabendo onde o conde pode estar, pois a ligação dela com o conde permite que ela, por meio de um “procedimento hipnótico”, veja o lugar onde o vampiro se encontra:

O relato de Mina continua o mesmo: ondas contra o casco, águas contra a quilha, escuridão e ventos favoráveis. É evidente que estamos uns bons passos à frente do conde. Quando o Tsarina aparecer, estaremos prontos para a ação. Certamente receberemos algum relatório quando o navio passar por Dardanelos.

Tsarina é o navio onde o conde se encontra. A embarcação dirige-se à Romênia. Enquanto isso, os perseguidores do conde vão de trem. Nessa viagem, estão Van Helsing, Arthur, Morris, Seward, Jonathan e Mina. No castelo do conde, Van Helsing toma esta providência: “Antes de sair do castelo, resguardei suas portas, de modo que o conde jamais possa entrar novamente, enquanto for um morto-vivo”.

Quando o caixão de Drácula chega, eles conseguem matar o monstro:

O sol já quase sumia atrás das montanhas, e as sombras de todos se alongavam sobre o chão nevado. Vi o conde deitado em seu leito fúnebre; a queda da caixa havia lançado parte da terra sobre seu rosto. Estava mortalmente pálido, como uma estátua de cera, e os olhos ardiam com aquele brilho vermelho e vingativo que eu bem conhecia.

Enquanto eu o fitava, aqueles olhos infernais divisaram o sol quase posto, e o ódio em seu rosto se transformou em triunfo.

Mas, nesse momento, a grande faca de Jonathan cortou o ar num arco cintilante. Gritei ao ver a lâmina rasgando a garganta do conde; ao mesmo tempo, o facão de Quincey mergulhou em seu peito.

Foi como um milagre: diante de nossos olhos, num instante tão breve quanto um suspiro, o corpo de Drácula se desfez em poeira e desapareceu da face da Terra.

No entanto, ferido, Morris morre logo após o conde. Assim, o romance termina com o relato de Harker, sete anos depois. Ele informa que está feliz com Mina, eles têm um filho. Quanto a Arthur e Seward, ambos estão casados. Van Helsing continua tendo contato com o casal Harker.

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Características da obra Drácula

→ Estrutura da obra Drácula

O romance Drácula, publicado, pela primeira vez, em 1897, possui 27 capítulos, os quais apresentam partes de diários e cartas.

→ Estilo literário da obra Drácula

Drácula é um romance britânico do período vitoriano, o qual apresenta características da literatura gótica: elementos sobrenaturais ou fantásticos, valorização do que é exótico, exagero emocional, caráter sombrio, morbidez, algum personagem monstruoso, lugares assustadores, enfim, elementos que provocam terror.

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Contexto histórico da obra Drácula

Drácula foi escrito na Era Vitoriana, que corresponde ao período histórico compreendido entre 1837 e 1901, quando o Reino Unido foi governado pela Rainha Vitória. Durante esse período, houve transformações culturais, fortalecimento da industrialização e do imperialismo, além de acentuada desigualdade social.

A Era Vitoriana é marcada por valores morais conservadores. O romance de Bram Stoker surgiu no fim desse período. Assim, metaforicamente, vampiros são aqueles que desestabilizam o cotidiano e a moral vigente. Cabe a pessoas como o doutor Van Helsing fazer com que tudo volte à normalidade vitoriana.

Adaptações da obra Drácula

→ Longas-metragens da obra Drácula

Adaptação estado-unidense de 1931 de “Drácula”, de Bram Stoker.
Adaptação estado-unidense de 1931 de Drácula, de Bram Stoker.
  • Nosferatu (1922): produção alemã, com direção de F. W. Murnau.
  • Drácula (1931): produção estado-unidense, com direção de Tod Browning.

  • Drácula (1931): produção espanhola, com direção de George Melford.

  • Drácula (1958): produção britânica, com direção de Terence Fisher.

  • Drácula (1966): produção britânica, com direção de Terence Fisher.

  • Drácula (1968): produção britânica, com direção de Freddie Francis.

  • O conde Drácula (1970): produção britânica, com direção de Roy Ward Baker.

  • Conde Drácula (1970): coprodução entre Alemanha, Espanha, Itália e Reino Unido; com direção de Jesús Franco.

  • O sangue de Drácula (1970): produção britânica, com direção de Peter Sasdy.

  • Drácula no mundo da minissaia (1972): produção britânica, com direção de Alan Gibson.

  • Nosferatu (1979): produção franco-alemã, com direção de Werner Herzog.

  • Drácula (1979): coprodução entre Estados Unidos e Reino Unido, com direção de John Badham.

  • Drácula de Bram Stoker (1992): produção estado-unidense, com direção de Francis Ford Coppola.

  • Drácula 2000 (2000): produção estado-unidense, com direção de Patrick Lussier.

  • Hotel Transilvânia (2012): animação produzida pelos Estados Unidos, com direção de Genndy Tartakovsky.

  • Drácula (2014): produção estado-unidense, com direção de Gary Shore.

  • Renfield (2023): produção estado-unidense, com direção de Chris McKay.

  • A última viagem do Deméter (2023): produção estado-unidense, com direção de André Øvredal.

  • Nosferatu (2024): produção estado-unidense, com direção de Robert Eggers.

  • Drácula (2025): produção francesa, com direção de Luc Besson.

→ Séries da obra Drácula

  • Drácula (1990-1991): coprodução entre Canadá e Estados Unidos, desenvolvida por Glenn Davis e William Laurin.

  • Drácula (2013-2014): coprodução entre Estados Unidos e Reino Unido, criada por Cole Haddon.

  • Drácula (2020): produção britânica, criada por Mark Gatiss e Steven Moffat.

A história do Conde Drácula é real?

Pintura retratando Vlad III, o Empalador, o príncipe que possivelmente inspirou Conde Drácula.
Vlad III, o Empalador, o príncipe que possivelmente inspirou Conde Drácula. [2]

A história do Conde Drácula é uma ficção. Nunca existiu um vampiro da Transilvânia que foi para a Inglaterra. Contudo, o personagem foi, provavelmente, inspirado em uma pessoa que de fato existiu: o príncipe Vlad III Drácula, conhecido como “o Empalador”. Ele viveu na Romênia durante o século XV. Esse homem era um verdadeiro monstro, dada a crueldade com que matava seus inimigos.

Bram Stoker, autor de Drácula

Fotografia de Bram Stoker, o autor de “Drácula”.
O escritor Bram Stoker.

Bram Stoker é o autor de Drácula. Ele nasceu em 8 de novembro de 1847, em Dublin, na Irlanda. Seus primeiros anos de vida foram marcados por doenças. Em seguida, no ano de 1854, ingressou na escola do reverendo William Woods. Também estudou no Trinity College e fez faculdade de Matemática.

No ano de 1870, tornou-se amanuense (pessoa que copia textos à mão). Três anos depois, atuou como editor da revista Halfpenny Press. Em 1875, publicou na revista Shamrock, sua narrativa de terror “The chain of destiny”. No ano seguinte, recebeu uma promoção para atuar como inspetor do tribunal de pequenas causas.

Deixou o serviço público, em 1878, para trabalhar como gerente de produção do Lyceum Theatre. Em 1906, teve um derrame cerebral, tendo como sequela problemas na visão e nos movimentos. Porém, continuou a escrever até sua morte em 20 de abril de 1912, em Londres, na Inglaterra.

Créditos de imagem

[1] Companhia das Letras (reprodução)

[2] Wikimedia Commons (reprodução)

Fontes

BARBOSA, Mariana de Oliveira Lopes. Era Vitoriana. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/era-vitoriana.htm.

BBC NEWS MUNDO. Vlad, o Empalador: o Drácula original cuja sede de sangue superava a de sua versão literária. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c51pyzpezd8o.

CAMPIGOTTO, Lucas Monteiro. O arquétipo do medo na literatura gótica: de Walpole a Stoker. 2023. Dissertação (Mestrado em Letras) – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2023.

STOKER, Bram. Cronologia. In: STOKER, Bram. Drácula. Tradução de José Francisco Botelho. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

STOKER, Bram. Drácula. Tradução de José Francisco Botelho. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.


Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/literatura/dracula.htm