Com as Festas Juninas que acontecem por todo o Brasil, seja em escolas, igrejas ou espaços públicas, as danças de quadrilha tomam os ambientes com diferentes elementos e expressões culturais.
Essa prática para além de evidenciar músicas e roupas tradicionais, torna-se uma ferramenta pedagógica essencial. A dança é responsável por estimular a coordenação motora, memória, socialização, expressão corporal e cooperação entre os estudantes.
Segundo Diego Leite, professor de Educação Física do colégio Progresso Bilíngue, a quadrilha representa um momento rico de aprendizagem coletiva.
"A dança junina envolve ritmo, atenção, escuta e interação. Os alunos aprendem a seguir comandos, trabalhar em grupo e respeitar o espaço do outro. Além disso, existe um forte aspecto cultural, porque eles têm contato com tradições populares brasileiras"
Diego Leite - Professor de Educação Física
Os ensaios, comuns no processo de preparação da apresentação de quadrilha, são momentos importantes para contribuir no desenvolvimento socioemocional. "Muitas crianças chegam tímidas ou inseguras e, ao longo do processo, passam a se sentir mais confiantes para se apresentar em público. É uma atividade que fortalece vínculos, promove pertencimento e incentiva a colaboração", argumenta.
Fique por dentro: 20 brincadeiras para fazer em festas juninas
Fique por dentro dos passos de dança de quadrilha, compartilhados pelo professor Diego Leite:
1. Formação inicial
Antes do início da música, os casais se posicionam em duas filas — tradicionalmente separadas entre damas e cavalheiros — ou em formato de roda. O marcador da quadrilha, responsável por conduzir a dança, dá os primeiros chamados para organizar os participantes. É comum ouvir comandos como: “Vamos arrumar a quadrilha!”, “Preparar os pares!” e “Todo mundo animado, que a festa vai começar!”.
2. Cumprimento aos convidados
Com a quadrilha formada, os participantes fazem uma saudação ao público e aos colegas de dança. Os casais podem se inclinar levemente, acenar ou girar uns para os outros. O narrador geralmente anuncia: “Olha o cumprimento!”, “Cumprimenta a dama!” e “Agora o cavalheiro!”.
3. Anarriê
Derivado do francês en arrière (“para trás”), o comando orienta os casais a recuar alguns passos, normalmente mantendo a formação da fila ou da roda. O marcador costuma gritar: “Anarriê!” ou “Todo mundo pra trás!”.
4. Anavantú
Inspirado na expressão francesa en avant tout (“todos à frente”), esse momento faz os pares avançarem em direção ao centro da formação ou em direção ao casal da frente. O chamado tradicional é: “Anavantú!”, acompanhado de frases como “Agora pra frente!” ou “Olha o encontro dos casais!”.
5. Balancê
Um dos movimentos mais conhecidos da quadrilha. Os casais balançam o corpo de um lado para o outro, acompanhando o ritmo da música e segurando as mãos dos pares. O marcador anima a dança com expressões como: “Balancê, balancê!”, “Olha o requebrado!” e “Capricha no passo!”.
6. Caminho da roça
Os participantes simulam um passeio pelo interior, caminhando em fila ou circulando pelo salão. Em algumas coreografias, os casais fingem desviar de obstáculos imaginários. Os comandos mais comuns são: “Olha o caminho da roça!”, “Cuidado com o buraco!” e “Não pisa na lama!”.
7. Olha a chuva!
Em um dos momentos mais divertidos da quadrilha, o marcador interrompe a dança com o famoso grito: “Olha a chuva!”. Os participantes fingem se proteger, levantando os braços, correndo ou se abaixando. Logo depois, vem a brincadeira tradicional: “É mentira!”, arrancando risadas do público.
8. Já passou!
Após a falsa chuva, os casais retomam seus lugares e continuam dançando. O marcador costuma dizer: “Já passou!”, “Continuem o arrasta-pé!” ou “Segue a quadrilha!”.
9. Túnel
Um casal levanta os braços formando um arco, enquanto os demais passam por baixo da fila. O movimento cria um efeito visual animado e costuma ser acompanhado de comandos como: “Olha o túnel!”, “Passa por baixo!” e “Ninguém pode bater a cabeça!”.
10. Grande roda
Todos os participantes dão as mãos e formam uma grande roda, girando ao redor do salão no ritmo da música. O marcador incentiva: “Grande roda!”, “Vamos girar!” e “Todo mundo junto!”.
11. Troca de pares
Os participantes mudam rapidamente de parceiro, tornando a dança mais dinâmica e promovendo integração entre todos os casais. O comando tradicional é: “Troca de dama!” ou “Troca de cavalheiro!”, seguido de brincadeiras como “Não vale escolher!”.
12. Caracol
Os casais formam uma fila em espiral, aproximando-se do centro da roda, e depois desfazem o movimento retornando à formação original. Durante esse momento, o marcador costuma anunciar: “Olha o caracol!”, “Enrola, enrola!” e “Agora desenrola!”.
13. Passeio dos noivos
Em muitas quadrilhas, o casal principal ganha destaque em um desfile pelo salão, representando o casamento caipira típico das festas juninas. Os demais participantes acompanham o trajeto celebrando a união. O marcador costuma chamar: “Olha os noivos!”, “Viva os noivos!” e “Palmas para o casal!”.
14. Coroação ou encerramento
Para finalizar, todos os participantes retornam à roda ou se alinham para os agradecimentos finais ao público. Algumas quadrilhas terminam com uma última reverência ou pose coletiva. O encerramento geralmente vem acompanhado de frases como: “A quadrilha terminou!”, “Uma salva de palmas!” e “Viva São João!”.
O surgimento da quadrilha ocorreu por volta do século XVIII e está associado à forma de dançar do country dance da Inglaterra.
Esse modo de dança foi compartilhado na França no contexto da Guerra dos Cem Anos, na região de Normandia. Assim, os frances mudaram a expressão de dança e desenvolveram a dança palaciana, realizada pela nobreza da época.
No começo, a quadrilha começou a ser pratica em uma contradança organizada em duas filas, uma de frente à outra, com quatro ou oito casais. Os dançantes formavam um quadrado, por isso o nome em francês, quadrilles.
No Brasil, a dança veio com a vinda da Família Real Portuguesa em 1808, bem como por escravizados europeus que vieram para o país após a Lei Eusébio de Queiroz.
Os primeiros espaços a receberem essa dança foram os salões da corte, comuns em Salvador e no Rio de Janeiro.
A consolidação da quadrilha com elementos brasileiros ocorreu ao longo do século XX. A obra de Luiz Gonzaga, natural de Pernambuco, foi responsável por compartilhar o baião, e outros ritmos musicais nordestinos, bem como por fortalecer a identidade brasileira da quadrilha que é conhecida atualmente. Gonzaga lançou em 1965 o disco de vinil Quadrilhas e marchinhas juninas. O repertório musical da obra está intimamente relacionado às danças de quadrilha.
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Por Lucas Afonso
Jornalista
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/noticias/festa-junina-passos-danca-quadrilha/3133132.html