Há muito tempo, o consumo de drogas é realizado pela humanidade para aumentar a sensação de prazer e diminuir o desconforto e o sofrimento. Para tanto, a utilização dessas substâncias deve-se a sua capacidade de modificar o funcionamento do sistema nervoso. E com a metanfetamina não é diferente.
A metanfetamina é uma droga psicoativa, isto é, atua diretamente no sistema nervoso central, sintética e presente na sociedade há um bom tempo, ainda que seu nome tenha se difundido a partir da famosa série norte-americana Breaking Bad.
Personagens Walter White (Bryan Cranston) e Jesse Pinkman (Aaron Paul) em um laboratório improvisado onde produziam a droga. (Imagem: Reprodução AMC)
Vale ressaltar que o abuso de substâncias psicoativas tem sido alvo de preocupação na sociedade por causa de sua íntima relação com aumento da criminalidade, acidentes automotivos, comportamentos antissociais e evasão escolar. Além disso, seus efeitos não atingem apenas o usuário, mas também a sua família e a sociedade como um todo.
Independentemente do que se pense sobre a vontade de cada ser humano em relação à própria vida, é importante informar as pessoas sobre os efeitos tóxicos e os riscos provocados pela utilização de drogas como a metanfetamina, mesmo que essas substâncias produzam sensações euforizantes.
A metanfetamina é apresentada como um pó branco, cristalino, inodoro e com sabor amargo e é facilmente solúvel em água ou associações alcoólicas. Essa droga pode ser administrada por vias distintas: inalada, fumada, injetada ou ingerida. Porém, em algumas dessas formas, os usuários reclamavam do menor potencial de seus efeitos, principalmente quando ingerida.
A metanfetamina pode ser utilizada na forma injetável
Com o passar do tempo, a metanfetamina passou a ser preparada com ácido clorídrico, fazendo surgir uma variante dela, denominada cloridrato de metanfetamina, que é uma substância com maior potencial de efeito e dependência.
O cloridrato de metanfetamina recebe várias denominações entre os usuários, como “ice”, “speed”, “cristal”, “cranck”, “meth”, “crystal meth”, “Tina”, “Christine” e “Yaba”. Essa variação da droga é consumida de forma semelhante ao crack, ou seja, por meio de cachimbos caseiros para a inalação dos vapores da droga.
Ice, speed e Meth são algumas das formas pelas quais é conhecido o cloridrato de metanfetamina
Por se tratar de uma droga sintética, a metanfetamina é desenvolvida em laboratório e tem como precursores os medicamentos utilizados para gripes e resfriados, nos quais está presente a substância efedrina. A seguir, veja as etapas de produção da metanfetamina:
1º Reação de redução da efedrina em metanfetamina, utilizando ácido iodídrico (HI) e fósforo vermelho. Essa reação produz a metanfetamina, que é lipossolúvel e volátil;
2º Formação do sal cloridrato de metanfetamina pela adição de ácido clorídrico à metanfetamina obtida pela passo anterior.
3º Adiciona-se o cloridrato de metanfetamina lentamente à água e eleva-se a temperatura até aproximadamente 100 °C, formando uma solução supersaturada.
Os efeitos que a metanfetamina produz logo após a sua utilização são:
Euforia intensa;
Elevado estado de alerta;
Elevação da autoestima;
Aumento da energia;
Aumento da libido;
Aumento do prazer sexual;
Diminuição do cansaço;
Diminuição da necessidade de dormir;
Diminuição do apetite.
Obs.: Esses efeitos podem estender-se por até 12 horas depois do uso da droga.
Após o período de 12 horas, em que se observam os efeitos citados anteriormente, a metanfetamina pode provocar no indivíduo diversos efeitos tóxicos, como:
Tremores;
Midríase;
Palpitações;
Sudorese;
Arritmias cardíacas;
Assistolia;
Colapso cardiovascular;
Edema pulmonar;
Coagulação intravascular disseminada;
Insuficiência renal aguda;
Hepatotoxicidade;
Surtos psicóticos;
Estado alucinatório;
Comportamento violento;
Acidente vascular cerebral isquêmico e hemorrágico.
Obs.: As principais causas desses efeitos tóxicos são o desenvolvimento de dependência e overdose, muitas vezes, induzidas pela tolerância que leva o dependente de metanfetamina a aumentar a frequência e a dose ingerida para conseguir reproduzir a intensidade dos efeitos obtidos na primeira utilização da droga.
O uso crônico da metanfetamina pode causar alterações neuronais irreversíveis, as quais resultam em sintomas neurológicos e psiquiátricos por causa da depleção (redução) de dopamina. Esse efeito leva a uma psicose, com sintomas semelhantes aos de esquizofrenia, associada a quadros de confusão, delírios e comportamento agressivo. Além disso, mudanças na aparência física de usuários de metanfetamina produzem um efeito de envelhecimento em longo prazo.
Por Me. Diogo Lopes
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/quimica/metanfetamina.htm