Os buracos negros são corpos celestes caracterizados por terem uma elevada concentração de massa numa mínima região do espaço, gerando um campo gravitacional extremamente intenso. Eles podem ser estelares, intermediários ou supermassivos, dependendo de suas massas.
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Os buracos negros são classificados em estelares, intermediários ou supermassivos, de acordo com a sua massa em relação à massa do Sol.
Os buracos negros se formam de eventos catastróficos no Universo, como a morte de uma estrela. Isso acontece quando o estoque de hidrogênio da estrela acaba, então seu processo de fusão nuclear dimiui e, consequentemente, a sua temperatura e pressão também. Assim, a força gravitacional acaba por comprimir a estrela, que pode explodir em uma supernova. Quando isso ocorre, se o que sobra da estrela for de, pelo menos, três massas solares, então pode ocorrer a formação de uma buraco negro.
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Em 12 de janeiro de 2022, foi publicado, no periódico científico The Astrophysical Journal, que os cientistas estimam a existência de 40 quintilhões de buracos negros espalhados no Universo observável. Astrônomos e astrofísicos estimam que só na Galáxia Via Láctea existem 100 milhões de buracos negros.
A estrutura dos buracos negros é dada pela singularidade, pelo disco de acreção, pelo horizonte de eventos e pelo jato relativístico.
A singularidade é a parte central do buraco negro. Ela tem uma densidade inifinitesimal, gerando a curvatura infinita no tecido espaço-tempo. Não se sabe o que acontece quando se adentra a singularidade, mas acredita-se que, nela, as leis da física como as estudamos não são mais aplicáveis.
O horizonte de eventos é uma região ao redor da singularidade. Qualquer matéria, energia e até mesmo a luz que se aproxima do horizonte de eventos jamais escapa.
Os discos de acreção são estruturas brilhantes em formato de discos que se movem ao redor dos buracos negros em elevadas velocidades. São compostos por matéria superaquecida que gera radiação eletromagnética, tornando os buracos perceptíveis aos telescópios.
Os jatos relativísticos são jatos constituidos de partículas e radiação que são lançados pelos buracos negros, em velocidades próximas à velocidade da luz, após o consumo de matéria, como estrelas, gases ou poeiras estelares.
Os buracos negros não podem ser vistos a olho nu, contudo é possível detectá-los por meio de diversos instrumentos astronômicos, como telescópios ópticos e infravermelhos, radiotelescópios, telescópios de raios X, detectores de ondas gravitacionais, e telescópios de raios gama.
Em 10 de abril de 2019, foi divulgada, pela colaboração internacional do Telecópio de Horizonte de Eventos (Event Horizon Telescope - EHT), a primeira imagem da sombra do buraco negro M87*, localizado no centro da galáxia Messier 87, de 6,5 bilhões de massas solares, a 55 milhões de anos-luz da Terra.
Eles também divulgaram, em 12 de maio de 2022, a primeira imagem da sombra do buraco negro Sagitário A*, de quatro milhões de massas solares, no centro da nossa galáxia Via Láctea, na constelação de Sagitário.
Existem diversos buracos negros em nosso Universo. Na tabela abaixo estão descritos os nomes, a localização, a massa e a distância da Terra de alguns buracos negros.
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Buracos negros |
Massa |
Distância da Terra |
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A0620-00 ou V616 Monocerotis (constelação de Monoceros) |
6,6 massas solares |
3500 anos-luz |
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Cygnus X-1 (constelação de Cygnus) |
14,8 massas solares |
6197 anos-luz |
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V404 Cygni (constelação de Cygnus) |
9 massas solares |
7800 anos-luz |
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GS 2000+25 (constelação de Vulpecula) |
7 massas solares |
8800 anos-luz |
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GRO J1655-40 (constelação de Escorpião) |
7 massas solares |
11.000 anos-luz |
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Cygnus X-3 (constelação de Cygnus) |
Entre 2 a 5 massas solares. |
20.000 anos-luz |
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Sagittarius A* (centro Via Láctea) |
4,1 milhões de massas solares |
25.640 anos-luz |
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TON 618 (constelação de Canes Venatici) |
66 bilhões de massas solares |
10,37 bilhões de anos-luz |
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S5 0014+81 (constelação de Cefeu) |
40 bilhões de massas solares |
12 bilhões de anos-luz |
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TON 256 |
37 bilhões de massas solares |
13,1 bilhões de anos-luz |
Crédito de imagem
Fontes
ALMEIDA, Carla R. A pré-história dos buracos negros. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 42, 2020.
GUARIENTO, Daniel Carrasco. Evoluçao de buracos negros primordiais no universo. São Paulo: Tese de Doutorado (IFUSP), 2010.
STEINER, João E. Buracos Negros: sementes ou cemitérios de galáxias. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 27, n. 4, p. 723-742, 2010.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/fisica/o-que-sao-buracos-negros.htm