Fobia social

A fobia social é uma condição em que a pessoa apresenta medo persistente em ser julgada em situações sociais.

A fobia social, chamada também de transtorno de ansiedade social, é a condição em que a pessoa apresenta medo persistente e intenso de ser julgada, rejeitada ou avaliada em situações sociais. 

Os sinais e sintomas são mais comuns de serem percebidos ainda na infância e adolescência. Além de fatores comportamentais, tais como: resistência em interagir socialmente e se apresentar para pessoas desconhecidas, há sintomas fisiológicos, como a taquicardia, tremor e sudorese.

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Resumo sobre fobia social

  • A fobia social é chamada também de transtorno de ansiedade social.

  • Pode ser manifestada na infância e adolescência e é comum nessa faixa etária.

  • O diagnóstico é realizado, muitas vezes, com a combinação de uma avaliação psicológica e de um profissional da Medicina.

  • Ter resistência em ir a locais com pessoas que não são familiares e apresentar-se para desconhecidos estão entre os sinais de comportamento da fobia social. 

  • Provoca sintomas fisiológicos, tais como o aumento da frequência cardíaca, sudorese, tremor e náuseas.

  • O conteúdo e o tempo de consumo das redes sociais podem se relacionar com a fobia social, uma vez que é um espaço em que as pessoas buscam aprovação dos outros.

O que é fobia social?

A fobia social, também chamada de transtorno de ansiedade social, caracteriza-se pelo medo persistente e intenso de ser julgado, rejeitado, avaliado ou humilhado em situações sociais, conceitua Adilon Harley Machado, médico e analista junguiano (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica - SBPA).

Ela pode ser manifestada em momentos de exposição, como falar em público; em situações do cotidiano, como conhecer pessoas e participar de reuniões; ou mesmo ao andar em transporte público, frequentar cinemas, shoppings e comer na presença de outras pessoas, exemplifica Adilon.

Sintomas da fobia social

Entre os sintomas fisiológicos da fobia social, segundo Adilon Harley Machado, estão:

  • taquicardia (que é o batimento acelerado do coração),

  • tremor,

  • sudorese,

  • rubor,

  • náuseas,

  • sensação de "dar um branco",

  • sinais de ansiedade, como sensação de bolo na garganta, 

  • dificuldade de respirar e às vezes de engolir,

  • pressão no peito e até mesmo um sentimento de morte iminente.

Quanto aos sinais percebidos em crianças e adolescentes, segundo Alessa Venturini, neuropsicóloga infantil, estão:

  • resistência para ir à escola;

  • relutância em iniciar conversas;

  • dependência de manejo para interagir;

  • medo intenso de ser criticado, vergonha e preocupação antecipativa sobre o julgamento alheio.

Em relação aos sinais da ansiedade social em crianças, a psicóloga Alessa alerta que, mesmo as crianças que são muito comunicativas e espontâneas no ambiente de casa, podem apresentar ansiedade em contextos que envolvam outras pessoas que não são familiares. A profissional enfatiza que os critérios de diagnóstico não devem ser baseados apenas em uma situação limitada ou em um único ambiente.

Já em relação à adolescência, é necessário atenção e cuidado para não banalizar os sintomas, visto que a insegurança pode ser uma característica comum dessa fase.

No entanto, quando esse fator gera medo intenso, reações emocionais exacerbadas e o adolescente passa a evitar situações sociais ou sofre muito ao se expor, é necessário buscar avaliação psicológica mais ampla. Sofrimento intenso e desorganização da rotina apontam para a necessidade de intervenção antes que o quadro evolua para uma depressão, considera Alessa.

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Diagnóstico da fobia social

O diagnóstico de fobia social é realizado muitas vezes com a combinação da avaliação de um profissional da Psicologia e um profissional da área da saúde, um médico clínico, psiquiatra ou médico da família.

Essa identificação se baseia na duração dos sintomas e no impacto na vida da pessoa. Adilon explica que, no geral, esses sintomas precisam persistir por, pelo menos, seis meses, e o grau de incapacitação e de evitação deve estar relacionado ao relato da pessoa de um sofrimento que é proibitório, que traz uma experiência de dificuldade.

Não há nenhum tipo de marcador laboratorial ou exame de imagem que possa confirmar a condição de fobia social, sendo o diagnóstico exclusivamente clínico.

A fobia social é mais comum em qual idade?

A infância e a adolescência são as fases e faixas etárias em que é mais comum perceber os sintomas da fobia social, afirma Adilon Harley.

Diferença entre timidez e fobia social

A timidez se diferencia da fobia social nos aspectos do sofrimento e prejuízo experimentados pela pessoa. Enquanto a pessoa tímida consegue, a partir de atitudes e comportamentos mais introvertidos, desenvolver suas atividades e passar por isso sem nenhum transtorno, a pessoa que convive com a fobia social precisa evitar experiências, uma vez que aquilo gera um sofrimento que é incapacitante.

Como identificar a fobia social em crianças e adolescentes?

Apesar de não existir uma idade específica para o surgimento dos sintomas e sinais da fobia social, eles costumam ser percebidos na infância e adolescência. 

Alessa explica que a inibição e a timidez podem ser esperadas em etapas do desenvolvimento, mas, a partir dos 7 ou 8 anos, a dificuldade persistente em fazer amizades, apresentar trabalhos escolares ou participar de atividades em grupo acende um alerta.

“A diferença entre uma criança tímida e uma que apresenta fobia social reside no nível de sofrimento. A criança tímida possui um perfil introvertido, mas consegue realizar suas atividades sem um impacto psiquiátrico severo. Já a fobia social acarreta um sofrimento incapacitante, persistente e intenso, tornando-se limitante para o desenvolvimento e exigindo critérios diagnósticos específicos para o transtorno de ansiedade."


Alessa Venturini - Neuropsicóloga infantil

Criança escondendo rosto com a mão acompanhada de uma profissional
Sinais da fobia social começam a ser percebidos ainda na infância.​​​​​​

É importante que os pais e a família não minimizem o sofrimento da criança ou adolescente dizendo que “não precisa ficar triste” ou que “outros conseguem”. Nesses casos, é fundamental, na perspectiva de Alessa, buscar compreender o que aquela situação causa neles.

O ideal não é forçar o jovem a apresentações ou interações forçadas, uma vez que o objetivo não se baseia somente em “fazer perder a vergonha”, mas sobretudo oferecer segurança e desenvolver habilidades sociais e de enfrentamento de forma acolhedora.

Tratamento da fobia social

O tratamento da fobia social é construído e realizado a partir de uma abordagem multidisciplinar, que perpassa a psicoterapia até o tratamento médico psiquiátrico quando indicado, com o uso de medicações eventualmente, explica Adilon.

Segundo a psicóloga Alessa, em relação ao tratamento psicológico, a abordagem cognitivo-comportamental é uma das metodologias com maior evidência científica no caso da fobia social. 

O objetivo desse acompanhamento com profissional da Psicologia é buscar entender como a criança interpreta situações como ameaça, quais pensamentos aumentam e mantêm esse medo e o ciclo da ansiedade.

São trabalhadas a psicoeducação, identificação e flexibilização dos pensamentos até o desenvolvimento de habilidades sociais e o treinamento dos pais e dos profissionais da escola, explica Alessa. Dessa forma, a criança ou adolescente é exposta, de modo gradual, às situações sociais temidas, desenvolvendo recursos para que a ansiedade não seja limitante. 

Fobia social tem cura?

Segundo Adilon, a fobia social pode ser superada. É muito possível que uma pessoa com essa condição possa reduzir os sintomas e caminhar para o que chama de “cura”, tendo uma experiência social e uma vida típica, recuperando a liberdade para estudar, trabalhar e se relacionar.

O médico reforça que é essencial que as pessoas deixem de ser indiferentes a atitudes excludentes na intenção de favorecer a recuperação e a prevenção de recaídas em pessoas com fobia social. 

Diante de atitudes que possam gerar humilhação e constrangimento, é preciso se demonstrar ativo e atuar para proteger e demonstrar vínculo e segurança para a pessoa que está sendo vítima, permitindo que ela se sinta defendida e acolhida. Adilon acredita que as pessoas que causam isso devem se sentir responsabilizadas e mobilizadas a mudar seus comportamentos.

É fundamental, para que isso seja consolidado, ter um contexto de cuidado, não somente para a pessoa que apresenta o diagnóstico, mas também ao redor, com a conscientização da existência desse diagnóstico, para que a sociedade também possa se organizar e acolher essas especificidades, pontua Adilon.

Papel das redes sociais na fobia social

Adilon Harley alerta sobre a “armadilha da comparação” muito presente nas redes sociais. Esses espaços, segundo o profissional, transformam a convivência em uma vitrine, em que passamos a comparar a nossa vida cotidiana com recortes que são selecionados na vida das outras pessoas. 

Outro ponto é o feedback que as redes sociais geram por meio das curtidas e comentários. Eles funcionam como um ranking, uma medida de valor pessoal. Nesse sentido, a pessoa passa a buscar por uma aprovação.

Para as pessoas que convivem com a ansiedade social, o nível de consumo das redes pode fazer com que elas fiquem mais ansiosas e temerosas sobre como serão os julgamentos. Por outro lado, as redes sociais podem servir como um recurso para que as pessoas que sofrem exclusão consigam encontrar algum tipo de reconhecimento e pertencimento. 

“Não temos como isolar nas redes sociais um fator causalístico na ansiedade social, mas a gente já percebe que cada vez mais aponta para isso, de acordo com as vulnerabilidades individuais, com o conteúdo que consome e com a quantidade de tempo de exposição”, afirma Adilon.

Fontes:

Entrevista. Adilon Harley Machado, médico e analista junguiano (SBPA).
Entrevista. Alessa Venturini, neuropsicóloga infantil.


Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/psicologia/fobia-social.htm