Terror é um subgênero literário de caráter narrativo (texto que conta uma história) ou dramático (texto feito para ser encenado). A função desse tipo de obra é provocar o medo. Os principais tipos de terror são o terror sobrenatural (apresenta elementos sobrenaturais ou fantásticos) e o terror gótico (possui ambientes sombrios e melancólicos).
Existem também o terror psicológico (focado no universo interno de um personagem), o terror folclórico (possui elementos folclóricos de uma comunidade rural), o gore (tem violência explícita e sanguinolenta), o body horror (apresenta mutações do corpo humano), cósmico (presença de alienígenas) e o slasher (mostra um assassino que persegue um grupo de vítimas).
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O terror é um subgênero literário que se caracteriza como uma narrativa ou drama que apresenta elementos que provocam o terror em quem lê um livro ou assiste a um filme. No meio editorial ou cinematográfico, é comum dizer que o terror é um gênero, pois, comercialmente, a definição de gênero está muito associada a uma temática. No entanto, o terror é um subgênero, já que é uma ramificação de um gênero: um livro de terror é narrativo, um filme de terror é dramático, uma poesia de terror é lírica. Então, academicamente, o terror é um subgênero literário: narrativo, dramático ou lírico (algo mais raro).
Porém, em linguagem do dia a dia, você vai ouvir as pessoas falando em “gênero terror”. Quando isso acontece, essas pessoas estão fazendo referência a um tipo (ou estilo) de livro ou de filme. Dessa espécie de narrativa, esperamos acontecimentos sobrenaturais ou macabros que provoquem medo, pois o terror é uma história assustadora.
Histórias de terror provocam medo no(a) receptor(a) da obra. Elas podem ser construídas a partir de elementos sombrios, misteriosos, mas também podem usar a violência, como, por exemplo, no clássico do cinema O massacre da serra elétrica, de Tobe Hooper, em que o terror é pautado na perseguição e no assassinato por meio de instrumentos como uma motosserra.
Assim, existem diversas possibilidades de provocar o terror, já que tais obras exploram os medos humanos. Por exemplo, no livro Cujo, de Stephen King, o terror é gerado pela situação: uma mãe e uma criança presas em um carro, porque lá fora está um cão raivoso disposto a matá-los.
Fatos sobrenaturais ou inexplicáveis também podem ser usados em histórias de terror, como a existência de monstros e de fantasmas, por exemplo. Tais narrativas provocam fortes emoções, particularmente o medo, em quem lê a história, mas também evidenciam as emoções dos personagens, que experimentam um medo avassalador, ou seja, o terror.
Nessas obras, a racionalidade é deixada em segundo plano para dar lugar à irracionalidade associada às emoções primitivas. Não é difícil, portanto, entender que o terror anda de mãos dadas com o exagero ou com a extravagância. Por isso, é comum obras literárias de terror serem bastante descritivas.
Afinal, quem lê precisa visualizar os detalhes daquilo que provoca o terror, seja o ambiente, seja um personagem apavorante. Desse modo, o uso intenso de adjetivos também é uma característica do terror, que é sempre perturbador. Na narrativa de terror, o mistério e o suspense podem aumentar a expectativa do medo iminente.
Assim, não só elementos fantásticos (sobrenaturais) são utilizados, mas também elementos primitivos, isto é, animalescos, rudimentares. O monstro, seja ele destituído de caracteres humanos, seja ele interiormente deformado, está vinculado ao animalesco, isto é, à violência crua e aos baixos instintos.
O terror apresenta o macabro (fúnebre), o medo da morte ou a explicitação da violência da morte. Uma obra de terror pode apenas ser um entretenimento, algo para passar o tempo, sem grandes reflexões, mas também pode ser uma obra crítica. Por exemplo, ao ler O médico e o monstro, de Robert Louis Stevenson, somos levados a refletir sobre os limites entre o bem e o mal.
A maioria das obras de terror são narrativas: contos, novelas ou romances. Está relacionado não só a livros, mas também a filmes. Apesar de “terror” e de “horror”, normalmente, serem considerados como sinônimos, muitos críticos fazem a diferenciação entre um e outro. É recorrente no estudo do tema, a seguinte citação de Ann Radcliffe, quem sugere que o terror é mais sutil, sendo o horror mais explícito:
Terror e horror são tão opostos um ao outro, que o primeiro expande a alma, e desperta as capacidades para um nível de vida mais elevado; o outro contrai, congela, e quase as aniquila. Entendo que nem Shakespeare nem Milton, por suas obras de ficção, nem o Sr. Burke, por seu pensamento, em nenhum momento compreenderam o horror positivo como fonte para o sublime, embora todos concordem que o terror é uma fonte elevada; e onde reside a grande diferença entre horror e terror, senão na incerteza e na obscuridade que acompanham o segundo, no que diz respeito ao temido mal? |1|
No entanto, é difícil separar as duas categorias, já que muitas obras trabalham tanto com o terror quanto com o horror.
O terror psicológico é construído a partir do universo interno do personagem, em vez de ser uma manifestação externa, como um fantasma ou um monstro, por exemplo. Assim, é a mente distorcida do personagem, com seus traumas ou com suas inseguranças, que gera toda a atmosfera terrível. Um exemplo é Psicose, de Robert Bloch, narrativa centrada na mente do protagonista Norman Bates.
O terror gótico é associado à estética romântica, que valoriza a grandiosidade da natureza, além de ambientes sombrios e melancólicos. Explora o suspense, as ameaças à vida, o passado misterioso. Frankenstein, de Mary Shelley, é um exemplo desse tipo de terror, em que o monstro e seu criador travam uma batalha épica (grandiosa) pela sobrevivência.
O terror sobrenatural explora o medo que temos do desconhecido, daquilo que é sobrenatural. Nesse caso, não se encaixam histórias de assassinatos cometidos por psicopatas, por exemplo. Mas o que gera o terror são aparições ou fatos inexplicáveis. Como exemplo, temos O exorcista, de William Peter Blatty, que trata de possessão demoníaca.
Também chamado de “folk horror”, o terror folclórico é caracterizado pela presença de elementos folclóricos ou mitológicos. As histórias são ambientadas em ambiente rural ou selvagem, onde está alguma comunidade isolada, com crenças e valores morais próprios. Podem apresentar paganismo e violência. Um exemplo é o conto “As crianças do milharal” (publicado no livro Sombras da noite), de Stephen King, que retrata um vilarejo isolado e rituais sangrentos para uma entidade pagã.
O terror que se classifica como gore é caracterizado pela violência explícita, por muito sangue, tortura, mutilação e outros tipos de violência chocante. O excesso de sangue e violência caracterizam narrativas do gênero. Um exemplo é o romance Saboroso cadáver, de Agustina Bazterrica. O livro mostra uma sociedade em que seres humanos são criados para o abate.
O terror que se classifica como body corporal é centrado no corpo humano, que é alvo de mutações, anomalias ou outras transformações ou violações grotescas. O conto A mosca, de George Langelaan, por exemplo, mostra a mutação de um homem que se transforma em uma mosca. Já em A tropa (The troop), de Nick Cutter, personagens são invadidos por um parasita que os consome.
Segundo a doutora em Estudos Literários Nathalia Sorgon Scotuzzi, o terror cósmico
é compreendido em sua relação com temas como o alienígena, o desconhecido e monstros tentaculares; com efeitos como a ansiedade e a opressão, e ideias que giram em torno do sentimento de insignificância enquanto ser humano e da curiosidade a respeito do que existe no “além” — e neste caso, não falo de um além sobrenatural ou religioso, mas um além para lá dos limites do que o ser humano conhece enquanto realidade. |2|
Um exemplo é O chamado de Cthulhu, de H. P. Lovecraft (aliás, esse autor foi quem criou a definição de “terror cósmico”). Nesse seu conto, a criatura Cthulhu vive adormecida em uma cidade submersa. Se Cthulhu despertar, a civilização terá um fim.
O terror que se classifica como slasher apresenta um padrão: um assassino que persegue um grupo de pessoas impossibilitadas de sair de algum lugar ou ambiente. Assim, ele mata um a um, de forma violenta e sangrenta. Um exemplo é O palhaço no milharal, de Adam Cesare. Nessa obra, o assassino utiliza uma máscara de palhaço e mata jovens de uma cidade.
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O terror é uma característica da literatura gótica, surgida na Inglaterra, no século XVIII. Esse tipo de literatura estava vinculada ao Romantismo, estilo de época criado nesse mesmo século. Tal estilo de época era marcado pelo sentimentalismo e pela valorização das emoções, em detrimento da razão.
Já a literatura gótica é caracterizada por elementos irracionais e sombrios. A obra fundadora desse tipo de literatura foi o romance O castelo de Otranto, do inglês Horace Walpole, publicado, pela primeira vez, em 1764. Daí a relação entre terror, literatura gótica e Romantismo.
Com o passar do tempo, o terror tornou-se o elemento de destaque em muitas obras, já que elas foram associadas à função de provocar o medo. Desse modo, o rótulo “terror” passou também a ser usado de forma comercial, já que destaca tal emoção e facilita a busca de leitoras e leitores do gênero.
Notas
|1| NESTAREZ, Oscar Andrade Lourenção. Uma história da literatura de horror no Brasil: fundamentos e autorias. 2022. Tese (Doutorado em Letras) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2022.
|2| SCOTUZZI, Nathalia Sorgon. Uma realidade do além: o terror cósmico como conceito. 2023. Tese (Doutorado em Estudos Literários) – Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2023.
Fontes
ARAÚJO, Lorena Amaral. A influência de Byron e do Romantismo Gótico em Álvares de Azevedo, Fialho de Almeida e Apollinaire. 2023. Monografia (Licenciatura em Letras) – Instituto de Letras, Universidade de Brasília, Brasília, 2023.
CAMPIGOTTO, Lucas Monteiro. O arquétipo do medo na literatura gótica: de Walpole a Stoker. 2023. Dissertação (Mestrado em Letras) – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2023.
FREITAS, Bruna Longo Biasioli de. Um olhar semiótico sobre as obras de terror mais vendidas no Brasil entre 1980 e 2007. 2012. Tese (Doutorado em Linguística e Língua Portuguesa) – Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2012.
NESTAREZ, Oscar Andrade Lourenção. Uma história da literatura de horror no Brasil: fundamentos e autorias. 2022. Tese (Doutorado em Letras) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2022.
ROSA, Dione Mara Souto da. Noite na taverna (1855) de Álvares de Azevedo: amor e morte emoldurados por sombras góticas. 2016. Dissertação (Mestrado em Teoria Literária) – Centro Universitário Campos de Andrade, Curitiba, 2016.
SCARPA, Paulo Cesar Almeida. Transgressão, mercado e distinção: a violência extrema no cinema. 2007. Dissertação (Mestrado em Sociologia) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2007.
SCOTUZZI, Nathalia Sorgon. Uma realidade do além: o terror cósmico como conceito. 2023. Tese (Doutorado em Estudos Literários) – Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2023.
SOUZA, Raquel Correia de. Legados do horror: o slasher e a representação do medo na cultura norte-americana. 2025. Dissertação (Mestrado em Estudos Anglo-americanos) – Faculdade de Letras, Universidade do Porto, Porto, 2025.
UCHOA, Fabio Raddi; CÁNEPA, Laura Loguercio. Trilogia de terror (1968): folk horror na transição do rural ao urbano no cinema brasileiro. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 36, n. 78, p. 135-161, jan./ abr. 2023.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/literatura/terror-subgenero-literario.htm