Gêneros digitais são gêneros textuais típicos do ambiente virtual. Alguns desses gêneros são exclusivamente digitais, como o post, por exemplo. Outros já existiam antes da internet e foram adaptados para o ambiente virtual, como, por exemplo, o gênero notícia, a qual também pode ser veiculada em ambiente digital.
A multimodalidade (combinação de escrita, som e imagem) é a principal característica dos gêneros digitais. Alguns exemplos de textos desse gênero são e-mail, chat, post, fórum de discussão, podcast, gameplay, entre outros. A BNCC determina o desenvolvimento de habilidades relacionadas a textos digitais.
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Os gêneros digitais são textos verbais (com palavras) ou não verbais (sem palavras, mas com imagem ou som) produzidos para serem veiculados em ambiente digital. Com o advento da internet, novos gêneros de textos surgiram. Outros já existentes foram adaptados para serem veiculados nesse ambiente.
Como qualquer outra forma de gênero textual, o digital é utilizado na comunicação. Você, com certeza, já produziu algum gênero textual digital. E, neste momento, está lendo este conteúdo ou artigo digital produzido por mim. Este gênero de texto que você está lendo não é produzido para ser veiculado em suporte físico, ou seja, o papel.
Os gêneros digitais apresentam caráter dinâmico. Alguns têm vida curta, em função desse dinamismo típico do ambiente digital, em que os avanços tecnológicos criam novas formas de interação. Se os gêneros não digitais utilizam o papel como veículo, os digitais utilizam computador, celular, tablet etc.
Dependendo do gênero, ocorrem interações múltiplas, isto é, vários enunciadores ou interlocutores se comunicam em tempo real. A depender do texto, também pode haver caráter assincrônico, quando a comunicação não ocorre ao mesmo tempo. Além disso, a velocidade na comunicação é inerente aos gêneros digitais.
Pode ocorrer também a transmutação ou reformatação de um gênero já existente para o universo virtual. Por exemplo, entrevista, carta, diário, reportagem etc. No ambiente digital, são comuns a multimodalidade ou hibridização (combinação de escrita, som e imagem, por exemplo) e a interatividade.
Em alguns casos, você pode se identificar ou ficar no anonimato, já que, em vez do seu nome, pode usar um nickname. Há também a possibilidade de compartilhamento de textos. No mais, assim como textos físicos, os digitais também podem usar linguagem formal ou informal. No próximo tópico, vou mostrar para você quais são os principais gêneros digitais da atualidade.
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A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) é um documento normativo que define o conjunto de “aprendizagens essenciais” e aponta as dez competências gerais que devem ser desenvolvidas no ensino básico. Entre essas competências, merecem destaque as competências 1, 4 e 5, as quais valorizam o conhecimento sobre o mundo digital, a linguagem digital e as tecnologias digitais de informação e comunicação.
Você vai perceber que é recorrente a menção, na BNCC, às culturas juvenis. Daí também a relevância do estudo e da produção de textos de gêneros digitais diversos. Afinal, tais gêneros fazem parte do cotidiano de crianças e adolescentes. Portanto, o letramento digital é de suma importância.
O documento valoriza não só os “novos gêneros que surgem ou se transformam (como post, tweet, meme, mashup, playlist comentada, reportagem multimidiática, relato multimidiático, vlog, videominuto, political remix, tutoriais em vídeo, entre outros)”, mas também “novas ações, procedimentos e atividades (curtir, comentar, redistribuir, compartilhar, taguear, seguir/ ser seguido, remidiar, remixar, curar, colecionar/ descolecionar, colaborar etc.) que supõem o desenvolvimento de outras habilidades”.
Vale ressaltar que a BNCC considera a leitura a partir de “um sentido mais amplo, dizendo respeito não somente ao texto escrito, mas também a imagens estáticas (foto, pintura, desenho, esquema, gráfico, diagrama) ou em movimento (filmes, vídeos etc.) e ao som (música), que acompanha e cossignifica em muitos gêneros digitais”.
Ainda sobre a leitura e as condições de produção e recepção de textos, o documento menciona “dimensões inter-relacionadas à práticas de uso e reflexão”, como:
Refletir sobre as transformações ocorridas nos campos de atividades em função do desenvolvimento das tecnologias de comunicação e informação, do uso do hipertexto e da hipermídia e do surgimento da Web 2.0: novos gêneros do discurso e novas práticas de linguagem próprias da cultura digital, transmutação ou reelaboração dos gêneros em função das transformações pelas quais passam o texto [...], como forma de ampliar as possibilidades de participação na cultura digital e contemplar os novos e os multiletramentos.
Assim, os gêneros digitais são mencionados em todo o documento. Para você ter uma ideia, darei alguns exemplos de habilidades que devem ser desenvolvidas no ensino básico, as quais são indicadas na BNCC:
ATENÇÃO! Tenho uma ressalva a fazer acerca da menção a “blogues”. O blogue é amplamente conhecido como sendo uma página da internet, ou seja, um site. Acredito que o documento ainda associa blog ou blogue a um diário virtual, como era no passado. Isso ainda pode acontecer, mas o conceito de “blogue” foi ampliado de lá para cá. Fica aqui minha ressalva. E sigamos em frente:
Aqui, o termo “blogs” (aportuguesamento: “blogues”) é usado com o sentido de “sites”, ou seja, um veículo, e não um gênero textual. Assim, minha ressalva acima é justificada.
Continuemos com os exemplos de habilidades que devem ser desenvolvidas no ensino básico, indicadas na BNCC:
No tópico anterior, falei sobre as mensagens instantâneas. Já os tweets são postagens na antiga rede social Twitter. E, novamente, a BNCC considera blogue como sendo um texto.
Mais exemplos de habilidades que devem ser desenvolvidas no ensino básico, indicadas na BNCC:
Para sua informação, vou colocar todas as dez competências gerais no quadro abaixo, com destaque para as competências 1, 4 e 5.
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COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC |
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Competência 1 |
Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. |
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Competência 2 |
Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. |
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Competência 3 |
Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural. |
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Competência 4 |
Utilizar diferentes linguagens — verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital —, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo. |
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Competência 5 |
Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. |
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Competência 6 |
Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. |
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Competência 7 |
Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. |
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Competência 8 |
Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. |
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Competência 9 |
Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. |
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Competência 10 |
Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. |
Questão 1 (Enem)
Memes e fake news: o impacto na educação das crianças
Há quem diga que o Brasil nunca mais foi o mesmo depois dos memes. Na economia da velocidade, alguns apostam no humor, outros no engajamento político, e tem gente investindo alto na mentira também. Diante desse cenário, uma pergunta se torna essencial: será que todo mundo está conseguindo traduzir as mensagens postadas, curtidas e compartilhadas?
Essa dúvida incentivou uma professora de língua portuguesa a desenvolver uma proposta de leitura e análise crítica de memes com estudantes do ensino fundamental, na rede pública do Distrito Federal, na cidade de Samambaia. “Percebi que muitos alunos e pais estavam divulgando conteúdos sem saber o que havia por trás das palavras”, relata a professora.
“O que antes era engraçado para os alunos passou a ser visto com outros olhos”, afirma a professora. Para ela, que utilizou a representação da criança em memes de WhatsApp como material gerador das discussões em sala de aula, aguçar o olhar sobre essas mensagens impacta diretamente a atitude de postar, curtir e compartilhar conteúdos ao estimular o uso consciente da informação que circula nas plataformas de mídia social.
Letramento político e midiático é um desafio intergeracional. Em tempos de notícias falsas, de imagens manipuladas e de memes sendo usados como triunfo da verdade de cada um, checagem de informação e interpretação de texto acabam se tornando moedas valiosas.
Disponível em: https://lunetas.com.br. Acesso em: 15 jan. 2024 (adaptado).
Ao abordar a relação dos memes com a educação, a reportagem sustenta uma crítica à
A) falta de fiscalização no uso de aplicativos de mensagens por crianças.
B) divulgação de informação manipulada em postagens virtuais.
C) utilização de ferramentas digitais no trabalho educacional.
D) exploração de conteúdos humorísticos nas mídias sociais.
E) propagação de mensagens com objetivos políticos.
Resolução:
Alternativa B.
O texto mostra a importância do “letramento político e midiático”, em “um tempo de notícias falsas, de imagens manipuladas e de memes sendo usados como triunfo da verdade de cada um”. Daí, critica a divulgação de informação manipulada em postagens como o meme.
Questão 2 (Enem)
Posso mandar por e-mail?
Atualmente, é comum “disparar” currículos na internet com a expectativa de alcançar o maior número possível de selecionadores. Essa, no entanto, é uma ideia equivocada: é preciso saber quem vai receber seu currículo e se a vaga é realmente indicada para seu perfil, sob risco de estar “queimando o filme” com um futuro empregador. Ao enviar o currículo por e-mail, tente saber quem vai recebê-lo e faça um texto sucinto de apresentação, com a sugestão a seguir:
Assunto: Currículo para a vaga de gerente de marketing.
Mensagem: Boa tarde. Meu nome é José da Silva e gostaria de me candidatar à vaga de gerente de marketing. Meu currículo segue anexo.
Guia da língua 2010: modelos e técnicas. Língua Portuguesa, 2010 (adaptado).
O texto integra um guia de modelos e técnicas de elaboração de textos e cumpre a função social de:
A) divulgar padrão oficial de redação e envio de currículos.
B) indicar um modelo de currículo para pleitear uma vaga de emprego.
C) instruir o leitor sobre como ser eficiente no envio de currículo por e-mail.
D) responder a uma pergunta de um assinante da revista sobre o envio de currículo por e-mail.
E) orientar o leitor sobre como alcançar o maior número possível de selecionadores de currículos.
Resolução:
Alternativa C.
O texto tem a função de instruir o leitor acerca do envio de currículo por e-mail, como é perceptível neste trecho: “Ao enviar o currículo por e-mail, tente saber quem vai recebê-lo e faça um texto sucinto de apresentação, com a sugestão a seguir”.
Fontes
BLOGUE. In: INFOPÉDIA. Disponível em: https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/blogue.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf.
BROCK, Jaqueline Weiler; PORTO, Luana Teixeira. Gêneros textuais digitais no ensino médio: um panorama de trabalhos acadêmicos sobre o tema. Aracê, São José dos Pinhais, v.7, n.2, p. 5262-5281, 2025.
KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos do texto. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2010.
LEMOS, Jacirley Pereira. Gênero digital: uma sequência didática a partir do internetês. 2015. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2015.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONISIO, Angela Paiva; MACHADO, Anna Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora (orgs.). Gêneros textuais & ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002. p. 19-36.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais emergentes no contexto da tecnologia digital. In: MARCUSCHI, Luiz Antônio; XAVIER, Antônio Carlos (orgs.). Hipertexto e gêneros digitais: novas formas de construção do sentido. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.
SANTOS, Nádson Araújo dos; CAVALCANTE, Maria Auxiliadora da Silva. Gêneros digitais em livros didáticos de português: uma abordagem focada no livro didático e na concepção de professores. Revista de Letras, Vitória da Conquista, v. 12, n. 1, jan./ jun. 2020.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/redacao/generos-digitais.htm