Pierre de Coubertin foi um aristocrata francês que se comprometeu com a fundação dos Jogos Olímpicos modernos, ocorridos primeiramente em 1896. Ele sentiu-se inspirado em apresentar a prática esportiva como um elemento de exaltação à juventude de seu país, aplicando-a em programas didáticos escolares de maneira semelhante aos testemunhados na Inglaterra e nos Estados Unidos.
Ele mesmo um praticante de diversos esportes, acompanhou as descobertas arqueológicas do fim do século que traziam de volta o interesse pela Antiguidade e, consigo, as competições olímpicas que haviam sido praticadas pela última vez na Grécia havia mais ou menos 1500 anos. Não sem enfrentar imposições, por meio da associação a instituições esportivas, pôde realizar a revitalização dos Jogos Olímpicos em 1896, ainda que as primeiras edições fossem bastante diferentes dos eventos globais que conhecemos.
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Nascido Pierre de Frédy, o barão Pierre de Coubertin foi o principal responsável pela criação dos Jogos Olímpicos modernos, cuja primeira edição ocorreu em 1896.
Quarto filho de Charles Louis de Fredy e Agathe Marie de Crisenoy, Pierre nasceu na aristocracia francesa em 1º de janeiro de 1863. Na juventude, frequentou a Escola Jesuíta de Saint-Ignace, e posteriormente, a Escola de Ciências Políticas, ambas em Paris. Sob o ofício de pedagogo e historiador, Pierre frequentou instituições de ensino internacionais, tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos.
De volta à França, ele passou a adquirir fascínio pelos estudos clássicos, a Antiga Grécia e sua respectiva cultura esportiva, uma paixão que se intensificou com o sucesso das expedições arqueológicas daquele final de século, que trouxeram a público inúmeras redescobertas da até então negligenciada Antiguidade.
Praticante de diversos esportes comuns à aristocracia europeia do período, como equitação, esgrima, boxe, remo e tênis, o barão, por meio da criação do Comitê para a Propagação dos Exercícios Físicos na Educação (CPEFE), também passou a organizar escolas de atividades físicas pela França, de forma semelhante à educação nos EUA e na Inglaterra. Seu intuito com isso era revitalizar a juventude francesa e, ao mesmo tempo, oferecer à sua população um escape para o estresse mental. Em 1889, Pierre assumiu o cargo de secretário geral da União das Sociedades Esportivas e Atlética Francesa (USFSA). Por meio da USFSA, Pierre de Coubertin incentivou a criação do Comitê Olímpico Internacional (COI) em 1894, do qual foi presidente entre 1896 e 1925.
Apesar da importância para a história das Olimpíadas e da sua defesa pela universalização das práticas esportivas, contraditoriamente, Pierre de Coubertin era adepto do eugenismo e do etnocentrismo, chegando até mesmo a apoiar Adolf Hitler e o nazismo, especialmente após as Olimpíadas de 1936, na Alemanha. Ele faleceu aos 74 anos em decorrência de um infarto na cidade de Genebra, Suíça, em 1937.
Pierre de Coubertin foi o responsável pela realização dos Jogos Olímpicos modernos. A aproximação acadêmica de Pierre de Coubertin com os estudos clássicos, o fascínio pela Grécia Antiga e as respectivas práticas esportivas da cultura helênica, além das inúmeras descobertas arqueológicas advindas de pesquisadores franceses na segunda metade do século XIX, inspiraram-no a buscar pela revitalização das Olimpíadas ou, conforme sua referência tradicional, as “Olimpíadas de Verão”. Nesse reestabelecimento da prática, Pierre defendia a admissão de atletas de diversos países, impelido a transformar o evento em um acontecimento tradicional.
Sua proposta, apresentada na cidade francesa de Sorbonne em 1892, foi recebida com ceticismo e até mesmo escárnio. Mesmo assim, dois anos mais tarde, sua iniciativa resultou na fundação do Comitê Olímpico Internacional (COI), presidida pelo grego Demetrius Vikelas; Coubertin assumiu a presidência em 1896.
Apesar de a primeira edição dos Jogos Olímpicos ter sido prevista para ocorrer em Paris, capital da França, no ano 1900, a expectativa gerada pela população da Grécia levou o COI a reconsiderar o local de estreia. Assim, decidiu-se que a primeira Olimpíada deveria ser antecipada para ser sediada na capital grega, Atenas, em 1896, respeitando, conforme a tradição dos antigos gregos, o hiato de quatro anos entre uma e outra edição. Apesar da pouca verba pública concedida pelo governo grego para sustentar um evento daquelas proporções, o estádio de Atenas recebeu incentivo privado para sua total restauração.
No entanto, as primeiras Olimpíadas Modernas não foram inclusivas. Os eventos de 1900 e de 1904, ocorridos respectivamente em Paris e em Saint-Louis, nos EUA, foram palco de racismo por obrigar os atletas negros a usarem trajes estereotipados e ridicularizantes, algo que, infelizmente, era comum nas sociedades conservadoras da época, e cujas ideologias eugenista e etnocentrista eram inclusive de conivência do barão. Vale destacar também que, contraditoriamente às suas políticas de inclusão, Pierre de Coubertin se opunha à participação de mulheres nos Jogos Olímpicos, o que refletiu em uma lenta progressão na inclusão feminina. Na edição de estreia, não houve competidoras, e, nos primeiros jogos ocorridos nos anos 1900, a média de atletas mulheres não ultrapassava 2% (estima-se que a equidade na porcentagem de atletas por gênero tenha sido atingida apenas nos recentes Jogos Olímpicos de 2024, em Paris). A postura de Pierre não passou despercebida, já que mais tarde, descobriu-se até mesmo uma carta direcionada por ele a Adolf Hitler, por quem expressava profunda admiração.
Em 1908, os Jogos Olímpicos ocorreram em Londres, na Inglaterra, mas foram dificultados pela própria organização, que impunha regras nacionais sobre o evento (como a participação exclusiva de árbitros ingleses). Na Olimpíada de 1912, na capital sueca de Estocolmo, a situação foi mais favorável do que nas edições anteriores, frente à organização prévia dos sediadores e ao investimento adequado para as estruturas do evento. Pela primeira vez, no entanto, os jogos tiveram de ser suspensos frente à eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), voltando a ser praticados apenas em 1920, na Antuérpia, Bélgica.
Além de ter sido o principal responsável pela fundação do comitê, Pierre de Coubertin também foi o autor da bandeira oficial das Olimpíadas, cujos cinco anéis, cada um de uma cor, representam os continentes. Ela foi criada em 1913 e hasteada pela primeira vez na edição de 1920. O barão se manteve na presidência do COI até 1925, não sem a frustração de testemunhar o descaso dos sediadores das Olimpíadas diante do conceito de fair play (literalmente “jogo justo”), que consiste no respeito mútuo e em valores éticos aplicados nos esportes, que foi por décadas deixado de lado especialmente por motivos políticos.
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Criada originalmente em 1964, a Medalha Pierre de Coubertin é considerada a maior honraria olímpica de reconhecimento oferecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), concedida apenas aos atletas e envolvidos que se destacam pela esportividade nas Olimpíadas. No caso dos competidores, ela é oferecida somente para aqueles que estimam o fair play (literalmente “jogo justo”) acima da própria vitória. Foi um prêmio fundado apenas no final do século XX.
Não há um registro conciso do número de pessoas homenageadas pela medalha, que, além dos atletas, incluem dirigentes, jornalistas, artistas e afins. No entanto, alguns casos excepcionais se tornaram populares por demonstrar, sobretudo, o espírito esportivo de alguns competidores.
O primeiro atleta a receber a medalha foi o italiano Eugenio Monti, piloto de bobsleigh, durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 1964. Tanto na competição de duplas quanto na competição de quartetos, Monti e sua equipe auxiliaram as equipes rivais diante de problemas técnicos com seus trenós, emprestando até mesmo um parafuso para equipe britânica e realizando o reparo de um dos eixos do veículo do grupo canadense.
Apesar de ser o primeiro a receber o prêmio em vida, houve casos de atletas que foram homenageados postumamente. Ainda em 1964, o alemão Luz Long foi reconhecido como agraciado pela Medalha Pierre de Coubertin não apenas por seu espírito esportivo na modalidade de salto à distância, mas também pela demonstração de coragem explícita diante de uma ameaça política: os Jogos Olímpicos de 1936 foram sediados em Berlim, na Alemanha Nazista, diante da presença de Adolf Hitler.
Na ocasião, o alemão havia queimado propositalmente o primeiro salto, e, mesmo assim, o juiz marcou sua tentativa como válida. Diante de todo o público, Long aconselhou o seu rival, o estadunidense Jesse Owens, a arriscar um salto menor do que o necessário (a distância estimada antes do conselho poderia arriscar uma queimada por parte de Owens). O estadunidense aceitou o conselho de Long e venceu a prova, recebendo medalha de ouro. Ao final da prova, Long abraçou Owens, que era negro. O seu ato de fair play mesmo diante do regime totalitário nazista significou, sobretudo, uma afronta ao mito da superioridade ariana e ao próprio Hitler (posteriormente, Long foi forçado a ingressar no exército e combater na Sicília, onde morreu em 1943).
Embora os exemplos citados demonstrem apenas os dois primeiros casos de atletas agraciados pela Medalha Pierre de Coubertin, quinze ou mais competidores já receberam este prêmio, inclusive o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, que, durante a liderança no trajeto da maratona de Atenas em 2004, foi atacado por um ex-padre irlandês, atrapalhando o rendimento do atleta e comprometendo sua vitória. Mesmo assim, o brasileiro continuou a corrida até o fim, e sua esportividade lhe angariou o prêmio que leva o nome do barão de Coubertin.
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Como pedagogo, Pierre de Coubertin foi uma importante personalidade para o sistema de educação dos jovens da República Francesa. Ao conhecer de perto os métodos didáticos aplicados nas instituições de ensino inglesa e estadunidense, foi influenciado pelas práticas de incentivo esportivo nas escolas.
Ao retornar à França, uma de suas primeiras ações foi a fundação do Comitê para a Propagação dos Exercícios Físicos na Educação (CPEFE), em 1888. A prioridade do comitê era apresentar o esporte como uma prática inclusiva e essencial para a saúde mental e rejuvenescimento da sociedade.
Mesmo após o estabelecimento dos Jogos Olímpicos, o barão continuou a aprimorar e disseminar sua filosofia de ensino. Em 1922, publicou a obra Pedagogia Esportiva, em que anunciou os princípios da aplicação dos esportes no sistema de ensino universal, assinalando sua inclusão social e a essencialidade do fair play; em 1926, fundou a União Pedagógica Universal (UPU) para difundir sua filosofia educacional.
O barão de Coubertin publicou mais de trinta livros durante sua vida, além de, estima-se, mais de mil artigos. Os principais temas de suas obras eram os esportes, a educação, e a história, muitas vezes interconectados nos mesmos textos. Traduzidas abaixo para o português, alguns dos livros e artigos de Coubertin incluem:
As frases abaixo, de autoria do barão Pierre e Coubertin, carregam contradições que demonstram o pensamento comum do conservadorismo europeu do final do século XIX, mesmo diante de sua política de inclusão e universalidade nos esportes:
Créditos de imagem
[1] Museovirasto / Wikimedia Commons (reprodução)
[2] Ricardo Stuckert / Presidência da República / Agência Brasil / Wikimedia Commons (reprodução)
Fontes
COUBERTIN, Pierre. Olimpismo: Seleção de textos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1015.
HIRTHLER, George. Celebrating Pierre de Coubertin: the French genius of sport who founded the modern Olympic Games, 2019.
INTERNATIONAL OLYMPIC COMMITTEE. Disponível em https://www.olympics.com/ioc/news/celebrating-pierre-de-coubertin-the-french-genius-of-sport-who-founded-the-modern-olympic-games.
MÜLLER, Norbert. O fundador do movimento olímpico, s.d. Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin. Disponível em: https://www.coubertinbrasil.com.br/fundador-movimento-olimpico/.
NESTLER, Stefan. Há 100 anos, Jogos Olímpicos Femininos se tornavam realidade, 2021. DW. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/há-100-anos-jogos-olímpicos-femininos-se-tornavam-realidade/a-56965224.
RIBEIRO, Luiz C. A (des)politização dos Jogos Olímpicos modernos. História: questões e debates. Curitiba: UFPR, v.68, n.37, p.208-228, 2020.
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VILLE DE PARIS. Pierre de Coubertin and the origin of the Olympic Games, 2024. Disponível em: https://www.paris.fr/en/pages/pierre-de-coubertin-and-the-origin-of-the-olympic-games-27628.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/biografia/pierre-de-coubertin-barao-de-coubertin.htm