Promécio (Pm)

O promécio (Pm) é um metal da série dos lantanídios que ocorre em minerais de urânio e é predominantemente obtido por meio de produção artificial em reatores nucleares.

O promécio é um elemento químico raro e radioativo, pertencente à série dos lantanídeos, com número atômico 61 e símbolo “Pm”. Descoberto em 1945, não é encontrado naturalmente em grandes quantidades na Terra, sendo geralmente produzido artificialmente em reatores nucleares como subproduto do processamento de urânio. Contudo, apesar de sua escassez natural, ele desempenha um papel significativo em campos que requerem fontes de radiação beta, como em painéis solares, tintas luminescentes e em dispositivos de medição de espessura, contribuindo, dessa forma, para avanços na ciência e na tecnologia.

Leia também: Érbio — detalhes sobre o lantanídeo de número atômico 68

Resumo sobre o promécio

Propriedades do promécio

Características do promécio

O promécio é sólido à temperatura ambiente e se destaca por várias características. Por exemplo, é um metal raro e radioativo, cuja produção é exclusivamente artificial, com todos os seus isótopos sendo instáveis. Em vista disso, ele tem capacidade de emitir radiação beta, o que o torna útil em várias aplicações industriais e científicas. Já do ponto de vista químico, ele compartilha algumas propriedades em comum com outros lantanídeos, como o estado de oxidação +3 sendo o mais estável e usual.

Onde o promécio é encontrado?

Minério uraninita, rico em urânio e também a principal fonte natural do promécio. [1]
Minério uraninita, rico em urânio e também a principal fonte natural do promécio. [1]

O promécio é um elemento raro na crosta terrestre, portanto são encontrados apenas traços dele em minerais de urânio, como a uraninita. Outro fato importante é que devido à instabilidade dos seus isótopos, isto é, por serem radioativos, ele é extremamente escasso na natureza. Ou seja, a maior parte do promécio utilizado em aplicações de interesse científico e tecnológico é produzida artificialmente em reatores nucleares.

Veja também: Praseodímio — lantanídeo encontrado principalmente nos minerais monasita, bastnasita e xenotima

Ocorrência do promécio

O promécio ocorre na natureza em quantidades extremamente pequenas, principalmente em minerais de urânio, como a uraninita. Nesses minerais, ele é encontrado como resultado do decaimento radioativo de outros elementos, mas suas concentrações são tão baixas que é praticamente insignificante para a extração comercial.

Além de sua ocorrência natural, ele é produzido artificialmente em reatores nucleares, sendo esse método de produção artificial a sua principal fonte disponível para aplicações práticas. Em meio a isso, podemos citar dois dentre os seus isótopos, como suas principais formas:

Obtenção do promécio

A obtenção do promécio é feita principalmente em reatores nucleares, onde é produzido como subproduto da fissão do urânio e do plutônio, processo no qual os núcleos de um deles se dividem, gerando uma variedade de elementos mais leves, incluindo o promécio. Em vista disso, podemos destacar três etapas subsequentes à sua produção: extração, separação e purificação, sobre as quais falaremos a seguir.

  1. Extração: os produtos de fissão, incluindo o promécio, são extraídos do combustível nuclear usado nos reatores.

  2. Separação: técnicas como precipitação, troca iônica e extração por solventes são aplicadas para separá-lo dos outros produtos de fissão.

  3. Purificação: o promécio separado é então purificado para remover quaisquer impurezas remanescentes, resultando em um material pronto para uso em pesquisas e industriais.

Vale ressaltar que esse processo é complexo e requer instalações especializadas devido à radioatividade do elemento e à presença de outros radionuclídeos no material fissionado. Sendo assim, como resultado a produção de promécio é limitada e ocorre principalmente em laboratórios e instalações nucleares que possuem a capacidade de manusear materiais radioativos com segurança.

Aplicações do promécio

As aplicações do promécio são feitas de modo a aproveitar suas propriedades radioativas, como:

Painel de avião com tintas contendo promécio-147, um dos isótopos do promécio.
Painel de avião com tintas contendo promécio-147.

Precauções com o promécio

No que pese a sua natureza radioativa e sua produção em reatores nucleares, algumas precauções são necessárias com a manipulação do promécio, como:

Promécio-147, um dos isótopos do promécio, em embalagem blindada contra radiação.
Promécio-147 em embalagem blindada contra radiação.

História do promécio

A história do promécio remete ao desenvolvimento da ciência nuclear no século XX, especificamente em 1945, ano em que ele foi descoberto por Jacob A. Marinsky, Lawrence E. Glendenin e Charles D. Coryell, que estavam trabalhando no Laboratório de Radiação Metalúrgica da Universidade de Chicago.

A descoberta foi feita praticamente por acaso enquanto os cientistas analisavam os resíduos de um experimento anterior envolvendo a fissão nuclear do urânio. Sendo assim, os pesquisadores detectaram a presença de um novo elemento no material analisado e o isolaram com sucesso, nomeando-o de promécio, em referência ao titã da mitologia grega Prometeu. Essa escolha refletiu a natureza “prometeica” da descoberta, já que o promécio era um elemento artificial, produzido pela primeira vez em laboratório, cuja principal característica é sua radioatividade.

Desde então, ele tem sido utilizado em dispositivos que requerem fontes de radiação beta, bem como em tintas luminescentes e baterias nucleares para fornecer energia a dispositivos que precisam operar por longos períodos sem intervenção humana, como sondas espaciais.

Curiosidades sobre o promécio

Crédito de imagem

[1] Rob Lavinsky / Wikimedia Commons (reprodução)

Fontes

BABULA, P. et al. Uncommon heavy metals, metalloids and their plant toxicity: a review. Environmental Chemistry Letters, [s. l.], v. 6, n. 4, p. 189–213, 2008. Disponível em: http://link.springer.com/10.1007/s10311-008-0159-9.

BRODERICK, K. et al. Reactor production of promethium-147. Applied Radiation and Isotopes, [s. l.], v. 144, p. 54–63, 2019. Disponível em: https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0969804318305931.

CABELLO, G.; LILLO, L.; CARO, C. EUROPIUM: COMPOUNDS, PRODUCTION AND THEIR OPTICAL APPLICATIONS. In: CHEMISTRY RESEARCH SUMMARIES: VOLUME 2. [S. l.: s. n.], 2012. v. 2, p. 151.

COTTON, S. The Misfits: Scandium, Yttrium, and Promethium. In: LANTHANIDE AND ACTINIDE CHEMISTRY. [S. l.]: Wiley, 2006. p. 107–119. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/0470010088.ch7.

ELKINA, V.; KURUSHKIN, M. Promethium: To Strive, to Seek, to Find and Not to Yield. [S. l.: s. n.], 2020. Disponível em: https://www.frontiersin.org/article/10.3389/fchem.2020.00588/full.

FLICKER, H.; LOFERSKI, J. J.; ELLEMAN, T. S. Construction of a promethium-147 atomic battery. IEEE Transactions on Electron Devices, [s. l.], v. 11, n. 1, p. 2–8, 1964. Disponível em: http://ieeexplore.ieee.org/document/1473659/.

NATIONAL CENTER FOR BIOTECHNOLOGY INFORMATION. PubChem. promethium. [S.l.]. NCBI, 2024. Disponível em: https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/element/61.

NHU, T. K. D. et al. An Overview of Rare Earth Ores Beneficiation in Vietnam. Inżynieria Mineralna, [s. l.], v. 1, n. 2, 2021. Disponível em: https://inzynieriamineralna.com.pl/index.php/testowe/article/view/241.

SOUSA FILHO, P.; GALAÇO, A.; SERRA, O. TERRAS RARAS: TABELA PERIÓDICA, DESCOBRIMENTO, EXPLORAÇÃO NO BRASIL E APLICAÇÕES. Química Nova, [s. l.], v. 42, n. 10, 2019. Disponível em: http://quimicanova.sbq.org.br/audiencia_pdf.asp?aid2=6995&nomeArquivo=AR20190324.pdf.

WELLER, M. et al. A química dos lantanídeos. In: QUÍMICA INORGÂNICA. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2017. p. 628–642.  


Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/quimica/promecio-pm.htm