Objeto direto e indireto são termos integrantes da oração. Compreender a diferença entre objeto direto e indireto é essencial para o domínio da gramática e o uso correto da língua portuguesa em situações formais e informais. Esses termos ou elementos da oração funcionam para a complementação dos verbos, dando sentido completo às ações descritas nas frases. Neste texto, você vai aprender o que são esses objetos, como identificá-los e a diferença entre eles, além de conhecer pronomes que podem substituí-los.
Leia também: O que é o complemento verbal?
O objeto direto e o objeto indireto são palavras ou expressões que completam o sentido dos verbos na frase. Gramaticalmente, eles fazem parte dos termos integrantes da oração.
A diferença entre eles está na forma como se ligam ao verbo:
Vejamos alguns exemplos comentados de objetos direto e indireto.
Quem vê, vê algo ou alguém. Nesse caso, “um cachorro” completa o sentido do verbo “vi”. Como esse complemento se liga ao verbo de forma direta, sem preposição, “um cachorro” é um objeto direto.
Quem encontra, encontra algo ou alguém. Aqui, “o amigo” completa o sentido do verbo “encontraram”. Como esse complemento se conecta diretamente ao verbo, sem preposição, “o amigo” é um objeto direto.
Quem precisa, precisa de algo ou de alguém. Aqui, “de você” completa o sentido do verbo “precisar”. Como a ligação entre o verbo e o complemento é feita por meio da preposição “de”, “de você” é um objeto indireto.
Quem gosta, gosta de algo ou de alguém. “Do filme” completa o sentido do verbo “gostar”. Como a ligação entre o verbo e o complemento é feita pela preposição “de”, “do filme” é um objeto indireto.
Sobre a questão dos objetos indiretos, é importante lembrar que alguns verbos na língua portuguesa pedem preposições específicas para se conectar a seus complementos. As preposições mais comuns exigidas pelos verbos são: “de”, “em”, “a”, “com” e “para”. Vejamos alguns exemplos:
Para identificar o objeto direto e o objeto indireto, é importante observar o verbo e seu complemento:
Vejamos alguns exemplos práticos:
O que a mãe preparou?
O jantar é objeto direto, pois não há preposição.
Com quem ela conversou?
Com o professor é objeto indireto, pois o verbo conversar exige a preposição com.
Os pronomes oblíquos são aqueles que exercem a função de objeto na frase. São eles: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes. Eles ocupam a função de objeto na frase, como nos exemplos:
Eu me preparei. Eles nos observavam de longe.
Dessa maneira, os pronomes oblíquos são usados para substituir os objetos direto e indireto na frase. Vejamos como isso ocorre dentro da frase.
Exemplo: Eu vi a menina. → Eu vi-a ou Eu a vi.
Exemplo: Entreguei o presente ao João. → Entreguei-lhe o presente.
Na fala popular e coloquial, muitas vezes usamos pronomes retos em vez de pronomes oblíquos nas funções de objeto direto e indireto, algo que não está correto no padrão culto da língua. Observe os casos abaixo.
Eu o vi na escola. (português padrão)
Eu a chamei para a festa. (português padrão)
Importante: quando na fala popular o verbo é completado com os pronomes EU, ELE, VOCÊ etc., temos objeto direto e devemos usar O e A no padrão culto do português.
O médico lhe explicou tudo. (português padrão)
Eu lhe contei o segredo. (português padrão)
Importante: se o verbo é completado com a fórmula PARA MIM, PARA VOCÊ, PARA ELE etc. na fala popular, temos objeto indireto e devemos usar LHE no padrão culto do português.
Apesar de o objeto direto geralmente não usar preposição, em alguns casos ele vem precedido por uma preposição para dar ênfase, clareza ou formalidade à oração. Vejamos alguns exemplos:
Aqui, a é uma preposição que reforça o objeto direto Maria.
O objeto direto todos é precedido por a, reforçando o sentido da frase.
Os verbos podem ser classificados conforme o tipo de objeto que exigem.
Ela comprou um presente.
(Quem compra, compra algo. Objeto direto: um presente.)
Ele gosta de música.
(Quem gosta, gosta DE algo ou DE alguém. Objeto direto: de música.)
O professor emprestou um livro ao aluno.
(Quem empresta, empresta algo A alguém. Objeto direto: um livro; objeto indireto: ao aluno.)
Veja também: O que são os verbos intransitivos?
Questão 1
Identifique o objeto direto na frase a seguir: A menina leu um livro interessante.
A) A menina
B) Leu
C) Um livro interessante
D) Interessante
Resolução:
Alternativa C.
O objeto direto é o termo que completa o sentido do verbo de forma direta, sem preposição. Na frase, “um livro interessante” é o complemento do verbo “leu”. Vejamos o caso das demais alternativas:
A) A menina: está incorreta, pois é o sujeito da frase, quem realiza a ação de ler.
B) Leu: incorreto, pois é o verbo da frase, não o complemento.
D) Interessante: é parte do objeto direto (um livro interessante), mas sozinho não é o complemento completo do verbo.
Questão 2
Qual é o objeto indireto da frase “Ela emprestou a caneta ao colega”?
A) Ela
B) A caneta
C) Ao colega
D) Emprestou
Resolução:
Alternativa C.
O objeto indireto é o termo que completa o verbo com o uso de preposição. “Ao colega” completa o sentido do verbo “emprestar”, indicando a quem a caneta foi emprestada. Vejamos o caso das demais alternativas:
A) Ela: está incorreta, pois é o sujeito da frase, quem realiza a ação de emprestar.
B) A caneta: é o objeto direto, pois completa o verbo sem preposição, indicando o que foi emprestado.
D) Emprestou: é o verbo da frase, não o complemento.
Questão 3
O uso correto de pronomes oblíquos é importante para a norma culta da língua. Se reescrevermos a frase “Carlos encontrou a amiga na praça” substituindo o objeto direto pelo pronome oblíquo adequado, qual será a alternativa correta?
A) Carlos lhe encontrou na praça.
B) Carlos a encontrou na praça.
C) Carlos o encontrou na praça.
D) Carlos aos encontrou na praça.
Resolução:
Alternativa B.
O pronome A substitui “a amiga”, que é objeto direto, de acordo com a norma culta da língua. Vejamos o caso das demais alternativas:
A) Carlos lhe encontrou na praça: LHE é um pronome de objeto indireto, inadequado para substituir um objeto direto.
C) Carlos o encontrou na praça: O é pronome de objeto direto, mas não concorda com “a amiga”, que é feminino.
D) Carlos aos encontrou na praça: AOS está incorreto, pois não existe uma combinação de preposição a + os que faça sentido nessa frase.
Questão 4
Alguns verbos na língua portuguesa exigem tanto um objeto direto quanto um objeto indireto para completarem seu sentido. Analise as frases abaixo e marque a que apresenta um verbo que é transitivo direto e indireto ao mesmo tempo.
A) Maria assistiu à peça de teatro.
B) João comprou flores.
C) Paulo entregou o presente ao amigo.
D) Luísa viajou para a praia.
Resolução:
Alternativa C.
O verbo “entregar” é transitivo direto e indireto, pois exige dois complementos: “o presente” (objeto direto) e “ao amigo” (objeto indireto). Vejamos o caso das demais alternativas:
A) Maria assistiu à peça de teatro: o verbo “assistir” é transitivo indireto, pois exige apenas o complemento com preposição “a”.
B) João comprou flores: o verbo “comprar é transitivo direto, pois não exige preposição para seu complemento.
D) Luísa viajou para a praia: o verbo “viajar é intransitivo; “para a praia” é apenas um adjunto adverbial de lugar.
Questão 5
A substituição de termos por pronomes oblíquos é comum na língua formal. Reescreva a frase a seguir de acordo com a norma culta: “A mãe contou a história para o filho”.
A) A mãe lhe contou a história.
B) A mãe o contou a história.
C) A mãe a contou para ele.
D) A mãe contou-o para ele.
Resolução:
Alternativa A.
O pronome “lhe” substitui corretamente para o filho, que é o objeto indireto.
B) A mãe o contou a história: O é pronome de objeto direto, mas “para o filho” é objeto indireto.
C) A mãe a contou para ele: A é pronome de objeto direto, enquanto “para o filho” exige pronome de objeto indireto.
D) A mãe contou-o para ele: “Contou-o” está incorreto, pois O é objeto direto (masculino) e “a história” é o objeto direto (feminino), enquanto “para ele” é objeto indireto.
Fontes
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
CEREJA, William; VIANNA, Carolina Dias. Gramática: texto, reflexão e uso. Volume único. São Paulo: Atual, 2020.
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008.
KURY, Adriano da Gama. Português Básico e Essencial. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013.
PESTANA, Fernando. A Gramática para Concursos Públicos: um guia completo e prático. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2019.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/objeto-direto-objeto-indireto.htm