Martha Medeiros é uma autora brasileira. Ela nasceu em 20 de agosto de 1961, na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Mais tarde, estudou Comunicação Social na Pontifícia Universidade Católica e fez carreira como cronista nos jornais Zero Hora e O Globo.
Ela é autora de livros de poesia e de crônicas, além de romances. O mais famoso deles é o romance Divã. São características de suas obras a temática cotidiana, a reflexão e o protagonismo feminino. Nos anos de 1998 e de 2004, Martha Medeiros ganhou o Prêmio Açorianos de Literatura.
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Martha Medeiros nasceu em 20 de agosto de 1961, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Seus pais são José Bernardo Barreto de Medeiros e Isabel Mattos de Medeiros.
Martha Medeiros teve uma infância tranquila, daquelas de andar de bicicleta na rua. Morava em um prédio na rua Fabrício Pillar, em Porto Alegre.
Martha Medeiros estudou no colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, em Porto Alegre. Em seguida, estudou Comunicação Social na Pontifícia Universidade Católica, formando-se em 1982.
Martha Medeiros trabalhou com publicidade, além de iniciar sua carreira de escritora em 1985, com a publicação de seu primeiro livro — Strip-tease. Por volta de 1993, viveu oito meses no Chile, em companhia de seu marido. Nesse período, dedicou-se à escrita.
Ao retornar ao Brasil, passou a trabalhar como cronista no jornal Zero Hora e também em O Globo. Publicou seu livro mais famoso — Divã — em 2002. A obra fez muito sucesso quando foi adaptada para o teatro em 2005 e depois para o cinema em 2009.
Com 27 anos de idade, Martha Medeiros casou-se com o publicitário Luiz Telmo de Oliveira Ramos.
Com o marido, Martha Medeiros teve duas filhas: Júlia e Laura.
Martha Medeiros é uma autora da literatura contemporânea brasileira. Apesar de seu livro mais conhecido ser o romance Divã, grande parte de sua obra é composta por crônicas, textos curtos que tratam de temática cotidiana. Segundo a mestre em Linguística e Língua Portuguesa Aline Pereira de Souza, tais crônicas apresentam forte caráter metafórico, reflexivo e persuasivo.
Além disso, o universo feminino está presente não só em suas crônicas, mas também em sua poesia. De acordo com a pesquisadora Natália de Fátima Nogueira Chinait:
No padrão patriarcal, segundo a estudiosa [Mary Louise Pratt], a natureza é feminina e a história é masculina, o sujeito poético é masculino que, por sua vez, é inspirado pela paisagem que é feminina. Na poética de Martha Medeiros isso se difere, pois sujeito poético e paisagem são femininos.
Martha Medeiros é detentora de uma escrita peculiar, colocando em cena uma mulher destemida, de “corpo liberado”, que encara sua condição feminina em um meio de maioria masculina. A autora traz para a cena um sujeito feminino fluido, que desempenha vários papéis no ambiente em que vive e na sociedade.
Nessa escrita, encontramos um sujeito independente, que interage com o outro sem deixar de possuir uma identidade própria e sua individualidade. [...].
O protagonismo feminino também está presente em sua prosa ficcional. O aspecto cotidiano perpassa tanto a poética quanto a prosa de Martha Medeiros. Além disso, elas possuem uma linguagem direta, simples, em tom intimista. Sua prosa é fluida, o que permite uma leitura fácil, mas não superficial.
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Divã é a obra mais famosa de Martha Medeiros. Nela, temos a história de Mercedes, uma mulher que tem pouco mais de 40 anos quando decide fazer análise, ou seja, consultar um psicanalista. Ela é uma mulher comum, professora de Matemática, casada há cerca de vinte anos com Gustavo. Eles são pais de três filhos. De repente, ela sente uma necessidade interna e marca uma consulta com o doutor Lopes.
Começa assim seu entendimento sobre si mesma, no divã do analista. Nas sessões de psicanálise, ela passa a questionar a própria existência. O casamento dela chega ao fim. Solteira novamente, Mercedes reflete sobre sua sexualidade. Nessa sua crise de meia-idade, ela precisa pensar no envelhecimento e na morte.
Quem é Mercedes? O que ela deseja? Sua existência vale a pena? Sua vida é bem-sucedida e perfeita? São questionamentos que essa mulher madura inevitavelmente começa a fazer. O início da análise é fruto de curiosidade, mas a experiência torna-se uma viagem de autoconhecimento.
Para entender seu presente, ela relembra o passado, as relações familiares. A obra apresenta caráter reflexivo e elementos do cotidiano:
Sou eu que começo? Não sei bem o que dizer sobre mim. Não me sinto uma mulher como as outras. Por exemplo, odeio falar sobre crianças, empregadas e liquidações. Tenho vontade de cometer haraquiri quando me convidam para um chá de fraldas e me sinto esquisita à beça usando um lencinho amarrado no pescoço. Mas segui todos os mandamentos de uma boa menina: brinquei de boneca, tive medo do escuro e fiquei nervosa com o primeiro beijo. Quem me vê caminhando na rua, de salto alto e delineador, jura que sou tão feminina quanto as outras: ninguém desconfia do meu hermafroditismo cerebral. Adoro massas cinzentas, detesto cor-de-rosa. Penso como um homem, mas sinto como mulher. Não me considero vítima de nada. Sou autoritária, teimosa e um verdadeiro desastre na cozinha. Peça para eu arrumar uma cama e estrague meu dia. Vida doméstica é para os gatos.
Crédito de imagem
[1] Editora L&PM (reprodução)
Fontes
BERTOLUCCI, Mariana. Inspiradora e corajosa. Revista Bá, 20 ago. 2023.
CHINAIT, Natália de Fátima Nogueira. Strip-tease: corpo e voz na escrita feminina contemporânea. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE LETRAS E LINGUÍSTICA, 2., 2011, Catalão. Anais [...]. Catalão: UFG, 2011.
FEITOSA, Jailândia Flávia Gonçalves. Gênero textual reflexivo e emancipatório: vertente analítica contextual expressa na crônica “O mulherão” de Martha Medeiros. 2017. TCC (Licenciatura Plena em Letras) – Faculdade de Itaituba, Centro de Estudos Superiores de Itaituba, Itaituba, 2017.
MEDEIROS, Martha. Divã. Porto Alegre: L&PM, 2022.
NASCIMENTO, Juliana Ramos do. As representações da mulher no imaginário feminino em Fora de mim de Martha Medeiros. 2014. Monografia (Licenciatura em Letras) – Centro de Humanidades, Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, 2014.
SOUZA, Aline Pereira de. Interpretando a linguagem figurada: um estudo das crônicas de Martha Medeiros. 2013. Dissertação (Mestrado em Linguística e Língua Portuguesa) – Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2013.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/literatura/martha-medeiros.htm